Love – A História de Lisey – Stephen King


Imagem relacionadaO livro narra a história de Lisey, viúva de Scott Landon, um famoso escritor.  Após o falecimento do célebre marido, ela tomou posse de todo o seu espólio, que consistia em vários manuscritos ainda inéditos e do grande vazio que se instalara em seu coração.

Através de um relato profundo, a agora supérstite Lisey, leva-nos ao dia a dia do casal, com desabafos por muitas vezes ter ficado em segundo plano, pelo simples fato de ser a “esposa” de Scott Landon.

Como é a própria Lisey quem narra a história, tomamos conhecimento dos muitos traumas de seu marido, e também de Booy’a Moon, um lugar mágico e lindo, que fez parte da infância de Scott e de seu irmão Paul; neste lugar, eles brincavam com os bools de caça a um tesouro imaginário…

Aliás, o termo bool é citado inúmeras vezes durante a história, algo que chega até incomodar um pouco, diga-se de passagem.

Também somos apresentados ao lado sombrio de Scott, que tem tudo a ver com a maldição da família Landon, e que deixou inúmeras chagas no escritor… chagas estas que jamais cicatrizaram!

E é neste “clima” que Lisey reúne forças para limpar as coisas e seguir em frente, até o momento em que passa a receber ameaças de um estranho, que deseja apossar-se, a todo custo, dos manuscritos de Scott.

Será que ela conseguirá livrar-se deste estranho perigoso e também superar de vez a morte de seu marido?

O resto, só lendo muito!

Esta leitura foi bem fastidiosa e cansativa, principalmente por conter diferentes passagens de tempo; se o leitor não prestar bastante atenção a isso, ficará realmente perdido e confuso com tantas informações e divagações desta história de amor bem insólita.

Merece 2 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

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OUTROS OLHOS – Ana Claudia Domingues


outros olhos

Boa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de Outros Olhos, livro de estreia da autora Ana Claudia Domingues.

A história começa em Nova Esperança, pequena cidade do interior do Paraná, onde a pequena Luiza, de apenas 10 anos, volta para casa, após sua caminhada de sempre e encontra Amanda, sua querida mãe, assassinada de maneira brutal, para seu completo desespero.

Porém, ela logo descobriu que tudo não passara de um terrível pesadelo,  quando foi acordada gentilmente pela própria Amanda.

Nova Esperança, como toda cidade pequena que se preze, tinha também suas lendas e mistérios. E a casa abandonada que ficava bem na esquina da rua de Luiza era o maior exemplo deste misticismo rural, pois todos os moradores da cidade diziam que ela era mal assombrada.

Luiza e Cris (Cristina), sua melhor amiga, já haviam entrado na casa uma vez, quando ainda tinham apenas 8 anos, e viram algo muito estranho no porão, algo inumano, com olhos negros e sinistros, que rogava ajuda. Ambas fugiram de lá rapidamente, e nunca mais tocaram no assunto.

Conforme Luiza ia crescendo, ela também ia dedicando mais do seu tempo à leitura e, de certa forma, afastando-se de vez de seus amigos, principalmente de Cristina, que reclamava do distanciamento repentino da amiga, que preferia passar seu tempo na biblioteca do que com ela.

Certo dia, o pai de Luiza comunicou-lhe que a velha casa da esquina acabara de ser comprada por Julio Bertolazzo, que era brasileiro, mas vivera 22 anos em Florença, Itália, onde conheceu Giovana, com quem casou-se e teve um filho; entretanto, as coisas não correram tão bem entre o casal e eles acabaram se separando, e ele resolveu retornar ao Brasil,  justamente para Nova Esperança, e resolvera comprar a casa da esquina com o intuito de reformá-la.

Quando Luiza conheceu Julio, ela teve uma má impressão logo de cara, pois os olhos dele eram assustadores, muito parecidos com aqueles que ela havia visto no porão da velha casa.

Henrique, o filho de Julio, veio da Itália para morar com o pai; ele e Luiza se deram bem logo de cara, pois ele era um garoto muito educado e comunicativo, além de ser bem bonito também, o que despertou bastante sua atenção. A vinda dele acabou ajudando a reatar a amizade entre Luiza e Cristina, e os três tornaram-se inseparáveis.

