A CASINHA DE BONECA MAL-ASSOMBRADA e outras histórias inexplicáveis – Vários autores


A casinha de boneca mal assombradaO medo acompanha-nos desde o momento do nosso nascimento, até o final dos nosso dias, não é mesmo?

Quando pequenos, temos medo do escuro, do bicho-papão e de monstros que residem embaixo das nossas camas ou dentro de nossos armários; na nossa juventude, devido às muitas influências dos filmes que assistimos, passamos a temer lobisomens, vampiros, fantasmas e até assassinos em série; por fim, ao chegarmos à velhice, tememos a solidão, o esquecimento e a morte propriamente dita!

Os sete contos que compõe esta obra, selecionados a dedo por Heloisa Prieto e Victor Scatolin,  exploram todos os nossos medos mais secretos e muitos outros que nem fazíamos ideia que pudessem nos amedrontar tanto; todos os autores selecionados, flertaram com o medo e o terror, ao menos uma vez em suas vidas. São eles: Sir Arthur Conan Doyle, Émile Zola, H.G. Wells, Guy de Maupassant, M.R. James, Bram Stoker e Henry James.

Louve-se o apuro e esmero que os tradutores tiveram com esta obra de terror magnífica, fazendo uso de tradução livre, como forma de impactar ainda mais os leitores, sem  jamais perderem o verdadeiro enfoque de cada narrativa.

Os dois contos que eu mais gostei foram:

1. O Unicórnio, de Sir Arthur Conan Doyle
Marham faz-nos um breve relato do que aconteceu em 14 de abril de…,  quando ele e mais 4 amigos participaram de uma sessão espírita, no número 17 da rua Brederly.

No início da sessão, uma pequena fosforescência verde formara-se sobre a mesa e um espírito desencarnado trocou de lugar com a senhora Delamare, a única médium e clarividente da mesa. Ele respondeu às perguntas de todos os presentes sobre vida, morte e alertou-os do perigo de se brincar com o “desconhecido”, deixando o corpo da médium, logo em seguida.

Tudo corria bem até o momento que resolveram tentar algo novo, utilizando apenas a força do pensamento.

O resultado de tal experimento não poderia ser mais catastrófico e violento!!!

2. O Fantasma Inexperiente, de H.G. Wells
Clayton conta uma história bem difícil de engolir aos seus colegas, na qual, ele teria capturado um “fantasma inexperiente” e ajudado o inábil espírito a passar novamente para o “outro lado”.

Segundo o amigo falastrão, o fantasma novato tivera que realizar uma sequência completa de gestuais muito parecidos com passes de mágica e que, senão fosse pela sua ajuda direta, o tal fantasma não teria conseguido voltar para o além.

Com o objetivo de desmascararem Clayton, seus amigos pediram a ele que tentasse repetir a sequência de mágica na frente deles e ele assim o fez.

O resto, só lendo muito!

Esta é uma leitura obrigatória para todos aqueles que se dizem fãs de histórias de  terror!

Recebe 4/5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

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Frritt-Flacc – Júlio Verne


“Frritt”… é o vento que ruge, desgovernado.
Flacc”… é a chuva que cai, em torrentes.”

 

60ca6d2f-1020-490e-a59f-c946aba77aa3Fustigada dia e noite pelo terrível vulcão Vanglor e banhada pelas águas violentas do oceano de Megalocride, situava-se a pequena cidade fantástica de Luktrop, que não existia em qualquer mapa ou atlas, mas parecia-se com qualquer cidade pequena da Europa ou de qualquer outro lugar do mundo.

Certa noite, enquanto um forte vento e uma chuva terrível assolavam a pequena Luktrop, uma garota tiritando de frio, coberta apenas por uma capa de chuva muito fina,  aproxima-se da casa do médico da cidade, perguntando se ele poderia atender seu pai, que estava à beira da morte!

Além de morar na melhor casa da cidade, este tal de doutor Trifulgas era uma pessoa extremamente desumana e sovina, que interessava-se apenas em tratar de pessoas ricas e com muito dinheiro a lhe oferecerem, e assim que ficou sabendo que o paciente era um mero salgador de peixes, que morava num vilarejo um pouco distante de Luktrop, tratou de dispensar a pobre garota, dizendo-lhe que o doutor Trifulgas não se encontrava.

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Mais tarde, o médico foi procurado pela esposa do salgador de peixes, que também foi dispensada com a mesma grosseria, pois a mesma não trazia dinheiro suficiente consigo.

