A CASINHA DE BONECA MAL-ASSOMBRADA e outras histórias inexplicáveis – Vários autores


A casinha de boneca mal assombradaO medo acompanha-nos desde o momento do nosso nascimento, até o final dos nosso dias, não é mesmo?

Quando pequenos, temos medo do escuro, do bicho-papão e de monstros que residem embaixo das nossas camas ou dentro de nossos armários; na nossa juventude, devido às muitas influências dos filmes que assistimos, passamos a temer lobisomens, vampiros, fantasmas e até assassinos em série; por fim, ao chegarmos à velhice, tememos a solidão, o esquecimento e a morte propriamente dita!

Os sete contos que compõe esta obra, selecionados a dedo por Heloisa Prieto e Victor Scatolin,  exploram todos os nossos medos mais secretos e muitos outros que nem fazíamos ideia que pudessem nos amedrontar tanto; todos os autores selecionados, flertaram com o medo e o terror, ao menos uma vez em suas vidas. São eles: Sir Arthur Conan Doyle, Émile Zola, H.G. Wells, Guy de Maupassant, M.R. James, Bram Stoker e Henry James.

Louve-se o apuro e esmero que os tradutores tiveram com esta obra de terror magnífica, fazendo uso de tradução livre, como forma de impactar ainda mais os leitores, sem  jamais perderem o verdadeiro enfoque de cada narrativa.

Os dois contos que eu mais gostei foram:

1. O Unicórnio, de Sir Arthur Conan Doyle
Marham faz-nos um breve relato do que aconteceu em 14 de abril de…,  quando ele e mais 4 amigos participaram de uma sessão espírita, no número 17 da rua Brederly.

No início da sessão, uma pequena fosforescência verde formara-se sobre a mesa e um espírito desencarnado trocou de lugar com a senhora Delamare, a única médium e clarividente da mesa. Ele respondeu às perguntas de todos os presentes sobre vida, morte e alertou-os do perigo de se brincar com o “desconhecido”, deixando o corpo da médium, logo em seguida.

Tudo corria bem até o momento que resolveram tentar algo novo, utilizando apenas a força do pensamento.

O resultado de tal experimento não poderia ser mais catastrófico e violento!!!

2. O Fantasma Inexperiente, de H.G. Wells
Clayton conta uma história bem difícil de engolir aos seus colegas, na qual, ele teria capturado um “fantasma inexperiente” e ajudado o inábil espírito a passar novamente para o “outro lado”.

Segundo o amigo falastrão, o fantasma novato tivera que realizar uma sequência completa de gestuais muito parecidos com passes de mágica e que, senão fosse pela sua ajuda direta, o tal fantasma não teria conseguido voltar para o além.

Com o objetivo de desmascararem Clayton, seus amigos pediram a ele que tentasse repetir a sequência de mágica na frente deles e ele assim o fez.

O resto, só lendo muito!

Esta é uma leitura obrigatória para todos aqueles que se dizem fãs de histórias de  terror!

Recebe 4/5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

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Frritt-Flacc – Júlio Verne


“Frritt”… é o vento que ruge, desgovernado.
Flacc”… é a chuva que cai, em torrentes.”

 

60ca6d2f-1020-490e-a59f-c946aba77aa3Fustigada dia e noite pelo terrível vulcão Vanglor e banhada pelas águas violentas do oceano de Megalocride, situava-se a pequena cidade fantástica de Luktrop, que não existia em qualquer mapa ou atlas, mas parecia-se com qualquer cidade pequena da Europa ou de qualquer outro lugar do mundo.

Certa noite, enquanto um forte vento e uma chuva terrível assolavam a pequena Luktrop, uma garota tiritando de frio, coberta apenas por uma capa de chuva muito fina,  aproxima-se da casa do médico da cidade, perguntando se ele poderia atender seu pai, que estava à beira da morte!

Além de morar na melhor casa da cidade, este tal de doutor Trifulgas era uma pessoa extremamente desumana e sovina, que interessava-se apenas em tratar de pessoas ricas e com muito dinheiro a lhe oferecerem, e assim que ficou sabendo que o paciente era um mero salgador de peixes, que morava num vilarejo um pouco distante de Luktrop, tratou de dispensar a pobre garota, dizendo-lhe que o doutor Trifulgas não se encontrava.

