PRÊMIO FNAC – NOVOS TALENTOS DA LITERATURA


Resultado de imagem para premio fnac de literaturaEm 2014, ao celebrar 60 anos de sua  existência, dentre os quais, 15 já aqui no nosso país, o programa JOVENS TALENTOS da Fnac, após ter revelado novos nomes na música, quadrinhos e fotografia, pela primeira vez na sua história,  resolveu dar destaque à nossa literatura.

Em parceria com a editora Novo Século, a Fnac produziu este belíssimo livro que traz os contos dos 10 finalistas que, muito em breve, estarão trilhando carreiras de muito sucesso, com toda a certeza.

São eles:

Adriana MonteiroNoite Adentro
Bruno SilvanoO Veneno do Tédio
Fernanda CastroDez de maio
Flávio PosseteDo que o inferno é feito
Gustavo Zicatti RaimundoAo som do Blues
Kell BonassoliA vida secreta de Ana: a fome
Lia Matos ViegaUm dia convencional…
Nataly CallaiA autoridade da vida
Patricia CytrynoviczComo fazer a barda da melhor forma
Raul OtuziO inventor de profissões

Os gêneros escolhidos pelos autores foram os mais diversos possíveis: terror, suspense, drama e até humor; todos escritos com uma técnica apurada e bastante brilhantismo.

Normalmente, costumo dar destaque apenas para os dois contos que mais me encantaram. Desta vez, porém, resolvi fazer algo diferente: escolhi três contos para fazer uma breve resenha.

 O primeiro é Do que o inferno é feito, de Flávio Possete.

Os três “amigos de copo” Luiz, Adamastor e Minoro, foram festejar o aniversário da morte do amigo Henrico, bebendo cachaça no cemitério. Quando já estavam muito “altos”, o Adamastor resolveu propor aos outros um pacto: quem morresse primeiro voltaria para contar aos outros dois do que o inferno era feito.

Dois dias depois, o próprio Adamastor morreu e, durante o enterro, Luiz e Minoro, bêbados como sempre, ficavam se perguntando se alguma coisa aconteceria mais tarde.

Será que o Adamastor voltaria para falar com eles?

E se…

O segundo conto que eu escolhi foi: Um dia convencional, da Lia Matos Viega.

Fernando, um executivo de sucesso e Pedro, um vendedor de rua, que mal falava o português acabam se conhecendo de uma maneira mais do que estranha: ao desviar de uma moto, Pedro acabou sendo atropelado acidentalmente por Fernando.

Fernando leva Pedro para o hospital mais próximo; chegando lá, ambos descobrem que outra pessoa já havia sido morta naquele dia, tentando desviar de uma moto.

Que ligação o atropelamento de Pedro teria com aquele outro?

O terceiro conto é  Como Fazer a Barba, de autoria de Patricia Cytrynovicz

O advogado Dr. Otávio – ele fazia questão de ser chamado assim = tinha o costume de fazer a barba na mesma barbearia, todas as manhãs. Aquele ritual diário de toalha quente e lâmina afiada no rosto era algo indescritível, chegando a ser mesmo orgástico.

Lá do alto do seu escritório, no Fórum de São Paulo, ele ficava olhando lá para baixo, admirando as prostitutas que faziam ponto ali na Sé; ele até sabia quem eram seus clientes e quanto tempo durava em média seus programas.

Certo dia, ele resolveu sair com uma delas. A escolhida foi uma loira falsa que tinha um pouco mais de “sustância” que as outras. Ao chegar ao abatedouro da prostituta, ele resolve fazer um programa mais do que bizarro…

O resto, só lendo muito.

Os três contos escolhidos são dignos de receberem 5 estrelas.

Tomara que outras iniciativas como esta da Fnac venham a surgir, e que novos talentos da nossa literatura brotem aos montes, pois nossa literatura sempre foi uma das mais ricas e lidas do mundo, contudo, nós mesmos não valorizamos nossos escritores.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

 

 

 

 

 

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L’ Accademia: Cotidiano do Cloro – Dog


LNo 2º volume da trilogia do esporte amador, que teve início com SEM CHUTEIRAS E SEM UNHAS JOGUEI NO PIOR TIME DO MUNDO, meu querido amigo Dog (Arlindo Gonçalves) não poderia deixar de falar também do futebol que ele e seus amigos tanto amavam e que praticavam no campinho de terra perto de casa. Contudo, depois de muitos jogos e machucados, todos perceberam que jogar futebol não era definitivamente a praia deles.

