BARTLEBY, O ESCRITURÁRIO – Herman Melville


Resultado de imagem para bartleby o escriturárioQuem narra esta verdadeira fábula do absurdo é um advogado com idade já bem avançada, que na época dos fatos ocorridos ocupava um importante cargo de conselheiro do tribunal da Chancelaria de Nova York, num importante escritório em Wall Street. O narrador faz questão de frisar que, nos seus últimos trinta anos, dado às suas atividades, encontrou diversas pessoas interessantes e bem singulares, mas Bartleby foi, sem sombra de dúvidas, o sujeito mais estranho e esquisito que ele já vira ou teve notícias.

Nesta época, ele possuía três empregados para auxiliá-lo em seu escritório: dois escriturários e um promissor rapaz como mensageiro. Eram eles Turkey (peru), Nippers (torquês) e Ginger Nut (noz de gengibre). Turkey era um inglês de meia-idade, que trabalhava bem durante toda a manhã e se embebedava durante a tarde; Nipper era um jovem de vinte e cinco anos, parecido com um pirata, que sofria de um problema estomacal crônico, o que o deixava sempre mal-humorado durante a manhã. Entretanto, durante o período vespertino ele sempre estava calmo, compensando a bebedeira de Turkey.

Ginger Nut era um garoto de 12 anos, cujo pai era carroceiro e que desejava que o filho tivesse melhor sorte. O garoto trabalhava como aprendiz, mensageiro e encarregado da limpeza no escritório de advocacia e as gavetas de sua mesa eram repletas de cascas de nozes. Ginger Nut trazia da rua deliciosos bolinhos de gengibre e maçãs que os dois escriturários encomendavam-lhe com frequência.

Tudo funcionava então como um verdadeiro relógio no escritório  do conselheiro tributário, entretanto, com o aumento do serviço,  resolveu ele colocar um anúncio no jornal, para contratar outro escriturário. Em resposta ao anúncio, um jovem de aspecto respeitável e muito pálido apresentou-se para a vaga de escriturário. Era Bartleby.

No início, Bartleby demonstrou grande eficiência e vontade, abatendo uma enorme quantidade de cópias, como se estivesse faminto e saciasse sua fome com muito trabalho, sem fazer qualquer pausa para descanso e trabalhando bem tanto à luz do sol quanto à luz de velas. Mas sempre em silêncio e de maneira mecânica.

Certo dia, precisando que Bartleby revisasse um dos seus documentos, o advogado recebe a seguinte resposta do novo escriturário: – “Prefiro não fazer”. Aquela foi a primeiras das inúmeras recusas que seriam proferidas pelo novo escriturário.

Certamente o advogado teria ralhado e demitido qualquer um dos outros empregados, mas a maneira calma como Bartleby proferiu aquelas palavras desarmou-o de maneira tocante e desconcertante.

Com o passar do tempo tudo piorou, já que Bartleby passou a dormir no próprio escritório e ficar o dia inteiro sem fazer nada, olhando algo pela janela que só ele conseguia enxergar.

O velho advogado tentou livrar-se dele demitindo-o, dando-lhe um prazo para ir embora, contudo, passado o prazo, o estranho escriturário continuava lá, olhando pela janela sem fazer qualquer menção de se mover dali. A saída encontrada então foi mudar seu escritório para outro endereço, abandonando Bartleby para sempre…

O resto, só lendo muito!

Uma história emocionante e com final surpreendentemente trágico, digna de receber 4 estrelas.

Herman Melville alcançou relativa fama ao escrever “Moby Dick”, em 1850. Todavia, após escrever sua obra-prima, Melville não conseguiu dar sequência ao seu trabalho como queria, pois foi vítima de sérios problemas econômicos, sendo obrigado então a escrever romances e contos para revistas da época, tipo de literatura considerada “menor” na época.

Por causa disso, seus contos e novelas foram esquecidos por muito tempo. Agora,  estão sendo redescobertos aos poucos, fazendo com que ele obtenha o devido reconhecimento como grande autor da literatura norte-americana.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

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A Condessa Sangrenta – Alejandra Pizarnik


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Já pensou em um livro extremamente sádico, mórbido, porém muito agradável de se ler?

Pois é, esse livro existe. Trata-se de A Condessa Sangrenta,  obra que nos conta um pouco da vida da condessa húngara Erzsébet Báthori(1560-1614) – uma mulher poderosa, muito bela e extremamente cruel; capaz de tudo para manter a sua beleza, inclusive matar. Ao admirar-se em seu grande espelho, seria a nossa Malévola dos dias de hoje!!!  

O livro não é uma biografia e nem tem mesmo esta pretensão. Trata-se de um relato honesto de todo o sadismo desta bela mulher que foi considerada a primeira assassina em série da história, sendo condenada pela morte de 650 moças.

