O Casamento de Laucha – Roberto Payró


Resultado de imagem para O Casamento de LauchaBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Como muitos de vocês já estão cansados de saber, eu sou um “garimpeiro” de máquinas de livros do Metrô de São Paulo. E em uma das minhas “explorações”, encontrei O Casamento de Laucha: verdadeira obra-prima  da literatura argentina, de autoria de Roberto Payró.

Laucha (ratazana, em castelhano), como a própria alcunha que recebera desde seus 5 anos já dizia, assemelhava-se a um verdadeiro roedor asqueroso, tanto fisicamente – já que possuía cabelo opaco e bem ralo, rosto fino, que se assemelhava a um focinho, bigode falhado e escuro e olhos negros e um pouco saltados -, quanto nas atitudes, já que o mesmo era muito malandro e bastante esperto.

O sujeito vivia para lá e para cá, aplicando pequenos golpes e apostando o pouco dinheiro que mantinha com ele, ou seja, literalmente “vendendo o almoço para pagar o jantar”, até o dia em que desembarca na cidade de Pago Chico, interior da Argentina e lá conhece Dona Carolina: uma italiana já madura, que enviuvara há algum tempo e tocava seu armazém apenas com a ajuda de um velhinho muito debilitado.

A viúva comprava bebidas falsificadas de um fornecedor da cidade, e revendia as doses aos seus fregueses. Laucha, com seu jeito manhoso e sagaz, logo convenceu a tal Dona Carolina a confiar-lhe todo o processo de fabricação das bebidas, já que ele era um exímio fabricante de conhaque; além disso, ele é quem cuidava da caderneta com os lucros e fiados da bondosa senhora.

E de bom empregado para namorado não demorou quase nada. Só que a Dona Carolina não abria mão de casar-se com o Laucha, algo que ele descartou no início, mas acabou aceitando, já que viu que a italiana, além do armazém, possuía algumas terras arrendadas também.

Ele foi então procurar o padre Papagna, com o intuito de marcar a data do enlace e mandar correr os papeis o mais rápido possível. Acontece que Papagna era um sujeito velhaco e muito dinheirista e acabou propondo-lhe um negócio muito mais vantajoso para ambos…

O resto, só lendo muito!

Um livro excelente, com uma história primorosa, que nos expõe o lado mais sórdido do ser humano.

Digno de 3  estrelas!

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

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Strip-tease – Carl Hiaasen


Strip-teaseBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês uma resenha especial de um livro que eu encontrei por acaso em um dos sebos que eu costumo frequentar. Trata-se de Strip-tease, do brilhante autor americano Carl Hiaasen.

Trapaças, luta livre de mulheres, chantagem, assassinato, sexo e corrupção são apenas alguns dos ingredientes deste excelente suspense.

A história começa em Fort Lauderdale, Flórida, mais precisamente no clube de striptease Eager Beaver; em certa noite, uma despedida de solteiro estava acontecendo na boate e Paul Guber, o noivo, havia consumido um pouco mais de álcool do que deveria e resolveu saltar no palco para acariciar a perna da stripper que estava se apresentando. Neste exato momento, um homem maduro, de bigode grosso avançou com tudo para o rapaz, espancando-o com uma garrafa de champanhe, até que o mesmo desmaiasse.

Tudo não teria passado de uma simples briga entre dois bêbados brigões se Jerry Killian, um frequentador assíduo do Eeager Beaver, não tivesse reconhecido o cavalheiro de bigode, que era ninguém mais, ninguém menos que David Dilbeck, deputado federal corrupto e depravado, que usara o falso bigode para disfarçar-se e não ser reconhecido, pois aquele era um ano eleitoral e ele esperava reeleger-se novamente.

Erin Grant, a dançarina em questão, era a verdadeira sensação do lugar;  ela já havia trabalhado no FBI, mas teve que desligar-se de suas funções  para tirar a roupa todas as noites no Eager Beaver – algo que ela própria reprovava -, para juntar o máximo de dinheiro possível para pagar um bom advogado para reconquistar a guarda da filha pequena, tomada por seu ex-marido Darrell Grant, um sádico, viciado em todo tipo de drogas e opiáceos, que usava a própria filha para ajudá-lo a roubar cadeiras de rodas infantis para depois desmontá-las e revender as peças separadas.

