DEPRESSÕES – Herta Müller


Resultado de imagem para livro depressões herta muller coleçãoBom dia, querida Família Lendo Muito!

Para iniciar as resenhas da semana, escolhi o livro Depressões, primeira obra da escritora alemã, nascida na Romênia Herta Müller, ganhadora do Prêmio Nobel da Literatura de 2009.

O livro é composto por quinze contos extremamente perturbadores, que falam das dificuldades encontradas pelas famílias para viverem no campo,  numa Romênia pós-guerra. A infância das crianças é retratada aqui de forma dura, brutal e muitas vezes agressiva; mesmo assim, há sinais de devaneios e até brincadeiras infantis.

Problemas como alcoolismo, adultério e espancamentos são traços marcantes da escrita da autora e são tratados como algo extremamente normal, chegando até a receber um certo lirismo por parte da mesma. 

Posso dizer que as histórias parecem repugnantes num primeiro momento, contudo, conforme avançamos na leitura, a desgraça é descrita de forma tão corriqueira que acabamos nos solidarizando com tamanho sofrimento vivido pelos personagens, por mais absurdo que isto possa parecer!!!

Escolhi dois contos para dar destaque:

1. O Discurso Fúnebre
Uma garota acompanha de perto o funeral do pai, que fora sempre uma figura imponente em casa. Terminado o enterro, alguns homens já muito alcoolizados, começam a narrar-lhe os terríveis pecados cometidos pelo seu progenitor, pecados que incluíam mortes de inocentes, adultério e até um caso terrível de estupro, que ocorrera durante a guerra. 

Para vingar-se daquele homem que fora tão terrível, os homens do vilarejo voltam-se para a pobre garota, condenando-a à morte.

2. Depressões
Esta narrativa, além de dar nome ao livro, é também a mais longa, ocupando quase metade do mesmo e narra a vida campestre de uma garotinha que mora com seus pais e avós, mas chega a ser tão insignificante que parece não existir de verdade.

Seu choro é repelido com tapas e surras dados pela mãe desalmada, que acredita que criança não deve chorar sem motivo. Ela escolhe como seu refúgio particular a “casinha”, uma latrina construída no terreno, usada por todos da família. Naquele lugar nauseabundo ela chora à vontade, sem qualquer culpa, e enquanto chora, ela também olha para baixo e, pela cor dos excrementos, ela consegue adivinhar quem esteve ali antes…

O resto, só lendo muito!

A leitura é bem tranquila e o ritmo torna-se bem acelerado devido à utilização de frases curtas pela autora.

Digno de 3 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

Um Padre em 1839 – Júlio Verne


Resultado de imagem para um padre em 1839Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Selecionei para vocês uma resenha especial de um dos autores que eu mais admiro: Júlio Verne. A obra escolhida desta vez foi Um Padre em 1839, primeiro livro que este maravilhoso autor escreveu e jamais chegou a terminar.

A história começa no dia 12 de março de 1839, quando o velho sino rachado da igreja de São Nicolau,  bimbalhava desde cedo, conclamando os fiéis para lotarem a antiga igreja e acompanharem de perto o sermão do padre Bruno,  jovem pregador que havia voltado há pouco da Terra Santa e pretendia contar a todos um pouco de sua aventura por lá.

Entretanto, o que era para ser alegria, transformou-se em verdadeira catástrofe, quando o velho sino desprendeu-se do madeirame e despencou lá de cima, vindo a cair no chão do campanário.  Com o barulho infernal, as pessoas se apavoraram e começaram a correr desordenadamente, pisoteando uns aos outros .

Durante a  confusão, a bela Ana foi salva pelo valente advogado recém-formado Jules Deguay, que lutou bravamente para escapar do pandemônio, conseguindo com sucesso chegar até a rua para pegar uma carruagem e levar a jovem ilesa para casa de seus pais.

Naquele dia, oitenta e oito pessoas perderam a vida e outras tantas se feriram gravemente!

Jules e seu amigo Michel Randeau resolvem investigar o terrível acidente e acabam por descobrir que tudo não passara de um plano maléfico para raptar a bela Ana, arquitetado por Pierre Hervé, um jovem e renegado padre – enfeitiçado pela beleza da jovem-, sua madrasta e bruxa maléfica Abraxa e seu amante e assassino Mordhomme (Morte-de-homem, em francês).

O enredo ganha um tom ainda mais sinistro quando Verne volta dez anos na história, para falar da terrível vida que o excomungado padre Pierre levara ao lado de sua verdadeira família, que era paupérrima, até a época em que o bondoso Sr. Derbouil o levara para estudar no seminário. Ali, desde o primeiro dia ele fora maltratado pelos outros alunos ricos, que faziam dele seu principal alvo…

Acredita-se que Júlio Verne estava usando esta história provavelmente como um autêntico desabafo, pois ele contava com apenas 19 anos e também era um estudante de direito nesta época – não é de se estranhar que o personagem principal seja um jovem estudante de direito, de nome Jules. Além disso, ele e seu irmão Paul sofreram maus-tratos quando frequentaram um colégio interno como seminaristas.

Mesmo nesta obra inacabada já se consegue notar o brilhantismo do autor, que já fazia uso de suas grandiosas metáforas. e também do eterno conflito Ciência X Religião, traço marcante em toda a sua vasta obra.

Não poderia nunca deixar de citar as belíssimas ilustrações de Cecília Iwashita, que complementam com brilhantismo cada capítulo desta obra.

O ponto negativo fica por conta do número excessivo de ponto e vírgulas, o que acaba travando a leitura, em certos momentos.

Ao meu ver, poderiam ter usado um ghost-writer para dar um final digno para a história, como fizeram com Charles Dickens em seu livro A Verdade sobre o Caso D.