Erzsébet Báthori já teria nascido má? Esta é uma questão que ninguém sabe ao certo. Sua família era de nobres húngaros que tinham o costume de promover casamentos consanguíneos (de irmãos entre irmãs, primos entre primas) e muitos membros de sua família apresentavam doenças e inclinações hereditárias: epilepsia, loucura. A própria condessa seria portadora de epilepsia e sofria de uma espécie de melancolia que assolou o século XVI – que nada mais era do que uma depressão profunda.

Casou-se muito jovem (apenas 15 anos) com Ferencz Nadasdy, um bravo guerreiro.  Seu marido chegava das batalhas com cheiro dos cavalos e sujo do sangue das suas vítimas e deitava sem se banhar para ter relações com ela. Esse odor atiçava todos os sentidos da jovem condessa, que vivia sempre perfumada e  vestida com belos vestidos.

Nessa época, ela já apresentava alguns traços de maldade, castigando as suas serviçais por pequenas faltas de forma cruel, porém, após a morte do seu marido, sua violência tomou proporções inimagináveis ao conhecer Darvúlia, uma feiticeira que vivia cercada de muitos gatos. Essa mulher, no intuito de cair nas graças com a condessa, oferece a ela a receita para manter a sua beleza para sempre: o banho de sangue de moças de 12 a 18 anos.

A partir daí, várias moças foram atraídas para o castelo da Condessa para serem mortas dos mais diversos tipos de tortura.

Para evitar estragar a surpresa do livro, não vou descrever nenhum tipo de tortura. Quem quiser saber mais, só lendo muito!!!

O livro tem 60 páginas e conta com belas ilustrações, que completam com perfeição o relato da autora Alejandra Pizarnik. Nota 10.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Um Coração Simples – Gustave Flaubert


“Durante meio século, os burgueses de Pont-l’Évêque invejaram a sra. Aubain por sua criada Félicité.

Por cem francos ao ano, ela cozinhava e limpava a casa, costurava, lavava, passava, sabia arrear cavalos, engordar aves, bater a manteiga; permaneceu fiel à sua patroa, que, no entanto, não era uma pessoa agradável.”

É assim que começa esta novela sobre a vida de Félicité, uma empregada que desde cedo acostumara-se com uma vida de amarguras. Ficara órfã bem cedo e teve que trabalhar na casa de pessoas que a trataram com desumanidade. Experimentou a verdadeira desilusão quando o jovem Théodore, por quem ela fora apaixonada, acabou por trocá-la por uma mulher bem mais rica e mais velha.

Depois de tudo isso é que veio a conhecer e trabalhar para a velha e rica sra. Aubain; mulher austera, que possuía dois filhos lindos e maravilhosos: Paul e Virginie, por quem Felicité logo se apegara e também tratava-os como sendo seus próprios filhos.

Afeiçoara-se também ao seu sobrinho Victor,  um jovem marinheiro que sempre trazia-lhe presentes ao retornar de suas viagem. Tal como uma amante que espera o retorno do amado, Félicité aguardava sempre o retorno do sobrinho, ansiosamente

Mas a tragédia bateu à porta de Fèlicité, trazendo-lhe a notícia que seu querido Victor morrera vítima de febre amarela, em uma viagem para Cuba. E esta não será a última vez que isso acontecerá em sua vida tão desgraçada…

O resto, só lendo muito…

Como esta é uma narrativa bem curta, não pude aprofundar-me muito na descrição da história, para não correr o risco de estragar o final.

Esta novela realista foi um presente de Gustave Flaubert para sua querida amiga e escritora George Sand (Pequena Fadette), que nunca chegou a ler o livro, pois morreu antes do lançamento. Algumas pessoas afirmam  que Félicité seria o retrato fiel de Julie, que fora sua empregada por muito tempo e levara uma vida sofrida antes de conhecê-lo. Nota 10.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de todos.

Alex André

A irmandade perdida-Anne Fortier


Tendo uma filóloga especializada em mitologia grega como protagonista, A irmandade perdida, embora se passe (ao menos inicialmente) na Inglaterra, nos remete aos mitos das amazonas e nos faz pensar que essas mulheres guerreiras e independentes talvez não estejam tão distantes da realidade, nem tampouco dos dias atuais.

A protagonista, Diana Morgan, teve uma infância bem diferente das demais meninas. Isso não se deve apenas ao fato de seu pai ter sido um diretor de escola, ou de sua melhor amiga (Rebecca) ser filha do pastor, ou mesmo dela ter sido vizinha dos nobres Moselane, mas sim a sua avó: tida como louca, ela alegava firmemente ser uma amazona até o dia em que sumiu da face da terra.

Hoje, Diana é professora em Oxford, e todos os acadêmicos riem de sua obsessão pelo que consideram “um mito ultrapassado e sem qualquer valor histórico “. Até mesmo seus amigos na faculdade, sua patrocinadora, Katherine Kant, e James Moselane (por quem ela nutre uma leve paixonite desde criança), apesar de não rirem descaradamente de sua cara como os outros costumam fazer, afirmam que aquilo poderia prejudicar sua carreira.

Humilhada pelos colegas de trabalho, com uma vida amorosa desastrosa e uma saudade imensa de sua vó, o futuro não parecia reservar muito a Diana. Até que um homem desconhecido intitulado Sr. Ludwing lhe oferece um trabalho em Amsterdã. Ela deveria traduzir uma inscrição encontrada em escavações arqueológicas recentes no local, e ele jura que isso está relacionado ás amazonas.

Contrariando a tudo e a todos (inclusive a razão), ela aceita o desafio. Mas acaba descobrindo que seu trabalho na verdade é na Argélia, onde conhecerá Nick. E de repente os modos finos e elegantes de James já não soam tão atraentes se comparados ao ar de mistério e perigo que rodeia Nick.

No entanto, sua aventura não acaba na Argélia, e Diana não descansará enquanto não descobrir a história real sobre as amazonas e, principalmente, sobre sua vó.

Com personagens cativantes e um enredo bem escrito, indico este livro para qualquer um interessado em mitologia grega, caso goste de conhecer novas versões dos mitos.Porém, preciso dizer que a leitura é um pouco lenta, não é exatamente viciante, fazendo com que eu demorasse para terminar a obra. Por causa disso, minha nota para o livro é 8,5.

By Ana Beatriz.

TRÊS CADÁVERES – Fialho de Almeida


“Três Cadáveres” é um livro muito profundo, que nos incita a divagar sobre o destino das mulheres de vida sofrida, enganadas por seus namorados e rejeitadas por suas famílias. O grau de perversidade e vilania é descrito de maneira bem direta nesta novela portuguesa.

O pano de fundo é a doença (tuberculose) de Marta, costureira sofrida, abandonada pelo amado e impedida de voltar para casa por seu velho pai desalmado. Seu irmão Miguel, ao ver a irmã em terrível estado de saúde, apieda-se dela e vai viver com ela. Mas com o passar do tempo, as dívidas com os medicamentos aumentam e ele é obrigado a pedir ajuda ao pai que nega qualquer tipo de auxílio ou perdão à filha.

Marta então é internada no hospital para aguardar sua morte. Com o passar dos dias ela vai definhando, mas sua beleza jamais se perde. Ao morrer, sensibiliza os médicos de tal forma, que os mesmos resolvem tratar eles mesmos de seu funeral, alugando um caixão e uma carruagem, conseguindo um padre e um  enterro simples em vala comum.

A partir de então, o autor faz uma reflexão sobre a vida, seus tormentos, a morte, a miséria, a escória, a desumanização da sociedade.

Fialho de Almeida foi um dos únicos representante do “Naturalismo da Miséria” em Portugal. Suas obras, ao contrário de Eça de Queirós, exploravam a miséria social e moral dos bairros portugueses. Seus contos são repletos de presença hiper-realista da vida e da morte e das chagas sociais.

A única nota negativa desta novela é o fato de ter sido escrita em português arcaico, o que dificulta muito a compreensão do texto. Nota 7.

Mathilda – Mary Sheley


A personagem Mathilda, em seu leito de morte, escreve uma carta a um estimado amigo, para revelar algo que a assola por anos. Ela descreve como seu pai era uma pessoa muito popular entre os amigos, mas que ao conhecer sua mãe Diana, viu que aquelas amizades eram apenas frivolidades e passou a odiá-las.

Ele só tinha amores por sua mãe e ao casar-se achou que havia encontrado o paraíso, mas no fim desceu ao inferno, dias depois do nascimento de Mathilda, quando sua amada veio a falecer. Num ato de desespero, deixou apenas uma carta, despedindo-se de sua irmã e delegando a ela, os cuidados da recém-nascida e caindo no mundo, para não ser mais encontrado.

Enquanto isso, Mathilda é criada pela tia, mulher muito severa e fria, que não tem nenhuma relação de carinho pela garota, apesar de gostar dela. Sua felicidade só se concretiza, quando seu pai, após dezesseis longos anos, retorna e a trata como se ela fosse uma verdadeira princesa. Leva-a a morar com ele, após a morte de sua tia, mas a partir daí, algo muda no modo como seu pai começa a agir. Ele parece consumido por uma culpa terrível, um ardor que lhe queima a alma e a jovem começa a perceber que algo muito grave está para lhe ser revelado.

Ela questiona seu pai e, num dia em que ele não suporta mais a culpa, ele acaba revelando para ela o terrível segredo que ele guarda em seu coração e que vai consumir a sua própria felicidade, e por conseguinte, vai desgraçar a filha para sempre.

O resto, só lendo muito…

Mary Shelley ficou conhecida no mundo inteiro, como a jovem de dezenove anos que criou “Frankenstein”,em um desafio de Lorde Byron. Mathilda, é uma novela semi-autobiográfica e seu pai, que era seu editor, nunca devolveu o manuscrito a ela. Ela só foi publicada em 1959, a partir de papéis diversos. Nota 9.