Por último, quem o procurou foi a mãe do tal salgador de peixes, pois seu filho acabara de sofrer um ataque. Como a velha senhora também não trouxera dinheiro suficiente, o desalmado médico dispensou-a com ainda maior indelicadeza.

Contudo, pensando no dinheiro fácil que ele receberia por uma consulta que seria relativamente rápida, o doutor Trifulgas resolveu aceitar o dinheiro que aquela mãe desesperada trazia consigo…

O resto, só lendo muito!

Apesar de Frritt-Flacc, num primeiro momento, parecer apenas com uma história infantil, trata-se, na verdade, de uma autêntica fábula de terror adulta, que força seus leitores a uma completa reflexão sobre o lado mais obscuro do ser humano e também sobre a morte.

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Não posso deixar de citar o excelente trabalho do artista plástico Alexandre Camanho; suas belíssimas ilustrações conseguiram abrilhantar ainda mais esta obra magnífica.

Recebe 4/5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

 

O Medalhão – Alexandre Dumas


Resultado de imagem para capa o medalhão de dumasO Medalhão é uma das poucas histórias fantásticas que Alexandre Dumas escreveu; tem como pano de fundo a cidade de Paris e o período que ficou conhecido na história como Terror, surgido logo após a Revolução Francesa, de 1789.

Às margens do rio Reno, situava-se a maravilhosa cidade germânica de Manheim, segunda capital do grão-ducado de Bade, onde eram ambientados praticamente todos os romances de Augusto Lafontaine e de Goethe.

Nesta belíssima cidade viviam os inseparáveis amigos e irmãos de criação Hoffman (Ernesto Theodoro Guilherme Hoffmann) e Zacarias Werner (que mais tarde escreveria “Martinho Lutero” e “24 de Fevereiro”). Hoffmann, nesta época,  contava com apenas 18 anos e vivia da pintura, da música, da poesia e, de vez em quando, da ajuda que sua mãe lhe enviava.

Além de terem sido criados juntos, ambos tinham um sonho em comum: conhecer Paris, a cidade das artes. Só não tinham dinheiro suficiente para tal façanha!

Foi quando Zacarias teve a ideia de pegarem todo o pouco dinheiro que lhes restava e irem até o cassino da cidade, arriscar a sorte na roleta.

Apesar de Zacarias ter perdido tudo o que possuía logo de início, em sua vez, Hoffmann começou a ganhar e ganhar, sempre juntando pilhas e pilhas de moedas de ouro, para surpresa geral de seu amigo e de todos os frequentadores do cassino.

Antes de sair dali, um velho oficial abordou Hoffmann e falou para ele que, caso ele continuasse ganhando, ele seria alvo fácil para o Diabo!

Após o fechamento do cassino, enquanto caminhavam para casa, Zacarias ria a valer, pois sabia que podiam ir e viver em Paris por um longo tempo, Hoffmann ficou triste e cabisbaixo, pensando no que o velho oficial lhe dissera ainda há pouco!

Na última hora, só Zacarias partiu para Paris, pois Hoffmann apaixonou-se pela bela Antônia, uma loira de apenas 17 anos, dona de uma voz maravilhosa e aveludada, filha do Maestro Gottlieb Murr.

Durante alguns meses, Hoffmann frequentava a casa de Antônia todos os dias, tal qual um verdadeiro membro da família, porém, Antônia percebia que faltava alguma coisa para seu noivo, pois ele parecia viver uma vida apática e sem sentido. Ela então consentiu que ele fosse viver em Paris por um tempo, junto com Zacarias, sob dois juramentos: que ele lhe permanecesse sempre fiel e que jamais jogasse de novo.

Ele então jurou por algo que lhe mais sagrado no mundo: a vida de Antônia, sua amada. Se ele não cumprisse seu juramento, ela estaria condenada à morte!

Antes que ele partisse, sua amada entregou-lhe um lindo medalhão em suas mãos; dentro dele, encontrava-se um retrato da bela e vistosa Antônia.

Ao chegar em Paris, ele decepcionou-se por completo, pois as bibliotecas e os museus que ele tanto queria visitar estavam todos fechados por causa da Revolução, já o Palácio de Luxemburgo fora convertido em prisão; além disso, Hoffmann não fazia a mínima ideia de onde morava Zacarias Werner!

Aquele jovem artista e entusiasta viera a Paris para estudar artes e respirar uma atmosfera de liberdade, contudo só encontrara portas fechadas e pessoas com medo de serem guilhotinadas!