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Mais tarde, o médico foi procurado pela esposa do salgador de peixes, que também foi dispensada com a mesma grosseria, pois a mesma não trazia dinheiro suficiente consigo.

Por último, quem o procurou foi a mãe do tal salgador de peixes, pois seu filho acabara de sofrer um ataque. Como a velha senhora também não trouxera dinheiro suficiente, o desalmado médico dispensou-a com ainda maior indelicadeza.

Contudo, pensando no dinheiro fácil que ele receberia por uma consulta que seria relativamente rápida, o doutor Trifulgas resolveu aceitar o dinheiro que aquela mãe desesperada trazia consigo…

O resto, só lendo muito!

Apesar de Frritt-Flacc, num primeiro momento, parecer apenas com uma história infantil, trata-se, na verdade, de uma autêntica fábula de terror adulta, que força seus leitores a uma completa reflexão sobre o lado mais obscuro do ser humano e também sobre a morte.

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Não posso deixar de citar o excelente trabalho do artista plástico Alexandre Camanho; suas belíssimas ilustrações conseguiram abrilhantar ainda mais esta obra magnífica.

Recebe 4/5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

 

O Medalhão – Alexandre Dumas


Resultado de imagem para capa o medalhão de dumasO Medalhão é uma das poucas histórias fantásticas que Alexandre Dumas escreveu; tem como pano de fundo a cidade de Paris e o período que ficou conhecido na história como Terror, surgido logo após a Revolução Francesa, de 1789.

Às margens do rio Reno, situava-se a maravilhosa cidade germânica de Manheim, segunda capital do grão-ducado de Bade, onde eram ambientados praticamente todos os romances de Augusto Lafontaine e de Goethe.

Nesta belíssima cidade viviam os inseparáveis amigos e irmãos de criação Hoffman (Ernesto Theodoro Guilherme Hoffmann) e Zacarias Werner (que mais tarde escreveria “Martinho Lutero” e “24 de Fevereiro”). Hoffmann, nesta época,  contava com apenas 18 anos e vivia da pintura, da música, da poesia e, de vez em quando, da ajuda que sua mãe lhe enviava.

Além de terem sido criados juntos, ambos tinham um sonho em comum: conhecer Paris, a cidade das artes. Só não tinham dinheiro suficiente para tal façanha!

Foi quando Zacarias teve a ideia de pegarem todo o pouco dinheiro que lhes restava e irem até o cassino da cidade, arriscar a sorte na roleta.

Apesar de Zacarias ter perdido tudo o que possuía logo de início, em sua vez, Hoffmann começou a ganhar e ganhar, sempre juntando pilhas e pilhas de moedas de ouro, para surpresa geral de seu amigo e de todos os frequentadores do cassino.

Antes de sair dali, um velho oficial abordou Hoffmann e falou para ele que, caso ele continuasse ganhando, ele seria alvo fácil para o Diabo!

Após o fechamento do cassino, enquanto caminhavam para casa, Zacarias ria a valer, pois sabia que podiam ir e viver em Paris por um longo tempo, Hoffmann ficou triste e cabisbaixo, pensando no que o velho oficial lhe dissera ainda há pouco!

Na última hora, só Zacarias partiu para Paris, pois Hoffmann apaixonou-se pela bela Antônia, uma loira de apenas 17 anos, dona de uma voz maravilhosa e aveludada, filha do Maestro Gottlieb Murr.

Durante alguns meses, Hoffmann frequentava a casa de Antônia todos os dias, tal qual um verdadeiro membro da família, porém, Antônia percebia que faltava alguma coisa para seu noivo, pois ele parecia viver uma vida apática e sem sentido. Ela então consentiu que ele fosse viver em Paris por um tempo, junto com Zacarias, sob dois juramentos: que ele lhe permanecesse sempre fiel e que jamais jogasse de novo.

Ele então jurou por algo que lhe mais sagrado no mundo: a vida de Antônia, sua amada. Se ele não cumprisse seu juramento, ela estaria condenada à morte!

Antes que ele partisse, sua amada entregou-lhe um lindo medalhão em suas mãos; dentro dele, encontrava-se um retrato da bela e vistosa Antônia.

Ao chegar em Paris, ele decepcionou-se por completo, pois as bibliotecas e os museus que ele tanto queria visitar estavam todos fechados por causa da Revolução, já o Palácio de Luxemburgo fora convertido em prisão; além disso, Hoffmann não fazia a mínima ideia de onde morava Zacarias Werner!

Aquele jovem artista e entusiasta viera a Paris para estudar artes e respirar uma atmosfera de liberdade, contudo só encontrara portas fechadas e pessoas com medo de serem guilhotinadas!

Passando pela frente do teatro da Porta Saint-Martin, parou e viu que encontrava-se em cartaz o balé: “O Julgamento de Páris”, de Gardel Júnior.

“Que época esta aquela em que, no mesmo dia, podia ver-se
condenar pela manhã, executar às quatro da tarde, dançar à noite,
correndo-se o risco de acordar e ser detido de madrugada,
no meio de tantas e tão diversas emoções!”

Durante a apresentação conheceu uma figura estranha, toda vestida de preto, que apresentou-se como doutor caveirinha; no palco, ele foi enfeitiçado pela beleza de Arsênia, a bela dançarina morena, de olhos negros e penetrantes, que trazia, ao redor de seu lindo pescoço, um enorme colar de veludo e diamantes, cujo fecho era uma pequena guilhotina de prata.

Só tinha um pequeno problema: ela já era propriedade de Danton, um homem muito rico, que tinha o rosto completamente desfigurado pela acne e pela varíola!

Será que Hoffmann manteve-se fiel aos juramentos e voltou para Alemanha para casar-se com sua bela noiva Antônia? Ou rendeu-se aos caprichos da sedutora e fatal Arsênia?

O resto, só lendo muito!

Uma das narrativas mais brilhantes e perturbadoras que eu já li em toda minha vida; misto de drama, suspense, loucura e sobrenatural.

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

CORAÇÕES SUSPENSOS NO VAZIO – Baseado no massacre do Centro – Arlindo Gonçalves


Resultado de imagem para corações suspensos no vazioBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

É com imenso prazer que selecionei a resenha de Corações Suspensos no Vazio, de autoria do genial Arlindo Gonçalves que, além de escritor, é um grande fotógrafo.

O livro narra a história de dois moradores de rua – o velho e a velha – que parecem invisíveis aos olhos do resto do mundo.

O velho havia cursado faculdade e também já fora tradutor e professor de inglês – motivo que explicava seu incômodo ao constatar os diversos erros de ortografia que ele acompanhava durante suas andanças pelo centro -, porém, ele perdera absolutamente tudo,  inclusive sua esposa, por causa do alcoolismo. A desgraça, entretanto,  já o acompanhava desde muito cedo, pois ele e seu irmão mais novo haviam sido abandonados quando eram muito novos pelo tio que os criava e, anos depois, ele perdeu este mesmo irmão quando o mesmo afogou-se num rio.

A velha gostava de escrever  desde a quinta série, quando sua redação foi premiada como a melhor da escola; ela poderia ter sido alguém na vida, mas envolveu-se com pessoas erradas e acabou presa durante um assalto, para desgosto da família que a abandonou. Na cadeia, ganhou o respeito das outras detentas, pois era uma das poucas que sabia ler e escrever bem.

Estes dois seres sofridos, transparentes aos olhos do mundo, já se conheciam há algum tempo, enquanto aguardavam sua vez na fila da sopa; agora, moravam juntos num túnel que ficava no centro de São Paulo e dividiam sua bebida e, literalmente, seus trapos!

Próximo ao túnel onde (sobre)viviam estes dois desgraçados, havia a banca de jornais de um senhor viúvo e muito bondoso: a única pessoa que demonstrava cuidado e real preocupação por ambos!

Naquele dia em questão, o velho e a velha separaram-se desde cedo: ele fora andar pelas praças, bebendo e refletindo sobre seu passado tumultuado; a velha, andara pelas mesmas praças um pouco mais tarde, e acabara fazendo amizade com uma ex-professora e poetisa, que também estava morando na rua; após conversarem bastante sobre os infortúnios de cada uma, a professora convidou -a para morar num cantinho da  praça que ela dividia com outros amigos da rua, lugar que, segundo ela, seria bem melhor do aquele túnel quente e abafado que eles estavam morando, uma proposta realmente irrecusável.

Eles só não faziam ideia de que estavam selando de vez o seu destino!

O resto, só lendo muito!

Esta história baseada no massacre ocorrido em 2004, onde sete moradores de rua foram mortos com requintes de crueldade, enquanto dormiam no centro de São Paulo; porém, apesar de todos os autores terem sido identificados, ninguém foi preso até hoje!

Arlindo Gonçalves, através de sua narrativa forte e angustiante, mesclada com fotos tiradas do centro da “terra da garoa” – construiu uma história  realmente primorosa, retratando o drama e sofridão diária dos moradores de rua do centro de São Paulo – e de outras cidades do Brasil e do mundo -, que, após tanto tempo de abandono e esquecimento,  perdem suas verdadeiras identidades pelo caminho; traço um paralelo com Vidas Secas, de Graciliano Ramos, quando  Fabiano e Sinhá Vitória referem-se aos filhos apenas como menino mais velho e menino mais novo.

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

A Mulher Silenciosa – A.S.A. Harrison


Resultado de imagem para a mulher silenciosa capaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha do livro A Mulher Silenciosa, primeiro e único livro da escritora Angela Susan Ann Harrison, falecida em 2013.

Jodi Brett e Todd Gilbert  conheceram-se logo após um acidente de trânsito, onde ela fora a responsável e ele, o “nervosinho” e “grosseirão”, que gritou muito com ela a princípio, contudo, dias depois convidou-a para jantar e ela, de maneira educada, aceitou.

Agora, 20 anos após este incidente, eles vivem em Chicago, num lindo apartamento com vista para o mar, com dois carros de luxo na garagem, tudo fruto do dinheiro que Todd ganha como empreiteiro bem-sucedido. Já Jodi, é uma psicoterapeuta que atende apenas dois  pacientes por dia – sempre rejeitando os casos mais complexos, como viciados e também pacientes com transtornos mentais ou potenciais suicidas -, deixando muito tempo de sobra para suas aulas de Pilates, de arranjos florais e também para preparar as refeições gourmet que ela e Todd tanto adoram; Freud, o cão da raça golden retriever de pelo louro e brilhante, procura preencher o espaço daquele filho que eles não tiveram.

Aos olhos dos vizinhos e amigos, a vida deles parece bem satisfatória e feliz, só que Jodi sabe que nada disso é verdade. Durante todos estes anos, Todd a traiu com várias mulheres; mesmo assim, ela continua sendo tolerante com a infidelidade do marido, mantendo-se em silêncio, sem jamais confrontá-lo.

Todavia, tudo isto muda quando Todd envolve-se numa relação perigosa com Natasha, uma bela universitária que, além de ser muito jovem, é também filha de Dean Kovacs, o melhor amigo de Todd.

Como se isso só já não bastasse para virar sua vida pelo avesso, Natasha solta uma verdadeira bomba em seu colo: ela está esperando um filho dele, e faz questão que Todd venha viver com ela de uma vez  por todas.

Para isso, ela resolve “esquecer” um vidro de soníferos que estava em seu nome na calça predileta de Todd, ou mesmo ligando para Jodi, para “desculpar”-se por todo o problema que ela estava lhe causando.

De mãos atadas, ele acaba sendo obrigado a ceder aos caprichos de Natasha, mudando-se para um apartamento novo e procurando Harry, seu advogado, para saber quanto do seu patrimônio ele teria que dividir com Jodi; Harry, assim que fica sabendo que ele não era casado legalmente com Jodi, mandou Todd comemorar muito, pois a pobrezinha não ficaria com um único centavo seu!

Ao receber um aviso de despejo, avisando que ela tinha apenas trinta dias para desocupar seu belíssimo apartamento, a ficha de Jodi caiu: Todd não irá mais voltar para ela!

Vendo sua “vida perfeita” ruir à sua frente, Jodi partirá para o ataque, deixando de ser aquela mulher cordata e fiel – que aceita tudo do companheiro, de maneira silenciosa e sem reclamar-, para tornar-se uma verdadeira leoa, capaz de ferir, e ser for preciso, até de matar!!!

O resto, só lendo muito!

O fato da autora ter conseguido intercalar cada capítulo do livro com o ponto de vista de Todd e de Jodi, foi algo que achei fantástico.

Na tentativa de dar mais credibilidade para sua história, a autora carregou demais no perfil psicológico de cada personagem, tornando a narrativa lenta e muito amarrada; a autora esticou demais a história com detalhes irrelevantes e acabou perdendo-se no meio da trama, transformando uma história que tinha tudo para ser um excelente thriller psicológico, num fraquíssimo suspense.

De minha parte, recebe apenas 2 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

O Apito do Trem – César Arruda Castanho


“Não é difícil ver que este “O Apito do trem” é um livro lírico. Perigosamente lírico.”

É com este aviso do prefácio de Antonio D’Elia, que inicio a minha resenha de O Apito do Trem, história magnífica, de autoria de César Arruda Castanho que eu encontrei totalmente ao acaso, em uma das trocas de livros organizada pela Prefeitura de São Paulo.

A história começa quando a família de Nestor, preocupada em não fazer barulho para que seus vizinhos não descobrissem que estavam mudando-se às escondidas, viaja de trem para uma cidade do interior, num vagão de segunda classe.

Messias,  era um simples professor estadual, que apaixonara-se por Cotinha quando ainda ambos eram muito jovens; o pai dela era major do exército e muito bem de vida. No início, ele não concordou com o casamento, pois queria algo melhor para a filha, mas acabou aceitando a ideia depois de tantas investidas do Messias.

Logo após o nascimento dos três filhos, o casal começou a mudar-se de cidade em cidade, já que como professor, Messias não ganhava muito e Cotinha insistia para que ele pedisse ajuda ao seu pai, mas ele era muito orgulhoso para submeter-se a tal coisa.

Com o passar dos anos, as contas começaram a aumentar muito e todos passaram a chamá-lo de professor caloteiro; até os filhos passaram a ouvir isso de outros moradores da cidade.

Tudo por culpa da mulher, que não tinha o mínimo senso de economia doméstica e de seu baixo salário como professor de escola publica.

Armando, o filho mais velho, puxara o avô na sua maneira ríspida de ser; vivia arrumando confusão nos bares que frequentava e Messias sempre o ameaçava de pô-lo na rua, todavia, seu pai era um covarde e jamais faria isso; ele odiava sua mãe por ser mandona e seu pai pelo simples fato dele ser pobre e não responder aos queixumes da mãe à altura.

Vítor, o filho  do meio, era ordeiro e tinha muita vontade de trabalhar e progredir na vida, só para ajudar o pai a melhorar de vida; aliás, ele ficava morrendo de pena quando sua mãe humilhava seu pai na frente dele e dos irmãos.

Já, Nestor, o caçula, era o mais inteligente de todos, aquele que vivia sempre com um livro nas mãos; além disso, o garoto era muito amoroso e benevolente, principalmente com Benedita – a negra que fora criada junta com ele, e que sofria surras constantes por parte de dona Cotinha e sempre prometia tomar veneno para livrar-se de uma vez por todas dos terríveis maus-tratos.

Cansado de ouvir a mulher reclamando da falta de dinheiro e também de ser humilhado pelos cobradores e vizinhos, Messias resolveu engolir o orgulho e pedir ajuda ao sogro; este logo tratou de mexer os pauzinhos para conseguir uma transferência para o genro, pois tinha interesse que Cotinha voltasse ao lar para tomar conta de sua mãe, já que a mesma vivia acamada, acometida por alguma doença incurável que a fazia definhar dia após dia.

Messias acreditava piamente que as coisas seriam diferentes dali para a frente, pois ele viveria em paz com sua família numa nova cidade e conseguiria ganhar dinheiro suficiente para saldar todas as dívidas deixadas para trás, e ainda poderia dar o luxo que sua esposa exigia.

Ele só não fazia ideia que viver sob os olhos constantes do sogro, faria com que sua vida fosse pior do era antes.

Apesar de Messias ter um grande papel na história, o personagem principal é seu filho Nestor, que acompanha de perto a rebeldia do irmão mais velho, a falta de sensibilidade da mãe para com seu pai, as dores da avó acamada e o drama da tia Beatriz, que encontrava-se secretamente com o dr. Lauro, um alienista (psiquiatra), a quem o major achava ainda mais pirado que os seus pacientes.

No fim do livro, há ainda um conto bem curto, de estilo gótico, intitulado “A IMPRESSIONANTE HISTÓRIA DE DONANA”, onde o narrador-personagem, após doze anos vivendo na capital de São Paulo,  retorna para o interior- mais precisamente para a Vila de Água Branca, próximo à cidade de Lençóis Paulista -, para visitar seu querido padrinho Chico Pereira.

Lá chegando, ele logo pergunta por Donana dos Cachorros, uma velha senhora com ares de feiticeira, que vivia num sítio bem retirado, na Vila da Água Branca.

A tal mulher referida era irmã de um político famoso de Lençóis e chegara naquela vila para ser professora; com o dinheiro que recebera da herança, comprou um belo sítio para ela e para o marido, onde viveram em alegria e harmonia até o dia em que seu marido morreu, vítima de um grave acidente provocado por um arreio que soltou-se de seu burro de carga e enganchou em seu ventre, estripando-o até a morte.

Após a morte dele, Donana entrou em depressão, deixando de cuidar de si mesma e do sítio, que logo ficou todo coberto de mato; também deixou de pagar os empregados, que logo a  abandonaram. Para não perder tudo, ela vendeu o sítio e ficou uma pequena casa, num restinho de terreno que sobrara.

Saía muito pouco de casa, apenas para comprar alguma coisa na vila. Foi numa dessas incursões que viu um cachorro sarnento sendo apedrejado por um grupo de garotos. Espantou as crianças apenas com sua expressão medonha e tomou nos braços o desgraçado cão, levando-o para casa.  Fez o mesmo durante vários dias, enchendo a casa de cachorros.

Na época em que o narrador havia vivido na vila, ela possuía uns trinta cães e nas noites de lua cheia, ela e seus cachorros passeavam pelos pastos; Donana entoava cantos religiosos e os vários cães a seguiam de maneira ordenada e obediente, uivando para a lua.

Alguns moradores começaram a falar que ela pegava os cães para fazer sabão e isto foi passando de boca em boca; outros diziam que ela se vestia com roupas feitas com peles de cachorros e até que comia os pobres sarnentos.  Daí saiu o apelido de Donana dos Cachorros.

Mas que fim teria levado a tal Donana e seus cachorros?

O resto, só lendo muito!

Ambas as histórias são sensacionais, dignas de receberem 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

João Simões Continua – Orígenes Lessa


Resultado de imagem para capa joão simoes continuaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês a resenha do divertidíssimo João Simões Continua, livro de autoria de Orígenes Lessa, um dos meus autores nacionais prediletos.

Quem narra a história é João Simões, um corretor de café que, em plena São Paulo dos anos 1930, encontrava-se à beira da morte, acometido por uma moléstia incurável. Seus parentes e o médico da família faziam questão de dizer a ele que ele logo se recuperaria e estaria pronto para voltar ao trabalho, porém, ele tinha certeza que daquela cama só sairia para o cemitério.

Ele aproveitou a tarde para tirar um cochilo e sonhou com passagens de sua vida, desde o seu nascimento, até seus dias atuais, quando a queda da bolsa de valores de Nova York, havia feito o preço do café despencar em todo o mundo, atingindo o Brasil em cheio; aquelas imagens sucediam-se tão rapidamente e eram tão vivas e reais, contudo, não despertavam nele qualquer sentimento de saudade ou remorso; parecia que sua vida estava sendo passada a limpo.

Tentou abrir os olhos, só que sem sucesso; uma espécie de preguiça tomara conta de todo o seu ser. Foi então que ouviu a voz de sua esposa gritando para chamarem  rapidamente o médico; já sua sogra, pedia para buscarem logo um padre, ou seja, um caos generalizado instaurou-se na residência, até o momento em que o médico chegou e atestou aquilo que todos já esperavam: João Simões acabara de falecer.

Só que havia algo muito estranho em tudo isto, pois o tal “defunto” continuava vendo o ouvindo tudo o que se passava ao seu redor, acompanhando de perto toda a correria da família para providenciar o seu velório e avisar a todos os parentes e amigos de sua morte.

