DEPRESSÕES – Herta Müller


Resultado de imagem para livro depressões herta muller coleçãoBom dia, querida Família Lendo Muito!

Para iniciar as resenhas da semana, escolhi o livro Depressões, primeira obra da escritora alemã, nascida na Romênia Herta Müller, ganhadora do Prêmio Nobel da Literatura de 2009.

O livro é composto por quinze contos extremamente perturbadores, que falam das dificuldades encontradas pelas famílias para viverem no campo,  numa Romênia pós-guerra. A infância das crianças é retratada aqui de forma dura, brutal e muitas vezes agressiva; mesmo assim, há sinais de devaneios e até brincadeiras infantis.

Problemas como alcoolismo, adultério e espancamentos são traços marcantes da escrita da autora e são tratados como algo extremamente normal, chegando até a receber um certo lirismo por parte da mesma. 

Posso dizer que as histórias parecem repugnantes num primeiro momento, contudo, conforme avançamos na leitura, a desgraça é descrita de forma tão corriqueira que acabamos nos solidarizando com tamanho sofrimento vivido pelos personagens, por mais absurdo que isto possa parecer!!!

Escolhi dois contos para dar destaque:

1. O Discurso Fúnebre
Uma garota acompanha de perto o funeral do pai, que fora sempre uma figura imponente em casa. Terminado o enterro, alguns homens já muito alcoolizados, começam a narrar-lhe os terríveis pecados cometidos pelo seu progenitor, pecados que incluíam mortes de inocentes, adultério e até um caso terrível de estupro, que ocorrera durante a guerra. 

Para vingar-se daquele homem que fora tão terrível, os homens do vilarejo voltam-se para a pobre garota, condenando-a à morte.

2. Depressões
Esta narrativa, além de dar nome ao livro, é também a mais longa, ocupando quase metade do mesmo e narra a vida campestre de uma garotinha que mora com seus pais e avós, mas chega a ser tão insignificante que parece não existir de verdade.

Seu choro é repelido com tapas e surras dados pela mãe desalmada, que acredita que criança não deve chorar sem motivo. Ela escolhe como seu refúgio particular a “casinha”, uma latrina construída no terreno, usada por todos da família. Naquele lugar nauseabundo ela chora à vontade, sem qualquer culpa, e enquanto chora, ela também olha para baixo e, pela cor dos excrementos, ela consegue adivinhar quem esteve ali antes…

O resto, só lendo muito!

A leitura é bem tranquila e o ritmo torna-se bem acelerado devido à utilização de frases curtas pela autora.

Digno de 3 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

Anúncios

Contos Homeopáticos – Lorenzo Madrid


Estórias que a História não conta

 

Resultado de imagem para contos homeopáticosNeste livro, várias histórias são narradas, sempre tendo como pano de fundo uma almofada bordada, confeccionada por Latife, uma bela menina que fora levada para fazer parte do harém do sultão Abdiihamid I como uma de suas odaliscas.

A partir daí, a almofada passa a transportar-se pela linha do tempo, em “estórias” de amor passadas em épocas remotas. A cada paixão que desponta no horizonte encontramos ela, a almofada da paixão de Latife…

A ideia da almofada aparecendo em vários momentos e o autor fazendo citações das histórias de Marilyn Monroe, John Kennedy e Napoleão Bonaparte foi algo realmente genial, oriundo de uma imaginação brilhante.

Contudo, com o avanço da leitura, o livro acaba se tornando muito  cansativo, pois as “estórias” de amor prolongam-se por muitas páginas.

Atribuiremos 1/5 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

 

dezcontos com descontos – Ordilei Alves


dez contos com descontosBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje mais uma resenha de um livro que comprei  em uma das maquininhas de livros do Metrô de São Paulo; desta vez, o que me chamou a atenção foi o divertido trocadilho do título.  Trata-se de “dezcontos com descontos”, de Ordilei Alves.

