As Possuídas – Ira Levin


“Na época atual, o combate assume uma forma diferente;
a mulher almeja escapar de uma prisão,
ao invés de nela querer colocar o homem;
não mais procura arrastá-lo para os domínios da inércia,
mas emergir ela própria para a luz da transcendência.
A atitude dos homens cria agora um novo conflito:
é de um modo deselegante que o homem a libera.”

Simone de Beauvoir - "O Segundo Sexo"

Resultado de imagem para capa livro as possuidas de ira levinÉ com este belo pensamento que o brilhante Ira Levin,  nos dá às boas-vindas ao seu livro “As Possuídas”, e também nos brinda com uma história empolgante e cheia de mistérios, do início ao fim – marca registrada deste autor de verdadeiras obras-primas de terror e suspense como: “Meninos do Brasil” e “O Bebê de Rosemary”.

O livro conta-nos a história de Joanna Eberhart, uma fotógrafa profissional que, ao lado de seu marido Walter e de seus filhos Pete e Kim, resolve mudar-se para a cidadezinha pacata de Stepford.

Tudo corria bem até Joanna perceber que as mulheres da cidade pareciam “perfeitas demais” para serem mulheres normais, pois elas lavavam a louça, passavam as roupas de seus maridos e filhos, cuidavam de suas casas, viviam impecavelmente vestidas e estampavam sorrisos genuínos em suas faces rosadas.

A apatia havia tomado conta do lugar, onde os maridos reuniam-se na “Associação Masculina” quase todas as noites, enquanto suas esposas cuidavam “alegremente” do lar.

Mas Joanna, inconformada com aquela situação, trava amizade com Bobbie, uma das moradoras que também não entendia aquela submissão feminina. Juntas, decidem investigar a causa da “febre” de esposas perfeitas, todavia, elas não faziam a mínima ideia que estavam pisando em um terreno para lá de perigoso…

O resto, só lendo muito!

O ritmo de leitura é um pouco lento e travado no início, entretanto, da metade para o final tudo muda e o leitor não vê a hora de chegar ao final, para descobrir o grande mistério envolvendo as mulheres perfeitas de Stepford.

Fez por merecer 5 estrelas.

Para quem estiver interessado: este livro deu origem  a dois filmes, que receberam o título no Brasil de Mulheres Perfeitas. O Primeiro, de 1975, contou com Katharine Ross no papel de Joanna Eberhart; o segundo, de 2004, teve Nicole Kidman, no papel principal. Ambos obtiveram muito sucesso.

Abaixo estão os trailers de ambos os filmes.

Esperamos que tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

Na Escuridão da Mente – Paul Tremblay


Livro Vencedor do Bram Stocker Award

“Me assustou para valer, e eu não sou nada fácil de assustar.”
 Stephen King

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Querida Família Lendo Muito, trago-vos uma resenha de um livro que conseguiu tirar o sono até do mestre do horror Stephen King. Trata-se de Na Escuridão da Mente, de Paul Tremblay.

Tudo começa quando a escritora de best-sellers Rachel Neville faz contato com Merry (Meredith Barret), de 23 anos, que aceita ser entrevistada por ela na antiga casa dos Barrets, em Massachusetts, a mesma casa que serviu de palco para um infortúnio familiar que alterou o rumo de toda a sua vida.

Nesta época, Merry contava com apenas 8 anos e vivia com John e Sarah, seus pais, e com Marjorie, sua irmã de 14 anos, que gostava muito dela e vivia inventando histórias para diverti-la.

Nesta mesma época, Marjorie começou a ter um comportamento agressivo, apresentando vários arranhões por todo o corpo, ouvindo vozes estranhas e falando frases desconexas, o que culminou com um quadro grave de esquizofrenia, abalando demais a relação entre seus pais, já que o tratamento de Marjorie era muito dispendioso e John Barret encontrava-se desempregado e sem perspectivas de arrumar um novo emprego tão cedo.

