O incrível livro de Hipnotismo de Molly Moon – Georgia Byng


Resultado de imagem para O incrível livro de Hipnotismo de Molly Moon - Georgia Byng capa

Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Selecionei O incrível livro de Hipnotismo de Molly Moon, de autoria de Georgia Byng, para dar início às nossas resenhas desta semana.

Molly Moon era uma típica garota comum e sem graça, que vivia no Lar Vidadura, um horrível orfanato situado em Briesville, interior da Inglaterra.  Assim como muitas outras crianças,  ela havia sido abandonada ali ainda bebê.

Como o próprio nome já dizia, a vida ali era mais do que difícil, pois a Srta. Viborípedes dirigia o lugar com mãos de ferro, aplicando castigos cruéis em quem não andasse na linha, e Molly era sua vítima predileta!

As punições que lhe eram impostas iam desde lavar o banheiro a semana inteira com sua escova de dentes, até ficar sem banho por até três semanas – as crianças tinham o direito de um único banho por semana, acreditem.

Para piorar ainda mais a situação da pobre menina, um grupo de crianças que era liderado pela antipática e maldosa Hazel Marreta, vivia maltratando e caçoando sempre dela, atribuindo-lhe apelidos terríveis como “Periga” (por ela ser desajustada e sujeita a acidentes), “Zunza” (porque sua voz causava sono nas pessoas) e “Olho-de-Vampiro” (devido aos seus olhos serem verdes e muito juntos).

Edna, a cozinheira do orfanato, era outra criatura de trato difícil, pois não tinha qualquer pena daquelas crianças e servia-lhes as piores “gororobas” que se possa imaginar…

Molly só encontrava verdadeiro refúgio na bondosa Sra. Brinklebury, que vinha duas vezes por semana para limpar o orfanato, e em Rocky Escarlate, seu único e verdadeiro amigo ali,  que muitas vezes dividia sua própria escova de dentes com ela.

Mesmo levando esta vida tão tortuosa, ela era uma garota muito sonhadora, e adorava assistir aos comerciais na TV, pois lá as pessoas sempre pareciam bonitas e muito felizes.

Certo dia, após uma discussão com Rocky, ela resolveu refugiar-se na biblioteca da floresta, seu lugar predileto. Lá, ela acabou por encontrar um livro proibido e muito antigo sobre hipnose e resolveu levá-lo escondido para ler no orfanato.

No início, ela praticou hipnotismo nela mesma, colocando-se e saindo de transe; depois, ela praticou em Petula, a Pug chata e mau-humorada da Srta. Viborípedes, conseguindo transformá-la em uma mascote dócil e muito querida.

Edna foi a próxima vítima de Molly. Sob influência da hipnose, ela passou a servir só pratos deliciosos, oriundos da culinária italiana, para o deleite de todas as crianças do orfanato.

Porém, enquanto Molly dedicava seu tempo à leitura do livro de hipnotismo, seu amigo Rocky  acabou sendo adotado por uma família americana e nem teve tempo de despedir-se dela, deixando uma grande tristeza no coração da aprendiz de hipnotizadora.

Ela resolveu então hipnotizar a terrível diretora para saber do paradeiro de Rocky. Todavia, a única coisa que ela descobriu foi que seu amigo havia seguido para as imediações de Nova York, para viver com a família Alabaster.

Ela fez uso de todo o ensinamento que aprendeu com o livro antigo para deixar uma plateia inteira em transe e sagrar-se campeã do concurso de jovens talentos de Briesville, recebendo 3.000 libras como prêmio.

Após comprar um pêndulo antigo e muito caro, em uma loja de antiguidades, ela acaba por atrair a atenção de um certo Prof. Nockman, que passa a segui-la, com o intuito de tomar-lhe o livro antigo de hipnotismo.