Ao efetuar a leitura, o leitor irá deparar-se com dez histórias verdadeiramente “deliciosas”, com uma temática bem variada, explorando o humor e o drama com rara sensibilidade.

Não posso esquecer de mencionar o toque sutil de reflexão sobre a natureza humana que o autor deixa muitas vezes nas entrelinhas ao final de algumas histórias.

Destaque especial para:
“O Aniversário do Nonno”, que narra a história de uma família italiana típica, que estava reunida para comemorar 90 anos de seu Nonno. A casa estava cheia e  as ruas adjacentes encontravam-se repletas de carros estacionados.

A tarantela corria solta na vitrola e os casais dançavam alegremente. A mesa estava preparada para mais de trezentos convidados. Todos queriam dar os parabéns para o Nonno querido, e também desejavam saborear uma deliciosa macarronada italiana.

Só existia um pequeno problema: o Nonno  ainda não descera para o salão e não atendia quando batiam insistentemente à porta de seu quarto.

Será que o patrono da família havia morrido justamente no dia do seu nonagésimo aniversário?

O resto, só lendo muito!

O autor serve de exemplo para todos nós, pois lançou seu primeiro livro aos 60 anos de idade, provando que nunca é tarde para se escrever.

Digno de receber 5 estrelas!

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André 

OS FANTASMAS DA SÃO PAULO ANTIGA – Miguel Milano


Resultado de imagem para fotos do livro os fantasmas da são paulo antigaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha do maravilhoso livro Os Fantasmas da São Paulo Antiga, do autor Miguel Milano.

O livro é divido em duas partes: “Os fantasmas”, onde o autor narra histórias inusitadas e  muitas vezes divertidas, que ele mesmo vivenciou ou apenas ouviu falar quando era criança, e “São Paulo” (retrospecto), onde ele faz um relato bem interessante sobre as alterações que marcaram a cidade de São Paulo, dando ênfase maior para o final do século XIX, até 1949, ano da primeira edição.

Gostei muito destes dois “causos”:

“Mestre” Chico – O sapateiro
“Mestre” Chico era um sapateiro italiano muito conhecido por suas bebedeiras e por sua farolice; o mesmo possuía uma sapataria bem famosa na antiga Ladeira Tabatinguera, a “Sapataria Invidiata” (Sapataria Invejada), onde ele trabalhava arduamente de manhã à noite, de terça a domingo, tirando a segunda para descansar e embriagar-se.

A fanfarrice de “Mestre” Chico chegava ao cúmulo dele afirmar que seu heroísmo superava o próprio Giuseppe Garibaldi, acreditem!

Certo dia, alguns clientes já fartos de suas conversas, indagaram-lhe se ele já havia enfrentado algum fantasma, e ele respondeu com toda a pompa que havia enfrentado vários “fantasmões” quando morava na Itália; ele até chegou ao cúmulo de dizer que havia enfrentado o próprio diabo.

“Mestre” Chico só não fazia ideia que um “diabo” brasileiro iria desmascará-lo da maneira mais humilhante possível!

“Pepino”, o carvoeiro

“Pepino” era um carvoeiro italiano muito querido, que no final do século XIX residia em um dos cortiços antigos de São Paulo, habitado por italianos, que ficava entre a antiga Travessa Palha (hoje Rua Bráulio Gomes) e a Rua do Paredão (atual Xavier de Toledo).

Certa vez, “Pepino” foi tomado por morto pelo médico e seu enterro deveria acontecer no dia seguinte, lá no cemitério da Consolação.

Acontece que o querido carvoeiro era narcoléptico e acordou durante a madrugada, dentro de um caixão e ao lado de outros dois mortos verdadeiros…

O que aconteceu em seguida marcou para sempre a vida dos habitantes do velho cortiço…

O resto, só lendo muito!

Resultado de imagem para fotos de militão augusto de azevedo para Os FAntasmas da São Paulo Antiga

Uma leitura rápida, deliciosa, permeada de histórias inusitadas e fatos históricos de uma São Paulo que, perto do final do século XIX, contava com cerca de 45 mil moradores e pouco mais de 7012 residências, sendo que 14 eram “prédios” de três andares; o calçamento do centro era de paralelepípedos de pedras irregulares e apenas 291 ruas eram iluminadas por 1307 bicos de gás!

Uma belíssima seleção de fotos foi inserida nesta nova edição, retratando com primor muitos  lugares citados no livro entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX.

Resultado de imagem para fotos de militão augusto de azevedo para Os FAntasmas da São Paulo Antiga

Digno de 5 estrelas.

Espero que  vocês tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de todos!

Alex André

ARANHA CASTANHA E OUTRAS TRAMAS – Gloria Kirinus


Resultado de imagem para ARANHA CASTANHA E OUTRAS TRAMASBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos uma resenha de um livro extraordinário que foi adquirido em uma das “maquininhas” do Metrô de São Paulo.

Trata-se de Aranha Castanha e Outras Tramas, de autoria de Gloria Kirinus, uma peruana de nascimento, que adotou nosso país – mais precisamente Curitiba-, como lugar para o seu renascimento.

As histórias narradas por ela são um verdadeiro deleite ao leitor, já que são reflexões sobre temas mais do que inusitados, como matemática e futebol. Aliás, muito antes de conhecer nosso país ela já apaixonara-se pela nossa língua quando ouvia os jogos do Brasil do outro lado da fronteira, coladinha em seu rádio – algo que denotava muita estranheza em sua família, pois ela era uma “menina”.

As duas histórias que mais chamaram-me a atenção foram as seguintes:

1. A Lição do Caranguejo
Uma mãe desesperada procura uma psicoterapeuta para “salvar” sua filha. O problema da adolescente vinha desde a infância, quando um pescador, por simples brincadeira, disse-lhe que sua inteligência era diagonal. Dali em diante, ela começou a andar tal qual um caranguejo.

O que parecia ser uma simples brincadeira, tornou-se algo muito sério, a ponto da menina, após ter contato com o jogo de xadrez, pensar em tornar-se freira só para acompanhar o “bispo”.

2. Com Zeus
As amigas estavam intrigadas para saber quem era aquele “Zeus” de quem tanto Cátia comentava e a quem ela prometera dispensar mais tempo…

O resto, só lendo muito!

O livro conta com uma escrita bem espontânea e com histórias muito divertidas, fazendo com que o leitor não desgrude das páginas até chegar ao seu final.

Não poderia deixar de citar também o trabalho da Angela Leite de Souza, pois suas belíssimas ilustrações são complementos mais do que acertados dos “causos” muito bem tramados por Gloria Kirinus.

Digno de 5 estrelas

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Código 1 – Crônicas de Plantão – Hang Ferrero


Resultado de imagem para codigo 1 - crônicas  livroBoa tarde, querida Família Lendo Muito.

Trago-vos agora a resenha do livro “Código 1 – Crônicas de Plantão“, do querido autor catarinense Hang Ferrero.

Ao falarmos de saúde, o que vem logo a nossa cabeça é o péssimo atendimento prestado por médicos e enfermeiros, as longas filas de espera para o atendimento da população, a falta de leitos e remédios, e o sucateamento e abandono dos hospitais.

Só alguém com muito talento e sensibilidade como Hang Ferrero para fugir de todo esse negativismo e desgosto e encontrar humor em situações inusitadas que ele tem vivenciado há quase trinta anos atuando como técnico de enfermagem e socorrista.

Todos os “causos” narrados são verdadeiros; ele guardou a ficção apenas para os nomes das personagens e das instituições. As histórias são excelentes e a leitura é tão leve e gostosa, que faz com que o leitor não pare mais de ler até chegar ao final e ficar com um gosto de “quero mais”.