Uma vez ele convidou-as para uma sessão de cinema em sua casa e elas não aceitaram, alegando que a casa onde ele morava era mal assombrada. Ao ouvir isto, o jovem riu das duas e disse que aquilo não passava de bobagem, já que ele nunca vira nada de estranho ali.

O pai de Luiza acabou sendo internado e foi diagnosticado com câncer terminal no pulmão, o que gerou um completo pesar em todos, já que ele era muito querido. Ele acabou sendo liberado para voltar para casa e aproveitar seus últimos dias ao lado da família.

Uma tarde em que ele e a filha estavam sozinhos em casa, ela percebeu aquele olhar negro no próprio pai; ele tentou pedir-lhe socorro e falou para ela resistir àquela força demoníaca que tentava dominá-lo. Quando seu olhar voltou ao normal, ele morreu em seus braços.

Ao abrir os olhos, ela percebeu que tudo fora um pesadelo novamente, só que havia uma grande diferença desta vez: seu pai estava no quarto, morto de verdade!

Após o falecimento de seu pai, as coisas só pioraram, pois seus pesadelos tornaram-se mais frequentes e ainda mais vívidos, e a mãe dela fez uma terrível revelação: ela e Júlio estavam agora namorando, algo que Luiza não via com bons olhos, já que fazia apenas três meses que seu pai falecera, e aquele homem não tinha coragem de encará-la…

Certo dia, Luiza resolve ir até a biblioteca municipal  para fazer uma pesquisa sobre a cidade e acaba por descobrir o terrível segredo envolvendo a casa mal assombrada… segredo este que tinha tudo a ver com Julio e com seu filho Henrique!

O resto, só lendo muito!

No começo, o ritmo da narrativa é  um pouco lento e parado, devido às longas descrições; todavia, da metade para a frente, tudo muda, e o clima de suspense cresce cada vez mais,  até chegar a um final muito bem elaborado e totalmente inesperado.

Não posso deixar de citar algo que realmente incomodou-me durante a leitura: o excesso de erros de digitação encontrados!

Mesmo assim, dou 3 estrelas

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

O ESCRAVO DE CAPELA – Marcos DeBrito


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Quando a morte é apenas o começo
para algo assustador

 

Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Com esta frase impactante, eu inicio a  resenha de O Escravo de Capela, uma verdadeira obra-prima de terror, genuinamente nacional, de autoria do escritor e cineasta Marcos DeBrito: uma das pessoas mais talentosas e humildes que eu já tive a oportunidade de conhecer pessoalmente!

A história concentra-se toda na Fazenda Capela, uma grande propriedade rural, que situava-se em Minas Gerais e, como todas as propriedades da época do Brasil Colonial, fazia uso da mão-de-obra escrava para o cultivo de cana e produção de açúcar. 

Os Cunha Vasconcelos eram os maiores produtores de açúcar da região e tinham imenso orgulho em tratar seus escravos com requintes de crueldade, principalmente os que tentavam fugir ou mesmo suicidar-se; estes eram espancados e chicoteados muitas vezes até a morte, para servirem de exemplo para os outros escravos. 

Numa tarde quente de 1792, Sabola Citiwala, escravo jovem que chegara há pouco da África e não entendia qualquer palavra em português, dava duro junto aos outros escravos na plantação de cana-de-açúcar; como ainda não conhecia as regras rígidas da fazenda, resolveu cantarolar no dialeto africano, para passar o tempo e, por isso, acabou sendo castigado por Antônio Batista Segundo, o filho primogênito de Antônio Batista Cunha Vasconcelos, dono da fazenda.

Após ter seu “primeiro contato” com o açoite de Antônio Segundo, Sabola trava amizade com Akili, a quem os brancos chamavam de Fortunato, e que há quatorze anos também fora vítima da ira cega do mesmo  Antônio Segundo,  que o espancara de tal maneira que os ligamentos de seus dois joelhos acabaram se rompendo e impossibilitando-o de trabalhar, tendo ele então que ficar confinado o tempo todo na senzala, fumando seu cachimbo. 

Com o passar dos dias, a amizade entre ambos fortaleceu-se e a vontade de fugir daquele lugar foi tomando conta da mente do jovem Sabola; plano este que contava com o pleno apoio de Akili, que só pedia ao amigo mais novo para ter paciência e esperar a hora e o momento certo para sumir dali.

Nesta mesma época, Inácio, o filho mais novo de Antônio Batista, havia retornado de Portugal, para passar apenas umas férias na fazenda. O jovem formara-se em Medicina em Coimbra e tinha um discurso completamente contrário ao trabalho escravo…discurso este que não era visto com bons olhos pelo irmão mais velho,e muito menos pelo pai, que jogava na cara que  se ele conseguira estudar fora do Brasil era graças ao trabalho dos escravos; para piorar ainda mais a situação, o jovem enamorara-se pela bela Damiana, a única escrava mulata da fazenda; romance este que se descoberto, mancharia de vez a imagem de Antônio Batista, já que Maria de Lourdes, sua antiga esposa, o abandonara quando Inácio ainda era muito pequeno.

A chance de escapar veio durante a festa grandiosa do aniversário de 60 anos de Antônio Batista. Enquanto todos os convidados bebiam e se divertiam, Sabola evadiu-se da senzala e montou numa mula para tentar escapar de vez da fazenda, mas foi visto por Jonas, que tentou acertar o escravo com tiros de sua carabina.  

Antônio Segundo e Jonas saíram à caça do escravo; o primogênito dos Cunha Vasconcelos conseguiu cortar caminho e defrontar-se rapidamente com Sabola, decepando com violência a cabeça de sua mula e voltando para a fazenda, arrastando o pobre coitado, para o deleite de todos os presentes.

O sádico então mandou “prepararem” o escravo, que foi pendurado pelos braços a uma viga de madeira, tendo seu rosto completamente desfigurado pelos vários socos desferidos por Fagundes, um dos peões da fazenda.

Os escravos foram acordados e tiveram que acompanhar de perto o castigo imposto ao  escravo fujão e quem fizesse menção de desviar os olhos ou cobri-los levava uma dura coronhada na cabeça.

Antônio Batista tomou o chicote do filho e resolveu ele mesmo mostrar a todos que estavam presentes que escravo não escapava com vida de Capela; após desferir vários golpes que cortaram a carne de Sabola, fazendo o escravo berrar de dor, ele então ordenou ao filho mais velho que matasse aquele negro.  Para evitar os gritos do pobre coitado, Jonas colocou um saco em sua cabeça, que acabou ficando rubro por causa do sangue que vertia do rosto do escravo; Antônio Segundo passou a golpear a perna de Sabola com a mesma peixeira com que havia decepado a cabeça de sua mula, até o momento em que conseguiu separá-la do corpo do negro. Neste exato momento, Jonas esganou o escravo até sentir seu  último suspiro.

O pobre coitado foi então enterrado em uma cova aberta pelos próprios escravos atrás da igreja. Entretanto, Jonas não deixou que enterrassem a perna de Sabola junto com o corpo; ele resolveu pendurá-la como troféu, sob o pórtico de entrada da fazenda, para que todos os escravos pudessem vê-la todos os dias.

Naquela noite, Jonas limpava sua arma enquanto os outros peões bebiam e jogavam baralho animadamente na choupana deles, quando  um silvo na mata, parecido com o silvo do martim-pererê, os assustou; ele resolveu então olhar pela janela do casebre e viu lá fora algo realmente apavorante: uma mula andando sem cabeça, com fogo saindo pelo buraco aonde deveria estar a cabeça, e atrás dela, vinha um escravo negro e muito alto, mancando sem a perna direita e com um saco maculado de sangue enterrado na cabeça.

Isto só poderia significar uma coisa: Sabola voltara do mundo dos mortos, montado em sua mula-sem-cabeça, para vingar-se de todos os seus algozes de Capela!

Paro por aqui, para não estragar as muitas surpresas e reviravoltas que o autor reservou aos seus leitores.

O resto, só lendo muito!

O ritmo da narrativa é intenso durante todo o livro; o enredo é muito bem explorado pelo autor, pois mescla com perfeição ficção e realidade, usando um período vergonhoso e terrível do nosso passado, em que as pessoas achavam-se “donas” por direito de outros seres humanos, para dar completa credibilidade à sua história, que conta com um final eletrizante e completamente inesperado.

Louve-se o trabalho pormenorizado e magnífico de pesquisa que Marcos DeBrito realizou sobre o Saci Pererê e a Mula-sem-cabeça, dois grandes expoentes do folclore brasileiro.

Esta foi, sem dúvida alguma, minha melhor leitura de 2017!