Com a missão de encontrar seu amigo Rocky, Molly parte então para Nova York, levando Petula consigo. Lá chegando, ela logo faz uso dos seus poderes de hipnotismo para viver em um mundo glamouroso e deslumbrante, cercado de cobiça e de muito orgulho, sem ter ideia dos graves perigos que a esperavam na “Grande Maçã”!

O resto, só lendo muito.

Uma história verdadeiramente “hipnótica”, cativante e recheada de reviravoltas do início ao fim, com uma linda lição de moral reservada para o final.

Livro indicado para todas as idades.

Merece 5 estrelas.

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Outros jeitos de usar a boca – Rupi Kaur


Com um título um tanto quanto original, para dizer o mínimo, Outros jeitos de usar a boca é a tradução pouco convencional de Milk and Honey e pode surpreender o leitor quando este notar que se trata não de um romance erótico, mas sim de uma coletânea de poesias.

Uma fã assídua da prosa, confesso, envergonhadamente, que não possuo muitos livros de poesia na minha estante, embora aprecie ler um bom poema de vez em quando. O que me atraiu para esse livro, portanto, foi o fato de já ter visto (e adorado) alguns de seus poemas postados na internet por leitores anteriores a mim, e garanto que não me arrependi da compra.

Como previsto pelo título, a obra contém, de fato, um certo erotismo em alguns de seus poemas. Mas não pense que esse é o foco da autora: Com uma forte veia feminista, o livro fala também sobre relacionamentos abusivos; machismo; amor; traição; alcoolismo, racismo;, padrões de beleza e muito mais. Tudo isso na forma de versos simples e curtos, porém incrivelmente tocantes e envolventes.

Com temas interessantes e uma linguagem e método de abordagem leves e simples, eu terminei o livro em meio hora, sem conseguir desgrudar dele. A obra também aumentou o meu já existente interesse pela poesia (tanto para ler quanto para escrever) ao retirar certos estigmas que o gênero possui, como o de ser complexo, comprido ou denso, mostrando-me que poesia é tudo aquilo que se sente e tem sonoridade, podendo ser também fácil, curto e leve. Perfeito para feministas, amantes da poesia e, mais ainda, para quem é os dois, a única obra de poesia agora presente na minha lista de livros favoritos recebe meu 10.

By Ana Beatriz

 

 

Esqueça um livro e espalhe conhecimento!!!


Resultado de imagem para esqueça um livro e espalhe conhecimento

Precisamos de vários voluntários por todo o Brasil para fazerem parte do projeto: Esqueça um livro e espalhe conhecimento.  As pessoas que quiserem participar deverão “esquecer” livros amanhã, dia 25 de julho de 2017.

Quem de vocês topa participar?

Podem “esquecer” seus  livros na padaria, no restaurante, nos bancos dos parques, nos pontos de ônibus, dentro do Metrô, ou seja, onde acharem melhor.

Não deixem de escrever um bilhetinho para a pessoa que encontrar o livro, explicando o projeto.

Modelo de bilhete:

Ei, você que achou este livro!
Agora ele é seu!
Esta iniciativa faz parte de um projeto de incentivo à leitura e compartilhamento de conhecimento.
Eu escolhi este livro porque…(justifiquem o motivo).

Em 25 de janeiro de 2016, houve a primeira edição do projeto, a qual foi um verdadeiro sucesso.

Portanto, se puderem, participem da 2ª edição que acontecerá amanhã, dia 25 de julho de 2017.

Agradeço do fundo do meu coração!

Grande abraço.

Alex André

O Falcão Maltês – Dashiell Hammett


Resultado de imagem para capa livro falcão maltesBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Como verdadeiro presente de amizade, trago-vos hoje a resenha de O Falcão Maltês, de autoria de Dashiell Hammett que, ao lado do grande Raymond Chandler, reinventou o gênero policial, criando o subgênero noir, onde os detetives são mais humanos, muitas vezes envolvidos com mulheres, jogatinas e bebida.