Killian é um dos muitos fãs de Erin, e resolve ajudá-la com o problema da guarda da criança, dispondo-se a chantagear o deputado Dilbeck para que ele converse com o juiz que tirou-lhe a guarda da filha – outro velho tarado, que adora frequentar clubes de striptease com uma bíblia no colo -, para que ele reveja o caso e restabeleça à Erin a guarda da filha. Todavia o plano fracassa quando Malcolm Moldowsky, lobista que cuida da carreira de Dilbeck e dos interesses de todos os usineiros da Flórida, assume o caso e resolve silenciar Killian…para sempre.

Shad, o leão-de-chácara da boate, era um grande amigo e defensor de Erin, e prestava-lhe ajuda como podia em assuntos relacionados ao seu ex Darrel. Além disso, o segurança sonhava em ganhar dinheiro para limpar seu nome e, para isso, resolveu apostar todas as suas fichas num grande golpe, colocando uma barata dentro de um copo de iogurte de uma marca de laticínios famosa, com o intuito de processar a empresa e receber uma indenização milionária. 

O advogado Mordecai havia sido um dos últimos alunos de sua classe na faculdade e sempre sonhara com um grande caso, e ele caiu em seu colo, quando Shad o procurou contando todo o seu plano.

Todavia, tudo naufraga quando uma secretária-substituta de Mordecai resolve fazer uma “boquinha” no frigobar do advogado…

Para evitar estragar o resto das surpresas que o autor reservou para os leitores, vou parando por  aqui.

O resto, só lendo muito!

Os capítulos são bem curtos e os personagens são tão bem construídos, que não dá tempo nem de respirar ou piscar os olhos durante a leitura.

O autor consegue prender a atenção do leitor do inicio até o final, completamente inesperado e imprevisível.

Digno de 5 estrelas

Houve um filme homônimo, de 1996, que não foi muito bem aceito pela crítica, trazendo Demi Moore no papel de Erin Grant.
Novas resenhas deste autor maravilhoso serão logo postadas, pois adquiri todos os títulos dele já lançados no Brasil!

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

Ana Karênina – Tolstói


“Todas as famílias felizes são parecidas.
As infelizes são infelizes cada uma a sua maneira.”

Imagem relacionadaCom esta frase de impacto inicia-se mais um grande clássico da literatura mundial,  que somente um autor com a genialidade e o talento de Lev Tolstói conseguiria criar; sua história é ambientada na Rússia czarista do início do século XIX e é marcada por inúmeras tragédias, amores impossíveis, perdas e muita dor.

Tudo começa em Moscou, quando uma grave crise conjugal entre Stiva (irmão de Ana Karênina) e a princesa Dolly, força Ana Karênina a sair de São Petersburgo e ir até Moscou, com o intuito de tentar salvar o casamento do irmão. A relação entre o casal deteriorava-se a cada dia que passava, motivada pelo adultério cometido por Stiva.

Entre bailes e diversos compromissos da nobreza, Ana conhece o Conde Vronski e não demora muito para que a paixão tome conta do coração de ambos. Neste ponto é que começam os problemas do casal apaixonado, pois Vronski está comprometido a casar-se com a jovem Kitty, irmã de sua cunhada Dolly, e Ana já é casada com Alieksiei Karênin, um homem deveras honrado, que ocupava um dos mais altos cargos do Ministério.

Mesmo com todos estes empecilhos, o casal enamorado decide ficar junto.

Vronski termina então seu compromisso com Kitty, que mais tarde inicia um tórrido romance com Liêvin, um proprietário de terras que vivia num verdadeiro dilema sobre como liderar seus funcionários e expandir ainda mais seus lucros – durante grande parte da narrativa, Tolstói faz inúmeras explanações sobre a política russa e a agricultura.

Ana, por outro lado, pede o divórcio ao seu marido, contudo, como era o costume da época, o mesmo não aceita, obrigando o casal apaixonado a viver uma relação adúltera e proibida, sendo alvo de preconceito da nobreza e da sociedade russa da época.

Ana também é proibida por Alieksiei de ter qualquer contato com o filho e, a cada dia que passa, sua angústia só vai aumentando…

Será que ela encontrará a paz interior e conseguirá ser feliz ao lado de Vronski? Ou acabara definhando, sufocada na própria teia enredada por ela mesma, ao assumir seu amor pelo belo conde?

Para obter estas e outras respostas, só lendo muito!

Como na maioria dos livros considerados “clássicos”, a linguagem é bastante rebuscada e a leitura não é nenhum pouco dinâmica, podendo até ser considerada monótona por alguns, já que Tolstói  descreve minuciosamente o panorama político do início do século XIX.