Mesmo inacabado, é digno de receber estrelas!

Espero que tenham gostado.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

 

A ILHA DOS CISNES – Anne Rivers Siddons


Resultado de imagem para ilha dos cisnes capaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Nada como uma resenha para iniciar com pé direito o final de semana, não é mesmo?

Para isso, escolhemos A Ilha dos Cisnes, da novelista americana Anne Rivers Siddons.

O livro conta a história de Molly, uma autêntica dona de casa americana, que morava em Atlanta com seu marido Tê, e mais dois filhos crescidos: Teddy e Caroline. Eles possuíam uma casa bem confortável e viviam dentro de um padrão de vida normal. Molly, portanto, acreditava que era uma pessoa realizada e muito feliz.

Certo dia, porém, ela acaba descobrindo que seu querido Tê estava traindo-a com Sheri Scroggins, de trinta e dois anos e dotada de um corpo perfeito, capaz de virar a cabeça de qualquer um. Para piorar a situação, Sheri era sua colega de trabalho na Coca-Cola onde ocupava um cargo de advogada e assistente do departamento jurídico.

Seu marido resolve abandoná-la para viver com Sheri e, da noite para o dia, seu casamento de mais de vinte anos rui feito um verdadeiro castelo de cartas, fazendo com que a vida de Molly virasse completamente pelo avesso.

Como desgraça sempre atrai ainda mais desgraça, a mãe de Molly, que sempre fora uma mulher rígida e muito dominadora, acaba morrendo nesta mesma época, e a coitada da Molly começa a ser acometida por  pesadelos horríveis envolvendo sua mãe morta e enfurecida!

Para fugir dos terríveis pesadelos e com objetivo de dar novo rumo à sua vida, ela aceita o convite de um casal de amigos e parte para a calma ilha de Marthas Vineyard, localizada a oito quilômetros da costa de Massachussets.  Lá chegando, ela acaba descobrindo que o lugar era o que ela estava esperando, ou seja, um verdadeiro paraíso e acaba alugando um chalé à beira do lago. 

Contudo, o destino jamais seria tão bondoso com Molly e, ao alugar o lindo chalé, ela acabou adquirindo um “pacote completo” incluindo duas senhoras portuguesas, muito idosas e senis; um doente terminal de câncer perneta e um lindo casal de cisnes… selvagens e muito temperamentais!!!

Neste lugar paradisíaco e, ao mesmo tempo perturbador, ela acaba fazendo uma verdadeira reflexão completa de sua vida,  entregando-se de corpo e alma em busca  da felicidade e de uma melhor sorte…

O resto, só lendo muito!

Livro adorável, gostoso, que prende a atenção do leitor do início ao fim. O final é inesperado e comovente.

Digno de receber 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

CUCO – Julia Crouch


“Seu Primeiro erro foi convidá-la a entrar…”

 

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Boa noite, querida Família Lendo Muito.

Todos nós já fomos ajudados ou prestamos auxílio a algum amigo querido em dificuldades, não é mesmo?

Com Rose Cunningham também não foi diferente. Ao receber uma ligação da Grécia, oriunda de sua amiga Polly Novack, uma cantora de rock em completa decadência, informando que Christos, seu marido falecera em um grave acidente automobilístico, Rose resolveu convidar Polly e seus dois filhos para virem morar com ela na Inglaterra, o que a amiga prontamente aceitou.

O único problema era que Gareth, o marido de Rose, não gostava nenhum pouco de Polly, pois achava que ela fora a única culpada por afastar Christos deles, isolando-o de todos nos Cárpatos.

Gareth e Rose estavam tentando aparar as arestas do casamento, após o nascimento de Flossie, a filha mais nova do casal, produto de uma gravidez inesperada e indesejada por parte do marido de Rose, que chegou até a sugerir  que ela fizesse um aborto.

Com a chegada de Polly e de Nico e Yannis, seus dois filhos, a amizade entre ela e Rose começa a tomar um outro rumo, pois Polly demonstra ter um grande ressentimento e inveja da vida que Rose leva com Gareth que, segundo ela, é bem diferente da vida sem carinho e amor que ela levava com Christos, na Grécia, já que ambos vinham saindo, nos últimos tempos, com vários amantes e só não haviam se separado por causa dos filhos.

Com o passar dos dias, Rose passa a conviver com as explosões de fúria repentinas da amiga; estranhos acontecimentos começam a ocorrer na casa, como a morte do gato da família e também o envenenamento “acidental” de Flossie.

Rose também passa a desconfiar que seu marido estava tendo um caso com Polly, e que sua melhor amiga poderia estar interessada em assumir seu lugar…definitivamente!

Será que Rose tem mesmo razão para preocupar-se? Ou tudo não passa de  simples imaginação de sua mente?

O resto, só lendo muito!

Sabem aquele livro que tinha tudo para ganhar um dez e acaba ficando com nota zero?

Cuco é exatamente este livro, pois a autora tinha todos os ingredientes para criar um thriller psicológico eletrizante, com um final surpreendente, todavia, ela conseguiu estragar seu livro dando um desfecho completamente sem nexo a história, deixando o leitor com mais lacunas do que respostas.

Vários fatos que foram citados no decorrer da narrativa ficaram sem qualquer explicação e muitos personagens não deveriam nem ter existido, pois não acrescentaram nada a história, já que sumiram repentinamente, sem fazer qualquer sentido.

Não vou atribuir nenhuma estrela.

O meu pior erro foi ter terminado de ler este livro horrível!

Perdoem-me pela minha revolta e pelo meu desabafo.

Um beijo no coração de todos!

Alex André