Na Escuridão da Mente – Paul Tremblay


Livro Vencedor do Bram Stocker Award

“Me assustou para valer, e eu não sou nada fácil de assustar.”
 Stephen King

Resultado de imagem para na escuridão da mente

Querida Família Lendo Muito, trago-vos uma resenha de um livro que conseguiu tirar o sono até do mestre do horror Stephen King. Trata-se de Na Escuridão da Mente, de Paul Tremblay.

Tudo começa quando a escritora de best-sellers Rachel Neville faz contato com Merry (Meredith Barret), de 23 anos, que aceita ser entrevistada por ela na antiga casa dos Barrets, em Massachusetts, a mesma casa que serviu de palco para um infortúnio familiar que alterou o rumo de toda a sua vida.

Nesta época, Merry contava com apenas 8 anos e vivia com John e Sarah, seus pais, e com Marjorie, sua irmã de 14 anos, que gostava muito dela e vivia inventando histórias para diverti-la.

Nesta mesma época, Marjorie começou a ter um comportamento agressivo, apresentando vários arranhões por todo o corpo, ouvindo vozes estranhas e falando frases desconexas, o que culminou com um quadro grave de esquizofrenia, abalando demais a relação entre seus pais, já que o tratamento de Marjorie era muito dispendioso e John Barret encontrava-se desempregado e sem perspectivas de arrumar um novo emprego tão cedo.

Certo dia, quando John levava Marjorie para sua visita ao psiquiatra, a garota começou a ter uma crise no carro e ele, ao invés de levá-la ao médico,  decidiu levá-la à igreja, para ouvir a opinião do padre Wanderly, que acreditava que a doença mental de sua filha era um caso de possessão.

Pensando em conseguir um bom dinheiro para ajudar a família, John aceita vender a história deles para o Discovery Channel, transformando o caso de Marjorie num verdadeiro “Big-Brother”, com dúzias de câmeras e microfones espalhados por todos os cantos da propriedade.

Merry tinha certeza que a irmã estava fingindo tudo, já que a mesma confidenciara a ela que estava fazendo tudo aquilo para não  desapontar o pai.

O exorcismo de Marjorie foi autorizado pela igreja e estava sendo acompanhado ao vivo por milhões de pessoas grudadas em seus televisores.

Durante o exorcismo, tudo corria bem, com Marjorie apenas rindo e brincando todo o tempo com o padre Wonderly e o seu ajudante, o padre Gavin. Em dado momento as gavetas da escrivaninha do quarto de Marjorie passaram a abrir e fechar sozinhas; e ela gritava desesperadamente sem saber o que estava acontecendo, deixando todos realmente assustados.

Se Marjorie estava apenas mesmo fingindo, como aquilo seria possível? Seria algum truque da própria produtora para despertar medo e chamar a atenção dos telespectadores, ou uma entidade diabólica estava realmente dominando o seu corpo?

O resto, só lendo muito!

Com um final que força muito as células cinzentas dos leitores, pode-se dizer que este livro não chega a ser empolgante, mas também não decepciona; creio que o autor tinha um enredo literalmente fantástico em mãos, só não soube trabalhá-lo tão bem como deveria e eu credito isso à sua inexperiência, já que este é seu primeiro livro publicado.

Merece 3 estrelas

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

Ultra Carnem – Cesar Bravo


"Na disputa entre o céu e o inferno nós somos o prato principal"

Resultado de imagem para ultracarnem

Querida Família Lendo Muito, é exatamente esta mensagem que Cesar Bravo pretendia passar ao seus leitores ao escrever Ultra Carnem:  história de tirar o fôlego e o sono de qualquer leitor.

O livro é dividido em cinco partes interligadas, que serão abordadas aqui separadamente.

Começando agora mesmo!!!

O Abandono – Parte I
A história começa em uma noite muito chuvosa, quando a cigana Iolanda levou um menino órfão para o orfanato da cidade de Três Rios. Os responsáveis pelo orfanato eram Dom Giordano e a madre Suzana, sua auxiliadora.

Antes de deixar o menino aos cuidados do padre, a cigana avisou ao bondoso homem, que aquele era seu irmão , e que seu próprio bando estava banindo-o por que o menino carregava o “demônio” dentro dele.

Após muito relutar, o Padre Giordano acabou aceitando Wladimir Lester, o renegado menino cigano, mediante o recebimento de uma sacola repleta de ouro.

Alguns dias depois, todo o bando de ciganos que havia deixado a cidade, morre tragicamente ao cair de um desfiladeiro.