Certo dia, quando John levava Marjorie para sua visita ao psiquiatra, a garota começou a ter uma crise no carro e ele, ao invés de levá-la ao médico,  decidiu levá-la à igreja, para ouvir a opinião do padre Wanderly, que acreditava que a doença mental de sua filha era um caso de possessão.

Pensando em conseguir um bom dinheiro para ajudar a família, John aceita vender a história deles para o Discovery Channel, transformando o caso de Marjorie num verdadeiro “Big-Brother”, com dúzias de câmeras e microfones espalhados por todos os cantos da propriedade.

Merry tinha certeza que a irmã estava fingindo tudo, já que a mesma confidenciara a ela que estava fazendo tudo aquilo para não  desapontar o pai.

O exorcismo de Marjorie foi autorizado pela igreja e estava sendo acompanhado ao vivo por milhões de pessoas grudadas em seus televisores.

Durante o exorcismo, tudo corria bem, com Marjorie apenas rindo e brincando todo o tempo com o padre Wonderly e o seu ajudante, o padre Gavin. Em dado momento as gavetas da escrivaninha do quarto de Marjorie passaram a abrir e fechar sozinhas; e ela gritava desesperadamente sem saber o que estava acontecendo, deixando todos realmente assustados.

Se Marjorie estava apenas mesmo fingindo, como aquilo seria possível? Seria algum truque da própria produtora para despertar medo e chamar a atenção dos telespectadores, ou uma entidade diabólica estava realmente dominando o seu corpo?

O resto, só lendo muito!

Com um final que força muito as células cinzentas dos leitores, pode-se dizer que este livro não chega a ser empolgante, mas também não decepciona; creio que o autor tinha um enredo literalmente fantástico em mãos, só não soube trabalhá-lo tão bem como deveria e eu credito isso à sua inexperiência, já que este é seu primeiro livro publicado.

Merece 3 estrelas

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

Terror na Oktoberfest – Frank De Felitta


Resultado de imagem para terror na oktoberfestBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

No dia do autor, resolvemos homenagear um grande autor . Para isso, escolhemos  Terror na Oktoberfest, de Frank De Felitta – autor de verdadeiras obras-primas como: O Demônio de Gólgota, A Entidade e As Duas Vidas de Audrey Rose, todos já resenhados aqui no blog.

A história começa em plena Alemanha, durante os 16 dias do carnaval da cerveja, chamado Oktoberfest, onde brincadeiras e muita alegria agitam a cidade de Munique. Neste clima festivo, três crimes horroríficos ocorrem na cidade, abalando a polícia e a população local.

A polícia não tinha muitas pistas sobre os crimes, sabia-se apenas que todas as vítimas foram massacradas com requintes de crueldade e atacadas com o mesmo instrumento cortante: uma machadinha de açougueiro. Além disso, as três vítimas possuíam grande semelhança com personalidades nazistas da época do holocausto: Goering, Tauber e Himmler!

Com o passar dos dias, o inspetor Bauer passa a investigar melhor os misteriosos crimes, contudo, algo não deixava de intrigá-lo: seria o terrível assassino sanguinário um fanático judeu, caçador de nazistas? Ou era um serial killer desprezível, que usava uma machadinha de açougueiro para abrir suas vítimas?

Além de encontrar o assassino, Bauer tem que lidar com seus próprios fantasmas interiores, que o remetiam ao tempo em que fora um soldado nazista e diariamente acompanhava a chegada e a morte de vários judeus trazidos em trens.

Madeline Kress, uma bela moça israelense, de origem alemã, procurava ajudá-lo através de sua excelente memória fotográfica dos tempos em que fora uma prisioneira em um campo de concentração nazista.

Este casal inusitado conseguirá mesmo desvendar a identidade do assassino da machadinha, evitando que mais alguém seja vitimado durante a Oktoberfest?

O resto, só lendo muito.

Este foi o primeiro trabalho de Frank De Felitta e está mais para um suspense do que propriamente terror. A escrita é magnífica, hipnótica, levando o leitor a não abandonar o livro até o seu final, surpreendente.

Digno de receber 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

Vingança Diabólica – Stephen Gilbert


Resultado de imagem para capa livro vingança diabolicaBoa noite, querida Família Lendo Muito.