A história começa com a bela senhorita Wonderly visitando São Francisco, mais precisamente o escritório dos detetives particulares Samuel Spade e Miles Archer em busca de ajuda. Segundo ela, Corina, sua irmã mais nova havia fugido com Floyd Thursby que, além de bon vivant, era alguém muito perigoso, que cortara qualquer contato entre as duas irmãs. Por duzentos dólares adiantados eles acabaram aceitando a investigação.

É então que dois crimes muito estranhos acontecem na mesma  noite: Miles Archer acaba sendo assassinado enquanto estava a procura de Floyd Thursby, e pouco tempo depois, o próprio Thursby é alvejado em frente ao seu hotel por um desconhecido.

A polícia volta-se para Spade, pensando que o próprio detetive cometera os dois crimes, já que Spade era um Don Juan incorrigível e mantinha um caso tórrido com Iva, a esposa de seu sócio.

Como se isso já não fosse bastasse, a própria senhorita Wonderly acaba desaparecendo, sem deixar vestígios…

Spade acaba por encontrar Brigit O’Shaugnessy, a falsa senhorita Wonderly,  e Joel Cairo, um sujeito muito estranho, que estava atrás do  “falcão maltês”, uma relíquia de ouro e pedras preciosas de valor inestimável, que os antigos Cavaleiros de Rodes haviam criado para o imperador Carlos V, e que havia caído nas mãos de piratas que, mais tarde o pintaram de preto, para disfarçar seu verdadeiro valor.

Spade percebe que se meteu em uma verdadeira enrascada, pois a polícia estava em seu encalço, a bela Brigit havia mentido sobre quase tudo para ele, levando seu sócio à morte, e o estranho Joel Cairo ofereceu-lhe cinco mil dólares para que ele entregasse uma estatueta que ele nem fazia ideia de como era ou onde estava.

Nosso detetive astuto e mulherengo, não estava interessado em outra coisa que não fosse salvar a própria pele e ganhar algum dinheiro no final de tudo, é claro. Nem que para isso ele tivesse que passar por cima de todos os que cruzassem seu caminho, incluindo as mulheres que se achavam apaixonadas por ele…

Para não estragar as surpresas reservadas pelo autor, vou parando por aqui.

O resto, só lendo muito!

Confesso a vocês que pensei em abandonar a leitura desta verdadeira obra-prima, pois até a metade do livro, o ritmo da história pode ser considerado um tanto quanto lento. Do meio em diante a trama dá uma guinada de 360º e tudo começa a pegar fogo, levando o leitor a não querer desgrudar por nada deste mundo das páginas seguintes, até chegar ao seu final, totalmente inesperado e para lá de inusitado também.

Existe um filme de 1941, que recebeu o título de Relíquia Macabra, aqui no Brasil, com Humphrey Boggart no papel de Samuel Spader. O filme segue à risca a história original de Dashiell Hammett.

Digno de 5 estrelas.

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

O sol também é uma estrela – Nicola Yoon


 O sol também é uma estrela, romance de juvenil de Nicola Yoon, também autora de Tudo e todas as coisas, livro de sucesso recentemente adaptado para as telonas do cinema, narra o romance entre Natasha, uma garota cética, racional e que pretende ser cientista, mas está prestes a ser deportada por se tratar de uma imigrante ilegal vinda da Jamaica (bem como toda a sua família), e Daniel, um rapaz que, apesar de ter nascido e vivido toda a sua vida nos Estados Unidos, é proveniente de uma clássica família coreana que, fugindo da pobreza, veio para a Terra das Oportunidades e planeja para os filhos um futuro brilhante como médico, mesmo que o caçula na verdade deseje se tornar poeta.

A princípio, a obra pode não parecer muito o tipo de livro que me atrai, visto que o romance puro e simples (sem a mistura de sobrenatural, drama, erotismo ou qualquer coisa que o valha) não está entre os meus gêneros preferidos. No entanto,  fiquei curiosa, em primeiro lugar pelo garoto que sonhava em ser poeta (identificação é tudo kk) e, depois, pela grande abordagem de temas como imigração e racismo, que eu considero muito interessantes e importantes e não aparecem tanto quanto deveriam no universo literário, infelizmente, do meu ponto de vista.

