O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS – Keith Donohue


Boa tarde, querida Família Lendo Muito.

Trago-vos hoje a resenha de um livro que muitos de vocês já devem ter lido ou ao menos ouvido falar, pois transformou-se em uma espécie de leitura obrigatória no ano de 2016. Trata-se de O Menino que Desenhava Monstros, do famoso novelista americano Keith Donohue.

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Jake Peter foi diagnosticado com síndrome de Asperger, um tipo mais leve de altismo, e com agorafobia (pavor de sair de casa)  após ele e Nick, seu único amigo, terem quase se afogado na praia quando ambos tinham 7 anos. Após serem salvos, J.P., como ele era conhecido, nunca mais foi o mesmo, tornando-se a a partir daquele dia, uma criança retraída e isolada de todos, forçando seus pais a tirá-lo da escola.

A mãe e o pai de Jake Peter tinham visões muito diferentes a respeito do tratamento do filho de dez anos: enquanto Holly, sua mãe, acreditava que eles deveriam procurar outro tipo de ajuda para o menino, já que ela não percebia qualquer sinal de progresso; ela inclusive acreditava que o comportamento do garoto vinha piorando, pois ele chegou até agredi-la violentamente quando ela fora acordá-lo em certa manhã; já Tim, seu pai, acreditava que J.P. vinha progredindo aos poucos, já que agora ele vinha comunicando-se através de seus desenhos.

Mas J.P. não criava desenhos comuns, mas sim figuras assustadoras. Ele afirmava que aquilo que ele vinha retratando em seus desenhos eram os monstros que habitavam o seu quarto…

Num dado momento, fatos muito estranhos tiveram início: quando Tim levava Nick de volta para a casa, ele e o garoto avistaram uma figura branca, nua, que lembrava um homem com feição grotesca, correndo pela neve; já Holly, passou a ouvir sons incomuns e assustadores na própria casa.

Buscando refúgio espiritual, Holly passou a frequentar a igreja católica da região. Lá, ela conheceu o padre Bolden e a srta. Tiramaku, sua estranha governanta que certo dia contou-lhe a respeito do Porthleven, um antigo navio que naufragara perto dali, há muito tempo. As pessoas diziam que o navio afundara por total imperícia de seu capitão, e muitos corpos jamais haviam sido encontrados.

A partir de então, teve início a lenda dos yureis, que nada mais eram do que espíritos condenados a assombrar os vivos até que fosse reparado o mal que lhes fora causado. Estes espíritos buscavam apenas a liberdade para seus tormentos.

Será que os yureis eram a resposta para os sons estranhos da sua casa e daquela grotesca figura que seu marido havia avistado na neve? Ou a chave para este enigma era algo bem pior… originário da mente perturbada de Jake Peter?

O resto, só lendo muito!

Respeito muito cada um de vocês e sei que muitos de vocês amaram a história. Contudo, tenho certeza absoluta, que este foi um dos piores livros que li em minha vida, senão o pior.  Pensei muitas vezes em abandonar a leitura (isto é algo que eu jamais faço) pois o ritmo da história é extremamente parado, modorrento, apesar do ótimo enredo que o autor tinha em mãos: um thriller psicológico, repleto de muito mistério e com uma pitada de sobrenatural. Entretanto, na minha humilde opinião, parece que o nosso querido Keith Donohue resolveu zombar de nós leitores ao criar um final tão estapafúrdio e inverossímil.

Vou atribuir ainda uma estrela apenas por causa da belíssima edição da DarkSide Books.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Tribulações de um Chinês na China – Júlio Verne


Resultado de imagem para capa tribulações de um chines na chinaQuerida Família Lendo Muito, é com grande prazer que trazemos a vocês mais uma resenha do grande Júlio Verne que, além de ter sido um dos pais da ficção-científica, foi também um grande visionário, já que muitas das invenções que vemos hoje já eram descritas por ele há tempos em seus livros, como o engenhoso submarino Nautilus, do livro Vinte Mil Léguas Submarinas, e o carro-anfíbio voador, de O Senhor do Mundo.

Mas Tribulações de um Chinês na China vai totalmente na contramão de suas outras obras, visto que não há qualquer descrição de engenhosos inventos.

Tudo começa com um banquete onde encontram-se sentados à mesa, no salão de uma das casas flutuantes do Rio das Pérolas, na cidade de Cantão, o sábio filósofo Wang, o rico Kin-Fo, e seus quatro amigos de infância: Pao-Shen, Yin-Pang, Tim e Houal. Kin-Fo, já cansado de uma vida fastigiosa e sem graça de riquezas, resolveu promover aquele banquete como uma espécie de despedida de solteiro, já que em breve ele iria casar-se com a jovem e bela viúva Lé-Ou.

Porém, ao voltar para sua residência em Xangai, juntamente com o filósofo e fiel amigo Wang, Kin-Fo recebeu uma carta vinda da América do Norte, mais precisamente do Banco Central da Califórnia, aonde seu correspondente de São Francisco informava-lhe que ele estava simplesmente falido…

De posse dessa informação, Kin-Fo tomou a decisão de dirigir-se à companhia de seguros de vida A Centenária – casa de muito prestígio na China, dirigida pelo ilustríssimo Sr. Guilherme J. Bidulph -, com o intuito de segurar sua vida pela vultosa importância de duzentos mil dólares, que seria dividida entre dois beneficiários: cinquenta mil dólares para seu amigo Wang e os outros cento e cinquenta mil dólares restantes iriam para sua noiva, a Sra. Lé-Ou.

Diante da sua iminente  falência, Kin-Fo tinha o plano de cometer suicídio, portanto, ele começara a preparar o enredo e trâmites de sua morte, estipulando como data limite de seu falecimento o dia 25 de junho, mesmo dia em que completaria 31 anos.

Como não tinha coragem para consumar o fato, ele resolveu incumbir Wang da cruel tarefa, com a condição do amigo matá-lo sem que ele soubesse como, onde e quando, somente respeitando o prazo estipulado.  Para que tudo ficasse ainda mais completo, Kin-fo resolveu redigir também uma carta suicida, onde afirmava que havia dado cabo da sua vida por causa do tédio e do cansaço, isentando Wang de quaisquer implicações futuras.

Tomando ciência de todo o plano de Kin-Fo, Guilherme J. Bidulph, proprietário da seguradora de vida A Centenária, incumbe seus agentes Craig e Fry para cuidar e vigiar o “suicida em potencial” para que nada lhe acontecesse até a data da expiração do contrato do seguro.

Para piorar a sua situação, Kin-Fo fica sabendo que seu amigo Wang desapareceu, sem deixar qualquer vestígio. Ele também recebe a notícia que na realidade não estava e nunca esteve falido; tudo havia sido um grande equívoco do Banco Central da Califórnia.

Kin-Fo, Craig e Fry, mais seu leal serviçal Soun, partem desesperadamente em busca de Wang para avisá-lo da mudança de planos, já que Kin-Fo não desejava mais ser morto. Todavia, será mesmo que eles conseguirão encontrá-lo antes que ele mate Kin-Fo?

O resto, só lendo muito.

Uma história emocionante, acompanhada de um suspense eletrizante, de tirar mesmo o fôlego, digno do grande Júlio Verne.

Mereceria até mais do que 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado de verdade.

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André & Ana Paula