Misteriosamente algumas pinturas que o bando carregava foram recuperadas; entre elas, havia uma que mostrava um grupo de carroças despencando de um desfiladeiro. Essas pinturas logo remeteram a Wladimir Lester, pois era ele quem gostava muito de pintar quadros; Dom Giordano sempre via o pequeno cigano andando com um tubinho de tinta muito vermelha e atraente,  parecida com sangue.

O pequeno cigano não conseguia adaptar-se bem ao orfanato, já que as crianças achavam-no esquisito e o discriminavam por ser ele filho de ciganos. Buba, Japonês e Vermelho, eram os três meninos que mais faziam Wladimir Lester sofrer, pois tomaram dele um retrato antigo de sua mãe, e também brincavam com a estatueta de gesso da Ciganinha, que ele afirmava ser sua própria mãe.

Cansado de tanto sofrer humilhações e totalmente tomado pelo demônio, Lester resolveu vingar-se da maneira mais cruel que se possa imaginar…

Gênesis – Parte II
Após roubar um diário antigo de uma loja de artigos estranhos, Nôa D’Nor, um pintor frustrado e sem talento, ficou obcecado em encontrar os quadros e o tubinho de tinta do menino cigano, que ele acreditava que fariam com que ele obtivesse a fama.

Seguindo as pistas do diário, ele e sua namorada Liza encontram o paradeiro do amaldiçoado tesouro, que estava muito bem guardado há mais de duzentos anos, mal sabendo que o “verdadeiro Mal” os espreitava, fazendo-os pagar um preço muito caro pela ganância e poder.

O Pagamento – Parte III
Nesta parte temos a história de Marcos Cantão, um técnico de informática medíocre, que vivia na miséria, com sua gorda esposa Odeta e com seu filho com problemas de desenvolvimento chamado Randy.

Um belo dia, Marcos foi chamado para prestar serviços de informática em uma loja de artigos raros. Sofia, a proprietária da loja, era uma velha cigana, que não tendo como pagá-lo, propõe a ele que faça um pedido para sua Ciganinha – estátua de gesso que segundo ela realizava os pedidos de seus devotos fiéis.

Sem acreditar muito na velha cigana, Marcos murmurou algo bem baixinho no ouvido da Ciganinha.  E ao chegar em casa, sua vida mudou radicalmente para sempre… tanto para o bem, quanto para o mal.

O Inferno – Parte IV
Em uma lanchonete de subúrbio, a garçonete Lucrécia Trindade foi  testemunha de um inusitado e macabro encontro. Curiosa com a conversa entre os três homens que pareciam normais, ela descobriu que aqueles homens, na verdade, eram três demônios!

Ao ouvir que o Inferno estava com problemas para arrebanhar almas, já cansada de sua tão sofrida e desprezível vida, Lucrécia ofereceu-se para fazer parte do maligno trio.

Todavia, para a garçonete ser aceita no clã do Inferno, ela recebeu uma missão do próprio Lúcifer: resgatar uma alma renegada que vivia escondida há séculos nos subterrâneos de uma igreja; alma essa que se recusava a descer ao Inferno e que não era ninguém menos que…o próprio Wladimir Lester.

Os Três Reinos – Epílogo
Nesta última e mais empolgante parte temos uma visão infernal  de todos os personagens envolvidos na história do livro.

Apesar do livro ser relativamente longo, a narrativa é tão empolgante, com um clima de suspense crescente, fato que não deixa o leitor desgrudar das páginas até chegar ao final, completamente inusitado. Merece até um longa-metragem.

Deixou-nos com vontade de conhecer mais obras deste magnífico autor.

Digno de receber 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um beijo “bem quente” no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

 

 

 

 

 

 

O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS – Keith Donohue


Boa tarde, querida Família Lendo Muito.

Trago-vos hoje a resenha de um livro que muitos de vocês já devem ter lido ou ao menos ouvido falar, pois transformou-se em uma espécie de leitura obrigatória no ano de 2016. Trata-se de O Menino que Desenhava Monstros, do famoso novelista americano Keith Donohue.

Resultado de imagem para o menino que desenhava monstros

Jake Peter foi diagnosticado com síndrome de Asperger, um tipo mais leve de altismo, e com agorafobia (pavor de sair de casa)  após ele e Nick, seu único amigo, terem quase se afogado na praia quando ambos tinham 7 anos. Após serem salvos, J.P., como ele era conhecido, nunca mais foi o mesmo, tornando-se a a partir daquele dia, uma criança retraída e isolada de todos, forçando seus pais a tirá-lo da escola.