Para encerrar a linda noite de todos, eu tenho o verdadeiro prazer de resenhar para vocês uma das histórias mais sensíveis e dramáticas que eu já li sobre animais. Estou falando do livro Vingança Diabólica, do autor Stephen Gilbert.

Durante uma festa na casa do procurador Ralph Preston, um manuscrito é entregue a um amigo do mesmo. Após uma leitura rápida, o amigo do procurador procurou a pessoa para devolver-lhe o manuscrito, sem qualquer sucesso. Daquele dia em diante, esta pessoa jamais fora encontrada novamente, o que era mesmo um mistério.

Mistério maior reservava aquele manuscrito que fora escrito em forma de diário. Naquelas linhas escritas com letra pequena e legível, encontrava-se a história de um rapaz de nome desconhecido, que era órfão de pai, extremamente tímido e dominado por uma mãe idosa e muito doente, que achava que ele não passava de um espécie de “aborto da natureza”.

Certo dia, a mãe reclamou com ele sobre o jardim que estava abandonado e infestado por ratos. O rapaz teve então a ideia sádica e absurda de alagar todo o jardim para matar os ratos afogados. Contudo, na última hora ao ver o olhar de desespero da ratazana com seus filhotes, ele acabou se sensibilizando e salvando a todos. A partir daquele dia, ele iniciou uma grande amizade com os roedores.

Mô, a ratazana que fora salva, entregou para ele um dos seus filhotes, por  quem ele afeiçoou-se tanto, como se fosse um filho, passando a chamá-lo de Sócrates. Ele começou a ensinar-lhe pequenos truques, notando que Sócrates era bem mais esperto e sensível que os outros ratos. Posteriormente passou a treiná-lo para comandar um grupo de ratos para tarefas mais complexas.

Com a morte de sua mãe, ele resolveu levar os ratos para dentro da própria casa, instalando Sócrates em seu próprio travesseiro e os outros em sua velha adega. Contudo, o grupo não parava de reproduzir-se e crescer cada vez mais, sem que ele pudesse manter a alimentação de todos aqueles roedores.

Ele tentou então, negociar um aumento na firma onde trabalhava, sem sucesso. O Sr Jones, que já fora empregado de seu pai no passado e agora era o dono da firma, negou-lhe o tão esperado aumento, despertando no rapaz um espírito de vingança.

Em uma noite, ele colocou Sócrates e mais oito ratos em uma mala e levou-os até a garagem do Sr. Jones, ordenando que eles comessem os pneus do carro do seu chefe. Os ratos rapidamente comeram os pneus, voltando para a mala ao seu comando.

Após este primeiro êxito, ele achou que poderia treinar Sócrates e os outros ratos para que eles invadissem as casas vizinhas, assustando seus moradores para que ele as saqueasse.

Depois de alguns ataques, os jornais começaram a noticiar que uma infestação de ratos estava ocorrendo em todos os cantos da cidade, sob o comando de um monstruoso “Homem-rato”!

É então que um outro irmão de Sócrates aparece para dividir com ele a liderança dos outros ratos. um rato muito mais vivo e independente que Sócrates. No início, ele recebeu o nome de Salomão, devido à sua enorme inteligência, posteriormente mudado para Ben.

Seria este Ben um rato tão confiável como Sócrates, ou algo mais se escondia nos olhinhos furtivos daquele rato enorme?

O resto, só lendo muito!

Uma história de tirar o fôlego do início ao fim e uma crítica velada à nossa sociedade.

Digno de 5 estrelas.

Para aqueles que tiverem interesse: este livro deu origem a dois filmes muito bons na década de 70.

São eles:

Calafrio (Willard), de 1971

Ben, o rato assassino, de 1972)

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

O HOMEM INVISÍVEL – H.G. WELLS


O Homem InvisívelBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Nada melhor do que começarmos a semana trazendo para vocês a resenha de mais uma obra-prima de um dos grandes mestres da ficção-científica: O Homem Invisível, de H.G. Wells. Diferentemente de Júlio Verne, Herbert George Wells é considerado o pai da “ficção-científica utópica” ou “do impossível”, já que em muitos de seus livros deparamo-nos com citações de inventos ou mesmo experiências que não temos certeza se um dia serão realmente possíveis (vide A Máquina do Tempo ou A Ilha do Dr. Moureau).