O pai de Natasha sonha em ser ator e veio para a Jamaica afim de entrar na Broadway. Mas a realização desse desejo não é tão fácil quanto ele esperava, principalmente por seu sotaque jamaicano, que dificulta a aquisição de papeis , e ele começa a trabalhar como segurança para sustentar a família. O trabalho noturno de segurança o deixa cansado demais para fazer os testes durante o dia e a coisa toda se torna uma bola de neve.

Enquanto isso, eles moram num apartamento pequeno, de apenas um quarto. Natasha dorme na sala com o irmão mais novo, um garotinho sem amigos que adora reggae. E a mãe trabalha sem descanso, a principal provedora da casa, ela reclama, cansada, desejando uma casa maior que seja deles e não alugada.

Vivendo como norte-americana desde os 8 anos, todos os amigos, sonhos e lugares preferidos de Natasha se encontram nos Estado Unidos e ela não lembra de quase nada da Jamaica, um país cercado por pobreza e dor. E é por causa disso que, tendo 24 horas para deixar a nação, ela sai de casa em busca de uma solução, qualquer coisa que a permita ficar no país.

Nesse mesmo instante, Daniel também está saindo de casa, pressionado pelos pais, para cortar o cabelo e ir para uma entrevista de admissão de Yale ( mesmo que ele não esteja com muita vontade de entrar em Yale, realmente), que, segundo os pais, é a “segunda melhor universidade”, perdendo apenas para Harvard, de onde o irmão mais velho (considerado por todos melhor do que ele, mas incrivelmente babaca) acabou de ser expulso.

O trem que leva Daniel para repentinamente. Ele imagina que seja algum problema nas instalações, mas a verdade é que o maquinista, que acabou de passar por uma forte experiência religiosa, manda uma mensagem para os passageiros se encontrarem com Deus. De início, o garoto apenas ignora, achando a situação estranha e incômoda, mas, ao sair do trem e andar pelo centro da cidade, se depara com uma garota vestindo uma jaqueta em que se lê “Deus Ex Machina” e resolve seguir os sinais, ou melhor, a menina….

Enquanto lia, me diverti principalmente pela grande empatia que senti pelo garoto, embora a Natasha seja igualmente adorável, me identifiquei mais com ele por motivos óbvios. Além disso, o livro impressiona por mostrar todos os lados da história, inclusive de personagens sem qualquer importância no enredo central, o que achei uma ideia um tanto quanto interessante e muito doce. A leitura é rápida, com capítulos curtos e letras grandes, sem contar o fato da linguagem, e até mesmo a história em si, serem leves e simples. Trazendo mensagens sobre sonhos, amor e negação do preconceito, além de um final surpreendente, O sol também é uma estrela ganha meu 8.

By Ana Beatriz

1ª Feira de Troca de Livros e Discos – Casa das Rosas


Boa tarde, querida Família Lendo Muito.

Foto: Dirceu Rodrigues

No último domingo, dia 16 de julho de 2017, eu e Ana Paula estivemos presentes na  1ª Feira de Troca de Livros e Discos que ocorreu na Casa das Rosas, localizada no número 37 da avenida Paulista, centro de São Paulo.

O evento teve seu início às 14:00 horas e contou com a presença de cerca de dez expositores e com muitos visitantes, que trouxeram seus livros e seus “bolachões” antigos para trocar.  E foi um verdadeiro sucesso, devendo se repetir ao final de cada mês, segundo a direção da casa, podendo ainda sofrer alterações.

Nossa Banquinha

Levamos vinte livros que tínhamos repetidos em nossa biblioteca e acabamos voltando com quinze livros inéditos, de gêneros e autores bem variados e, além disso, travamos amizades com pessoas fantásticas, com gostos literários bem variados.

A imagem pode conter: 3 pessoas

Nossas aquisições

Na próxima edição, esperamos que muitos de vocês possam prestigiar este evento tão importante para os amantes da literatura e da música.

Segue abaixo o contato da Casa das Rosas para quem tiver interesse:

CASA DAS ROSAS ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA

 (11) 3285.6986 | 3288.9447 • contato@casadasrosas.org.br

https://www.facebook.com/casadasrosas/
@casadasrosas

Um grande beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André (Xandy Xandy) & Ana Paula

“Literatura brasileira no debate público” – Álvaro Carneiro


Querida Família Lendo Muito, este texto é de mais um colaborador nosso, meu querido Álvaro Carneiro (Igor Moraes da Silva, do Blog Golem).

A literatura brasileira como estamos acostumados a estudar acabou em 1980. Mais basicamente, no dia 21 de dezembro de 1980. Para os estudiosos, sim: é a data de falecimento do escritor pernambucano radicado no Rio de Janeiro, Nelson Rodrigues.

A literatura brasileira perdia não só um dos seus maiores gênios, mas também o seu último elo com a realidade pública e política. Nenhum escritor de lá para cá tem conseguido criar um conteúdo imaginativo que se possa transpor a realidade de modo lúcido e expressivo.

Explico. Nelson fazia de sua ficção não só o paralelo com a vida privada e seus desejos, mas também da vida pública e política da nação. Deverás, ele falava descrevia em suas linhas não só o dia-a-dia de quem o cercava, mas também as políticas implantadas no regime militar.
A relação entre política e literatura é bem interesse por ambas fazerem paralelos: primeiro cria-se a cultura imaginativa para criar-se depois a cultura política. Foi no maior período criativo da literatura russa com Dostoiévski, Tolstói e Gorki onde se começou a criticar o governo czarista e de seus respectivos funcionários. Destoando de toda essa geração estava Tchekhov, sendo perseguido e criticado, principalmente após a publicação de “Os mujiques”.
Veja: o que há de novo na política? O silêncio é a resposta. Não existe, atualmente, um livro de literatura (brasileira) que retrate nossa realidade ou política atual. A vida pública e o povo brasileiro viraram pastiche, ou seja, pura massa de manobra. Voltando a Machado de Assis, o que falta aos atuais escritores é certo “sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço”. Pegue “O Senhor dos Anéis” e as datas de publicação, Tolkien falava da Segunda Guerra. Shakespeare só aplicou em parte, todas teorias do Estado que seriam criadas pelos contratualistas (afinal, ele só falava de política em suas obras). Da década de 80 para cá há um sumiço literário no Brasil – o último respiro dessa arte e que tentou de forma lúcida nesse quesito foi o já falecido Bruno Tolentino.
Nosso momento atual é indescritível, não caberia no papel – caberia em trinta, quarenta anos: curiosamente, o espaço vazio da década 80 para cá. Não há, aparentemente, um livro que nos mostre as mudanças radicais que aconteceram no país: da queda do regime militar até o surgimento do maior partido de esquerda das Américas (o PT). Nem uma sátira que seja. Sem o inconsciente literário o país não vai mudar. Todos falam em diálogo entre esquerda e direita: esse diálogo é impossível sem o respaldo lubrificante da literatura. Machado de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos: cada um retratou sua época, cada livro é uma fotografia. Me mostre uma fotografia dos últimos quarenta anos – um fotografo (escritor) que for. Não existe.
Esforços se fazem e se notam na ficção de Ferréz (Manual prático do ódio – 2003), Andrea Nunes (A Corte Infiltrada – 2014), Bárbara Morais (Trilogia Anômalos finalizada em 2015) e Guilherme Fiuza (O império do oprimido – 2016). Dos escritores mais famosos, Draccon e Sphor mesmo sem querer retratam nossa época como ninguém: a fuga de cérebros personificada em Alleijo em “Fios de Prata” (2013) e o afastamento dos mortais da natureza divina e vulgarização das religiões reduzidas a auto ajuda pincelados em “A Batalha…” (2007) e desenvolvido na triologia “Filhos do Éden” (2015).
Porque, tirando os países de língua inglesa, é o Brasil que mais consome distopias? Sinclar Lewis vai ser publicado no Brasil pela primeira vez a cinco anos de cair em domínio público. George Orewll cai em domínio público daqui a três anos e vende como água. Zamiatin mal foi publicado e está como um dos que mais saem na Aleph. As pessoas querem entender o que acontece em sua volta, não só ficar no “foi golpe” ou “não foi golpe”. O texto, claro, não fala de conciliação de classes. Ele fala de debate público: o mínimo de cultura o suficiente para não ficar chamando qualquer um de “fascista” só porque discordou de você.

Álvaro Carneiro

 

Espero que tenham apreciado esta pequena prova de talento do meu querido amigo.

Uma excelente noite e um grande beijo no coração de todos!

Alex André

 

Nascidos em bordeis


O último ano do Ensino Médio pode ser confuso, corrido e cheio de pressão, mas já fez algo de bom por mim: Fez com que eu começasse a gostar de documentários. Até esse ano, confesso que havia assistido a muitos poucos e considerado-os chatos e entediantes. Achei que essa fosse uma característica do gênero e não tentei assistir mais, até que minha professora de redação apareceu com uma lista daqueles que ela considera os melhores documentários (e que mais podem ajudar como repertório na hora de prestar um vestibular). No meio dessa lista enorme, estava Nascidos em bordeis.

O filme se passa na Índia e, como o título sugere, mostra a vida das crianças que são filhas da prostituição e viveram toda a sua infância em bordeis. Tais crianças são vítima de preconceito, não frequentam a escola e, evidentemente, vivem num ambiente terrível para qualquer ser humano em qualquer idade e ainda pior para os pequenos, cuja personalidade ainda está em formação: Cercados por pobreza, violência, sexo, falta de higiene e abuso de drogas. Dessa maneira, parece difícil para essas crianças imaginar um futuro diferente daquele dos pais: Prostituição (para as meninas) e venda ilegal de álcool e entorpecentes (para os meninos), para não falar em roubo.

É quando a figura principal do documentário, uma fotógrafa, decide ver de perto como eles vivem. Para tanto, mora dois anos nos bordeis, se tornando muito próxima das profissionais que lá vivem e, sobretudo, das crianças, para as quais ensina técnicas de fotografia.

Fascinadas com esse novo aprendizado, elas se apaixonam pela arte de fazer fotos e não se importam que os moradores e frequentadores do Bairro da Luz Vermelha não se sintam à vontade na frente das câmeras: Continuam tirando fotos.

Após dois anos de aulas e constante prática de fotografia e edição de fotos, a fotógrafa responsável por ensina-los decide divulgar e leiloar tais fotos afim de matricular a todos em colégios internos, de forma que tenham acesso à educação e se mantenham distantes de um ambiente tão tóxico. Ela conseguirá dinheiro suficiente? As fotografias das crianças farão sucesso? Algum colégio interno vai aceitar os frutos do crime? Os pais aceitarão se afastar dos filhos que, muitas vezes, ajudam a complementar a renda dos pais além de lhes dar alegria e carinho? Isso você só vai saber se assistir…

Real, sensível e delicado, não é à toa que minha professora indicou esse filme e ele venceu o Oscar! Capaz de chocar sem mostrar cenas impactantes, ao narrar as dificuldades pelas quais passam essas crianças, o documentário é fácil de encontrar, presente na Netflix e só não ganha meu 10 pela imagem ligeiramente desfocada em alguns momentos. Sendo assim, dou o meu 9.

By Ana Beatriz