 O pai do Dog construiu uma piscina na casa dele, mas aquilo estava mais para um tanque, já que não fora escavada no chão e sim erguida com blocos e cimento. A própria mãe do Dog era quem fazia o tratamento da água, para que ele e seus amigos se divertissem a valer, apesar das paralisações frequentes para vedar as rachaduras que sempre surgiam na piscina. O único que não frequentava de jeito algum a piscina era o Quatro Olhos, que tinha apartamento na praia e achava que a piscina do Dog era uma “coisa de pobre”. A diversão durou até o momento em que o Dog e seus amigos já não mais usavam a piscina com frequência, pois todos haviam começado a trabalhar. Exposta ao sol e cheia de rachaduras ela acabou sendo demolida.

Após a morte de seu pai, vitimado por Alzheimer, Dog resolveu retomar o seu amor ao cloro. Ele e seu amigo de faculdade Possmoser começaram a frequentar L’Accademia,  academia de ginástica que ficava na Zona Leste e já estava em início de decadência quando eles se matricularam. Os aparelhos já eram bem gastos e a maioria dos chuveiros encontravam-se queimados, acreditem!!!

Na Accademia, eles tiveram aula com a Hidra, que era a professora de natação. A mesma era muito bonita e também sádica. Exigia sempre o máximo dos alunos e era muito desbocada. Também participaram de arranjadas competições de natação e acompanharam, durante todo o tempo que ali frequentaram, o declínio daquele lugar…

O resto, só lendo muito!

A atividade física está ligada à saúde, ao bem estar, mas não precisa ser apenas algo mecânico ou espartano. Pode ser algo bem prazeroso  e até muito divertido!!!  É isso que o querido Arlindo Gonçalves demonstra, de forma genial, em cada página do livro. Nota 1000.

Aproveito para agradecer o Arlindo também por enviar-me  um exemplar autografado, pois naquele momento eu vivia um momento de depressão e através da leitura do livro eu comecei a dar os primeiros passos para enterrar de vez esse período e retomar a minha vida!

Um beijo no coração de todos!!!

Alex André

SEM CHUTEIRAS E SEM UNHAS JOGUEI NO PIOR TIME DO MUNDO – Dog (Arlindo Gonçalves)


A história se inicia com a viagem de metrô e trem de nosso narrador ao local onde havia morado no passado, com o intuito de vender a casa que pertencera a seu falecido pai e que estava alugada em benefício de sua mãe.

Durante o trajeto, ele aproveita e revisa “O Enfrentamento”, conto que escrevera sobre Roberto, um garoto que odiava jogar bola, mas que era obrigado por seu pai, de certa forma, a jogar futebol. Roberto acabou por tornar-se um verdadeiro estorvo para seus amigos de pelota.

Nosso narrador levanta a questão se ele  mesmo não teria sido também um estorvo para seus amigos, já que não era nenhum craque, mas um perna de pau. Aí, ele lembra que tirando seu amigo Astro, que era mesmo habilidoso; o Tropeço, o Chute Cruzado e o Quatro Olhos, eram tão ruins quanto ele.

Mas é num papo de bar que se desenvolve a melhor parte da história, pois ali ele acaba por narrar as suas lembranças de garoto para o Valdir, dono do bar, durante a partida do seu time do coração.

Conta dos jogos que começaram no fundo do seu quintal, destruindo as flores da sua mãe, conta dos jogos épicos contra os “Manos de Cima” e seus jogos contra os “Truta da Cohab”.

O livro aborda outras questões de forma bem humorada e muito profunda também, como a total incapacidade que nosso narrador tinha em tomar conta do açougue do pai (na época em que era garoto); a sua paixão enorme por HQs de super heróis e a dificuldade em juntar dinheiro escondido para comprá-las (visto que  elas eram consideradas prejudiciais para o desenvolvimento das crianças na época); sua escolha pessoal por não guiar veículos, e o que isso implicou em sua vida;  sua paixão pelo seu time do coração (que eu não vou revelar, porque quero que leiam)  e as situações engraçadas e inusitadas que ele acompanhou muitas vezes por causa disso.

Fazer a resenha de um livro é muito fácil, mas fazer a resenha de um grande livro é extremamente difícil, como é o caso dessa obra, já que não se trata de um livro de futebol mas de uma infância que foi perdida para os videogames, tablets, celulares, término da várzea e elitização dos esportes, em geral.
Espero que eu tenha cumprido o meu papel, porque o Arlindo Gonçalves (Dog) cumpriu magistralmente o dele, escrevendo este brilhante livro. Nota 10.

Espero que tenham gostado.

Quem quiser conhecer um pouco mais deste livro assista o vídeo abaixo. E leia o  livro também, é claro.

Um beijo no coração de todos.

Alex André

 

UMA AVENTURA PARISIENSE E OUTROS CONTOS DE AMOR – Guy de Maupassant


 

 Muitos podem acreditar que trata-se apenas de mais um resenha comum de contos amorosos, com histórias de amores puros, ardentes e que sempre terminam em casamentos com muitos filhos e finais felizes.

Só que esta magnífica coletânea trata de formas bem distintas de amor: mulheres desesperadas, que são capazes de tudo para encontrar sua alma gêmea; homens golpistas, sem caráter, que casam apenas por causa do dinheiro das mulheres; uma família que decide, a todo custo, casar sua filha com sérios problemas mentais; a paixão de um velho pescador pelo rio que conhece desde os tempos de criança.

“Uma aventura parisiense” é um conto bem interessante, sobre uma mulher casada, que achava sua vida monótona, comum e que sentia vontade de experimentar os prazeres da vida noturna, de se tornar uma mulher devassa. Ela resolve então por em prática o que vem sonhando a tanto tempo:  Engana o marido e segue até Paris; lá, conhece então um escritor famoso e oferece seu corpo a ele por uma única noite, como uma verdadeira prostituta…

“A Empalhadora” é uma história muito triste, a respeito de uma velha senhora, que ao morrer, deixa toda a sua fortuna para o homem que ela conheceu e amou desde pequena, mas que jamais tomou conhecimento de seus nobres sentimentos…

“A cabeleira” é um conto fantástico, sobre um homem apaixonado por móveis antigos. Ao comprar um relógio antigo, ele acaba por encontrar uma vasta cabeleira loura, escondida atrás do relógio. Ele passa a nutrir uma paixão louca, surreal por aquela cabeleira, sonhando em possuir a dona daqueles  cabelos… 

Um livro magnífico, de um autor fantástico, que escreveu a verdade sobre as mulheres que ele conheceu na sociedade parisiense de seu tempo; mulheres essas que ele considerava fúteis, frívolas e que arruinavam os homens que se apaixonavam por elas.

Guy de Maupassant concluiu sua vasta obra em apenas dez anos. Morreu em um manicômio aos 42 anos, após tentativa de suicídio provocada pelo seu transtorno bipolar e por sua Sífilis avançada. É considerado um dos maiores escritores franceses de todos os tempos. 

Espero que tenham gostado.

Um grande beijo no coração de todos!

Alex André

A RUA DAS ILUSÕES PERDIDAS – John Steinbeck


“Cannery Row, em Monterrey, Califórnia, é um poema, um mau cheiro, um rangido, uma qualidade de luz, uma tonalidade, um hábito, uma nostalgia, um sonho.”

Nossa história começa com essa frase. Mas não é uma história qualquer, é a história sobre a vida de todos os moradores e frequentadores de Cannery Row, que não têm qualquer esperança de um futuro melhor.

É sobre a vida de Mack e seus amigos do Palace, que mesmo sendo muito  inteligentes e com grandes habilidades, preferem levar uma vida de vadiagem e pequenos golpes, mas mantendo sempre a amizade em primeiro lugar. Mesmo sendo um bando de desocupados, mostram todo o seu instinto paternal ao adotarem e deixarem a cadelinha Darling destruir o pouco que tinham, que seriam seus sapatos e botas…

Também é sobre a vida de Dora, dona de um prostíbulo que nomeara como “Restaurante Bandeira do Urso”. Ela e suas “meninas” fazem a alegria dos homens, mas também são perseguidas pelas esposas da região e muito exploradas pela prefeitura. Devem pagar o dobro de impostos e  fazer mais doações do que todos na cidade. Dora tem a educação e modos de uma dama e também trata as suas “meninas” com humanidade…

Mas, acima de tudo, é a história da vida de Doc, um cientista que trabalha e vive no laboratório de biologia de Connery Row. Doc trabalha coletando rãs e outros animais para outros institutos de pesquisas. Porém, Doc não é igual àquelas pessoas. Doc é respeitado por aquelas pessoas, pois sabe lidar e tratar com cada uma delas. 

O bando de Mack organiza uma festa de aniversário para o amigo Doc, para agradecê-lo e deixá-lo feliz. Ele convida a todos da rua para participarem da festa e cada uma daquelas pessoas sem perspectiva de um futuro melhor, se agarra na festa para homenagear a única pessoa que merece ser “diferente” de todos. Todavia, tudo desanda quando a festa não corre como o planejado e um grupo de bêbados invade a festa, pondo tudo a perder.

O resto, só lendo muto…

Neste livro, o autor não fala só da história de uma rua decadente, mas fala de filosofia da nossa própria vida e de tudo o que mais detestamos no ser humano, como é o caso de mesquinhez, egoísmo e ganância. Com certo toque de humor, ele consegue atenuar o choque da realidade de Cannery Row. 

Uma verdadeira obra-prima da literatura moderna. Steinbeck, ao contrário de Ernest Hemingway e William Faulkner, utiliza o que ficou conhecido como “o culto do simples”, já que em seus livros não existe nunca alguém para manipular nossas simpatias ou apontar-nos uma moral. Este é o seu maior sucesso literário, seguido de As Vinhas da Ira. O autor ganhou o prêmio Nobel em 1962. Um livro nota 10.

Alex André

A FESTA NO CASTELO – Moacyr Scliar


Duas histórias são contadas paralelamente durante o livro todo: uma sobre a festa da nobreza italiana da Idade Média, em que os convidados do conde de V… encontram fartura em um jantar; e outra narrando a amizade entre um rapaz gaúcho e um sapateiro italiano. Elas parecem não ter nada em comum, mas no final é revelada a ligação entre elas.

A história do jantar da Nobreza desenrola-se aos poucos, com cuidado, narrando quem são os convidados do conde; como é o castelo onde ocorre a festa; quais são as atrações preparadas para o jantar.

A história principal se passa em Porto Alegre, nos anos de 1963 e 1964. Fernando, rapazote bonito e inteligente, nutre grande admiração por seu amigo Nicola, um velho sapateiro italiano; que além de gostar muito de ler, tem livros sobre a doutrina socialista por todos os cantos de sua casa.

O rapaz fica muito encantado com as histórias que o sapateiro conta a respeito da luta pelos direitos iguais de Marx, Robespierre, Bakinin. Começa a emprestar tantos livros do velho amigo e passa a tomar gosto pelo socialismo, tanto que acaba entrando para o grêmio da escola e até passa a escrever para o Jornal Estudantil matérias sobre o assunto.

Já seu pai, um gerente de loja descontente com sua própria sorte, engaja-se em uma luta sindical, cujo o único objetivo era receber alguma vantagem e vir a ser encaixado em algum cargo no sindicato. Ao descobrir o verdadeiro motivo da amizade entre Fernando e o Nicola, chega a surtar e expulsar o velho sapateiro de sua casa. 

Uma ideia então surge na cabeça de Nicola: criar a primeira fábrica de sapatos socialista do Brasil, que se chamaria “Fábrica do Povo”. Os empregados é que mandariam na fábrica, escolheriam seus turnos,etc. Ele pede o apoio de  Fernando para começar este projeto que seria o começo do fim da burguesia no Brasil.  Nicola compra então uma fábrica quase falida em Novo Hamburgo, e Fernando passa a negligenciar seus estudos e o grêmio estudantil para auxiliá-lo com tão impactante projeto.

Contudo, com o passar do tempo, ele começa a perceber que todas as coisas que seu velho amigo havia prometido pôr em prática não estão acontecendo. Nicola não cria nenhuma Fábrica do Povo; longe disso, o velho sapateiro começa a comportar-se como um capitalista como seu pai, algo que ele tanto combatia. Contrata um estilista para criar uma nova linha de calçados; coloca anúncio de lançamento no jornal e até contrata uma secretária, por quem se apaixona.