Toda a ação de O Homem Invisível, acontece durante o inverno, no pequeno vilarejo inglês de Iping, onde um homem muito, mas muito estranho resolveu hospedar-se em um albergue. Este estranho homem estava todo disfarçado com um nariz falso, roupas pesadas, luvas, um chapéu e um lenço cobrindo todo o seu rosto. Ele apresentou-se como um investigador experimental, trazendo consigo inúmeras garrafas, livros e um humor capaz de afastar até a mais destemida das criaturas!

Seu nome era Griffin e por baixo de todo aquele disfarce ele guardava um terrível segredo de todos: seu coração era duro e tão frio como gelo e ele era completamente invisível!

Com o passar dos dias, Griffin não conseguindo manter segredo de suas experiências diabólicas, resolve então fugir de Iping, mediante uma sangrenta caçada, pois os moradores e a polícia estavam aterrorizados com a descoberta do temível homem invisível.

Acuado e cansado de fugir de todos, ele busca refúgio na casa do Dr. Kemps, que havia sido seu colega nos tempos da universidade. Para seu antigo amigo, Griffin conta toda a sua história, desde o momento em que resolvera largar o curso de medicina para dedicar-se exclusivamente à química experimental, até o momento em que,  após várias e várias experiências, ele então descobriu a fórmula da invisibilidade e, com ela, pretendia dominar o mundo.

Durante a narrativa de Griffin,  o Dr. Kemps experimenta um verdadeiro pavor, pois aquele colérico e transtornado ser que estava diante dele não tinha mais qualquer traço de humanidade. O médico revolve então dar parte de Griffin à polícia, desencadeando uma perseguição sanguinária ao homem invisível, que só pensa em vingar-se de tudo e de todos.

Será possível alguém detê-lo?

O resto, só lendo muito!

Quem nunca quis por um minuto ser invisível? Acho que todos nós, por motivos diversos, não é mesmo? A história de H.G. Wells nos faz repensar e muito este desejo, pois o que poderia ter sido uma benção para o cientista Griffin, tornou-se uma terrível maldição, transformando-o em um ser narcisista e perigoso.

Digno de receber 5 estrelas.

Existe um filme homônimo, de 1933, com Claude Rains no papel de homem invisível. O filme seguiu à risca a história do livro e vale muito a pena ser visto.
Abaixo encontra-se o trailer para quem tiver interesse:

Esperamos que tenham gostado.

Um beijo “invisível” no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

 

O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS – Keith Donohue


Boa tarde, querida Família Lendo Muito.

Trago-vos hoje a resenha de um livro que muitos de vocês já devem ter lido ou ao menos ouvido falar, pois transformou-se em uma espécie de leitura obrigatória no ano de 2016. Trata-se de O Menino que Desenhava Monstros, do famoso novelista americano Keith Donohue.

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Jake Peter foi diagnosticado com síndrome de Asperger, um tipo mais leve de altismo, e com agorafobia (pavor de sair de casa)  após ele e Nick, seu único amigo, terem quase se afogado na praia quando ambos tinham 7 anos. Após serem salvos, J.P., como ele era conhecido, nunca mais foi o mesmo, tornando-se a a partir daquele dia, uma criança retraída e isolada de todos, forçando seus pais a tirá-lo da escola.

A mãe e o pai de Jake Peter tinham visões muito diferentes a respeito do tratamento do filho de dez anos: enquanto Holly, sua mãe, acreditava que eles deveriam procurar outro tipo de ajuda para o menino, já que ela não percebia qualquer sinal de progresso; ela inclusive acreditava que o comportamento do garoto vinha piorando, pois ele chegou até agredi-la violentamente quando ela fora acordá-lo em certa manhã; já Tim, seu pai, acreditava que J.P. vinha progredindo aos poucos, já que agora ele vinha comunicando-se através de seus desenhos.

Mas J.P. não criava desenhos comuns, mas sim figuras assustadoras. Ele afirmava que aquilo que ele vinha retratando em seus desenhos eram os monstros que habitavam o seu quarto…

Num dado momento, fatos muito estranhos tiveram início: quando Tim levava Nick de volta para a casa, ele e o garoto avistaram uma figura branca, nua, que lembrava um homem com feição grotesca, correndo pela neve; já Holly, passou a ouvir sons incomuns e assustadores na própria casa.

Buscando refúgio espiritual, Holly passou a frequentar a igreja católica da região. Lá, ela conheceu o padre Bolden e a srta. Tiramaku, sua estranha governanta que certo dia contou-lhe a respeito do Porthleven, um antigo navio que naufragara perto dali, há muito tempo. As pessoas diziam que o navio afundara por total imperícia de seu capitão, e muitos corpos jamais haviam sido encontrados.

A partir de então, teve início a lenda dos yureis, que nada mais eram do que espíritos condenados a assombrar os vivos até que fosse reparado o mal que lhes fora causado. Estes espíritos buscavam apenas a liberdade para seus tormentos.

Será que os yureis eram a resposta para os sons estranhos da sua casa e daquela grotesca figura que seu marido havia avistado na neve? Ou a chave para este enigma era algo bem pior… originário da mente perturbada de Jake Peter?

O resto, só lendo muito!

Respeito muito cada um de vocês e sei que muitos de vocês amaram a história. Contudo, tenho certeza absoluta, que este foi um dos piores livros que li em minha vida, senão o pior.  Pensei muitas vezes em abandonar a leitura (isto é algo que eu jamais faço) pois o ritmo da história é extremamente parado, modorrento, apesar do ótimo enredo que o autor tinha em mãos: um thriller psicológico, repleto de muito mistério e com uma pitada de sobrenatural. Entretanto, na minha humilde opinião, parece que o nosso querido Keith Donohue resolveu zombar de nós leitores ao criar um final tão estapafúrdio e inverossímil.

Vou atribuir ainda uma estrela apenas por causa da belíssima edição da DarkSide Books.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Tribulações de um Chinês na China – Júlio Verne


Resultado de imagem para capa tribulações de um chines na chinaQuerida Família Lendo Muito, é com grande prazer que trazemos a vocês mais uma resenha do grande Júlio Verne que, além de ter sido um dos pais da ficção-científica, foi também um grande visionário, já que muitas das invenções que vemos hoje já eram descritas por ele há tempos em seus livros, como o engenhoso submarino Nautilus, do livro Vinte Mil Léguas Submarinas, e o carro-anfíbio voador, de O Senhor do Mundo.

Mas Tribulações de um Chinês na China vai totalmente na contramão de suas outras obras, visto que não há qualquer descrição de engenhosos inventos.

Tudo começa com um banquete onde encontram-se sentados à mesa, no salão de uma das casas flutuantes do Rio das Pérolas, na cidade de Cantão, o sábio filósofo Wang, o rico Kin-Fo, e seus quatro amigos de infância: Pao-Shen, Yin-Pang, Tim e Houal. Kin-Fo, já cansado de uma vida fastigiosa e sem graça de riquezas, resolveu promover aquele banquete como uma espécie de despedida de solteiro, já que em breve ele iria casar-se com a jovem e bela viúva Lé-Ou.

Porém, ao voltar para sua residência em Xangai, juntamente com o filósofo e fiel amigo Wang, Kin-Fo recebeu uma carta vinda da América do Norte, mais precisamente do Banco Central da Califórnia, aonde seu correspondente de São Francisco informava-lhe que ele estava simplesmente falido…

De posse dessa informação, Kin-Fo tomou a decisão de dirigir-se à companhia de seguros de vida A Centenária – casa de muito prestígio na China, dirigida pelo ilustríssimo Sr. Guilherme J. Bidulph -, com o intuito de segurar sua vida pela vultosa importância de duzentos mil dólares, que seria dividida entre dois beneficiários: cinquenta mil dólares para seu amigo Wang e os outros cento e cinquenta mil dólares restantes iriam para sua noiva, a Sra. Lé-Ou.

Diante da sua iminente  falência, Kin-Fo tinha o plano de cometer suicídio, portanto, ele começara a preparar o enredo e trâmites de sua morte, estipulando como data limite de seu falecimento o dia 25 de junho, mesmo dia em que completaria 31 anos.

Como não tinha coragem para consumar o fato, ele resolveu incumbir Wang da cruel tarefa, com a condição do amigo matá-lo sem que ele soubesse como, onde e quando, somente respeitando o prazo estipulado.  Para que tudo ficasse ainda mais completo, Kin-fo resolveu redigir também uma carta suicida, onde afirmava que havia dado cabo da sua vida por causa do tédio e do cansaço, isentando Wang de quaisquer implicações futuras.

Tomando ciência de todo o plano de Kin-Fo, Guilherme J. Bidulph, proprietário da seguradora de vida A Centenária, incumbe seus agentes Craig e Fry para cuidar e vigiar o “suicida em potencial” para que nada lhe acontecesse até a data da expiração do contrato do seguro.

Para piorar a sua situação, Kin-Fo fica sabendo que seu amigo Wang desapareceu, sem deixar qualquer vestígio. Ele também recebe a notícia que na realidade não estava e nunca esteve falido; tudo havia sido um grande equívoco do Banco Central da Califórnia.

Kin-Fo, Craig e Fry, mais seu leal serviçal Soun, partem desesperadamente em busca de Wang para avisá-lo da mudança de planos, já que Kin-Fo não desejava mais ser morto. Todavia, será mesmo que eles conseguirão encontrá-lo antes que ele mate Kin-Fo?

O resto, só lendo muito.

Uma história emocionante, acompanhada de um suspense eletrizante, de tirar mesmo o fôlego, digno do grande Júlio Verne.

Mereceria até mais do que 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado de verdade.

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André & Ana Paula

 

 

 

 

O DEVORADOR – Lorenza Ghinelli


Resultado de imagem para livro o devorador“Não encare. Não o procure. Se você acreditar, ele te verá.”

 

É com esta frase sorumbática que iniciarei a minha resenha do livro O Devorador, da autora Lorenza Ghinelli, querida Família Lendo Muito.

A história toda é narrada em dois períodos bem distintos: 1986 e 2006.

1986 – Denny, de apenas 7 anos,  era vítima de bullying pelos colegas da escola. A culpa de tudo era por ele ser filho de uma mãe viciada em comprimidos, que nunca saía da cama, e por causa de seu pai, um bêbado e espancador, que todos diziam também ser louco.

Cansado de ser maltratado pelo pai e pelos outros alunos, Denny, sem conseguir compreender como (eu confesso que também fiquei sem entender), traz à vida, um ser que seu pai havia pintado em uma das telas, durante um de seus ataques de fúria. Este ser era O Homem dos Sonhos, um velho maldoso, vestido em andrajos, que nunca desgrudava de sua bengala.

O Homem dos Sonhos se intitulou então “irmão” de Denny e disse que faria de tudo para vingar-se daqueles que maltrataram seu “irmãozinho”…

2006 – Os amigos Filipo, Francesco,  e Lucca, são meninos desbocados e marotos, que acabam um dia por maltratar Pietro, um garoto especial, portador da síndrome de Arperger, um raro tipo de altismo. Pietro é dono de um Q.I. elevado e usa seus desenhos para comunicar-se com as pessoas.

Um a um, todos os garotos que maltrataram o pobre Pietro começam a morrer misteriosamente, inclusive Dario, o irmão de Pietro que não o defendera. O caso é tratado pela imprensa como “Arquivo X da cidade de Rimini”, pois apenas as roupas e os sapatos dos meninos foram encontrados: parecia até que os corpos haviam se desintegrado totalmente…

Pietro sabia bem quem era o culpado por aquelas mortes misteriosas: aquele velho assustador que invadia sempre seus sonhos, transformando-os em horríveis pesadelos. Em um de seus desenhos ele até retratou aquele velho horrível, ao lado dos quatro garotos mortos.

Assim que Alice, sua terapeuta, viu aquele desenho, um terror de gelar a espinha toma conta de todo o seu corpo, fazendo-a lembrar-se de quando tinha apenas 8 anos e era amiga de Lucrezia Contini, uma das crianças que maltratava Denny na época. Ela viu a amiga “dissolver-se” na sua frente e só conseguiu se salvar porque Denny ordenara para O Homem dos Sonhos poupar sua vida, já que ela era uma das únicas crianças que  jamais mexera com ele.

Agora, ela sabia que para evitar mais mortes e deter aquele ser sinistro e diabólico ela só tinha uma saída: encontrar Denny, custe o que custar. Ela e Stefano, seu namorado, vão à polícia, em busca de informações, mas ninguém sabe do paradeiro do perturbado garoto, ou de seu “irmão”.

Será que Denny ainda está vivo? Será que ele também não foi uma vítima do Homem dos Sonhos?

Para responder esta e outras perguntas, só lendo muito!

A leitura flui fácil, pois os capítulos são bem curtos (entre 3 e 4 páginas, no máximo), o que acelera e muito o ritmo da leitura. Por ser um livro super badalado, eu confesso a vocês que esperava um pouco mais, pois a autora tinha um ótimo enredo nas mãos, todavia, deixou a história degenerar da metade para o final. De uma boa história de terror, acabou por transformar-se em um suspense mediano.

O livro não chega a decepcionar de todo, mas também não posso dizer que empolgue muito.  Parece-me que a própria autora não tratou a história com o devido respeito que ela merecia.

Atribuo 3/5 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo enorme no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

Um Passe de Mágica – William Goldman


Resultado de imagem para um passe de mágica william goldmanQuerida Família Lendo Muito, escolhemos uma  resenha muito especial para aquecer a noite de todos vocês. Trata-se de Um Passe de Mágica, um thriller psicológico de gelar o sangue, de autoria de William Goldman, o mesmo que escreveu o grande sucesso Maratona da Morte.

Charles Withers, mais conhecido por Corky, era um garoto muito desajeitado, tímido e magriço, que nutria uma paixão platônica pela bela Peggy Ann Snow, a garota mais bonita da escola. Além do amor não correspondido, Corky também tinha uma grande atração por mágica; ele até ambicionava ser um mágico famoso e rico.

Aos 19 anos, Corky saiu de casa e partiu em busca do seu sonho; nesta época, ele conheceu Merlin Jr., um mágico que já tivera seus dias de glória, mas agora estava em decadência. De tanto Corky insistir, Merlin Jr. aceita-o como seu assistente. Aos poucos, o velho ilusionista ensina-lhe seus truques mais secretos, e Corky vai então aprimorando sua técnica.

Quando Merlin Jr. faleceu, Corky tinha já 26 anos; ele então resolveu lançar-se ao show business, fazendo suas primeiras apresentações em uma boate. Através de seus show nessa boate, ele travou contato com Ben Greene, o Carteiro. Este era um homem muito rico e um empresário visionário que, em pouco tempo, transformou o então desconhecido Corky, em um mega mágico.

Corky resolve então inovar ainda mais, passando a usar Fats em seus shows – um boneco de ventríloquo de madeira muito adorável e simpático. É nessa época também que ele reencontra Peggy Ann Snow, seu amor juvenil. Agora, além de alcançar a fama e o reconhecimento tão sonhados, ele estava ao lado da mulher que ele desejara por toda a vida.

Ele só não fazia ideia que, a partir daquele momento, ele passaria a participar de um macabro jogo de vida e morte.

Afinal, Corky Withers detém o controle de  Fats ou é Fats quem detém o controle de Corky Withers?

Para saber esta e outras respostas, só lendo muito!

Um livro excelente, com uma trama eletrizante e cuja tensão só vai aumentando a cada página virada. O final é simplesmente assombroso e totalmente inesperado.

É digno de 5 estrelas.

Para não deixar de citar: houve um filme homônimo, de 1978, com Anthony Hopkins, Ann-Margreth e Burgess Meredith no elenco. Vale a pena conferir.

Esperamos que tenham gostado .

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

 

 

PRÊMIO FNAC – NOVOS TALENTOS DA LITERATURA


Resultado de imagem para premio fnac de literaturaEm 2014, ao celebrar 60 anos de sua  existência, dentre os quais, 15 já aqui no nosso país, o programa JOVENS TALENTOS da Fnac, após ter revelado novos nomes na música, quadrinhos e fotografia, pela primeira vez na sua história,  resolveu dar destaque à nossa literatura.

Em parceria com a editora Novo Século, a Fnac produziu este belíssimo livro que traz os contos dos 10 finalistas que, muito em breve, estarão trilhando carreiras de muito sucesso, com toda a certeza.

São eles:

Adriana MonteiroNoite Adentro
Bruno SilvanoO Veneno do Tédio
Fernanda CastroDez de maio
Flávio PosseteDo que o inferno é feito
Gustavo Zicatti RaimundoAo som do Blues
Kell BonassoliA vida secreta de Ana: a fome
Lia Matos ViegaUm dia convencional…
Nataly CallaiA autoridade da vida
Patricia CytrynoviczComo fazer a barda da melhor forma
Raul OtuziO inventor de profissões

Os gêneros escolhidos pelos autores foram os mais diversos possíveis: terror, suspense, drama e até humor; todos escritos com uma técnica apurada e bastante brilhantismo.

Normalmente, costumo dar destaque apenas para os dois contos que mais me encantaram. Desta vez, porém, resolvi fazer algo diferente: escolhi três contos para fazer uma breve resenha.

 O primeiro é Do que o inferno é feito, de Flávio Possete.

Os três “amigos de copo” Luiz, Adamastor e Minoro, foram festejar o aniversário da morte do amigo Henrico, bebendo cachaça no cemitério. Quando já estavam muito “altos”, o Adamastor resolveu propor aos outros um pacto: quem morresse primeiro voltaria para contar aos outros dois do que o inferno era feito.

Dois dias depois, o próprio Adamastor morreu e, durante o enterro, Luiz e Minoro, bêbados como sempre, ficavam se perguntando se alguma coisa aconteceria mais tarde.

Será que o Adamastor voltaria para falar com eles?

E se…

O segundo conto que eu escolhi foi: Um dia convencional, da Lia Matos Viega.

Fernando, um executivo de sucesso e Pedro, um vendedor de rua, que mal falava o português acabam se conhecendo de uma maneira mais do que estranha: ao desviar de uma moto, Pedro acabou sendo atropelado acidentalmente por Fernando.

Fernando leva Pedro para o hospital mais próximo; chegando lá, ambos descobrem que outra pessoa já havia sido morta naquele dia, tentando desviar de uma moto.

Que ligação o atropelamento de Pedro teria com aquele outro?

O terceiro conto é  Como Fazer a Barba, de autoria de Patricia Cytrynovicz

O advogado Dr. Otávio – ele fazia questão de ser chamado assim = tinha o costume de fazer a barba na mesma barbearia, todas as manhãs. Aquele ritual diário de toalha quente e lâmina afiada no rosto era algo indescritível, chegando a ser mesmo orgástico.

Lá do alto do seu escritório, no Fórum de São Paulo, ele ficava olhando lá para baixo, admirando as prostitutas que faziam ponto ali na Sé; ele até sabia quem eram seus clientes e quanto tempo durava em média seus programas.

Certo dia, ele resolveu sair com uma delas. A escolhida foi uma loira falsa que tinha um pouco mais de “sustância” que as outras. Ao chegar ao abatedouro da prostituta, ele resolve fazer um programa mais do que bizarro…

O resto, só lendo muito.

Os três contos escolhidos são dignos de receberem 5 estrelas.

Tomara que outras iniciativas como esta da Fnac venham a surgir, e que novos talentos da nossa literatura brotem aos montes, pois nossa literatura sempre foi uma das mais ricas e lidas do mundo, contudo, nós mesmos não valorizamos nossos escritores.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André