Passando pela frente do teatro da Porta Saint-Martin, parou e viu que encontrava-se em cartaz o balé: “O Julgamento de Páris”, de Gardel Júnior.

“Que época esta aquela em que, no mesmo dia, podia ver-se
condenar pela manhã, executar às quatro da tarde, dançar à noite,
correndo-se o risco de acordar e ser detido de madrugada,
no meio de tantas e tão diversas emoções!”

Durante a apresentação conheceu uma figura estranha, toda vestida de preto, que apresentou-se como doutor caveirinha; no palco, ele foi enfeitiçado pela beleza de Arsênia, a bela dançarina morena, de olhos negros e penetrantes, que trazia, ao redor de seu lindo pescoço, um enorme colar de veludo e diamantes, cujo fecho era uma pequena guilhotina de prata.

Só tinha um pequeno problema: ela já era propriedade de Danton, um homem muito rico, que tinha o rosto completamente desfigurado pela acne e pela varíola!

Será que Hoffmann manteve-se fiel aos juramentos e voltou para Alemanha para casar-se com sua bela noiva Antônia? Ou rendeu-se aos caprichos da sedutora e fatal Arsênia?

O resto, só lendo muito!

Uma das narrativas mais brilhantes e perturbadoras que eu já li em toda minha vida; misto de drama, suspense, loucura e sobrenatural.

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

Demontale (As matadoras do Submundo): Os contos do Submundo – vários autores


Alessandra Tapias, Daniella Rosa, Glau Kemp,
Leandro Zapata, Lu Martinho, Luisa Soresini,
Nana Lees, Patrícia L. Boos, Paulo Fabian, Samara Motta,
Vanessa Corsant, Viviani Xanthakos, Geana Krause,
Amanda Ághata Costa, André Mafra, Caroline Defanti,
Susana Silva, Nanda Cruzo, Edis Henrique, Francine Cândido,
Géssica Marques, Jéssica Driely, Mauricio R. B. Campos,
Lilah Prates, Mayara F. Costa, V. K. Macedo,
Daniele Oliveira, Yan Boos, Yara Prado

Após mais um de meus famosos períodos de sumiço, eu volto para comentar sobre essa coletânea de contos sobrenaturais que ganhei como um presente de meu irmão de alma aqui do blog, o Alê (muito obrigada pelo presente, por sinal, eu simplesmente o adorei)!

O livro conta com diversos autores diferentes, que variam de acordo com o conto escrito, o que nos proporciona a oportunidade de admirar as diferentes maneiras (seja por estilo de escrita, enredo ou personagem) que se pode desenvolver um tema em comum: O risco corrido pelo reino de Taleland depois que os príncipes desse são possuídos por Mefisto, um demônio que possui como objetivo o extermínio dos finais felizes e o controle total das terras do reino citado. E adivinha quem vai ter que combater esse perigo, uma vez que aqueles que normalmente salvam o dia se tornaram a ameaça em si? Isso, mesmo, as que sempre são salvas: As princesas!

Além de contar com o evidente e atraente elemento fantasioso/sobrenatural, que se dá pela presença de criaturas como demônios, fadas e trolls, por exemplo, a obra é interessante por desconstruir os contos de fada, atribuindo às princesas características que comumente não lhe são atribuídas (nem às mulheres como um todo, infelizmente): Força, coragem, independência e esperteza, quebrando, assim, a imagem frágil da feminilidade que normalmente recebemos pela mídia (sobretudo em em obras que se tratam de princesas), assim que assistimos às jovens lutarem por suas vidas e seus povos, ainda que usando vestidos e salto, muitas vezes.

Dito isto, acho que fica claro que eu gostei muito do fio condutor do livro e, por consequência, das tramas dos contos em si. Minha única crítica seria a de que, talvez por conto do diminuto tamanho dos contos, esses pecam no sentido do desenvolvimento: O enredo parece se desenrolar de maneira exageradamente acelerada, de forma que não temos tempo de nos apegamos às histórias e personagens apresentados.

Embora seja impossível falar sobre todos os contos aqui (basta ver a quantidade de autores que participaram do projeto para entender o motivo), não poderia deixar de mencionar o fato de que a história que abre o livro, a respeito de uma garota que cresce e é treinada no convento para só então descobrir suas origens e destino, foi escrita por uma amiga aqui da família Lendo Muito!!!, a Alessandra Tapias, ou simplesmente Lelê, para os mais íntimos, que foi muito bem sucedida na criação de uma trama original e uma personagem forte e marcante, embora tenha pecado um pouco (assim como a maioria dos autores presentes no livro) no quesito desenvolvimento, como já foi comentado acima, o que talvez se deva ao fato dos contos serem, de fato, muito curtos, dificultando um maior aprofundamento das histórias.