A mãe e o pai de Jake Peter tinham visões muito diferentes a respeito do tratamento do filho de dez anos: enquanto Holly, sua mãe, acreditava que eles deveriam procurar outro tipo de ajuda para o menino, já que ela não percebia qualquer sinal de progresso; ela inclusive acreditava que o comportamento do garoto vinha piorando, pois ele chegou até agredi-la violentamente quando ela fora acordá-lo em certa manhã; já Tim, seu pai, acreditava que J.P. vinha progredindo aos poucos, já que agora ele vinha comunicando-se através de seus desenhos.

Mas J.P. não criava desenhos comuns, mas sim figuras assustadoras. Ele afirmava que aquilo que ele vinha retratando em seus desenhos eram os monstros que habitavam o seu quarto…

Num dado momento, fatos muito estranhos tiveram início: quando Tim levava Nick de volta para a casa, ele e o garoto avistaram uma figura branca, nua, que lembrava um homem com feição grotesca, correndo pela neve; já Holly, passou a ouvir sons incomuns e assustadores na própria casa.

Buscando refúgio espiritual, Holly passou a frequentar a igreja católica da região. Lá, ela conheceu o padre Bolden e a srta. Tiramaku, sua estranha governanta que certo dia contou-lhe a respeito do Porthleven, um antigo navio que naufragara perto dali, há muito tempo. As pessoas diziam que o navio afundara por total imperícia de seu capitão, e muitos corpos jamais haviam sido encontrados.

A partir de então, teve início a lenda dos yureis, que nada mais eram do que espíritos condenados a assombrar os vivos até que fosse reparado o mal que lhes fora causado. Estes espíritos buscavam apenas a liberdade para seus tormentos.

Será que os yureis eram a resposta para os sons estranhos da sua casa e daquela grotesca figura que seu marido havia avistado na neve? Ou a chave para este enigma era algo bem pior… originário da mente perturbada de Jake Peter?

O resto, só lendo muito!

Respeito muito cada um de vocês e sei que muitos de vocês amaram a história. Contudo, tenho certeza absoluta, que este foi um dos piores livros que li em minha vida, senão o pior.  Pensei muitas vezes em abandonar a leitura (isto é algo que eu jamais faço) pois o ritmo da história é extremamente parado, modorrento, apesar do ótimo enredo que o autor tinha em mãos: um thriller psicológico, repleto de muito mistério e com uma pitada de sobrenatural. Entretanto, na minha humilde opinião, parece que o nosso querido Keith Donohue resolveu zombar de nós leitores ao criar um final tão estapafúrdio e inverossímil.

Vou atribuir ainda uma estrela apenas por causa da belíssima edição da DarkSide Books.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

O DEVORADOR – Lorenza Ghinelli


Resultado de imagem para livro o devorador“Não encare. Não o procure. Se você acreditar, ele te verá.”

 

É com esta frase sorumbática que iniciarei a minha resenha do livro O Devorador, da autora Lorenza Ghinelli, querida Família Lendo Muito.

A história toda é narrada em dois períodos bem distintos: 1986 e 2006.

1986 – Denny, de apenas 7 anos,  era vítima de bullying pelos colegas da escola. A culpa de tudo era por ele ser filho de uma mãe viciada em comprimidos, que nunca saía da cama, e por causa de seu pai, um bêbado e espancador, que todos diziam também ser louco.

Cansado de ser maltratado pelo pai e pelos outros alunos, Denny, sem conseguir compreender como (eu confesso que também fiquei sem entender), traz à vida, um ser que seu pai havia pintado em uma das telas, durante um de seus ataques de fúria. Este ser era O Homem dos Sonhos, um velho maldoso, vestido em andrajos, que nunca desgrudava de sua bengala.

O Homem dos Sonhos se intitulou então “irmão” de Denny e disse que faria de tudo para vingar-se daqueles que maltrataram seu “irmãozinho”…

2006 – Os amigos Filipo, Francesco,  e Lucca, são meninos desbocados e marotos, que acabam um dia por maltratar Pietro, um garoto especial, portador da síndrome de Arperger, um raro tipo de altismo. Pietro é dono de um Q.I. elevado e usa seus desenhos para comunicar-se com as pessoas.

Um a um, todos os garotos que maltrataram o pobre Pietro começam a morrer misteriosamente, inclusive Dario, o irmão de Pietro que não o defendera. O caso é tratado pela imprensa como “Arquivo X da cidade de Rimini”, pois apenas as roupas e os sapatos dos meninos foram encontrados: parecia até que os corpos haviam se desintegrado totalmente…

Pietro sabia bem quem era o culpado por aquelas mortes misteriosas: aquele velho assustador que invadia sempre seus sonhos, transformando-os em horríveis pesadelos. Em um de seus desenhos ele até retratou aquele velho horrível, ao lado dos quatro garotos mortos.

Assim que Alice, sua terapeuta, viu aquele desenho, um terror de gelar a espinha toma conta de todo o seu corpo, fazendo-a lembrar-se de quando tinha apenas 8 anos e era amiga de Lucrezia Contini, uma das crianças que maltratava Denny na época. Ela viu a amiga “dissolver-se” na sua frente e só conseguiu se salvar porque Denny ordenara para O Homem dos Sonhos poupar sua vida, já que ela era uma das únicas crianças que  jamais mexera com ele.

Agora, ela sabia que para evitar mais mortes e deter aquele ser sinistro e diabólico ela só tinha uma saída: encontrar Denny, custe o que custar. Ela e Stefano, seu namorado, vão à polícia, em busca de informações, mas ninguém sabe do paradeiro do perturbado garoto, ou de seu “irmão”.

Será que Denny ainda está vivo? Será que ele também não foi uma vítima do Homem dos Sonhos?

Para responder esta e outras perguntas, só lendo muito!

A leitura flui fácil, pois os capítulos são bem curtos (entre 3 e 4 páginas, no máximo), o que acelera e muito o ritmo da leitura. Por ser um livro super badalado, eu confesso a vocês que esperava um pouco mais, pois a autora tinha um ótimo enredo nas mãos, todavia, deixou a história degenerar da metade para o final. De uma boa história de terror, acabou por transformar-se em um suspense mediano.

O livro não chega a decepcionar de todo, mas também não posso dizer que empolgue muito.  Parece-me que a própria autora não tratou a história com o devido respeito que ela merecia.

Atribuo 3/5 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo enorme no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

Sussurros da Meia-Noite – Daniel Pedrosa/ Juliana Velonessi/ Leandro Reis/ Stefânia Andrade


Resultado de imagem para Sussurros da Meia-Noite“Tranque as portas e janelas de sua casa, acenda o abajur
e boa leitura!”

Querida Família Lendo Muito,  com esta frase bem sugestiva que encontra-se na contra-capa do livro Sussurros da Meia-Noite, de autoria de Daniel Pedrosa, Juliana Velonessi, Leandro Reis e Stefânia Andrade, damos início a mais uma resenha especial.  

Este é o primeiro livro destes jovens autores que decidiram reunir-se durante o Festival da Mantiqueira, de 2012, formando o grupo Vale Fantástico, para divulgar a literatura de ficção e fantasia nacional. 

Sussurros da Meia-Noite remete-nos a um mundo sombrio, de mistérios inimagináveis; deve ser lido preferencialmente à noite, à luz de velas, pois sob esta atmosfera funesta, a obra cumpre magnificamente com seu propósito: fazer com que o seu leitor, sinta calafrios de verdade ao término de cada página.

Dentre os dez contos da presente obra, duas histórias destacam-se mais por serem mais arrepiantes. 

São elas:

1. Em Má Companhia, de Stefânia Andrade
Este conto narra a história de uma universitária cursando Farmácia em Araraquara, pacata cidade do interior paulista que, na volta de uma das suas viagens quinzenais à sua terra natal, para visitar seus pais, depara-se com algo horripilante e sobrenatural ao adentrar seu prédio, que com certeza a marcará para o resto da vida!

2. O Broche Azul, de Juliana Velonessi
Neste conto, Tatiana e sua irmãzinha de quatro anos, Liz, deparam-se com o mal ao  cruzarem um velho casarão abandonado: um lugar amaldiçoado e repleto de histórias terrificantes.

Contrariando os avisos que anos e anos Tatiana ouvira de sua avó e seus pais, para jamais por os pés naquele recinto maldito, ela manda sua irmãzinha entrar para pegar uma joia que brilhava no escuro. E Liz, aos cruzar os portões de ferro do velho casarão, viverá uma experiência tão aterrorizante, que mudará completamente a sua vida , a de  Tatiana e a de todos ao seu redor…

Ótimo livro, muito bem escrito, traz até uma escala de medo para conto. Super recomendado!

Merece 5 de 5 estrelas.

✮✮✮✮✮

Esperamos que tenham gostado. 

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André & Ana Paula

O Quarto Vermelho – Alexandre Dumas


Resultado de imagem para o quarto vermelho alexandre dumasBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Para começar esta semana linda, trago-vos uma resenha de meu autor predileto: Alexandre Dumas (pai). Trata-se de um livro com tema fantasmagórico: O Quarto Vermelho!

A história começa com um grupo de amigos reunidos na casa da princesa Galitizen, em Florença. A diversão do grupo era ao anoitecer, quando todos ouviam as histórias fantásticas que cada membro narrava.

Quando chegou a vez do jovem conde Elim M., ele pediu licença a todos para narrar uma aventura que ocorrera com ele, pouco tempo atrás, em terras alemãs. 

Tudo começou com uma caçada de lebres que ele participara, juntamente com outros caçadores. Ao perseguir um bando de perdizes, ele e seu cão Fido acabaram se perdendo dos outros; tentando fugir da chuva e dos trovões, o conde seguiu uma trilha que o levou até uma cabana onde ele bateu palmas, sem sucesso.

Molhado e com frio, resolveu então seguir mais adiante até encontrar um castelo onde um casal de bondosos idosos muito assustados o recebeu, pois naquelas paragens, nunca aparecia vivalma. Aquele era o castelo dos Eppsteins, onde tudo estava em ruínas.

Elim pediu então para pernoitar no castelo até outro dia, quando iria tentar encontrar os outros caçadores, mas percebeu uma certa intranquilidade no casal de idosos. Ambos disseram que ele poderia passar a noite ali, mas teria que ser no quarto vermelho, o único aposento em bom estado da casa, que era assombrado por fantasmas e duendes!!!

Ao saber disso, o conde Elim M. aceitou de prontidão, pois sempre tivera curiosidade de saber se fantasmas ou duendes existiam de verdade.  

Quando ele e seu cão estavam já deitados, ele recebeu a visita de um fantasma de uma linda mulher de branco que encarou-o fixamente, retirando-se logo depois. No outro dia, ao contar ao casal de idosos sua experiência sobrenatural, ficou sabendo que aquela aparição era o fantasma da jovem condessa Albina!

O velho empregado contou-lhe que o Conde Ruddolfo de Eppstein tivera dois filhos: Conrado e Maximiliano. Conrado era fraco, doentio, mas muito meigo e de quem todos gostavam logo de cara; já Maximiliano era forte, robusto e muito engajado na política, como o pai.

Quando o conde Ruddolfo de Eppstein descobriu que Conrado casara secretamente com uma filha de um empregado do castelo, de nome Noemi, e que ela havia dado à luz a um menino, ele expulsou o filho de casa. Maximiliano tentou interceder em favor do irmão, mas o conde foi irredutível.

No mesmo dia, Maximiliano pediu ao pai que enviasse uma carta aos Schualbach, de Viena, informando que ele estava interessado em desposar sua filha Albina, o que seria de grande valia para os Eppstein.

Albina era uma linda menina, de apenas dezesseis anos, educada em um convento rígido, que rejeitara todos os pedidos de casamento que seu pai havia lhe trazido até então.  Mas tudo mudou quando ficou sabendo do pedido de Maximiliano Eppstein:  ao conhecê-lo,  ela teve a certeza de ter encontrado naquele homem forte, o seu Goetz de Berlichingen (personagem de Goethe) pelo qual ela dizia-se apaixonada.

Seu pai, o duque de Schualbach, enxergou apenas ambição e orgulho naquele homem bruto que pedia a mão de sua filha; já Albina, apaixonada e muito inocente,  via nele um homem valente, amoroso e bondoso. Tão confiante nisso, contou ao noivo sobre o romance que fabricara em sua mente, dando a Maximiliano apenas o trabalho de moldar-se àquele Goetz de Berlichingen, de quem sua noiva tanto falava.

Ainda durante o noivado, ela ficou sabendo através de Maximiliano da maldição do quarto vermelho do castelo Eppstein. Rezava a lenda que “toda a condessa que morresse ali durante a noite de Natal, não morreria completamente”!

Isso iniciara com a condessa Leonora que falecera, no quarto vermelho e fora vista pelo marido no enterro de uma amiga, na noite de Natal. O marido, pensando estar enlouquecendo, partiu do castelo e entrou para um mosteiro, deixando toda a fortuna para seu filho primogênito.

Depois disso, durante três gerações, o fantasma da condessa Leonora apareceu aos primogênitos da família Eppstein; a partir da quarta geração, ele jamais tornou a ser visto.

Os recém-casados partiram para viver no castelo de Eppstein e, a primeira coisa que Albina fez ao chegar ali, foi conhecer o quarto vermelho. Quinze dias após a visita, seu pai morreu subitamente!

Um ano depois, ela descobriu que aquela imagem bondosa, amorosa e valente que ela fizera de Maximiliano era apenas mais uma de suas fantasias bobas: seu marido era um homem rude, extremamente agressivo e libertino. Só restava para ela resignar-se e sofrer calada.

Quando a Revolução Francesa estourou, seu marido teve que refugiar-se em Viena. Um capitão francês muito jovem e valente, foi ferido em uma batalha próxima ao castelo. Ele foi levado e tratado pelo capelão, que tinha um pouco de conhecimento médico e por Albina, logo recuperando-se por completo de todos os ferimentos.

Seu nome era Jacques e ele e Albina tornaram-se inseparáveis, sendo vistos passeando de mãos dadas pelos jardins do castelo, quando não estavam fechados no quarto vermelho. Tratavam-se de “meu irmão” e “minha irmã”. 

Jacques teve que retornar para Paris após um mês e Maximiliano logo voltou para Eppstein. Quando chegou, ficou sabendo pela boca dos empregados que um oficial francês ficara no castelo e que ele e sua Albina não se desgrudavam nunca.

Albina ao ver o marido, pensou que a notícia de sua gravidez faria com que o humor de Maximiliano melhorasse, mas ela estava enganada. Convencido de que ele fora traído e que aquele não era seu filho, Maximiliano resolveu privar a esposa de qualquer atividade fora dos domínios do castelo, inclusive de fazer suas refeições e dormir em sua presença, destinando para ela o ditoso quarto vermelho.

Com o passar dos dias confinada, tal qual verdadeira prisioneira, Albina exigiu a presença do marido em seu quarto e confrontou-o, dizendo-se cansada de sofrer e de passar por traidora. Suas palavras só serviram para açular ainda mais a cólera de Maximiliano: num instante de pura ira, o bruto lançou aquela frágil e doce criatura ao solo, fazendo-a bater com a cabeça na poltrona onde ela estava sentada, poucos segundos atrás.

Em desespero, Maximiliano procurou o capelão, mas o ferimento era muito profundo e exigia cuidados de um médico de verdade. Enquanto buscavam um médico, sem nenhuma explicação, a doce Albina recuperou os sentidos e entrou em trabalho de parto. Delirante, dizia a todos que um dia Maximiliano entenderia tudo e que aquele era o filho de ambos, de verdade.

Morreu logo após entrar a primeira da noite de Natal, mas o médico conseguiu salvar a criança, a quem deram o nome de Everardo, como ela pedira numa carta.

Um mês depois, Maximiliano estava no mesmo quarto vermelho que ele matara a esposa, divagando sobre o crime e a traição da esposa, quando começou a ouvir o vento soprar e seu filho chorar no andar de cima. Naquela noite, aquele homem corajoso e tão bruto sentiu pela primeira vez o medo de verdade. O que lhe veio a mente foi a lenda sombria da condessa Leonora.

Seu filho chorava tão forte que ele resolveu ver o que estava acontecendo e subiu até o quarto da criança. A cena que ele presenciou ao abrir aquela porta foi de gelar o sangue de qualquer mortal…

O resto, só lendo muito!

Uma leitura muito agradável, com uma trama envolvente e cheia de surpresas até a última página. Digna de um autor que escreveu mais de 500 livros e aventurou-se por todos os estilos, desde drama, aventura, até suspense e terror. E para os que não sabem, Alexandre Dumas escreveu um excelente livro de receitas: Grande Dicionário de Culinária.

O que falar mais? Merece 5 estrelas!

✮✮✮✮✮

Espero que tenham gostado. 

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André

 

Garota Infernal – Audrey Nixon


Baseado no roteiro de Diablo Cody (ganhadora do Oscar de melhor roteiro por “Juno)

Resultado de imagem para capa  garota infernal livroA história é contada sob o ponto de vista de Needy, uma jovem nerd e introvertida, que está internada na Casa de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Feminino da cidade de  Leech Lake.

Após uma agressão gratuita à nutricionista do lugar, ela acaba sendo jogada na solitária e começa a lembrar dos fatos que a fizeram ser internada naquele lugar para “loucos”.

Antes de tudo acontecer, ela morava com sua mãe em Devil´s Keetle e era amiga de Jeniffer (Jenny), uma linda garota, animadora de torcida, extrovertida e muito popular; ambas eram amigas desde crianças e até usavam cada uma um pingente com as iniciais BFF.  Needy também namorava com Chip, um rapaz muito sereno e aspirante  à baterista.

Tudo ia muito bem naquela pequena e pacata cidade, até o momento em que Low Shoulder, uma banda até então desconhecida de Indie Rock, resolve tocar no Melody Lane Tavern, um bar em decadência da cidade, causando um certo alvoroço.

De olho no vocalista, Jennifer conseguiu convencer Needy a deixar Chip em casa e ir com ela até Melody Lane Tavern. Lá, Jennifer começa a flertar com Nicolai, até o momento em que o local começa a pegar fogo e pessoas começam a morrer queimadas ou pisoteadas.

Os rapazes da banda e as duas jovens conseguiram escapar e, aproveitando um momento de choque de Jenny, Nicolai a convida para conhecer a van escura da banda. Needy tenta impedi-la, mas não consegue e resolve então voltar sozinha para casa.

Mais tarde, naquela mesma noite, uma Jenny faminta de carne crua e toda suja de sangue e barro surge em sua casa, deixando-a amedrontada. A amiga acaba comendo um frango cru que sua mãe estava reservando para fazer para o almoço…

Fatos estranhos começam então a ocorrer em Low Showder: jovens são encontrados assassinados com requintes de crueldade e com sinais claríssimos de canibalismo. E a própria Jennifer começa a ficar mais sarcástica, mais desumana. Parece que aqueles rapazes fizeram algo de muito terrível com ela na noite do incêndio, algo que mudou para sempre a sua personalidade.

E a única pessoa que sabe o que está ocorrendo é Needy. Ela sabe que precisa fazer algo para evitar novas mortes, só que para isso ela vai ter que ser muito corajosa, algo que ela não vem sendo em toda a sua vida…

O resto, só lendo muito.

Eu até poderia contar um pouco mais, pois tenho a certeza que a maioria já conhece o filme, mas prefiro deixar um suspense para aqueles que ainda não conhecem a história. O que posso dizer é que me surpreendi positivamente com este livro, já que ele não é apenas uma transcrição do brilhante roteiro da Diablo Cody. Na realidade, ele enriquece a história com mais detalhes sutis, facilitando o entendimento geral.

Merece 5 estrelas.
✮✮✮✮✮

Espero que realmente tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

O outro lado do crime – Casos Sobrenaturais (vários autores)


Dossiê organizado por:
Bruno Anselmi Matangrano
Debora Gimenes

O Outro Lado do CrimePensem em um livro que una mistério e fantasia em cada um de seus contos, e inclua também nessa atmosfera  um toque sucinto de sobrenatural. Este livro é O outro Lado do crime, com toda a certeza.

Além dos organizadores – e também autores – Bruno Anselmi Matangrano e de Debora Gimenes,  Fernanda Borges, James Andrade, Luis Eduardo Matta, Marcelo Augusto Galvão, Natália Couto Azevedo, O. A. Secatto e Vera Carvalho Assumpção foram escolhidos com muito apuro para levar o leitor a uma viagem pelo caminho da investigação policial e também do fantástico. Não poderia deixar de mencionar as belas fotografias e montagens feitas por Lucas Anselmi Matangrano, que ajudaram demais a dar um clima mais tenebroso ao livro.

Gostei demais de todos os contos, mesmo não sendo um profundo conhecedor da literatura fantástica brasileira. A cada página virada, parecia que eu estava dando de cara com algo belamente escrito por Agatha Christie, Edgard Wallace, Conan Doyle, numa simbiose com autores como H.P. Lovecraft, Poe, Ray Bradbury, entre outros. Porém, a essência do fantástico brasileiro sempre mostrou-se presente.

Foi muito difícil escolher apenas dois contos para um comentário mais completo, já que todos são muito bons. Resolvi então escolher os dois que mexeram mais comigo.

São eles:

O que aconteceu em Bottown- de Marcelo Augusto Galvão
Em Marte, o detetive Simon Hermes é contratado para investigar o desaparecimento da bela Lena, esposa de Bernhard Pasharef, um rico empresário do planeta vermelho. Com as investigações em andamento, Hermes começa a desvendar a teia de mistério que acompanha a morte da esposa do seu cliente, ele só não fazia ideia que isso o levaria a um culto de vodu marciano e ao lote 23 dos biobots – robôs que se assemelhavam aos humanos, mas que há tempos foram deixados de fabricar por apresentarem defeitos de comando…

Tânatos – Natália Couto Azevedo
A jovem Helena trabalhava na Verificação de Óbitos do Hospital das Clínicas. Ela passa então a ter flashes de Lavínia, sua falecida mãe, em todos os cadáveres que começara a dissecar e resolve procurar respostas nos arquivos do Dr. Carlos, seu próprio pai. E o que  ela encontra ali é algo de gelar o sangue de qualquer um…

O resto, só lendo muito!

Acredito que todos vocês gostarão de ler este livro, mesmo os que não sejam entusiastas da literatura fantástica. Nota 9.

Espero que tenham gostado da primeira resenha de 2017.

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André

 

HISTÓRIAS ASSUSTADORAS PARA CONTAR NO ESCURO – Recontadas por Alvin Schwartz


Resultado de imagem para ilustrações livro historias assustadoras para contar no escuroEsse livro inusitado conta-nos histórias de terror do folclore americano e as lendas urbanas mais assustadoras e horripilantes que sempre fizeram qualquer um de nós morrer de medo. A tradição de contar histórias assustadoras de terror iniciou-se há muito tempo, com pessoas reunidas ao redor de fogueiras, tentando assustar umas as outras com seus “causos”.

Além disso, este livro conta com as belíssimas ilustrações de Brett Helquist; também traz em seus tópicos uma espécie de guia que ensina qualquer um a contar adequadamente uma boa história de terror para amedrontar o maior número de pessoas.

Destaquei duas histórias para vocês, como já é de meu costume. Elas destacaram-se por serem as mais assustadoras e as mais criativas também.

1. A garota que ficou de pé sobre uma sepultura
Uma aposta para ver quem tinha coragem de ficar em pé sobre uma sepultura leva uma garota a enfrentar seu maior medo para provar ser corajosa. Mas será que ela conseguiu?

2. Os Convidados
Um jovem casal em viagem procura abrigo numa pequena casa em um bosque próximo à estrada e é recepcionado por um casal de idosos. Os bons velhinhos trataram o jovem casal com muito carinho, convidando-os para pernoitar em sua casa. Todavia, ao partirem pela manhã, ficam sabendo de algo capaz de gelar o sangue de qualquer um de nós…

O resto, só lendo muito!

Um livro interessante, muito diferente dos livros de terror que estou acostumado a ler. Nota 8.
Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Ah, já estava me esquecendo: Buu para todos!

Alex André

O orfanato da Srta.Peregrine para crianças peculiares-Ransom Riggs


Adaptado para as telinhas há pouco tempo e comentado por diversos booktubers e bloggers, O orfanato da Srta. Pergrine para crianças peculiares mescla aventura, sobrenatural, viagens no tempo e fotos bizarras sem ser fantasia, ficção científica ou terror.

A trama tem como protagonista Jacob, um típico garoto riquinho de 16 anos, ele trabalha obrigado em uma das farmácias da rede de drogarias pertencente à sua família, tem um único amigo e uma vida um tanto quanto pacata cujo diferencial se resume a uma única pessoa: seu avô, Abe.

Sempre muito ligado ao avô, Jacob crescera ouvindo as histórias fantásticas de Abe sobre ter crescido num orfanato repleto de maravilhas, onde as crianças pareciam ter dons inexplicáveis, embora o garoto tenha há muito deixado de acreditar nelas, ao ouvir do pai que aquela era apenas uma forma do mais velho suavizar sua infância marcada pelo sofrimento da Segunda Guerra, isso fez com que ele o idolatrasse ainda mais.

Apesar disso, Abe parece estar ficando senil, alegando ver os monstros descritos nas histórias que contava ao neto com uma frequência assustadora, Jacob decide visitá-lo para se certificar de que o outro esteja bem.

Oque tinha tudo para ser apenas mais um dia comum na vida do nosso protagonista acaba gerando uma reviravolta em toda a história: ao chegar lá, o menino encontra o avô, na floresta que se encontra nos fundos da casa, morrendo.O pior disso tudo? Jacob vê que quem matou seu avô foi exatamente o monstro descrito em suas narrativas.

A polícia justifica a morte como causada por  cães selvagens e um psicólogo afirma que Jacob está apenas passando por um caso agudo de estresse pós-traumático, imaginando coisas que não existem. Confuso, o garoto decide tirar essa história a limpo, viajando para a ilha onde ficava o orfanato em que seu avô morara, com o intuito de se convencer de uma vez por todas de que monstros e crianças com poderes sobre-humanos não existiam, desejando saber mais sobre o verdadeiro passado de Abe. Mas talvez o que ele descubra seja muito mais complexo do que as evidências de uma realidade comum e sem magia alguma.

Confesso que tinha altas expectativas para esse livro, não só pela sinopse que me atraiu, mas também pelos diversos elogios tecidos por quem já havia lido, e não me decepcionei. No começo o livro pode ser um pouco parado e não parecer nada demais, mas logo vemos que merece a fama tanto pelo enredo criativo com personagens secundárias fascinantes (que merecem ser melhor exploradas nos próximos volumes da saga, bem como o personagem principal), quanto pelas metáforas sobre crescimento, preconceito e aceitação. Uma obra que fala sobre a necessidade de se superar o passado, viver o presente e planejar o futuro de forma sutil e discreta, dou meu 8 e digo que não vejo a hora de comprar a continuação e assistir a adaptação.

By Ana Beatriz