Quero dar destaque para duas histórias que mais chamaram a minha atenção:

1 – Fatalmente
O enfermeiro Joca não gostava muito de pegar elevadores, não por qualquer medo ou “toc”, mas sim por que sempre que subia em um, aconteciam situações divertidas ou embaraçosas.

Certa vez,  enquanto segurava a porta do elevador para que os enfermeiros conduzissem a maca de uma paciente que estava com receio de que seu médico não lembrasse qual joelho que deveria ser operado, ele não se conteve e perguntou-lhe se ela não havia feito um “X” no joelho certo para que o médico não se enganasse…

2 – Urgência
Socorristas de plantão atendem ao chamado de uma mãe pedindo ajuda para a filha de 17 anos que havia desmaiado. Chegando à residência, notaram que a garota já estava quase recuperada e ficaram sabendo que ela vinha apresentando este quadro já fazia algum tempo.

Nada de anormal foi constatado na saúde da filha e eles pediram então para a mãe levá-la no posto de saúde do bairro, pois aqueles desmaios pareciam ser de caráter psicológico.

A resposta dada pela mãe aos socorristas foi algo bem insólito…

O resto, só lendo muito!

Resultado de imagem para hang ferrero

Conhecia o Hang apenas como um privilegiado poeta, e foi uma surpresa mais do que gratificante saber que ele também consegue escrever muito bem em forma de prosa.

Livro digno de 5 estrelas.

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

Nove Autores – Nove Histórias


Nenhum texto alternativo automático disponível.Boa tarde, querida Família Lendo Muito.

Trago-vos uma resenha mais do que especial para esquentar um pouco a tarde de todos. Trata-se do incrível “Nove Autores – Nove Histórias“, fantástico livro escrito por nove talentosíssimos autores, que eu adquiri por acaso em um sebo.

Como todos nós já estamos cansados de saber, o 9 é um algarismo que está muito enraizado em nossa vida, já que são 9 os meses de gestação de nós, humanos.

Quando falamos de matemática o 9 se faz ainda mais presente, já que o triângulo retângulo tem 90 graus e também utilizamos muito a prova dos 9, não é mesmo?

No futebol, o próprio jogo tem 90 minutos e o grande responsável pelos gols é aquele que veste a camisa 9.

Já nas lojas de 1,99 efetuamos compras de miudezas por um preço bem acessível.

Para os numerólogos, isso também não poderia ser diferente, já que para eles, o 9 representa o fim e o início de um ciclo.

Neste livro, nove grandes autores aceitaram o desafio um tanto quanto ingrato de darem destaque ao número 9, transformando o tão representativo algarismo em tema recorrente para seus contos. Cada um escolheu um gênero bem diferente do outro, desde terror, drama até o humor. No final das contas, as nove histórias ficaram realmente divinas.

São eles:

Andrea Arcadas 1,99

Lara Martins – CHEIO DAS NOVE HORAS

Leonardo Richner – GATO PRETO NA LUA CINZENTA

Nathalie Lourenço – O NONO

Pedro Magalha – RETÍCULO

Pedro Tancini – ALGUMAS HISTÓRIAS QUE PODERIAM SER HISTÓRIAS SOBRE PÁSSAROS

Safira Lyra – NOVE SEGUNDOS

Simone AZ – CAMISA 9

Viviane Adade – 90 MINUTOS

Para dar um destaque maior, escolhi duas histórias que mais chamaram a atenção:

1 – O NONO, da Nathalie Lourenço
O casal Mariene e Cassiano já possuiam oito filhos e o nono estava a caminho. Todos os filhos anteriores tinham recebido o nome iniciando pela letra G, e este também não podia ser diferente.

O pai de Mariene tinha medo do neto, antes mesmo do seu nascimento, pois achava que aquela criança era “filha do tinhoso”. Espalhou um saco inteiro de sal grosso pela casa, procurou uma mãe-de-santo para tentar fazer a filha abortar espontaneamente e até um enorme crucifixo na barriga da filha ele passou.  Tudo com o intento de evitar o nascimento do nono neto!

Glauber veio ao mundo assim mesmo, como todas as crianças. Ou melhor, como quase todas, pois ele era muito cabeludo, com vários pelos nas mãos e nos pés, e seu dedo mindinho era colado ao outro.

Alguns acidentes passaram a ocorrer, conforme o pequeno Glauber crescia. Mas tudo não passava de mera coincidência. Ou será que não?

2. CAMISA 9, da Simone AZ
O Brasil ganhou com extrema facilidade a copa de 70; 90 milhões de pessoas comemoravam aquele título ao som de Pra Frente Brasil, todavia, o povo não fazia ideia do que ocorria no nosso país tupiniquim.

Pessoas eram torturadas em porões úmidos, até confessarem seus crimes. Algumas, cansadas de tanto sofrimento, confessavam até o que não tinham cometido. Uma destas pessoas presas foi o irmão de Jenifer, preso por subversão, palavra que ela nem fazia ideia que existia.

A preocupação de Jenifer era tão grande, a ponto da menina querer completar o álbum de figurinhas da copa do mundo para presentear o irmão. Faltava justamente a figurinha do Tostão, nosso camisa 9.

Ela faria de tudo para obter aquela figurinha, até mesmo…

O resto, só lendo muito.

Fico muito feliz em saber que a nossa literatura brasileira está se renovando a cada dia que passa, e que muitos autores talentosos estão surgindo.

Este livro é uma prova disto.

Digno de 5 estrelas.

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

PRÊMIO FNAC – NOVOS TALENTOS DA LITERATURA


Resultado de imagem para premio fnac de literaturaEm 2014, ao celebrar 60 anos de sua  existência, dentre os quais, 15 já aqui no nosso país, o programa JOVENS TALENTOS da Fnac, após ter revelado novos nomes na música, quadrinhos e fotografia, pela primeira vez na sua história,  resolveu dar destaque à nossa literatura.

Em parceria com a editora Novo Século, a Fnac produziu este belíssimo livro que traz os contos dos 10 finalistas que, muito em breve, estarão trilhando carreiras de muito sucesso, com toda a certeza.

São eles:

Adriana MonteiroNoite Adentro
Bruno SilvanoO Veneno do Tédio
Fernanda CastroDez de maio
Flávio PosseteDo que o inferno é feito
Gustavo Zicatti RaimundoAo som do Blues
Kell BonassoliA vida secreta de Ana: a fome
Lia Matos ViegaUm dia convencional…
Nataly CallaiA autoridade da vida
Patricia CytrynoviczComo fazer a barda da melhor forma
Raul OtuziO inventor de profissões

Os gêneros escolhidos pelos autores foram os mais diversos possíveis: terror, suspense, drama e até humor; todos escritos com uma técnica apurada e bastante brilhantismo.

Normalmente, costumo dar destaque apenas para os dois contos que mais me encantaram. Desta vez, porém, resolvi fazer algo diferente: escolhi três contos para fazer uma breve resenha.

 O primeiro é Do que o inferno é feito, de Flávio Possete.

Os três “amigos de copo” Luiz, Adamastor e Minoro, foram festejar o aniversário da morte do amigo Henrico, bebendo cachaça no cemitério. Quando já estavam muito “altos”, o Adamastor resolveu propor aos outros um pacto: quem morresse primeiro voltaria para contar aos outros dois do que o inferno era feito.

Dois dias depois, o próprio Adamastor morreu e, durante o enterro, Luiz e Minoro, bêbados como sempre, ficavam se perguntando se alguma coisa aconteceria mais tarde.

Será que o Adamastor voltaria para falar com eles?

E se…

O segundo conto que eu escolhi foi: Um dia convencional, da Lia Matos Viega.

Fernando, um executivo de sucesso e Pedro, um vendedor de rua, que mal falava o português acabam se conhecendo de uma maneira mais do que estranha: ao desviar de uma moto, Pedro acabou sendo atropelado acidentalmente por Fernando.