Digno de 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

Contos En… Cantos & Peripécias – Andrade Jorge


Contos En... Cantos & PeripéciasBom dia, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de um livro que eu recebi de presente de uma pessoa muito iluminada e querida: minha amiga e irmã Lua Andrade, do maravilhoso blog Caderno da Lua!

Trata-se do livro Contos En… Cantos & Peripécias, de autoria do brilhante poeta Andrade Jorge, que é simplesmente o pai da doce Lua.

Como o próprio título já diz, os nove contos aqui selecionados são capazes de encantar a qualquer leitor, pois são muito bem construídos por este trovador que, para nossa sorte e deleite, resolveu aventurar-se pelos campos da prosa.

As histórias são ambientadas em lugares diversos e épocas bem distintas. Neste livro, o drama e a desilusão muitas vezes caminham de mãos dadas com a ironia e o humor; a temática escolhida é a mais variada possível, e envolve traição, vingança, corações partidos, mortos que ressuscitam, amores não correspondidos, demonstrando a grande versatilidade do autor.

Foi muito difícil escolher dar destaque para apenas dois contos, já que eu gostei de todos.
No final, fiquei com estes:

1. A Mulher do Barbeiro
Cássia Maria, além de esposa do barbeiro Plácido, a quem ele apelidara carinhosamente de “pombinha”, era uma mulher muito bonita e fogosa, cantada em verso e prosa por todos da pequena Buriti.

Mas, como toda a ave que se preza, ela também gostava de “voar” fora do seu ninho. A cada semana ela saía com um amante diferente, sempre escolhendo alguém da “turma das seis”, que frequentava o salão do marido ciumento e cego de amor.

Plácido reparava na ausência de um membro diferente da “turma dos seis”, mas os outros sempre davam uma desculpa para a falta do colega e ele sempre engolia…

Certo dia, uma grande empresa de cosméticos estabeleceu-se na região, trazendo técnicos especializados para morarem na cidade, além de gerar mais empregos e dinheiro para os cofres públicos.

Um dos técnicos contratados era Rodolfo Augusto, um afrodescendente a quem todos chamavam de Rodô. Além de alto e bonito, Rodô era também gabola e metido a conquistador. Ele tinha até um ditado pessoal: “Vacilou Rodô entrou!”

Certo dia, ele jogou todo o seu charme em cima de Cássia Maria, e a “pombinha” voou para o lado dele, rejeitando todos os demais amantes, dali em diante.

Rodô só não fazia ideia da enrascada que estava se metendo; enrascada esta que mudaria para sempre seu ditado para:

“Vacilou Rodô entrou…numa fria!”

2. Morango com Chantily e Champagne
Roberto era um bem-sucedido profissional da área de marketing e estava casado há bastante tempo com Cecília. Eles tinham uma vida bem tranquila e eram muito bem relacionados. Entre suas amizades, destacava-se o casal Sílvio e Caroline, com quem sempre jantavam e viajavam.

Caroline também trabalhava na mesma empresa de Roberto; como bons amigos, eles sempre conversavam sobre tudo, inclusive sobre o casamento de ambos que não ia nada bem. E, conversa vai, conversa vem, logo ficaram um pouco mais íntimos…

Até o dia em que uma viagem foi agendada pela empresa onde eles trabalhavam e ambos deveriam viajar para representar a empresa em um congresso importante. Eles ficariam hospedados no mesmo hotel e já faziam planos de “algo mais”.

Ciça, como Cecília era mais conhecida, ouviu Roberto conversando com Caroline sobre os preparativos da viagem e logo percebeu que ambos estavam marcando um encontro amoroso para depois do Congresso.

Ela ficou muito mal com aquilo e resolveu vingar-se da amiga e do marido de um jeito criativo e muito inusitado: ela se passaria pela amiga e faria o marido transar com ela, sem saber que era ela.

Para tudo dar certo, ela teve que enviar um telegrama para o hotel em que eles ficariam hospedados, passando-se por Caroline. No telegrama, ela detalhava uma fantasia sexual que ela fazia questão que seu “amante-marido” realizasse. 

A fantasia envolvia luzes apagadas, roupa íntima vermelha e provocante, uma champagne francesa gelada, morangos e chantily…

O resto, só lendo muito!!!

Um livro realmente maravilhoso, digno de receber 5 estrelas.

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Tudo aquilo que nunca foi dito – Marc Levy


Resultado de imagem para tudo aquilo que nunca foi dito livroBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Preparamos, com muito amor e carinho, mais uma resenha especial para vocês. Desta vez, a obra escolhida foi Tudo aquilo que nunca foi dito, de autoria de Marc Levy, considerado o “Dan Brown francês”.

O livro narra a história de Julia Walsh, uma infografista (pessoa que desenha e faz animação de personagens) que está prestes a se casar com seu noivo Adam.

Devido ao corre-corre de sua tão agitada vida, ela resolve pedir ajuda ao seu grande amigo Stanley, para juntos escolherem um lindo vestido de noiva. Julia só havia esquecido de mencionar a Stanley um pequeno detalhe: faltavam apenas quatro dias para a data de seu casamento!!!

Apesar do prazo apertado, as coisas caminhavam muito bem, até o momento em que a bela jovem recebe o telefonema do secretário de seu pai – com quem ela já não mantinha qualquer tipo de relação “paternal” há muito tempo, motivada pela constante ausência dele nos momentos mais importantes de sua vida -, informando-lhe que seu pai estaria também ausente no seu casamento, só que por um motivo totalmente inesperado: ele acabara de morrer…

A notícia cai como uma verdadeira bomba no colo de Julia, que decide então adiar o casamento, pois o funeral seria bem no dia que estava marcado o matrimônio.

No dia seguinte ao funeral, Julia encontra uma enorme caixa de madeira bem na frente da porta de sua casa. Ao abrir a tampa da caixa misteriosa, ela descobre que a morte não havia sido a única surpresa que  Anthony Walsh, seu finado pai, preparara para ela…

O resto, só lendo muito!

Não esperávamos muito deste livro e acabamos sendo surpreendidos, da maneira mais positiva possível, acreditem.

No início, a história parece bem fantasiosa e até difícil de engolir. Entretanto,  o autor construiu um enredo com rara maestria forçando seus próprios leitores a fazerem uma verdadeira reflexão sobre os erros e acertos cometidos por pais e filhos, e também sobre o verdadeiro perdão e  harmonização entre ambos.

Digno de 5 estrelas

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

Meia Noite – Daniel Henrique


Resultado de imagem para meia noite daniel henriqueBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Preparei para vocês, com muito carinho, a resenha do livro Meia Noite, escrito por Daniel Henrique, um autor jovem que está em busca de seu lugar ao sol.

A história começa quando as três amigas Kate (a riquinha e filhinha de papai), Karen ( a roqueira revoltada) e Kassie (a nerd) saem de São Paulo para  acampar em Joanópolis, pequena cidade do interior de São Paulo, conhecida como “terra do lobisomem”.

O lugar escolhido por elas era próximo a uma cachoeira muito bonita e deserta que, segundo os moradores, servia de lar ao suposto lobisomem local.

Durante a madrugada fria, Kate é acordada por sons estranhos oriundos da mata; ela então levanta e segue até os arbustos próximos e acaba encontrando apenas um gatinho abandonado.

Ainda com a pulga atrás da orelha, ela resolve seguir o felino que a conduz até uma trilha na floresta…

No outro dia, as duas amigas entram em desespero ao constatarem que a barraca de Kate estava vazia e ela havia sumido, sem deixar qualquer aviso ou pista.

Elas resolveram procurar a polícia, mas o delegado da cidade não demonstrou qualquer vontade de investigar o desaparecimento, pois acreditava que Kate resolvera dar uma escapulida rumo ao centro de Joanópolis, para divertir-se sozinha. Se ela não aparecesse dentro das próximas horas, elas deveriam retornar à delegacia para registrar queixa de pessoa desaparecida.

Ao saírem cabisbaixas da delegacia, elas foram abordadas pelo detetive Jonathan, que ouvira parte da conversa delas e estava disposto a ajudá-las, pois uma pessoa muito próxima a ele também havia desaparecido há tempos, na mesma região.

Seria o tal “lobisomem” o responsável pelo sumiço de Kate? Ou Joanópolis estava diante de algo muito mais sórdido e terrível?

O resto, só lendo muito!

A narrativa é bem construída, todavia, pelo fato da história ser voltada para o público infanto-juvenil, não chega a despertar grandes sustos. Entretanto, faço questão de acompanhar outros trabalhos do autor, para observar sua evolução.

O único senão  fica por conta do excesso de erros encontrados nessa primeira edição.

Espero que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos para todos!

Alex André (Xandy Xandy)