Enquanto velavam seu corpo, seus amigos aproveitavam para falar da tal francesa que Simões mantivera como amante por vários anos e de como seria pior para o Brasil caso os comunistas tomassem o poder; já as mulheres, discorriam sobre qual seria a nova moda da próxima estação e até sobre o absurdo preço do tomate, que havia subido muito nos últimos dias. Até na hora do sepultamento, no momento do adeus final ao seu corpo, ele viu pessoas fazendo discursos belíssimos, apenas para não ficarem atrás umas das outras.

Ele tentou gritar, mas ninguém pareceu ouvi-lo; alguns até passavam por ele, como se ele realmente não existisse. Pela primeira vez na sua vida, João Simões estava sendo deixado de lado, esquecido.

Seria aquilo um pesadelo ou a real constatação que ele encontrava-se no tal do “além”, de quem muitos falavam?

Começou a achar que aquilo era algum tipo de castigo divino imposto a ele por causa do seu cochilo vespertino, já que, na sua visão extremamente limitada, ele sempre fora uma pessoa muito boa e amável!

Durante uma festa ocorrida dias após o enterro, João Simões reparou que sua esposa estava de caso com o seu melhor amigo e, para vingar-se, resolveu cuspir na bebida do tal “amigo da onça” e mesmo assim, o amigo tomou o uísque sem perceber;  Ele decidiu abraçar e dar um beijo então em Clarinha, sua paixão juvenil, só que a moça deu um berro enorme, relatando que sentira um abraço invisível… sopro frio… parecia até a morte!

Tomado de ódio, ele gritava para todos saírem de sua casa e desferia pontapés e bofetões em todos, sem surtir qualquer efeito. Uma gargalhada reverberou por toda a sala e, vinha de um desconhecido fumando charuto, que divertia-se com aquela cena.

Após um clarão repentino, ele notou que estava flutuando no ar de verdade, só que em outro plano, no qual aquele homem de charuto na boca podia vê-lo e ouvi-lo com clareza; além dele, outros flutuavam vestidos de branco e também de preto.

Foi neste momento que João Simões teve a certeza absoluta que havia de fato morrido!!!

O resto, só lendo muito.

A história é muito divertida e conta com capítulos bem curtos e uma linguagem bem fácil de ser compreendida, algo que ajuda muito a acelerar o ritmo da leitura. Através da sátira e do humor, Orígenes Lessa conduz seus leitores a uma profunda reflexão sobre a vida e a morte.

Afinal, precisamos de muito dinheiro e bens materiais para alcançarmos a nossa felicidade?

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

Sob a Pele – Michel Faber


Resultado de imagem para capa livro sob a pele michelA história tem como cenário principal a cadeia de montanhas Highlands, situada na Escócia, onde um Toyota vermelho, conduzido por uma jovem e misteriosa mulher, oferece carona aos desavisados e, diga-se de passagem, azarados caronistas que ao caírem nas graças de Isserley, , de estatura pequena e delicada, que possui como grande atrativo seu par de seios torneados e firmes, sempre realçados por generosos decotes.

Mas sua aparente beleza e seus “dotes mamários” não passam de um terrível engodo que ela utiliza para atrair suas vítimas do sexo masculino, selecionadas a dedo. Ao entrarem em seu Toyota, todos os “escolhidos” são submetidos a uma entrevista, sem desconfiarem que aquelas serão suas últimas palavras, pois logo que o questionário termina, um poderoso tranquilizante, à base de Icpathua, é disparado nas vítimas através do estofamento do banco do carona, silenciado-as para sempre!

Por que uma mulher empreenderia tanto tempo e trabalho para capturar homens nas estradas da Escócia? Seria a bela Isserley apenas uma predadora desalmada? Ou algo muito mais maligno e sinistro estaria escondido por trás de sua pele?

O resto, só lendo muito!

O livro é bem interessante, já que faz com que sintamos certa empatia pelos caronas, torcendo para que, logo após a entrevista, Isserley os descarte logo. Contudo, quando ficamos sabendo o real destino de suas “mercadorias”, ficamos estarrecidos e para lá de enojados.

Através de seu livro, o autor faz uma crítica direta à poderosa indústria alimentícia.

Digno de 3 estrelas.

Aos interessados: existe um filme homônimo, de 2013, protagonizado por Scarlett Johansson e Kryštof Hádek, que não chega a seguir muito a história do livro, mas vale muito a pena ser visto.

Abaixo, segue o link do trailler do youtube:

Esperamos realmente que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula