O Ipê Floresce em Agosto – Lucila Junqueira de Almeida Prado


Nenhum texto alternativo automático disponível.Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de um livro de contos que eu simplesmente me apaixonei.

Trata-se de O Ipê Floresce em Agosto, da autora Lucila Junqueira de Almeida Prado. Achei este livro numa rua próxima à estação Santa Cruz do metrô; ele estava esquecido ali e com a capa bem judiada, dá para acreditar?

Drama, romance e até uma pitadinha de humor fazem parte desta verdadeira obra-prima que, apesar de ter sido classificada como infanto juvenil, trata de temas bem adultos e reflexivos.

As duas histórias que eu mais gostei foram:

Fora do Comum
Bárbara era uma esposa perfeita e mãe fora do comum, pois aceitava em sua casa todos os amigos dos filhos… e até os amigos dos amigos destes!!!

Ela também entendia tudo de moda e dava dicas às amigas e às filhas para sempre se vestirem muito bem; seu único defeito, segundo o marido, era ser muito “gastona”.

Quando ela, o marido e as duas filhas viajaram para a Europa, Bárbara prometera ao mesmo que não iria fazer nenhum tipo de compra supérflua (leia-se sapatos).

Durante boa parte da viagem, ela realmente não comprou nada para ela e nem para Vera e Bel, suas filhas queridas. Porém, assim que chegaram em Paris, seu marido recebeu uma comunicação da firma, pedindo para que ele voltasse às pressas para o Brasil; como ele não queria estragar o passeio da família, deixou a mulher e as filhas e partiu no primeiro avião.

Será que Bárbara conseguiu cumprir sua promessa ao marido? Ou será que ela caiu na tentação e gastou até o que não devia?

O Ipê Floresce em Agosto
Beatriz estava discutindo naquela noite com seu pai, o Dr. Humberto, pois o mesmo não estava nada contente com seu namorado, um viciado em jogos de azar; ele queria que ela casasse com Fernando, um jovem de família e estudante de medicina, que trabalhava com ele no hospital, mas Beatriz fazia questão em dizer que apenas gostava do tal Fernando, todavia, seu coração pertencia ao Cláudio.

Naquela noite, ela esperava que Cláudio a pedisse em casamento e, para não testemunhar a desgraça da filha, o Dr. Humberto resolveu sair de casa, sem antes pedir para sua irmã fazer companhia à filha amada.

Beatriz aproveitou então para perguntar à tia Maria como era viver ao lado de um jogador, pois seu tio Hélio também era um jogador compulsivo; a tia explicou-lhe que, apesar de amar muito seu tio, ela sempre levara uma vida solitária, costurando para fora e contando apenas com as filhas, que cresceram sem a figura do pai, pois o mesmo vivia só de “bicos” e jogando durante toda noite, chegando só de manhã em casa, ou quando ganhava bastante dinheiro – algo bem raro de acontecer.

“- Meu casamento tem sido como estes ipês – a mais linda floração no mais feio dos meses, pois, como você vê, Beatriz, o ipê floresce em agosto. “

Naquela noite, as duas filhas iriam debutar e, para pagar o vestido das meninas, a tia empenhara seu próprio anel de noivado. Só que antes de partirem para o baile, o tio Hélio surgiu, todo bem vestido, com presentes para as meninas e flores para a esposa, para total surpresa de Beatriz.

A jovem ficou em casa, esperando o namorado e acabou pegando no sono; mais tarde, ela acordou com Cláudio admirando-a enquanto ela dormia; segundo ele, a mãe havia se ferido e ele se atrasara por causa disso.

Ele então perguntou a ela se ela o aceitava como marido e ela, sem pestanejar, disse-lhe que sim…

O resto, só lendo muito!

Um livro para ser lido e relido infindáveis vezes!!!

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

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CONTOS DO DIA E DA NOITE – Guy de Maupassant


 

Resultado de imagem para CONTOS DO DIA E DA NOITEBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de CONTOS DO DIA E DA NOITE, verdadeira obra-prima de Guy de Maupassant

Para quem ainda não conhece este brilhante autor: ele é reconhecido como pai do conto moderno – gênero que ele explorou como nenhum outro, elevando-o à categoria de arte.

Todos os 21 contos aqui reunidos são recheados de dramaticidade e dureza e, muitas vezes, com pitadas de humor na medida certa; temas como maus-tratos às mulheres, aos animais, mulheres esnobes e fúteis e bêbados incorrigíveis são abordados com verdadeiro talento pelo autor, de maneira direta e muitas vezes até despretensiosa.

Desta vez, vou destacar os três contos que mais me chamaram a atenção:

1. O Crime do seu Boniface
As portas e as janelas da casa em que o carteiro Boniface deveria entregar o jornal  matutino estavam fechadas; da janela vinham gemidos altos e gritos abafados.  

Na sua mente, aquilo só poderia significar uma coisa: mais um crime terrível estava ocorrendo, como o que ele lera há pouco no mesmo jornal!

Ele logo correu para chamar dois policiais, que foram até a residência referida e tiveram uma verdadeira surpresa, assim que colaram seus ouvidos na janela…

2. O Mendicante
Um rapazote aleijado e de apenas quinze anos vivia pedindo esmolas num pequeno vilarejo francês. Desde o seu nascimento, o mesmo não conhecera outra coisa que não fosse a miséria; ao nascer, fora encontrado pelo pároco num Finados e batizado como Nicolas Toussaint, mas todos o conheciam mesmo por “Sino”.

Já cansado de ser enxotado pelas pessoas e morto de fome, abateu então uma galinha que estava passando na rua e acabou sendo espancado pelo dono da ave e quase linchado pelos empregados do mesmo.

Será que o sofrimento do pobre “Sino” nunca chegará ao fim?

3. Um Parricídio
Com um desejo sanguinário de vingança por ter sido abandonado desde pequeno, um filho bastardo mata pai e mãe e comove o júri ao contar sua triste história…

O resto, só lendo muito!

Algumas leitoras desavisadas podem achar suas histórias muitas vezes perturbadoras e até machistas; todavia, não devem esquecer-se que foram escritas numa época em que a mulher não havia conquistado seu espaço e era considerada “propriedade” do marido.

Digno de 5 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

A CASINHA DE BONECA MAL-ASSOMBRADA e outras histórias inexplicáveis – Vários autores


A casinha de boneca mal assombradaO medo acompanha-nos desde o momento do nosso nascimento, até o final dos nosso dias, não é mesmo?

Quando pequenos, temos medo do escuro, do bicho-papão e de monstros que residem embaixo das nossas camas ou dentro de nossos armários; na nossa juventude, devido às muitas influências dos filmes que assistimos, passamos a temer lobisomens, vampiros, fantasmas e até assassinos em série; por fim, ao chegarmos à velhice, tememos a solidão, o esquecimento e a morte propriamente dita!

Os sete contos que compõe esta obra, selecionados a dedo por Heloisa Prieto e Victor Scatolin,  exploram todos os nossos medos mais secretos e muitos outros que nem fazíamos ideia que pudessem nos amedrontar tanto; todos os autores selecionados, flertaram com o medo e o terror, ao menos uma vez em suas vidas. São eles: Sir Arthur Conan Doyle, Émile Zola, H.G. Wells, Guy de Maupassant, M.R. James, Bram Stoker e Henry James.

Louve-se o apuro e esmero que os tradutores tiveram com esta obra de terror magnífica, fazendo uso de tradução livre, como forma de impactar ainda mais os leitores, sem  jamais perderem o verdadeiro enfoque de cada narrativa.

Os dois contos que eu mais gostei foram:

1. O Unicórnio, de Sir Arthur Conan Doyle
Marham faz-nos um breve relato do que aconteceu em 14 de abril de…,  quando ele e mais 4 amigos participaram de uma sessão espírita, no número 17 da rua Brederly.

No início da sessão, uma pequena fosforescência verde formara-se sobre a mesa e um espírito desencarnado trocou de lugar com a senhora Delamare, a única médium e clarividente da mesa. Ele respondeu às perguntas de todos os presentes sobre vida, morte e alertou-os do perigo de se brincar com o “desconhecido”, deixando o corpo da médium, logo em seguida.

Tudo corria bem até o momento que resolveram tentar algo novo, utilizando apenas a força do pensamento.

O resultado de tal experimento não poderia ser mais catastrófico e violento!!!

2. O Fantasma Inexperiente, de H.G. Wells
Clayton conta uma história bem difícil de engolir aos seus colegas, na qual, ele teria capturado um “fantasma inexperiente” e ajudado o inábil espírito a passar novamente para o “outro lado”.

Segundo o amigo falastrão, o fantasma novato tivera que realizar uma sequência completa de gestuais muito parecidos com passes de mágica e que, senão fosse pela sua ajuda direta, o tal fantasma não teria conseguido voltar para o além.

Com o objetivo de desmascararem Clayton, seus amigos pediram a ele que tentasse repetir a sequência de mágica na frente deles e ele assim o fez.

O resto, só lendo muito!

Esta é uma leitura obrigatória para todos aqueles que se dizem fãs de histórias de  terror!

Recebe 4/5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

Frritt-Flacc – Júlio Verne


“Frritt”… é o vento que ruge, desgovernado.
Flacc”… é a chuva que cai, em torrentes.”

 

60ca6d2f-1020-490e-a59f-c946aba77aa3Fustigada dia e noite pelo terrível vulcão Vanglor e banhada pelas águas violentas do oceano de Megalocride, situava-se a pequena cidade fantástica de Luktrop, que não existia em qualquer mapa ou atlas, mas parecia-se com qualquer cidade pequena da Europa ou de qualquer outro lugar do mundo.

Certa noite, enquanto um forte vento e uma chuva terrível assolavam a pequena Luktrop, uma garota tiritando de frio, coberta apenas por uma capa de chuva muito fina,  aproxima-se da casa do médico da cidade, perguntando se ele poderia atender seu pai, que estava à beira da morte!

Além de morar na melhor casa da cidade, este tal de doutor Trifulgas era uma pessoa extremamente desumana e sovina, que interessava-se apenas em tratar de pessoas ricas e com muito dinheiro a lhe oferecerem, e assim que ficou sabendo que o paciente era um mero salgador de peixes, que morava num vilarejo um pouco distante de Luktrop, tratou de dispensar a pobre garota, dizendo-lhe que o doutor Trifulgas não se encontrava.

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Mais tarde, o médico foi procurado pela esposa do salgador de peixes, que também foi dispensada com a mesma grosseria, pois a mesma não trazia dinheiro suficiente consigo.

Por último, quem o procurou foi a mãe do tal salgador de peixes, pois seu filho acabara de sofrer um ataque. Como a velha senhora também não trouxera dinheiro suficiente, o desalmado médico dispensou-a com ainda maior indelicadeza.

Contudo, pensando no dinheiro fácil que ele receberia por uma consulta que seria relativamente rápida, o doutor Trifulgas resolveu aceitar o dinheiro que aquela mãe desesperada trazia consigo…

O resto, só lendo muito!

Apesar de Frritt-Flacc, num primeiro momento, parecer apenas com uma história infantil, trata-se, na verdade, de uma autêntica fábula de terror adulta, que força seus leitores a uma completa reflexão sobre o lado mais obscuro do ser humano e também sobre a morte.

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Não posso deixar de citar o excelente trabalho do artista plástico Alexandre Camanho; suas belíssimas ilustrações conseguiram abrilhantar ainda mais esta obra magnífica.

Recebe 4/5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

 

Demontale (As matadoras do Submundo): Os contos do Submundo – vários autores


Alessandra Tapias, Daniella Rosa, Glau Kemp,
Leandro Zapata, Lu Martinho, Luisa Soresini,
Nana Lees, Patrícia L. Boos, Paulo Fabian, Samara Motta,
Vanessa Corsant, Viviani Xanthakos, Geana Krause,
Amanda Ághata Costa, André Mafra, Caroline Defanti,
Susana Silva, Nanda Cruzo, Edis Henrique, Francine Cândido,
Géssica Marques, Jéssica Driely, Mauricio R. B. Campos,
Lilah Prates, Mayara F. Costa, V. K. Macedo,
Daniele Oliveira, Yan Boos, Yara Prado

Após mais um de meus famosos períodos de sumiço, eu volto para comentar sobre essa coletânea de contos sobrenaturais que ganhei como um presente de meu irmão de alma aqui do blog, o Alê (muito obrigada pelo presente, por sinal, eu simplesmente o adorei)!

O livro conta com diversos autores diferentes, que variam de acordo com o conto escrito, o que nos proporciona a oportunidade de admirar as diferentes maneiras (seja por estilo de escrita, enredo ou personagem) que se pode desenvolver um tema em comum: O risco corrido pelo reino de Taleland depois que os príncipes desse são possuídos por Mefisto, um demônio que possui como objetivo o extermínio dos finais felizes e o controle total das terras do reino citado. E adivinha quem vai ter que combater esse perigo, uma vez que aqueles que normalmente salvam o dia se tornaram a ameaça em si? Isso, mesmo, as que sempre são salvas: As princesas!

Além de contar com o evidente e atraente elemento fantasioso/sobrenatural, que se dá pela presença de criaturas como demônios, fadas e trolls, por exemplo, a obra é interessante por desconstruir os contos de fada, atribuindo às princesas características que comumente não lhe são atribuídas (nem às mulheres como um todo, infelizmente): Força, coragem, independência e esperteza, quebrando, assim, a imagem frágil da feminilidade que normalmente recebemos pela mídia (sobretudo em em obras que se tratam de princesas), assim que assistimos às jovens lutarem por suas vidas e seus povos, ainda que usando vestidos e salto, muitas vezes.

Dito isto, acho que fica claro que eu gostei muito do fio condutor do livro e, por consequência, das tramas dos contos em si. Minha única crítica seria a de que, talvez por conto do diminuto tamanho dos contos, esses pecam no sentido do desenvolvimento: O enredo parece se desenrolar de maneira exageradamente acelerada, de forma que não temos tempo de nos apegamos às histórias e personagens apresentados.

Embora seja impossível falar sobre todos os contos aqui (basta ver a quantidade de autores que participaram do projeto para entender o motivo), não poderia deixar de mencionar o fato de que a história que abre o livro, a respeito de uma garota que cresce e é treinada no convento para só então descobrir suas origens e destino, foi escrita por uma amiga aqui da família Lendo Muito!!!, a Alessandra Tapias, ou simplesmente Lelê, para os mais íntimos, que foi muito bem sucedida na criação de uma trama original e uma personagem forte e marcante, embora tenha pecado um pouco (assim como a maioria dos autores presentes no livro) no quesito desenvolvimento, como já foi comentado acima, o que talvez se deva ao fato dos contos serem, de fato, muito curtos, dificultando um maior aprofundamento das histórias.

Outros contos que gostaria de citar são As longas mechas da vingança, de André Mafra, A maldição do cisne, de Francine Cândido e Lilith a princesa das trevas, de Géssica Marques. O primeiro, por ter sido  um conto que, dentre tantos, ainda foi capaz de se destacar em relação à construção de uma personagem forte e destemida e por ter sido também o primeiro (embora não o único) a abordar o a questão do estupro, além do assassinato em si, que foi mais focado na maioria dos contos. O segundo, por ter conseguido superar a dificuldade apresentada pelos demais no quesito desenvolvimento, sendo incrivelmente envolvente (o que pode ser explicado por se tratar de um conto um pouco mais longo que os demais). E o terceiro, por escolher uma princesa um tanto quanto inesperada e surpreendente, gerando uma atmosfera diferente em sua história por causa disso.

Enfim, um livro com grande potencial oferecido pela temática escolhida, mas com falhas de desenvolvimento que talvez pudessem ter sido evitadas com a prolongação de alguns contos (prezando, assim, pela qualidade, ao invés da quantidade dos mesmos), Demontale ganha o meu 8.

Beijos, Ana Beatriz

Sagarana – João Guimarães Rosa


Resultado de imagem para CAPA SAGARANAMais uma obra presente na lista da Fuvest desse ano, Sagarana é um conjunto de nove contos que, como esperado do autor, se passam no sertão de Minas, contando com elementos como religiosidade, sentimentalismo, superstição e a constante figura do valentão.

Com uma linguagem que mescla arcadismo, coloquialismo e norma culta, para não falar nos neologismos, o vocabulário pode ser uma barreira para diversos leitores, sobretudo, no conto O burrinho pedrês, em que a linguagem específica para descrever os bois pode comprometer a compreensão.

Outro problema que pode ser citado é a falta de objetividade do autor, que usa grande parte do livro para  descrever paisagens e animais ou mesmo contar histórias que pouco ou nada se relacionam com o enredo central, tornando a leitura lenta e cansativa, fazendo com que o leitor ache difícil concentrar-se na história que o escritor queria de fato contar.

No entanto, por mais que Sagarana não tenha de modo algum entrado pra minha lista de favoritos, ou mesmo favoritos entre as obras requisitadas pela Fuvest, nem só de defeitos é feito um livro. O humor e a ação são, sem dúvidas, fatores que te envolvem em contos como A hora e a vez de Augusto Matraga A volta do marido pródigo, meus dois contos preferidos, embora os elementos citados permeiem praticamente toda a obra.

Um clássico da literatura brasileiro, me sinto até mal de dizer isso, mas o fato é que meu primeiro contato com Guimarães Rosa (um autor renomado, comparado por muitos ao próprio Machado de Assis), a despeito do elemento humorístico e enredos que, em sua essência, soariam até mesmo interessantes, não me impressionou muito por seu excessivo descritivismo e falta de objetividade, ganhando, assim, meu 5.

Beijos, Ana Beatriz

 

ANTES DO CIRCO – Jerônimo Teixeira


Resultado de imagem para livro antes do circoQuerida Família Lendo Muito, a resenha que trago-vos nesta véspera de natal é de mais um livro adquirido em uma das máquinas de livros do metrô de São Paulo.

Trata-se de Antes do Circo, obra de autoria do premiado escritor gaúcho Jerônimo Teixeira.

Em cada uma das onze histórias que fazem parte desta coletânea, o autor explorou temas dos mais variados, como drama, comédia, erotismo, quebrando todos os paradigmas entre o real e o absurdo, sem jamais desrespeitar o leitor.

Através de sua escrita brilhante o autor conseguiu criar uma aura diferente para cada história; os personagens criados por Jerônimo Teixeira são vulneráveis e, de uma hora para outra tornam-se fortes.

Como sempre costumo fazer aqui no Lendo Muito, selecionei as duas histórias que mais me encantaram:

1. Melodrama
Num dia de muito calor, um rapaz e sua namorada apaixonada enganam seus pais com desculpas arrumadas e lançam-se nus, às margens do lodacento rio Caí.

Na época em que se passa a história, as moças eram mais recatadas e não tinham qualquer envolvimento sexual com os rapazes, mas esta pobre coitada estava sendo enganada há bastante tempo pelo cafajeste do namorado; através de sua lábia, o pulha convencera a pobre moça a entregar-se totalmente de corpo e alma para ele, fazendo-a acreditar que ele casaria com ela.

Entretanto, o velhaco não queria nada além de favores sexuais da pobre pequena, que sempre pedia a ele uma prova do seu amor.  Ele resolveu então conceder-lhe a tal prova, realizando um belo salto no rio.

Ele subiu na ribanceira, bateu no peito, tal qual Tarzan, gritou  “eu te amo” para ela e lançou-se ao rio,  indo bater com a cabeça em um tronco submerso…

2. Reduzir a pó os testículos

Este conto tem apenas duas páginas, mas parece ter mais de cem, dada a sua riqueza de detalhes.

Uma prostituta é sempre maltratada pelo mesmo cliente, que costuma puxar com força seus cabelos, morder seus mamilos e até arranhar seu rosto.

A perversão deste depravado só aumenta a cada dia que se passa, e ele chega até a levar um terço e exigir que ela reze enquanto ele a penetra de maneira violenta e, antes de ir embora, cospe em sua cara.

Tudo muda quando, certo dia, o desprezível ser abre demais a sua guarda, pedindo para sua vítima que acorrente seus pés e braços à cama.

Neste dia em questão, a caça virou caçador…

O resto, só lendo muito!

Livro digno de 3 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Feliz natal para todos e um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Lady Barberina & A Outra Volta do Parafuso


Resultado de imagem para lady barberina capaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos mais uma resenha de um grande clássico universal. Para isso, escolhi Lady Barberina & A Outra Volta do Parafuso, de autoria de Henry James.

O livro traz duas histórias bem distintas: Lady Barberina é  uma comédia de costumes, narrada em terceira pessoa, que descreve com sarcasmo e ironia a sociedade inglesa e americana do século XIX; já A Outra Volta do Parafuso é uma autêntica história de terror, com uma pitada de sobrenatural, narrada na maior parte em primeira pessoa, com capítulos muito curtos, que ajudam a acelerar a leitura.

1. Lady Barberina
Durante sua estada em Londres, o médico americano Jackson Lemon acaba apaixonando-se por Lady Barberina, uma bela jovem inglesa que fazia parte de uma família de aristocratas ingleses falidos e esnobes.  Mesmo contra a sua vontade, Lorde Canterville, o pai de Lady Barb, é obrigado a permitir o casamento da filha com aquele  americano “inferior”, pois sua família passava por sérias dificuldades financeiras e o jovem médico surgia como uma verdadeira tábua de salvação, já que era muito rico e também herdeiro de uma grande fortuna no novo continente. 

Após o casamento, o casal parte da Inglaterra rumo aos Estados Unidos, para viver em Nova York, próximo da Sra. Lemon, a mãe do jovem doutor.  

Contudo, depois de  seis meses de casado Jackson Lemon ainda não conseguira fazer com que a esposa abandonasse o ar arrogante e presunçoso com que ela olhava para as pessoas; além disso, Lady Barberina odiava quando seu marido se reunia em casa com seus amigos, pois a casa deles ficava cheia de gente rindo e falando alto.

Já Lady Agatha – irmã mais nova de Lady Barb, que fora passar uma temporada em Nova York com eles -,  era uma moça muito simples e de fácil trato, que acabou apaixonando-se pelo estilo de vida dos americanos, o que acabou por gerar grande revolta na irmã mais velha.

2. A Outra Volta do Parafuso
Um grupo de pessoas aproveitava o calor gostoso do fogo da lareira para contar histórias de terror. Douglas, um dos presentes, revelou aos amigos que conhecia uma história de fantasmas verdadeira; ele tinha em sua posse um manuscrito antigo, escrito pela governanta de sua irmã, revelando um terrível acontecimento que a pobre mulher vivenciara anos antes de sua morte. Contudo, levaria dois dias para buscar o tal manuscrito em outra cidade.

Tratava-se da história de uma jovem que fora contratada como preceptora (governanta) após responder a um anúncio de jornal; seu serviço seria cuidar de  duas crianças órfãs que estavam agora sob a tutela de um tio, que era o seu empregador, porém, ela jamais deveria incomodá-lo sob qualquer assunto relacionado àquelas crianças ou sobre qualquer outro problema que ela viesse a encontrar na residência.

Ela parte então para a mansão que ficava no condado pequeno de Bly e, ao chegar lá, conhece a bondosa Sra. Grose, que apresenta-lhe Flora, uma menina linda e adorável, capaz de cativar qualquer coração empedernido. A jovem babá passa a dormir todas as noites com a pequena Flora.

Ela recebe então uma carta da direção do colégio de Milles, avisando-lhe que o menino fora expulso do colégio por mau comportamento e estava retornando de trem para Bly. Assim que a jovem preceptora pôs os olhos pela primeira vez naquele lindo garoto, todos os pensamentos negativos, oriundos daquela epístola malcriada, foram substituídos por puro amor e encantamento.

Com o passar dos dias, ela passou a acreditar menos ainda naquelas acusações feitas a Milles. Como uma criança tão doce e bela como ele poderia ser má?

Por que será que o tio daquelas crianças era tão frio e insensível em relação aos dois sobrinhos? Na sua opinião, aquelas duas crianças maravilhosas jamais haviam dado qualquer motivo para serem castigadas antes e nem dariam no futuro. 

Certa noite, ela tem a visão de um homem desconhecido, que a fitava de cima da mansão com um olhar libidinoso e ousado. Ela resolveu guardar segredo de todos, pois talvez se trata-se de algum viajante desconhecido que subira no ponto mais alto da propriedade com o intuito de observar dali a bela paisagem.

Dias depois, o mesmo rosto apareceu colado à janela do andar de cima, a olhar não para ela, mas para alguma outra coisa…ou outro alguém!!!

O resto, só lendo muito!

A única crítica que faço a respeito de  A Outra Volta do Parafuso é em relação ao seu final um tanto quanto vago, dando margem para mais de uma interpretação.

Digno de 4 estrelas

Até hoje, não existe nenhum filme baseado no roteiro de Lady Barberina; entretanto, várias adaptações de A Outra Volta do Parafuso foram feitas para a TV e para o cinema, porém, “Os Inocentes”, de 1961, com Deborah Kerr no papel principal, é aclamada por muitos críticos como a melhor.

Segue abaixo, o link do youtube para assistirem ao filme completo:

 

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Contos En… Cantos & Peripécias – Andrade Jorge


Contos En... Cantos & PeripéciasBom dia, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de um livro que eu recebi de presente de uma pessoa muito iluminada e querida: minha amiga e irmã Lua Andrade, do maravilhoso blog Caderno da Lua!

Trata-se do livro Contos En… Cantos & Peripécias, de autoria do brilhante poeta Andrade Jorge, que é simplesmente o pai da doce Lua.

Como o próprio título já diz, os nove contos aqui selecionados são capazes de encantar a qualquer leitor, pois são muito bem construídos por este trovador que, para nossa sorte e deleite, resolveu aventurar-se pelos campos da prosa.

As histórias são ambientadas em lugares diversos e épocas bem distintas. Neste livro, o drama e a desilusão muitas vezes caminham de mãos dadas com a ironia e o humor; a temática escolhida é a mais variada possível, e envolve traição, vingança, corações partidos, mortos que ressuscitam, amores não correspondidos, demonstrando a grande versatilidade do autor.

Foi muito difícil escolher dar destaque para apenas dois contos, já que eu gostei de todos.
No final, fiquei com estes:

1. A Mulher do Barbeiro
Cássia Maria, além de esposa do barbeiro Plácido, a quem ele apelidara carinhosamente de “pombinha”, era uma mulher muito bonita e fogosa, cantada em verso e prosa por todos da pequena Buriti.

Mas, como toda a ave que se preza, ela também gostava de “voar” fora do seu ninho. A cada semana ela saía com um amante diferente, sempre escolhendo alguém da “turma das seis”, que frequentava o salão do marido ciumento e cego de amor.

Plácido reparava na ausência de um membro diferente da “turma dos seis”, mas os outros sempre davam uma desculpa para a falta do colega e ele sempre engolia…

Certo dia, uma grande empresa de cosméticos estabeleceu-se na região, trazendo técnicos especializados para morarem na cidade, além de gerar mais empregos e dinheiro para os cofres públicos.

Um dos técnicos contratados era Rodolfo Augusto, um afrodescendente a quem todos chamavam de Rodô. Além de alto e bonito, Rodô era também gabola e metido a conquistador. Ele tinha até um ditado pessoal: “Vacilou Rodô entrou!”

Certo dia, ele jogou todo o seu charme em cima de Cássia Maria, e a “pombinha” voou para o lado dele, rejeitando todos os demais amantes, dali em diante.

Rodô só não fazia ideia da enrascada que estava se metendo; enrascada esta que mudaria para sempre seu ditado para:

“Vacilou Rodô entrou…numa fria!”

2. Morango com Chantily e Champagne
Roberto era um bem-sucedido profissional da área de marketing e estava casado há bastante tempo com Cecília. Eles tinham uma vida bem tranquila e eram muito bem relacionados. Entre suas amizades, destacava-se o casal Sílvio e Caroline, com quem sempre jantavam e viajavam.

Caroline também trabalhava na mesma empresa de Roberto; como bons amigos, eles sempre conversavam sobre tudo, inclusive sobre o casamento de ambos que não ia nada bem. E, conversa vai, conversa vem, logo ficaram um pouco mais íntimos…

Até o dia em que uma viagem foi agendada pela empresa onde eles trabalhavam e ambos deveriam viajar para representar a empresa em um congresso importante. Eles ficariam hospedados no mesmo hotel e já faziam planos de “algo mais”.

Ciça, como Cecília era mais conhecida, ouviu Roberto conversando com Caroline sobre os preparativos da viagem e logo percebeu que ambos estavam marcando um encontro amoroso para depois do Congresso.

Ela ficou muito mal com aquilo e resolveu vingar-se da amiga e do marido de um jeito criativo e muito inusitado: ela se passaria pela amiga e faria o marido transar com ela, sem saber que era ela.

Para tudo dar certo, ela teve que enviar um telegrama para o hotel em que eles ficariam hospedados, passando-se por Caroline. No telegrama, ela detalhava uma fantasia sexual que ela fazia questão que seu “amante-marido” realizasse. 

A fantasia envolvia luzes apagadas, roupa íntima vermelha e provocante, uma champagne francesa gelada, morangos e chantily…

O resto, só lendo muito!!!

Um livro realmente maravilhoso, digno de receber 5 estrelas.

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Os anões – Veronica Stigger


Resultado de imagem para os anões capa livroBom dia, querida Família Lendo Muito!

Pensem num livro inusitado, com formato totalmente diferente do usual e com histórias absurdas e fantásticas, como vocês nunca viram antes.

Sim, este livro existe. Trata-se de Os anões, livro de estréia da autora gaúcha Veronica Stigger.

A capa é toda em cor preta, sem qualquer imagem além do título, que mais parece uma etiqueta colada em algum tipo de agenda; o formato é de bolso e conta com apenas 60 páginas, todas muito grossas, por conta da escolha do miolo em papel cartonado de gramatura bem alta, algo bem diferente do que estou acostumado a ver nos livros.

As histórias selecionadas são bem curtas e exploram temas violentos, como espancamentos e até canibalismo. Tudo é abordado de uma maneira muito leve e ao mesmo tempo distorcida, flertando muitas vezes com o ilógico, mas sem ferir de modo algum o leitor.

O resultado final é maravilhoso, por mais absurdo que possa isso parecer. Mérito do talento de uma autora que escolheu fugir do lugar comum, para marcar seu nome para sempre na literatura nacional, como expoente de uma nova geração de autores que não ligam para o convencional.

Escolhi as duas histórias que mais chamaram a minha atenção.

São elas:

1. Os anões
Um casal de anões muito bonitinho e bastante petulante, aproveita-se de sua diminuta estatura para passar na frente de todos, inclusive de grávidas e de idosos.

Naquele dia, aproveitaram-se da boa-fé da balconista da confeitaria, que cedeu-lhes um banquinho, para degustarem todos os doces e guloseimas disponíveis, totalmente despreocupados com o tempo e até fazendo pouco caso daqueles que encontravam-se em uma fila enorme.

Muitas pessoas sentiram-se tão aviltadas com aqueles dois anõezinhos e resolveram por um ponto final na farra do casal!

2. “Quand avez-vous le plus souffert?” 

Mãe e filha estão passando uma tarde agradável no parque central da cidade natal de ambas. Enquanto a menina preocupa-se em fazer uma “cabana” para sua tão querida progenitora, escolhendo galhos e folhas caídos, a mãe passa as horas tricotando uma blusa.

Em certo momento, a menina resolve pedir-lhe um pedaço de lã, o  que a mãe prontamente atende, cedendo-lhe então um bom pedaço de linha dourada.

A filha enrola seu pedaço de linha no próprio pescoço, demonstrando a mãe como seria possível fazer um colar de lã.

O problema é  que aquela mãe  tinha outros planos para a filha…

O resto, só lendo muito!

Diferente de tudo o que eu já havia lido.

Digno de receber 4 estrelas.

Espero que tenham gostado, pois ele é diferente.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André