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

TANNÖD – Andrea Maria Schenkel


Resultado de imagem para capa tannodBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos mais uma resenha de um livro adquirido em uma das máquinas de livro das do Metrô de São Paulo. Trata-se de TANNÖD, livro de estreia da autora alemã Andrea Maria Schenkel.

A história começa com a notícia de uma terrível chacina, ocorrida numa fazenda distante localizada no vilarejo de Tannöd, pertencente à cidade de Einhausen, Alemanha. Ali,  o fazendeiro Hermann Danner, sua esposa, Theresia, Barbara Spangler, a filha única do casal, Marianne e Josef, que eram filhos de Bárbara e Maria Meiler, a criada da família, foram mortos a golpes de picareta, demonstrando assim uma extrema crueldade.

O patriarca Hermann Danner era um agricultor que costumava usar imigrantes expatriados da Polônia para pagar-lhes uma verdadeira miséria; além disso,  o velho Danner, como todos o conheciam, era um verdadeiro tirano dentro de casa – muitos na cidade desconfiavam que ele mantinha relações incestuosas com a filha, chegando até a comentarem que Marianne seria produto desta relação pecaminosa–; Theresia, apesar de ser extremamente carola, aceitava passivamente o comportamento doentio do marido; Bárbara, que vinha sendo obrigada a dormir com o pai desde os 12 anos, tornou-se uma mulher insensível, que fazia uso de todo o seu charme para enfeitiçar os homens, só para fazer com eles o que ela bem entendesse, já Marianne, a filha mais velha de Bárbara era uma verdadeira mentirosa patológica, que vivia inventando que tinha um pai muito rico e que um dia ele iria levá-la para morar com ele, nos Estados Unidos.

Ou seja, os Danner eram um completo modelo de família totalmente disfuncional!

O livro divide-se em dois modelos de narrativas diferentes: a primeira é direta, e narra exatamente como tudo aconteceu, tintim por tintim; já a outra, usa transcrições de diálogos de diversos moradores e vizinhos das vítimas, como se cada um destes fosse uma verdadeira testemunha ocular do crime.

Vou parando por aqui, deixando vocês juntarem todas as peças deste enorme quebra-cabeças, e descobrirem a  identidade do culpado.

O resto, só lendo muito!

Uma história curta e muito bem elaborada, com um final completamente inesperado.

A autora baseou-se em uma crime verdadeiro, ocorrido em 1922, numa fazenda situada na região da Baviera, aonde uma família inteira foi morta e seus corpos foram empilhados no celeiro. Este crime jamais foi resolvido.

Digno de receber 4 estrelas.

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

Strip-tease – Carl Hiaasen


Strip-teaseBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês uma resenha especial de um livro que eu encontrei por acaso em um dos sebos que eu costumo frequentar. Trata-se de Strip-tease, do brilhante autor americano Carl Hiaasen.

Trapaças, luta livre de mulheres, chantagem, assassinato, sexo e corrupção são apenas alguns dos ingredientes deste excelente suspense.

A história começa em Fort Lauderdale, Flórida, mais precisamente no clube de striptease Eager Beaver; em certa noite, uma despedida de solteiro estava acontecendo na boate e Paul Guber, o noivo, havia consumido um pouco mais de álcool do que deveria e resolveu saltar no palco para acariciar a perna da stripper que estava se apresentando. Neste exato momento, um homem maduro, de bigode grosso avançou com tudo para o rapaz, espancando-o com uma garrafa de champanhe, até que o mesmo desmaiasse.

Tudo não teria passado de uma simples briga entre dois bêbados brigões se Jerry Killian, um frequentador assíduo do Eeager Beaver, não tivesse reconhecido o cavalheiro de bigode, que era ninguém mais, ninguém menos que David Dilbeck, deputado federal corrupto e depravado, que usara o falso bigode para disfarçar-se e não ser reconhecido, pois aquele era um ano eleitoral e ele esperava reeleger-se novamente.

Erin Grant, a dançarina em questão, era a verdadeira sensação do lugar;  ela já havia trabalhado no FBI, mas teve que desligar-se de suas funções  para tirar a roupa todas as noites no Eager Beaver – algo que ela própria reprovava -, para juntar o máximo de dinheiro possível para pagar um bom advogado para reconquistar a guarda da filha pequena, tomada por seu ex-marido Darrell Grant, um sádico, viciado em todo tipo de drogas e opiáceos, que usava a própria filha para ajudá-lo a roubar cadeiras de rodas infantis para depois desmontá-las e revender as peças separadas.