Fernando leva Pedro para o hospital mais próximo; chegando lá, ambos descobrem que outra pessoa já havia sido morta naquele dia, tentando desviar de uma moto.

Que ligação o atropelamento de Pedro teria com aquele outro?

O terceiro conto é  Como Fazer a Barba, de autoria de Patricia Cytrynovicz

O advogado Dr. Otávio – ele fazia questão de ser chamado assim = tinha o costume de fazer a barba na mesma barbearia, todas as manhãs. Aquele ritual diário de toalha quente e lâmina afiada no rosto era algo indescritível, chegando a ser mesmo orgástico.

Lá do alto do seu escritório, no Fórum de São Paulo, ele ficava olhando lá para baixo, admirando as prostitutas que faziam ponto ali na Sé; ele até sabia quem eram seus clientes e quanto tempo durava em média seus programas.

Certo dia, ele resolveu sair com uma delas. A escolhida foi uma loira falsa que tinha um pouco mais de “sustância” que as outras. Ao chegar ao abatedouro da prostituta, ele resolve fazer um programa mais do que bizarro…

O resto, só lendo muito.

Os três contos escolhidos são dignos de receberem 5 estrelas.

Tomara que outras iniciativas como esta da Fnac venham a surgir, e que novos talentos da nossa literatura brotem aos montes, pois nossa literatura sempre foi uma das mais ricas e lidas do mundo, contudo, nós mesmos não valorizamos nossos escritores.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

 

 

 

 

 

Sussurros da Meia-Noite – Daniel Pedrosa/ Juliana Velonessi/ Leandro Reis/ Stefânia Andrade


Resultado de imagem para Sussurros da Meia-Noite“Tranque as portas e janelas de sua casa, acenda o abajur
e boa leitura!”

Querida Família Lendo Muito,  com esta frase bem sugestiva que encontra-se na contra-capa do livro Sussurros da Meia-Noite, de autoria de Daniel Pedrosa, Juliana Velonessi, Leandro Reis e Stefânia Andrade, damos início a mais uma resenha especial.  

Este é o primeiro livro destes jovens autores que decidiram reunir-se durante o Festival da Mantiqueira, de 2012, formando o grupo Vale Fantástico, para divulgar a literatura de ficção e fantasia nacional. 

Sussurros da Meia-Noite remete-nos a um mundo sombrio, de mistérios inimagináveis; deve ser lido preferencialmente à noite, à luz de velas, pois sob esta atmosfera funesta, a obra cumpre magnificamente com seu propósito: fazer com que o seu leitor, sinta calafrios de verdade ao término de cada página.

Dentre os dez contos da presente obra, duas histórias destacam-se mais por serem mais arrepiantes. 

São elas:

1. Em Má Companhia, de Stefânia Andrade
Este conto narra a história de uma universitária cursando Farmácia em Araraquara, pacata cidade do interior paulista que, na volta de uma das suas viagens quinzenais à sua terra natal, para visitar seus pais, depara-se com algo horripilante e sobrenatural ao adentrar seu prédio, que com certeza a marcará para o resto da vida!

2. O Broche Azul, de Juliana Velonessi
Neste conto, Tatiana e sua irmãzinha de quatro anos, Liz, deparam-se com o mal ao  cruzarem um velho casarão abandonado: um lugar amaldiçoado e repleto de histórias terrificantes.

Contrariando os avisos que anos e anos Tatiana ouvira de sua avó e seus pais, para jamais por os pés naquele recinto maldito, ela manda sua irmãzinha entrar para pegar uma joia que brilhava no escuro. E Liz, aos cruzar os portões de ferro do velho casarão, viverá uma experiência tão aterrorizante, que mudará completamente a sua vida , a de  Tatiana e a de todos ao seu redor…

Ótimo livro, muito bem escrito, traz até uma escala de medo para conto. Super recomendado!

Merece 5 de 5 estrelas.

✮✮✮✮✮

Esperamos que tenham gostado. 

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André & Ana Paula

A Festa de Babette – Karen Blixen


Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de um conto escrito pela autora dinamarquesa Karen Blixen. Trata-se de A Festa de Babette, uma linda história de amor, religiosidade e austeridade.

Na cidadezinha de Berlevaag, Noruega, duas senhoras solteiras viviam felizes em uma casa amarela. Eram elas: Martine e Philippa. Elas eram muito conhecidas em Berlevaag, pois seu falecido pai havia sido um pastor luterano daquela cidade; inclusive os nomes de ambas haviam sido dados em homenagem a Martinho Lutero e seu amigo, Philipp Melanchthon.

Nessa época vivia também na casa uma empregada francesa católica, de nome Babette, que chegara ali há doze anos e era “pau para toda a obra”, além de despertar a desconfiança da comunidade, já que todos sabiam que as duas senhoras gastavam todo o seu dinheiro fazendo caridade e não tinham como pagar uma empregada.

Para explicar o motivo da presença da empregada e também como era pago o seu salário, precisamos voltar no tempo, na época que as duas senhoras eram ainda jovens.

Quando Martine tinha 18 anos, um jovem oficial, de nome Lorens Loewenhielm, apaixono-se pela jovem, mas jamais declarou seu amor por timidez. Ele deu um beijo rápido no último dia que ele a encontrou e partiu, sem mais voltar.

Um ano depois, o famoso cantor francês Achille Papin, ao ouvir a canora voz de Philippa, apaixonou-se pela jovem. Ele pediu ao pai dela para que a deixasse ensaiar trechos de óperas com ele, o que o pastor aceitou a contragosto, já que Papin era católico. Em uma destas aulas, o cantor declarou todo o seu amor à Philippa, que ficou em silêncio. Ao chegar em casa, a jovem pediu que seu pai escrevesse uma carta ao Monsenhor Papin, lamentando muito, mas ela não teria mais ensaios com ele.

Desgostoso, o cantor partiu dali sem fazer qualquer alarde. Mas quinze anos depois, durante uma noite muito chuvosa, uma mulher francesa bateu a porta da casa amarela. Ela trazia uma carta de Achille Papin, pedindo que elas aceitassem aquela mulher que sabia cuidar muito bem de uma casa, além de ser uma grande cozinheira e que por infortúnio, teve que fugir às pressas de Paris, devido ao Massacre à Comuna, de 1871.

Como não tinham condições de pagar por mais uma empregada, a mulher que se identificou como Babette Hersant, aceitou trabalhar para elas de graça mesmo.

Com o passar dos anos, a empregada conseguiu conquistar o respeito da comunidade protestante, mesmo sendo uma católica convicta. Só havia algo estranho: ela jamais mencionava qualquer coisa referente ao seu passado.

Doze anos depois, uma carta de Paris chegou para a Babette, anunciando que ela ganhara na loteria. Como se aproximava do aniversário de cem anos do pai, Babette ofereceu-se para custear todo o banquete, desde que as irmãs deixassem ela servir um verdadeiro jantar francês.

A partir daí, tartaruga e outras coisas que ninguém estava acostumado a ver e comer começaram a chegar, despertando um medo enorme nas duas irmãs, que estavam arrependidas de entregarem o jantar em memória do pai a uma verdadeira “feiticeira”…

Vou parar por aqui, pois não quero estragar as surpresas que a autora reservou aos leitores.

O resto, só lendo muito!!!

Como é um conto curto, de apenas 64 páginas (o meu exemplar é de bolso), a leitura fluiu muito rapidamente. Chegando ao final, questionamentos diversos surgem à cabeça do leitor. Nota 10.

Como a maioria, eu só tomei conhecimento desta linda história, ao assistir ao filme A Festa de Babette, película de 1987, que conta com uma fotografia belíssima e uma trilha sonora incrível.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André