Mas, o que ocorre depois, só lendo muito…

 

As duas histórias foram muito bem construídas, com um leve toque de humor e muita genialidade por parte do autor. Um livro belíssimo, muito profundo. Recordou-me  “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Nota 10.

Alex André

O ASSASSINATO DO ANÃO… – Plínio Marcos


Este livro utiliza uma linguagem mais forte e chula, e até seu título completo é proibitivo para este blog.

A história toda se passa em tom de humor e suspense. Uma denúncia de maus-tratos envolvendo o leão do circo, se torna em uma grande investigação policial de assassinato ao anão Janjão do circo.

A mulher do prefeito, Dona Ciloca,  recebe uma denúncia de que cães e gatos estavam sendo dados de comer ao leão do circo. Ao contatar o delegado, o mesmo resolve ele mesmo tomar conta desta denúncia e vai ao circo com seu aparato policial. Lá o que verificam é um estado de pobreza do circo cigano Grand Circus Atlas. Platão, o leão estava sujo e sua jaula cheirava mal.

Mas o que chama a atenção de todos é um monte de roupas encontradas na jaula de Platão, que depois foram identificadas como sendo do Anão Janjão, sujeito arrogante e de certa forma desprezível, que todos gostariam de dar fim.

O que acontece a partir de então é um verdadeiro julgamento contra o povo cigano, que são tidos como ladrões de casas, de crianças, capazes de roubar bebês de colo, para torcer suas juntas e exibirem estas crianças mais tarde como contorcionistas. O povo, já com o veredicto de culpado, tenta atear fogo e apedrejar os funcionários do circo, porém são detidos pelos policiais, mais interessados em saber quem matou o anão, custe o que custar (chegam a usar de força bruta, para descobrirem o culpado).

O resto, só lendo muito…

Este livro nada mais é do que uma crítica social contra o modelo de investigação da época e a sociedade hipócrita, que tende sempre a procurar culpados nas camadas inferiores. E a genialidade de Plínio Marcos é tanta, que ele utilizou duas técnicas ao escrevê-lo: a literária e a teatral. Um livro nota 10.

Plínio Marcos, para quem não conhece, foi o maior, o mais premiado e mais proibido autor de teatro brasileiro. Não chegou a concluir nenhuma das várias escolas que cursou. Foi estivador, camelô, jogador de futebol, ator, escritor e jornalista. Suas peças de teatro foram um marco para a nova linguagem do teatro brasileiro. Nos anos 80, 90 vendia seus livros livremente perto do Edifício Copan, em São Paulo, onde meus pais várias vezes o viram, de chinelo de dedo, como uma pessoa do povo.

ELOGIO DA MADRASTA – Mario Vargas Llosa


Lucrecia e Don Rigoberto casam-se e vivem uma vida de sonhos. Entendem-se muito bem fora e principalmente na cama, com as fantasias vividas pelos dois, mas alimentadas por Don Rigoberto.

O único entrave para toda esta felicidade é Alfonsito (Foncho), filho de Don Rigoberto, ainda muito devotado à sua finada mãe, Eloísa. Mas a beleza e o encanto da nova madrasta acabam por enfeitiçar o garoto.

A partir daí, o amor inocente do menino irá contrastar com uma paixão além da pureza. Lucrecia, ao perceber que a chama que arde no menino pode não ser apenas uma simples admiração, afasta-se para tentar cortar o mal pela raiz. Porém, é obrigado a recuar, mediante a chantagem do menino, ameaçando matar-se caso a madrasta não volte a ser atenciosa como era antes.

A madrasta acaba sentindo pena da bela e doce a criança e acaba enveredando por um caminho perigoso de volúpia, misturado à mais pura ingenuidade e simulação.

O resto, só lendo muito.

Este meu primeiro contato com Mario Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2010, me deixou simplesmente com vontade de ler a obra completa deste autor. O toque de humor e erotismo do livro é simplesmente fantástico. Todos os que apreciam uma literatura do mais alto nível, deveriam ler esta obra ímpar. Nota 10.