Killian é um dos muitos fãs de Erin, e resolve ajudá-la com o problema da guarda da criança, dispondo-se a chantagear o deputado Dilbeck para que ele converse com o juiz que tirou-lhe a guarda da filha – outro velho tarado, que adora frequentar clubes de striptease com uma bíblia no colo -, para que ele reveja o caso e restabeleça à Erin a guarda da filha. Todavia o plano fracassa quando Malcolm Moldowsky, lobista que cuida da carreira de Dilbeck e dos interesses de todos os usineiros da Flórida, assume o caso e resolve silenciar Killian…para sempre.

Shad, o leão-de-chácara da boate, era um grande amigo e defensor de Erin, e prestava-lhe ajuda como podia em assuntos relacionados ao seu ex Darrel. Além disso, o segurança sonhava em ganhar dinheiro para limpar seu nome e, para isso, resolveu apostar todas as suas fichas num grande golpe, colocando uma barata dentro de um copo de iogurte de uma marca de laticínios famosa, com o intuito de processar a empresa e receber uma indenização milionária. 

O advogado Mordecai havia sido um dos últimos alunos de sua classe na faculdade e sempre sonhara com um grande caso, e ele caiu em seu colo, quando Shad o procurou contando todo o seu plano.

Todavia, tudo naufraga quando uma secretária-substituta de Mordecai resolve fazer uma “boquinha” no frigobar do advogado…

Para evitar estragar o resto das surpresas que o autor reservou para os leitores, vou parando por  aqui.

O resto, só lendo muito!

Os capítulos são bem curtos e os personagens são tão bem construídos, que não dá tempo nem de respirar ou piscar os olhos durante a leitura.

O autor consegue prender a atenção do leitor do inicio até o final, completamente inesperado e imprevisível.

Digno de 5 estrelas

Houve um filme homônimo, de 1996, que não foi muito bem aceito pela crítica, trazendo Demi Moore no papel de Erin Grant.
Novas resenhas deste autor maravilhoso serão logo postadas, pois adquiri todos os títulos dele já lançados no Brasil!

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

O Segredo de Wilhelm Storitz – Júlio Verne


O Segrêdo de Wilhelm StoritzBom dia, querida Família Lendo Muito!

Nada melhor do que iniciar a nossa sexta-feira com uma resenha do grande Júlio Verne, não é mesmo?

Escolhi desta vez O Segredo de Wilhelm Storitz, último livro escrito pelo autor, concluído 19 dias antes de seu falecimento.

A história começa quando o engenheiro Henrique Vidal recebe uma carta de seu irmão Marc, datada de 4 de abril de 1757, pedindo para que ele o visitasse em Ragz, Hungria, com o intuito de matarem as saudades um do outro, visto que os irmãos não se viam há mais de um ano, e também para  apresentar-lhe sua bela noiva Myra, oriunda da importante família húngara Roderich. O casal firmara um pacto de apenas marcar a data do casamento após a chegada de Vidal, como Henrique era mais conhecido.

Em 13 de abril, véspera de sua partida, Vidal foi visitar seu amigo particular que era chefe  de polícia, para tirar seu passaporte e ficou sabendo que seu irmão tirara a sorte grande, pois Myra Roderich era realmente uma moça bonita e muito graciosa. Contudo, devido à sua beleza, a moça já fora cortejada por um outro cavalheiro antes, mas o Dr. Roderich, seu cioso pai, havia rejeitado as investidas do tal pretendente.

Quando Vidal perguntou ao amigo quem era o cavalheiro em questão, este respondeu-lhe que seu nome era Wilhelm Storitz, filho de nada mais, nada menos que Otto Storitz, um dos químicos mais respeitados de sua época.

Ao chegar em Ragz, Vidal foi recebido com muita pompa e alegria por seu irmão Marc e por toda a família Roderich, principalmente Myra, que já o tratava como um irmão mais velho. O casal fez questão de marcar a festa de noivado para o dia seguinte.

Entretanto, nem tudo era motivo para comemoração, pois naquele mesmo dia, Wilhelm Storitz havia estado na residência dos Roderich, para pedir novamente a mão de Myra, tendo mais uma vez seu pedido negado pelo pai da moça, que preferia ver sua filha morta antes de ter seu sangue magiare (húngaro) maculado pela união com um alemão.

Wilhelm Storitz, cego de ódio, prometeu vingar-se de toda a família Roderich, de uma vez por todas!

No dia da festa do noivado, mais de cento e cinquenta convidados dançavam alegremente no salão enorme da mansão dos Roderich, quando todos começaram a ouvir uma solitária e grave voz masculina, entoando O Hino de Ódio Alemão. Aquela voz parecia vir do nada, pois ninguém conseguia ver o autor de tamanha afronta ao povo húngaro.

O buquê que seria usado pela noiva no dia do casamento foi completamente desfolhado e pisoteado muitas vezes e o registro de certidão civil dos noivos foi feito em milhares de pedacinhos. E o mais estranho de tudo era que nenhum ser vivo foi visto cometendo tais atos de vandalismo, o que causou verdadeiro terror em todos os presentes. 

Será que os Roderich haviam sido alvo de algum tipo de bruxaria cometida por Wilhelm Storitz? Ou o mesmo teria se apossado de alguma fórmula experimental de seu finado pai…fórmula esta capaz de conceder-lhe o controle sobre todos os estados da matéria?

O resto, só lendo muito!

Uma história de tirar o fôlego e também o sono do leitor. Leitura obrigatória para todos os fãs de Júlio Verne.

Algumas edições mais novas alteraram o título original para O Segredo de Guilherme Storitz

Digno de 5 estrelas.

Espero que tenham gostado, pois esta é uma das raras histórias de suspense e terror escritas por Júlio Verne.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

A Maldição de Joel Delaney – Ramona Stewart


Resultado de imagem para capa livro a maldição de joel delaneyBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Para dar início às resenhas desta semana, escolhi uma história de suspense, com requintes de sobrenatural. Trata-se do livro: A Maldição de Joel Delaney, escrito pela autora americana Ramona Stewart.

 Após seu ex-marido Ted tê-la trocado por uma médica geneticista muito mais nova,  Norah Benson, tentava refazer sua vida escrevendo romances de bolso água com açúcar.  Veronica,  sua empregada porto-riquenha, a ajudava com as tarefas diárias da casa e no cuidado com seus dois filhos Carrie e Peter, e também de Barão, seu cão pastor da Hungria.

Certa noite, Joel Delaney, o irmão mais novo de Norah, estava atrasado para o jantar e ela ligou para o apartamento sendo atendida por uma voz pastosa, com um sotaque hispânico, bem diferente da voz suave de Joel!

Ela então resolveu ir até o apartamento do irmão e encontrou-o em estado deplorável, parecendo estar sob efeito de alguma droga, murmurando palavras incompreensíveis em espanhol.

Ela acabou  tendo que interná-lo no Hospital Psiquiátrico Bellevue de Nova York, mas ele lá ficou por apenas um dia, alegando que tudo não passara de uma “viagem” de LSD.

Norah, sentindo-se em parte culpada por ter abandonado seu querido irmão para casar-se com Ted, decidiu trazer Joel para morar com ela, ao menos temporariamente.

Para comemorar o aniversário do irmão, Norah decide então fazer uma festinha particular, convidando Sherry Talbot, a antiga namorada de Joel para a festa. Entretanto, Joel acabou estragando a noite de todos, tornando-se indelicado e falastrão, parecendo estar sob efeito de alguma droga novamente. Sherry alegou estar com uma terrível dor de cabeça, só para ir mais cedo para casa.

No outro dia, Norah estava ouvindo o rádio e ficou paralisada quando o locutor deu a notícia de um terrível assassinato envolvendo uma bela moça, que fora assassinada com requintes de crueldade, tendo sua cabeça degolada e pendurada em uma árvore.

Aquela era a assinatura do Açougueiro, assassino em série que vinha aterrorizando as mulheres de Nova York, e a vítima em questão era ninguém mais, ninguém menos que  Sherry Talbot…

Será que Joel Delaney era um terrível assassino em série? Ou algo sobrenatural e verdadeiramente  demoníaco estaria por trás de tudo?

Para obter as respostas, só lendo muito!

Confesso a vocês que, durante a leitura deste livro, em nenhum momento senti medo, mas sim uma grande tensão, pois a narrativa de Ramona Stewart mantém um ritmo crescente de suspense desde o seu  início; o final é totalmente imprevisível e inesperado.
Antes que alguém tente fazer qualquer tipo de comparação: quero deixar bem claro que este livro foi escrito quase dois anos antes de O Exorcista, de William Peter Blatty.

Digno de receber 4 estrelas!

Aos interessados: existe uma película quase que desconhecida, de 1972, com Shirley Maclaine e Perry King, nos papéis de Norah e Joel Delaney, respectivamente. Aqui no Brasil, este filme recebeu o título de Possuídos pelo Mal.

Abaixo encontra-se o filme completo, em inglês:

 

Espero que tenham gostado.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

ANÁLISE MORTAL – Angelo Miranda


Resultado de imagem para análise mortal livroBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Estamos nos aproximando do Halloween e nada como encontrar aqui a resenha de uma história de terror, não é mesmo?

Pensando nisso, escolhi Análise Mortal, livro de estreia do autor paulista Angelo Miranda.

Na ânsia de economizar cada minuto da hora do seu almoço, o analista de crédito Fred (Frederico Batista) acaba dando um encontrão em um velho mendigo, que usava um cachecol quadriculado e  um grande casaco e ambos acabam indo ao chão.

Ao levantar-se, o velho maltrapilho bradou-lhe, com uma voz assustadora, as seguintes palavras:

“- Achou que podia fugir de mim? Não adianta correr, aliás, corra a partir de agora para salva sua vida e a de quem você gosta. Pensou que passaria ileso pelo que me causaste?”

Antes que Fred pudesse levantar do chão e perguntar ao velho o porquê de tanta raiva, o mesmo já sumira, deixando para trás uma pasta preta e encardida.

Fred resolveu ir até o posto policial, que ficava bem próximo dali, para perguntar sobre o mendigo, mas o guarda que ali estava chegou a desconfiar de sua sanidade, pois, segundo ele, não havia acontecido qualquer encontrão enquanto ele esteve de sentinela.

Sem entender nada e com medo de acabar sendo levado para o hospício, Fred resolveu ficar com a pasta surrada do mendigo e sumir dali o mais rápido possível. Ele tentou encontrar o velho mendigo pelo resto da tarde, sem sucesso.

A partir de então, Fred passa a ser acometido por visões muito perturbadoras, e mortes muito suspeitas, envolvendo pessoas ligadas direta e indiretamente a ele também começam a acontecer.

Para salvar sua vida, Fred tentará, de todas as maneiras, descobrir a verdadeira identidade daquele homem que tanto o detestava, o que trará implicações imensas para ele, como mudar radicalmente o seu modo de agir com o próximo.

Todavia, será que ainda lhe restará tempo para isto?

O resto, só lendo muito.

O autor está de parabéns, pois conseguiu elaborar uma boa história de suspense e terror, com pitadas de sobrenatural – verdadeira simbiose de “Premonição” com ‘”Arraste-me para o inferno”.

Só achei que faltou um desfecho um pouco mais terrorífico.

Digno de 3 estrelas

Daqui para frente, tomem muito cuidado com quem vocês trombarem  na rua, hein?

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

Morte na USP – Ada Pellegrini


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Bom dia, querida Família Lendo Muito!
Nada como uma resenha para animar o nosso sábado, não é mesmo?

Com este intuito, escolhi Morte na Usp, um suspense de tirar o fôlego, escrito por Ada Pellegrini.

A história começa na madrugada do dia 16 de março de 1971, quando o corpo de uma jovem é encontrado no estacionamento do Jockey Clube de São Paulo; a vítima havia sido estrangulada mecanicamente com uma corda que fora encontrada próxima ao corpo.

Tratava-se de Célia Prado que trabalhava na Faculdade de Direito como servente, servindo água e café para os funcionários. A jovem trocara a cidade natal de Catanduva com o sonho de tornar-se advogada na Pauliceia Desvairada…

Em 15 de abril, Nadir Lebrão, uma excelente advogada que trabalhava como secretária do diretor da USP, é encontrada sem vida no estacionamento privativo da faculdade. Ela também havia sido estrangulada e uma corda estava caída próxima ao seu corpo.

O delegado Genofre Otero fora designado para ambos os casos; ele e sua equipe tentaram encontrar pistas que ligassem as duas mulheres, mas não encontraram absolutamente nada além de as duas serem funcionárias da mesma faculdade.

Enquanto a polícia tentava resolver o terrível enigma, outras duas mortes aconteceram. As vítimas eram o Dr. Kazuo Komatzu, que dava aula na faculdade de Medicina e havia sido encontrado estrangulado próximo ao seu carro e a Dra. Marli Picanço, que dava aula na Faculdade de Artes e fora esfaqueada e asfixiada no próprio campus da FAU. Em ambos os casos, uma corda fina fora encontrada próxima das vítimas.

O assassino novamente fizera questão de deixar sua assinatura!

Tratava-se de um assassino em série agindo na USP? Uma conspiração envolvendo a ditadura militar? Ou algo ainda mais sórdido, com o intuito de confundir as autoridades, elaborado friamente por uma mente vingativa?

Para encontrar todas estas respostas, só lendo muito!

Uma história brilhantemente escrita, recheada de mistérios e reviravoltas até o final, surpreendente, inesperado e reflexivo!

Digno de 5 estrelas

Espero que tenham gostado.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

Um Padre em 1839 – Júlio Verne


Resultado de imagem para um padre em 1839Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Selecionei para vocês uma resenha especial de um dos autores que eu mais admiro: Júlio Verne. A obra escolhida desta vez foi Um Padre em 1839, primeiro livro que este maravilhoso autor escreveu e jamais chegou a terminar.

A história começa no dia 12 de março de 1839, quando o velho sino rachado da igreja de São Nicolau,  bimbalhava desde cedo, conclamando os fiéis para lotarem a antiga igreja e acompanharem de perto o sermão do padre Bruno,  jovem pregador que havia voltado há pouco da Terra Santa e pretendia contar a todos um pouco de sua aventura por lá.

Entretanto, o que era para ser alegria, transformou-se em verdadeira catástrofe, quando o velho sino desprendeu-se do madeirame e despencou lá de cima, vindo a cair no chão do campanário.  Com o barulho infernal, as pessoas se apavoraram e começaram a correr desordenadamente, pisoteando uns aos outros .

Durante a  confusão, a bela Ana foi salva pelo valente advogado recém-formado Jules Deguay, que lutou bravamente para escapar do pandemônio, conseguindo com sucesso chegar até a rua para pegar uma carruagem e levar a jovem ilesa para casa de seus pais.

Naquele dia, oitenta e oito pessoas perderam a vida e outras tantas se feriram gravemente!

Jules e seu amigo Michel Randeau resolvem investigar o terrível acidente e acabam por descobrir que tudo não passara de um plano maléfico para raptar a bela Ana, arquitetado por Pierre Hervé, um jovem e renegado padre – enfeitiçado pela beleza da jovem-, sua madrasta e bruxa maléfica Abraxa e seu amante e assassino Mordhomme (Morte-de-homem, em francês).

O enredo ganha um tom ainda mais sinistro quando Verne volta dez anos na história, para falar da terrível vida que o excomungado padre Pierre levara ao lado de sua verdadeira família, que era paupérrima, até a época em que o bondoso Sr. Derbouil o levara para estudar no seminário. Ali, desde o primeiro dia ele fora maltratado pelos outros alunos ricos, que faziam dele seu principal alvo…

Acredita-se que Júlio Verne estava usando esta história provavelmente como um autêntico desabafo, pois ele contava com apenas 19 anos e também era um estudante de direito nesta época – não é de se estranhar que o personagem principal seja um jovem estudante de direito, de nome Jules. Além disso, ele e seu irmão Paul sofreram maus-tratos quando frequentaram um colégio interno como seminaristas.

Mesmo nesta obra inacabada já se consegue notar o brilhantismo do autor, que já fazia uso de suas grandiosas metáforas. e também do eterno conflito Ciência X Religião, traço marcante em toda a sua vasta obra.

Não poderia nunca deixar de citar as belíssimas ilustrações de Cecília Iwashita, que complementam com brilhantismo cada capítulo desta obra.

O ponto negativo fica por conta do número excessivo de ponto e vírgulas, o que acaba travando a leitura, em certos momentos.

Ao meu ver, poderiam ter usado um ghost-writer para dar um final digno para a história, como fizeram com Charles Dickens em seu livro A Verdade sobre o Caso D.

Mesmo inacabado, é digno de receber estrelas!

Espero que tenham gostado.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André