Vingança Diabólica – Stephen Gilbert


Resultado de imagem para capa livro vingança diabolicaBoa noite, querida Família Lendo Muito.

Para encerrar a linda noite de todos, eu tenho o verdadeiro prazer de resenhar para vocês uma das histórias mais sensíveis e dramáticas que eu já li sobre animais. Estou falando do livro Vingança Diabólica, do autor Stephen Gilbert.

Durante uma festa na casa do procurador Ralph Preston, um manuscrito é entregue a um amigo do mesmo. Após uma leitura rápida, o amigo do procurador procurou a pessoa para devolver-lhe o manuscrito, sem qualquer sucesso. Daquele dia em diante, esta pessoa jamais fora encontrada novamente, o que era mesmo um mistério.

Mistério maior reservava aquele manuscrito que fora escrito em forma de diário. Naquelas linhas escritas com letra pequena e legível, encontrava-se a história de um rapaz de nome desconhecido, que era órfão de pai, extremamente tímido e dominado por uma mãe idosa e muito doente, que achava que ele não passava de um espécie de “aborto da natureza”.

Certo dia, a mãe reclamou com ele sobre o jardim que estava abandonado e infestado por ratos. O rapaz teve então a ideia sádica e absurda de alagar todo o jardim para matar os ratos afogados. Contudo, na última hora ao ver o olhar de desespero da ratazana com seus filhotes, ele acabou se sensibilizando e salvando a todos. A partir daquele dia, ele iniciou uma grande amizade com os roedores.

Mô, a ratazana que fora salva, entregou para ele um dos seus filhotes, por  quem ele afeiçoou-se tanto, como se fosse um filho, passando a chamá-lo de Sócrates. Ele começou a ensinar-lhe pequenos truques, notando que Sócrates era bem mais esperto e sensível que os outros ratos. Posteriormente passou a treiná-lo para comandar um grupo de ratos para tarefas mais complexas.

Com a morte de sua mãe, ele resolveu levar os ratos para dentro da própria casa, instalando Sócrates em seu próprio travesseiro e os outros em sua velha adega. Contudo, o grupo não parava de reproduzir-se e crescer cada vez mais, sem que ele pudesse manter a alimentação de todos aqueles roedores.

Ele tentou então, negociar um aumento na firma onde trabalhava, sem sucesso. O Sr Jones, que já fora empregado de seu pai no passado e agora era o dono da firma, negou-lhe o tão esperado aumento, despertando no rapaz um espírito de vingança.

Em uma noite, ele colocou Sócrates e mais oito ratos em uma mala e levou-os até a garagem do Sr. Jones, ordenando que eles comessem os pneus do carro do seu chefe. Os ratos rapidamente comeram os pneus, voltando para a mala ao seu comando.

Após este primeiro êxito, ele achou que poderia treinar Sócrates e os outros ratos para que eles invadissem as casas vizinhas, assustando seus moradores para que ele as saqueasse.

Depois de alguns ataques, os jornais começaram a noticiar que uma infestação de ratos estava ocorrendo em todos os cantos da cidade, sob o comando de um monstruoso “Homem-rato”!

É então que um outro irmão de Sócrates aparece para dividir com ele a liderança dos outros ratos. um rato muito mais vivo e independente que Sócrates. No início, ele recebeu o nome de Salomão, devido à sua enorme inteligência, posteriormente mudado para Ben.

Seria este Ben um rato tão confiável como Sócrates, ou algo mais se escondia nos olhinhos furtivos daquele rato enorme?

O resto, só lendo muito!

Uma história de tirar o fôlego do início ao fim e uma crítica velada à nossa sociedade.

Digno de 5 estrelas.

Para aqueles que tiverem interesse: este livro deu origem a dois filmes muito bons na década de 70.

São eles:

Calafrio (Willard), de 1971

Ben, o rato assassino, de 1972)

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

O HOMEM INVISÍVEL – H.G. WELLS


O Homem InvisívelBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Nada melhor do que começarmos a semana trazendo para vocês a resenha de mais uma obra-prima de um dos grandes mestres da ficção-científica: O Homem Invisível, de H.G. Wells. Diferentemente de Júlio Verne, Herbert George Wells é considerado o pai da “ficção-científica utópica” ou “do impossível”, já que em muitos de seus livros deparamo-nos com citações de inventos ou mesmo experiências que não temos certeza se um dia serão realmente possíveis (vide A Máquina do Tempo ou A Ilha do Dr. Moureau).

Toda a ação de O Homem Invisível, acontece durante o inverno, no pequeno vilarejo inglês de Iping, onde um homem muito, mas muito estranho resolveu hospedar-se em um albergue. Este estranho homem estava todo disfarçado com um nariz falso, roupas pesadas, luvas, um chapéu e um lenço cobrindo todo o seu rosto. Ele apresentou-se como um investigador experimental, trazendo consigo inúmeras garrafas, livros e um humor capaz de afastar até a mais destemida das criaturas!

Seu nome era Griffin e por baixo de todo aquele disfarce ele guardava um terrível segredo de todos: seu coração era duro e tão frio como gelo e ele era completamente invisível!

Com o passar dos dias, Griffin não conseguindo manter segredo de suas experiências diabólicas, resolve então fugir de Iping, mediante uma sangrenta caçada, pois os moradores e a polícia estavam aterrorizados com a descoberta do temível homem invisível.

Acuado e cansado de fugir de todos, ele busca refúgio na casa do Dr. Kemps, que havia sido seu colega nos tempos da universidade. Para seu antigo amigo, Griffin conta toda a sua história, desde o momento em que resolvera largar o curso de medicina para dedicar-se exclusivamente à química experimental, até o momento em que,  após várias e várias experiências, ele então descobriu a fórmula da invisibilidade e, com ela, pretendia dominar o mundo.

Durante a narrativa de Griffin,  o Dr. Kemps experimenta um verdadeiro pavor, pois aquele colérico e transtornado ser que estava diante dele não tinha mais qualquer traço de humanidade. O médico revolve então dar parte de Griffin à polícia, desencadeando uma perseguição sanguinária ao homem invisível, que só pensa em vingar-se de tudo e de todos.

Será possível alguém detê-lo?

O resto, só lendo muito!

Quem nunca quis por um minuto ser invisível? Acho que todos nós, por motivos diversos, não é mesmo? A história de H.G. Wells nos faz repensar e muito este desejo, pois o que poderia ter sido uma benção para o cientista Griffin, tornou-se uma terrível maldição, transformando-o em um ser narcisista e perigoso.

Digno de receber 5 estrelas.

Existe um filme homônimo, de 1933, com Claude Rains no papel de homem invisível. O filme seguiu à risca a história do livro e vale muito a pena ser visto.
Abaixo encontra-se o trailer para quem tiver interesse:

Esperamos que tenham gostado.

Um beijo “invisível” no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

 

O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS – Keith Donohue


Boa tarde, querida Família Lendo Muito.

Trago-vos hoje a resenha de um livro que muitos de vocês já devem ter lido ou ao menos ouvido falar, pois transformou-se em uma espécie de leitura obrigatória no ano de 2016. Trata-se de O Menino que Desenhava Monstros, do famoso novelista americano Keith Donohue.

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Jake Peter foi diagnosticado com síndrome de Asperger, um tipo mais leve de altismo, e com agorafobia (pavor de sair de casa)  após ele e Nick, seu único amigo, terem quase se afogado na praia quando ambos tinham 7 anos. Após serem salvos, J.P., como ele era conhecido, nunca mais foi o mesmo, tornando-se a a partir daquele dia, uma criança retraída e isolada de todos, forçando seus pais a tirá-lo da escola.

A mãe e o pai de Jake Peter tinham visões muito diferentes a respeito do tratamento do filho de dez anos: enquanto Holly, sua mãe, acreditava que eles deveriam procurar outro tipo de ajuda para o menino, já que ela não percebia qualquer sinal de progresso; ela inclusive acreditava que o comportamento do garoto vinha piorando, pois ele chegou até agredi-la violentamente quando ela fora acordá-lo em certa manhã; já Tim, seu pai, acreditava que J.P. vinha progredindo aos poucos, já que agora ele vinha comunicando-se através de seus desenhos.

Mas J.P. não criava desenhos comuns, mas sim figuras assustadoras. Ele afirmava que aquilo que ele vinha retratando em seus desenhos eram os monstros que habitavam o seu quarto…

Num dado momento, fatos muito estranhos tiveram início: quando Tim levava Nick de volta para a casa, ele e o garoto avistaram uma figura branca, nua, que lembrava um homem com feição grotesca, correndo pela neve; já Holly, passou a ouvir sons incomuns e assustadores na própria casa.

Buscando refúgio espiritual, Holly passou a frequentar a igreja católica da região. Lá, ela conheceu o padre Bolden e a srta. Tiramaku, sua estranha governanta que certo dia contou-lhe a respeito do Porthleven, um antigo navio que naufragara perto dali, há muito tempo. As pessoas diziam que o navio afundara por total imperícia de seu capitão, e muitos corpos jamais haviam sido encontrados.

A partir de então, teve início a lenda dos yureis, que nada mais eram do que espíritos condenados a assombrar os vivos até que fosse reparado o mal que lhes fora causado. Estes espíritos buscavam apenas a liberdade para seus tormentos.

Será que os yureis eram a resposta para os sons estranhos da sua casa e daquela grotesca figura que seu marido havia avistado na neve? Ou a chave para este enigma era algo bem pior… originário da mente perturbada de Jake Peter?

O resto, só lendo muito!

Respeito muito cada um de vocês e sei que muitos de vocês amaram a história. Contudo, tenho certeza absoluta, que este foi um dos piores livros que li em minha vida, senão o pior.  Pensei muitas vezes em abandonar a leitura (isto é algo que eu jamais faço) pois o ritmo da história é extremamente parado, modorrento, apesar do ótimo enredo que o autor tinha em mãos: um thriller psicológico, repleto de muito mistério e com uma pitada de sobrenatural. Entretanto, na minha humilde opinião, parece que o nosso querido Keith Donohue resolveu zombar de nós leitores ao criar um final tão estapafúrdio e inverossímil.

Vou atribuir ainda uma estrela apenas por causa da belíssima edição da DarkSide Books.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Tribulações de um Chinês na China – Júlio Verne


Resultado de imagem para capa tribulações de um chines na chinaQuerida Família Lendo Muito, é com grande prazer que trazemos a vocês mais uma resenha do grande Júlio Verne que, além de ter sido um dos pais da ficção-científica, foi também um grande visionário, já que muitas das invenções que vemos hoje já eram descritas por ele há tempos em seus livros, como o engenhoso submarino Nautilus, do livro Vinte Mil Léguas Submarinas, e o carro-anfíbio voador, de O Senhor do Mundo.

Mas Tribulações de um Chinês na China vai totalmente na contramão de suas outras obras, visto que não há qualquer descrição de engenhosos inventos.

Tudo começa com um banquete onde encontram-se sentados à mesa, no salão de uma das casas flutuantes do Rio das Pérolas, na cidade de Cantão, o sábio filósofo Wang, o rico Kin-Fo, e seus quatro amigos de infância: Pao-Shen, Yin-Pang, Tim e Houal. Kin-Fo, já cansado de uma vida fastigiosa e sem graça de riquezas, resolveu promover aquele banquete como uma espécie de despedida de solteiro, já que em breve ele iria casar-se com a jovem e bela viúva Lé-Ou.

Porém, ao voltar para sua residência em Xangai, juntamente com o filósofo e fiel amigo Wang, Kin-Fo recebeu uma carta vinda da América do Norte, mais precisamente do Banco Central da Califórnia, aonde seu correspondente de São Francisco informava-lhe que ele estava simplesmente falido…

De posse dessa informação, Kin-Fo tomou a decisão de dirigir-se à companhia de seguros de vida A Centenária – casa de muito prestígio na China, dirigida pelo ilustríssimo Sr. Guilherme J. Bidulph -, com o intuito de segurar sua vida pela vultosa importância de duzentos mil dólares, que seria dividida entre dois beneficiários: cinquenta mil dólares para seu amigo Wang e os outros cento e cinquenta mil dólares restantes iriam para sua noiva, a Sra. Lé-Ou.

Diante da sua iminente  falência, Kin-Fo tinha o plano de cometer suicídio, portanto, ele começara a preparar o enredo e trâmites de sua morte, estipulando como data limite de seu falecimento o dia 25 de junho, mesmo dia em que completaria 31 anos.

Como não tinha coragem para consumar o fato, ele resolveu incumbir Wang da cruel tarefa, com a condição do amigo matá-lo sem que ele soubesse como, onde e quando, somente respeitando o prazo estipulado.  Para que tudo ficasse ainda mais completo, Kin-fo resolveu redigir também uma carta suicida, onde afirmava que havia dado cabo da sua vida por causa do tédio e do cansaço, isentando Wang de quaisquer implicações futuras.

Tomando ciência de todo o plano de Kin-Fo, Guilherme J. Bidulph, proprietário da seguradora de vida A Centenária, incumbe seus agentes Craig e Fry para cuidar e vigiar o “suicida em potencial” para que nada lhe acontecesse até a data da expiração do contrato do seguro.

Para piorar a sua situação, Kin-Fo fica sabendo que seu amigo Wang desapareceu, sem deixar qualquer vestígio. Ele também recebe a notícia que na realidade não estava e nunca esteve falido; tudo havia sido um grande equívoco do Banco Central da Califórnia.

Kin-Fo, Craig e Fry, mais seu leal serviçal Soun, partem desesperadamente em busca de Wang para avisá-lo da mudança de planos, já que Kin-Fo não desejava mais ser morto. Todavia, será mesmo que eles conseguirão encontrá-lo antes que ele mate Kin-Fo?

O resto, só lendo muito.

Uma história emocionante, acompanhada de um suspense eletrizante, de tirar mesmo o fôlego, digno do grande Júlio Verne.

Mereceria até mais do que 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado de verdade.

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André & Ana Paula