Outros contos que gostaria de citar são As longas mechas da vingança, de André Mafra, A maldição do cisne, de Francine Cândido e Lilith a princesa das trevas, de Géssica Marques. O primeiro, por ter sido  um conto que, dentre tantos, ainda foi capaz de se destacar em relação à construção de uma personagem forte e destemida e por ter sido também o primeiro (embora não o único) a abordar o a questão do estupro, além do assassinato em si, que foi mais focado na maioria dos contos. O segundo, por ter conseguido superar a dificuldade apresentada pelos demais no quesito desenvolvimento, sendo incrivelmente envolvente (o que pode ser explicado por se tratar de um conto um pouco mais longo que os demais). E o terceiro, por escolher uma princesa um tanto quanto inesperada e surpreendente, gerando uma atmosfera diferente em sua história por causa disso.

Enfim, um livro com grande potencial oferecido pela temática escolhida, mas com falhas de desenvolvimento que talvez pudessem ter sido evitadas com a prolongação de alguns contos (prezando, assim, pela qualidade, ao invés da quantidade dos mesmos), Demontale ganha o meu 8.

Beijos, Ana Beatriz

João Simões Continua – Orígenes Lessa


Resultado de imagem para capa joão simoes continuaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês a resenha do divertidíssimo João Simões Continua, livro de autoria de Orígenes Lessa, um dos meus autores nacionais prediletos.

Quem narra a história é João Simões, um corretor de café que, em plena São Paulo dos anos 1930, encontrava-se à beira da morte, acometido por uma moléstia incurável. Seus parentes e o médico da família faziam questão de dizer a ele que ele logo se recuperaria e estaria pronto para voltar ao trabalho, porém, ele tinha certeza que daquela cama só sairia para o cemitério.

Ele aproveitou a tarde para tirar um cochilo e sonhou com passagens de sua vida, desde o seu nascimento, até seus dias atuais, quando a queda da bolsa de valores de Nova York, havia feito o preço do café despencar em todo o mundo, atingindo o Brasil em cheio; aquelas imagens sucediam-se tão rapidamente e eram tão vivas e reais, contudo, não despertavam nele qualquer sentimento de saudade ou remorso; parecia que sua vida estava sendo passada a limpo.

Tentou abrir os olhos, só que sem sucesso; uma espécie de preguiça tomara conta de todo o seu ser. Foi então que ouviu a voz de sua esposa gritando para chamarem  rapidamente o médico; já sua sogra, pedia para buscarem logo um padre, ou seja, um caos generalizado instaurou-se na residência, até o momento em que o médico chegou e atestou aquilo que todos já esperavam: João Simões acabara de falecer.

Só que havia algo muito estranho em tudo isto, pois o tal “defunto” continuava vendo o ouvindo tudo o que se passava ao seu redor, acompanhando de perto toda a correria da família para providenciar o seu velório e avisar a todos os parentes e amigos de sua morte.

Enquanto velavam seu corpo, seus amigos aproveitavam para falar da tal francesa que Simões mantivera como amante por vários anos e de como seria pior para o Brasil caso os comunistas tomassem o poder; já as mulheres, discorriam sobre qual seria a nova moda da próxima estação e até sobre o absurdo preço do tomate, que havia subido muito nos últimos dias. Até na hora do sepultamento, no momento do adeus final ao seu corpo, ele viu pessoas fazendo discursos belíssimos, apenas para não ficarem atrás umas das outras.

Ele tentou gritar, mas ninguém pareceu ouvi-lo; alguns até passavam por ele, como se ele realmente não existisse. Pela primeira vez na sua vida, João Simões estava sendo deixado de lado, esquecido.

Seria aquilo um pesadelo ou a real constatação que ele encontrava-se no tal do “além”, de quem muitos falavam?

Começou a achar que aquilo era algum tipo de castigo divino imposto a ele por causa do seu cochilo vespertino, já que, na sua visão extremamente limitada, ele sempre fora uma pessoa muito boa e amável!

Durante uma festa ocorrida dias após o enterro, João Simões reparou que sua esposa estava de caso com o seu melhor amigo e, para vingar-se, resolveu cuspir na bebida do tal “amigo da onça” e mesmo assim, o amigo tomou o uísque sem perceber;  Ele decidiu abraçar e dar um beijo então em Clarinha, sua paixão juvenil, só que a moça deu um berro enorme, relatando que sentira um abraço invisível… sopro frio… parecia até a morte!

Tomado de ódio, ele gritava para todos saírem de sua casa e desferia pontapés e bofetões em todos, sem surtir qualquer efeito. Uma gargalhada reverberou por toda a sala e, vinha de um desconhecido fumando charuto, que divertia-se com aquela cena.

Após um clarão repentino, ele notou que estava flutuando no ar de verdade, só que em outro plano, no qual aquele homem de charuto na boca podia vê-lo e ouvi-lo com clareza; além dele, outros flutuavam vestidos de branco e também de preto.

Foi neste momento que João Simões teve a certeza absoluta que havia de fato morrido!!!

O resto, só lendo muito.

A história é muito divertida e conta com capítulos bem curtos e uma linguagem bem fácil de ser compreendida, algo que ajuda muito a acelerar o ritmo da leitura. Através da sátira e do humor, Orígenes Lessa conduz seus leitores a uma profunda reflexão sobre a vida e a morte.

Afinal, precisamos de muito dinheiro e bens materiais para alcançarmos a nossa felicidade?

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

O Castelo dos Cárpatos – Júlio Verne


O Castelo dos CárpatosBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos a resenha de mais um livro do grande Júlio Verne, um dos pais da ficção científica. Desta vez, escolhi O Castelo dos Cárpatos, uma das raras histórias de suspense/terror escrita pelo autor de Vinte Mil Léguas Submarinas.

A história toda é ambientada em plena Transilvânia, Romênia – região sempre marcada pela crença no sobrenatural, já que muitas lendas fantásticas vêm sendo passadas ali de pai para filho, desde os tempos bíblicos.

No final do século XIX, em plena aldeia de Wertz, quando Frik, um pastor de ovelhas local – também considerado por todos um grande feiticeiro, rogador de pragas e mandingas, que vendia poções mágicas aos aldeões-, compra uma luneta de um vendedor ambulante e, ao posicioná-la ao castelo abandonado dos Gortz, situado no alto dos Cárpatos, percebe uma coluna de fumaça saindo de uma de suas  torres, e corre para contar a novidade para o juiz Koltz, que comprova a veracidade utilizando-se da mesma luneta.

Mas como isto seria possível, já que o castelo não era mais habitado há mais de 15 anos, desde a partida do barão Rodolfo de Gortz?

Naquela mesma noite, o juiz Koltz chamou seus amigos: o médico Patak, o professor Hermod e o guarda florestal Nic Deck, futuro genro do juiz, à pousada Rei Mathias, para beberem com Jonas, o proprietário e discutirem sobre o terrível mistério envolvendo a fumaça da torre do castelo abandonado.

Durante a bebedeira, resolveram apostar para saber quem teria coragem de ir até o castelo para desvendar o mistério. Todos foram pulando fora, inclusive o falastrão do doutor Patak, que sempre afirmava que não tinha medo algum do sobrenatural; o único a aceitar o desafio foi Nic Deck, estipulando uma única condição: Patak deveria fazer-lhe companhia.

Foi então que uma voz grave e ameaçadora foi ouvida por todos no Rei Mathias, avisando a todos que ninguém deveria aproximar-se do castelo, pois seriam severamente castigados… voz esta que ninguém conseguiu reconhecer ou explicar de onde vinha!

Mesmo assim, na manhã seguinte, Nic Deck e o doutor Patak partiram rumo ao castelo, para tristeza do médico, que não passava de um grande covarde e foi reclamando durante todo o caminho, tentando fazer o jovem guarda florestal desistir.

Chegaram próximo do castelo só no final da tarde e perceberam que não havia qualquer sinal de fumaça ou som saindo da majestosa propriedade e tudo parecia deserto; eles também constataram que seria impossível passar pelo fosso do castelo para baixar a ponte levadiça e abrir sua  porta no escuro, por isso, resolveram acampar e tentar transpor as barreiras logo ao amanhecer.

Durante a madrugada, ambos foram acordados pelo soar sinistro do sino do castelo, além de depararem-se com visões estranhas de seres fantásticos como bruxas e vampiros voando perto de seus muros; de manhã, enquanto cruzavam o fosso, Patak sentiu-se pregado ao chão, sem conseguir se mover, enquanto Nic deu um grito horrível ao tocar a ferragem da ponte levadiça, tendo um braço e uma perna inutilizados, sendo lançado fortemente ao fosso, como que por efeito de uma mão invisível.

Como eles não voltaram no horário combinado, o juiz Koltz, o pastor Frik e o estalajadeiro Jonas, partiram até o castelo e voltaram trazendo Nic Deck, em numa padiola improvisada de ramos de árvore, inconsciente e parcialmente paralisado e o médico Patak em estado de choque.

Após restabelecer-se por completo, o médico contou a todos do Rei Mathias todo o terrível ocorrido, deixando bem claro que, para ele, aquilo não passava de obra do terrível “Chort” – nome que o Diabo recebe na região dos Cárpatos – que escolhera o castelo abandonado para aliar-se a outros seres sobrenaturais, com o intuito de expulsar todos os moradores da região!

Daquele dia em diante, o medo passou a imperar de vez em Wertz, que passou a ser assolada por incríveis trepidações subterrâneas quase que diariamente; agricultores começaram a deixar de plantar, por temerem encontrar demônios ou bruxas nos campos de trigo e muitas famílias,  abandonaram suas casas, com destino a outros países, pois tinham o receio do “Chort” matá-las!

Para não estragar as inúmeras surpresas que o genial autor reservou aos seus leitores, vou parando por aqui.

O resto, só lendo muito!

Não é possível efetuar a leitura sem um bom dicionário, dado ao emprego de muitos termos arcaicos. Todavia, isto não desabona em nada a leitura desta história fantástica muito bem construída, que consegue prender a atenção do leitor do início ao fim.

Digno de 4 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Lady Barberina & A Outra Volta do Parafuso


Resultado de imagem para lady barberina capaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos mais uma resenha de um grande clássico universal. Para isso, escolhi Lady Barberina & A Outra Volta do Parafuso, de autoria de Henry James.

O livro traz duas histórias bem distintas: Lady Barberina é  uma comédia de costumes, narrada em terceira pessoa, que descreve com sarcasmo e ironia a sociedade inglesa e americana do século XIX; já A Outra Volta do Parafuso é uma autêntica história de terror, com uma pitada de sobrenatural, narrada na maior parte em primeira pessoa, com capítulos muito curtos, que ajudam a acelerar a leitura.

1. Lady Barberina
Durante sua estada em Londres, o médico americano Jackson Lemon acaba apaixonando-se por Lady Barberina, uma bela jovem inglesa que fazia parte de uma família de aristocratas ingleses falidos e esnobes.  Mesmo contra a sua vontade, Lorde Canterville, o pai de Lady Barb, é obrigado a permitir o casamento da filha com aquele  americano “inferior”, pois sua família passava por sérias dificuldades financeiras e o jovem médico surgia como uma verdadeira tábua de salvação, já que era muito rico e também herdeiro de uma grande fortuna no novo continente. 

Após o casamento, o casal parte da Inglaterra rumo aos Estados Unidos, para viver em Nova York, próximo da Sra. Lemon, a mãe do jovem doutor.  

Contudo, depois de  seis meses de casado Jackson Lemon ainda não conseguira fazer com que a esposa abandonasse o ar arrogante e presunçoso com que ela olhava para as pessoas; além disso, Lady Barberina odiava quando seu marido se reunia em casa com seus amigos, pois a casa deles ficava cheia de gente rindo e falando alto.

Já Lady Agatha – irmã mais nova de Lady Barb, que fora passar uma temporada em Nova York com eles -,  era uma moça muito simples e de fácil trato, que acabou apaixonando-se pelo estilo de vida dos americanos, o que acabou por gerar grande revolta na irmã mais velha.

2. A Outra Volta do Parafuso
Um grupo de pessoas aproveitava o calor gostoso do fogo da lareira para contar histórias de terror. Douglas, um dos presentes, revelou aos amigos que conhecia uma história de fantasmas verdadeira; ele tinha em sua posse um manuscrito antigo, escrito pela governanta de sua irmã, revelando um terrível acontecimento que a pobre mulher vivenciara anos antes de sua morte. Contudo, levaria dois dias para buscar o tal manuscrito em outra cidade.

Tratava-se da história de uma jovem que fora contratada como preceptora (governanta) após responder a um anúncio de jornal; seu serviço seria cuidar de  duas crianças órfãs que estavam agora sob a tutela de um tio, que era o seu empregador, porém, ela jamais deveria incomodá-lo sob qualquer assunto relacionado àquelas crianças ou sobre qualquer outro problema que ela viesse a encontrar na residência.

Ela parte então para a mansão que ficava no condado pequeno de Bly e, ao chegar lá, conhece a bondosa Sra. Grose, que apresenta-lhe Flora, uma menina linda e adorável, capaz de cativar qualquer coração empedernido. A jovem babá passa a dormir todas as noites com a pequena Flora.

Ela recebe então uma carta da direção do colégio de Milles, avisando-lhe que o menino fora expulso do colégio por mau comportamento e estava retornando de trem para Bly. Assim que a jovem preceptora pôs os olhos pela primeira vez naquele lindo garoto, todos os pensamentos negativos, oriundos daquela epístola malcriada, foram substituídos por puro amor e encantamento.

Com o passar dos dias, ela passou a acreditar menos ainda naquelas acusações feitas a Milles. Como uma criança tão doce e bela como ele poderia ser má?

Por que será que o tio daquelas crianças era tão frio e insensível em relação aos dois sobrinhos? Na sua opinião, aquelas duas crianças maravilhosas jamais haviam dado qualquer motivo para serem castigadas antes e nem dariam no futuro. 

Certa noite, ela tem a visão de um homem desconhecido, que a fitava de cima da mansão com um olhar libidinoso e ousado. Ela resolveu guardar segredo de todos, pois talvez se trata-se de algum viajante desconhecido que subira no ponto mais alto da propriedade com o intuito de observar dali a bela paisagem.

Dias depois, o mesmo rosto apareceu colado à janela do andar de cima, a olhar não para ela, mas para alguma outra coisa…ou outro alguém!!!

O resto, só lendo muito!

A única crítica que faço a respeito de  A Outra Volta do Parafuso é em relação ao seu final um tanto quanto vago, dando margem para mais de uma interpretação.

Digno de 4 estrelas

Até hoje, não existe nenhum filme baseado no roteiro de Lady Barberina; entretanto, várias adaptações de A Outra Volta do Parafuso foram feitas para a TV e para o cinema, porém, “Os Inocentes”, de 1961, com Deborah Kerr no papel principal, é aclamada por muitos críticos como a melhor.

Segue abaixo, o link do youtube para assistirem ao filme completo:

 

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

O GATO QUE FALAVA COM FANTASMAS – Lilian Jackson Braun


Resultado de imagem para capa o gato que falava com fantasmasBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de O Gato que Falava com Fantasmas, de autoria de Lilian Jackson Braun.

Certa noite, Qwill (Jim Qwilleran) – um jornalista cinquentão e muito rico, metido a detetive –  estava na companhia de Yum Yum e de Koko, seus dois gatos siameses, em seu modesto apartamento na cidade de Pickax, Nova Jersey. Ele aproveitava o tempo vago para ouvir uma fita cassete com a gravação de Otelo, de Verdi, que sua “quase namorada” Polly Duncan trouxera diretamente de Londres, quando recebeu um telefonema da Sra. Iris Cobb, dizendo estar com muito medo de ficar em casa, pois estava ouvindo terríveis sons e estalos oriundos das paredes de sua casa; ela acreditava tratarem-se de fantasmas.

Ele logo prontificou-se a ir até a residência da bondosa senhora e ver o que estava acontecendo, pois a mesma, num passado não tão distante, já fora sua senhoria e governanta, e agora vivia solitária em uma casa, ao lado do Museu da Casa da Fazenda, Goodwinter, do qual ela era curadora.

Ao chegar na casa da Sra. Cobb, ele estranhou o fato de todas as luzes estarem apagadas; ele então bateu na porta e chamou pela Sra. Cobb, sem obter qualquer resposta. Qwill entrou com sua chave-reserva e encontrou a pobre mulher caída na cozinha, já sem qualquer traço de vida.

O legista afirmou que Íris Cobb morrera de um ataque cardíaco fulminante, algo que Qwill não podia concordar jamais, pois ele a encontrara com os olhos abertos e uma fisionomia de verdadeiro pavor estampada em seu engelhado rosto.

Qwill e seus dois gatos mudam-se para o museu ao lado da propriedade, para investigar mais a fundo a morte de Íris Cobb. Remexendo em um velho baú, ele acabou encontrando a correspondência da Sra. Cobb e descobriu que ela já estava se queixando dos barulhos e batidas no porão há algum tempo com seu filho, e que seu médico suspendera a maioria dos seus medicamentos, porque ela também reclamara com ele sobre os sons infernais.

Será que a pobre mulher estava apresentando sinais de senilidade? Ou algo de muito mais malévolo e sobrenatural vinha aterrorizando há tempos a doce velhinha… algo relacionado a Ephrain Goodwinter, antigo proprietário do terreno, encontrado enforcado em uma árvore, sob circunstâncias suspeitas?

O resto, só lendo muito!

Para deleite de todos os fãs do gênero policial: a trama é muito bem construída e, conforme a leitura vai avançando, o clima de tensão só vai crescendo; a resposta de todo mistério é revelado apenas nas últimas páginas!

A autora americana Lilian Jackson Braun (1913-2011) escreveu seu primeiro livro “O Gato Que…” em 1960, conquistando logo de cara milhões de fãs. Ela então sumiu por 18 anos – tal qual Agatha Christie -, para retornar com “The cat who saw red” e obter ainda mais fama e reconhecimento. O Gato que Falava com Fantasmas é a décima aventura de Koko e Yum Yum.

Resultado de imagem para lilian jackson braun        Foto(gettyimages) de Lilian Jackson Braun, Koko & Yum Yum

Confesso a vocês que, apesar ter achado bem original dois gatos siameses atuando diretamente como protagonistas de uma história, não consegui digerir tão bem a ideia de um jornalista solteirão, de meia-idade, bancando o detetive nas horas vagas. 

Apenas por este motivo, vou atribuir 3/5 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

O Fantasma da Ópera – Gaston Leroux


Este maravilhoso clássico francês tem como principal pano de fundo a famosa ópera de Paris, onde, no final do século XIX, uma figura misteriosa e realmente apavorante, oriunda dos subterrâneos do tão célebre teatro, surgia do nada para atormentar a alma até dos mais corajosos cavalheiros da época.

O autor fez questão de conhecer mais a fundo a história deste fantasma através de uma pesquisa minuciosa e descobriu que este ser, na realidade, não tinha qualquer coisa de sobrenatural; na realidade, Erik – seu verdadeiro nome-, era um ser extremamente inteligente e muito possessivo que, devido ao seu aspecto hediondo, escondia-se do mundo nos confins da ópera.

Ele nutria uma paixão platônica por Christine Daaé, uma bela soprano que era dona de uma voz realmente maravilhosa. Porém, devido  à sua fealdade, ele tinha medo de aproximar-se e amedrontar a bela jovem, por isso, vivia espreitando-a por entre os escuros bastidores. Christine estava apaixonada por Raoul, visconde de Chagny; por causa disso, o fantasma resolveu capturá-la e levá-la para sua morada, nos subterrâneos da ópera.

Nesse meio tempo, vários crimes passaram a acontecer e todos passaram a desconfiar que eram obra do temido fantasma.

Em completo desespero, Raoul resolve lançar-se aos mais profundos cantos da ópera, em busca de sua amada Christine. Todavia ele não contava ter de enfrentar o irascível e apaixonado “fantasma da ópera”!

O resto, só lendo muito!

Uma leitura realmente cativante, que nos faz refletir sobre a beleza e o amor verdadeiro. 

Digno de 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

Love – A História de Lisey – Stephen King


Imagem relacionadaO livro narra a história de Lisey, viúva de Scott Landon, um famoso escritor.  Após o falecimento do célebre marido, ela tomou posse de todo o seu espólio, que consistia em vários manuscritos ainda inéditos e do grande vazio que se instalara em seu coração.

Através de um relato profundo, a agora supérstite Lisey, leva-nos ao dia a dia do casal, com desabafos por muitas vezes ter ficado em segundo plano, pelo simples fato de ser a “esposa” de Scott Landon.

Como é a própria Lisey quem narra a história, tomamos conhecimento dos muitos traumas de seu marido, e também de Booy’a Moon, um lugar mágico e lindo, que fez parte da infância de Scott e de seu irmão Paul; neste lugar, eles brincavam com os bools de caça a um tesouro imaginário…

Aliás, o termo bool é citado inúmeras vezes durante a história, algo que chega até incomodar um pouco, diga-se de passagem.

Também somos apresentados ao lado sombrio de Scott, que tem tudo a ver com a maldição da família Landon, e que deixou inúmeras chagas no escritor… chagas estas que jamais cicatrizaram!

E é neste “clima” que Lisey reúne forças para limpar as coisas e seguir em frente, até o momento em que passa a receber ameaças de um estranho, que deseja apossar-se, a todo custo, dos manuscritos de Scott.

Será que ela conseguirá livrar-se deste estranho perigoso e também superar de vez a morte de seu marido?

O resto, só lendo muito!

Esta leitura foi bem fastidiosa e cansativa, principalmente por conter diferentes passagens de tempo; se o leitor não prestar bastante atenção a isso, ficará realmente perdido e confuso com tantas informações e divagações desta história de amor bem insólita.

Merece 2 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula