A princesa salva a si mesma neste livro-Amanda Lovelace


Com um espírito semelhante ao de Outros jeitos de usar a boca (que já tem resenha minha aqui no blog e eu recomendo fortemente), A princesa salva a si mesma neste livro é mais uma obra da geração contemporânea de Instapoetas, ou seja, poetas/poetisas que começam postando seus poemas (que, por isso mesmo, costumam ser breves e impactantes) no Instagram antes de publicar seus livros. Tais poemas possuem também como característica o uso recorrente de imagens (no caso de Outros jeitos de usar a boca) ou/e concretismo, brincando assim com o posicionamento das palavras para fornecer o efeito desejado(em A princesa salva a si mesma neste livro).

Outra semelhança com a obra de Rupi Kaur que pode ser notada até mesmo no título do livro de Amanda Lovelace possui também uma notável veia feminista, o que, para uma feminista como eu, foi muito agradável de se perceber.

No entanto, engana-se quem acredita que apenas de feminismo se faz essa obra, que tem como temas constantes a morte; o amor; o câncer; o suicídio; a gordofobia (bem como os distúrbios alimentares decorrentes disto); relacionamentos abusivos e  relação da poetisa com as palavras/ a literatura/a escrita, contando, inclusive, com certas referências a Harry Potter que me fazem acreditar que a autora talvez seja potterhead como eu, mais um ponto positivo para a minha leitura.

Com poemas que vão te fazer ter vontade de rir, chorar, ter um ataque de fofura e/ou sentir-se invencível e incrivelmente empoderada, além de criticar uma sociedade misógina e gordofóbica em muitos deles, A princesa salva a si mesma neste livro lhe proporcionará uma leitura rápida, informativa e agradável, ganhando assim meu 9,5, bem como o posto de meus segundo livro de poesia preferido (perdendo apenas para a já citada obra de Rupi Kaur).

Beijos, Ana Beatriz

Anúncios

The End of the F***ing World


Mais uma série original da Netflix, The End of the F***ing World pode ser recente, mas já conta com um grande sucesso, sobretudo, entre o público mais jovem, tendo diversas fotos de momentos e frases da obra circulando cotidianamente nas redes sociais.

Com apenas oito episódios de duração de cerca de vinte minutos cada, The End of the F***ing World é ideal para aqueles que, como eu, costumam ser um tanto quanto lerdos para terminar séries, sentindo-se desmotivados a assistir àquelas que possuem episódios muito longos ou um número excessivo de episódios. Os atentos podem ter notado, inclusive, que, se somados todos os episódios, a série teria a duração semelhante à de um filme, o que é verdade, embora esse formato, de alguma maneira, pareça ter sido mais adequado do que se houvessem escolhido a cinematografia no lugar da seriação.

Como protagonistas da série temos Alyssa e James, dois adolescentes de 17 anos que estudam na mesma em escola. A menina possui sérios problemas familiares, com um pai que abandonou sua família quando ela era criança, um padrasto que ela detesta e uma mãe inerte que vive apenas em função do novo marido e dos novos filhos (dois bebês gêmeos), esquecendo-se de sua filha mais velha.

O garoto, por sua vez, é criado apenas por um pai abobalhado e tem dificuldades em sentir emoções, acreditando, inclusive, que seja psicopata, devido a vários indícios oferecidos por seu passado, como sua aparente incapacidade de sentir empatia e o costume que tem de matar pobres animais que encontra na floresta.

Decidido a se provar como psicopata, James deseja, em suas palavras, “matar algo maior” quando Alyssa enfim se aproxima dele. Enxergando nela a vítima perfeita, eles começam a namorar e a garota o chama para viajar com ela, uma vez que ela não aguenta mais a própria casa. Acreditando que aquela seria a melhor oportunidade que teria de matar alguém, ele aceita, mas algo muda com o desenrolar da trama…

Rápido, porém intenso, um tanto original e repleto de momentos e frases memoráveis, a série trata de assuntos pesados com um jeito mais leve, merecendo, por isso, meu 9,5.

Beijos, Ana Beatriz

Demontale (As matadoras do Submundo): Os contos do Submundo – vários autores


Alessandra Tapias, Daniella Rosa, Glau Kemp,
Leandro Zapata, Lu Martinho, Luisa Soresini,
Nana Lees, Patrícia L. Boos, Paulo Fabian, Samara Motta,
Vanessa Corsant, Viviani Xanthakos, Geana Krause,
Amanda Ághata Costa, André Mafra, Caroline Defanti,
Susana Silva, Nanda Cruzo, Edis Henrique, Francine Cândido,
Géssica Marques, Jéssica Driely, Mauricio R. B. Campos,
Lilah Prates, Mayara F. Costa, V. K. Macedo,
Daniele Oliveira, Yan Boos, Yara Prado

Após mais um de meus famosos períodos de sumiço, eu volto para comentar sobre essa coletânea de contos sobrenaturais que ganhei como um presente de meu irmão de alma aqui do blog, o Alê (muito obrigada pelo presente, por sinal, eu simplesmente o adorei)!

O livro conta com diversos autores diferentes, que variam de acordo com o conto escrito, o que nos proporciona a oportunidade de admirar as diferentes maneiras (seja por estilo de escrita, enredo ou personagem) que se pode desenvolver um tema em comum: O risco corrido pelo reino de Taleland depois que os príncipes desse são possuídos por Mefisto, um demônio que possui como objetivo o extermínio dos finais felizes e o controle total das terras do reino citado. E adivinha quem vai ter que combater esse perigo, uma vez que aqueles que normalmente salvam o dia se tornaram a ameaça em si? Isso, mesmo, as que sempre são salvas: As princesas!

Além de contar com o evidente e atraente elemento fantasioso/sobrenatural, que se dá pela presença de criaturas como demônios, fadas e trolls, por exemplo, a obra é interessante por desconstruir os contos de fada, atribuindo às princesas características que comumente não lhe são atribuídas (nem às mulheres como um todo, infelizmente): Força, coragem, independência e esperteza, quebrando, assim, a imagem frágil da feminilidade que normalmente recebemos pela mídia (sobretudo em em obras que se tratam de princesas), assim que assistimos às jovens lutarem por suas vidas e seus povos, ainda que usando vestidos e salto, muitas vezes.

Dito isto, acho que fica claro que eu gostei muito do fio condutor do livro e, por consequência, das tramas dos contos em si. Minha única crítica seria a de que, talvez por conto do diminuto tamanho dos contos, esses pecam no sentido do desenvolvimento: O enredo parece se desenrolar de maneira exageradamente acelerada, de forma que não temos tempo de nos apegamos às histórias e personagens apresentados.

Embora seja impossível falar sobre todos os contos aqui (basta ver a quantidade de autores que participaram do projeto para entender o motivo), não poderia deixar de mencionar o fato de que a história que abre o livro, a respeito de uma garota que cresce e é treinada no convento para só então descobrir suas origens e destino, foi escrita por uma amiga aqui da família Lendo Muito!!!, a Alessandra Tapias, ou simplesmente Lelê, para os mais íntimos, que foi muito bem sucedida na criação de uma trama original e uma personagem forte e marcante, embora tenha pecado um pouco (assim como a maioria dos autores presentes no livro) no quesito desenvolvimento, como já foi comentado acima, o que talvez se deva ao fato dos contos serem, de fato, muito curtos, dificultando um maior aprofundamento das histórias.

Outros contos que gostaria de citar são As longas mechas da vingança, de André Mafra, A maldição do cisne, de Francine Cândido e Lilith a princesa das trevas, de Géssica Marques. O primeiro, por ter sido  um conto que, dentre tantos, ainda foi capaz de se destacar em relação à construção de uma personagem forte e destemida e por ter sido também o primeiro (embora não o único) a abordar o a questão do estupro, além do assassinato em si, que foi mais focado na maioria dos contos. O segundo, por ter conseguido superar a dificuldade apresentada pelos demais no quesito desenvolvimento, sendo incrivelmente envolvente (o que pode ser explicado por se tratar de um conto um pouco mais longo que os demais). E o terceiro, por escolher uma princesa um tanto quanto inesperada e surpreendente, gerando uma atmosfera diferente em sua história por causa disso.

Enfim, um livro com grande potencial oferecido pela temática escolhida, mas com falhas de desenvolvimento que talvez pudessem ter sido evitadas com a prolongação de alguns contos (prezando, assim, pela qualidade, ao invés da quantidade dos mesmos), Demontale ganha o meu 8.

Beijos, Ana Beatriz

Sagarana – João Guimarães Rosa


Resultado de imagem para CAPA SAGARANAMais uma obra presente na lista da Fuvest desse ano, Sagarana é um conjunto de nove contos que, como esperado do autor, se passam no sertão de Minas, contando com elementos como religiosidade, sentimentalismo, superstição e a constante figura do valentão.

Com uma linguagem que mescla arcadismo, coloquialismo e norma culta, para não falar nos neologismos, o vocabulário pode ser uma barreira para diversos leitores, sobretudo, no conto O burrinho pedrês, em que a linguagem específica para descrever os bois pode comprometer a compreensão.

Outro problema que pode ser citado é a falta de objetividade do autor, que usa grande parte do livro para  descrever paisagens e animais ou mesmo contar histórias que pouco ou nada se relacionam com o enredo central, tornando a leitura lenta e cansativa, fazendo com que o leitor ache difícil concentrar-se na história que o escritor queria de fato contar.

No entanto, por mais que Sagarana não tenha de modo algum entrado pra minha lista de favoritos, ou mesmo favoritos entre as obras requisitadas pela Fuvest, nem só de defeitos é feito um livro. O humor e a ação são, sem dúvidas, fatores que te envolvem em contos como A hora e a vez de Augusto Matraga A volta do marido pródigo, meus dois contos preferidos, embora os elementos citados permeiem praticamente toda a obra.

Um clássico da literatura brasileiro, me sinto até mal de dizer isso, mas o fato é que meu primeiro contato com Guimarães Rosa (um autor renomado, comparado por muitos ao próprio Machado de Assis), a despeito do elemento humorístico e enredos que, em sua essência, soariam até mesmo interessantes, não me impressionou muito por seu excessivo descritivismo e falta de objetividade, ganhando, assim, meu 5.

Beijos, Ana Beatriz

 

Minha vida de menina-Helena Morley


Obra que entrou esse ano na lista da FUVEST, substituindo o famoso Capitães da Areia, de Jorge Amado, Minha Vida de Menina conta, através de diários, a vida de Helena (pseudônimo da autora, que na realidade se chamava Alice), uma garota simples que viveu no Brasil imediatamente pós-abolicionista.

O livro é dividido em três partes, que seriam três anos da vida da jovem, contando com histórias mais ou menos interessantes, vividas em Diamantina, Minas Gerais, por diversos personagens, visto que a protagonista tem muitos primos, para não falar nos demais parentes e amigos, mas todas narradas por Helena com as características de um diário.

Vivendo num país quase que totalmente católico, Helena possui também influência protestante do pai, que é de família inglesa e trabalha em minas, sonhando em descobrir uma grande pedra de diamante que o torne rico, mesmo que os tempos férteis em diamantes da, por isso chamada, cidade de Diamantina, tenham se passado há muito.

A mãe, por sua vez, preocupa-se com as dívidas adquiridas por essa insistência do marido em investir num setor falido, tentando obter dinheiro ela mesma de outros ramos, como o comércio, por exemplo. Mesmo sabendo que Alexandre jamais encontrará o que procura, ela não o questiona, sendo loucamente apaixonada por ele e, por isso mesmo, submissa até certo ponto.

Outra personagem muito importante na vida de Helena além dos pais é a avó. Nutrindo um interesse e gosto inato pelo meio ambiente e a natureza, ela adora passar as tardes na casa de avó, que a trata com muitos mimos por Helena ser sua neta favorita, fato que desperta a inveja de suas primas.

Temos ainda Tia Madge, que incentiva a sobrinha a estudar, enchendo-a de deveres que a mais nova hesita em cumprir, preguiçosa, reclamando do cuidado da tia para com ela. Essa mesma tia é ainda notavelmente ruim em costuras, o que causa a Helena alguns problemas quando esta tenta lhe agradar fazendo-lhe o uniforme da escola ou até mesmo vestidos para festas.

O livro conta com mais uma dezena de personagens: Irmãos, vizinhos, amigos, primos, professores, tias e tios de Helena, todos menos importantes do que aqueles citados acima. Por tratar-se de um diário, a obra não possui uma trama de fato, mas é, por outro lado, uma junção de diversas histórias cotidianas, de pouca importância. Justamente por tratar-se do diário de uma garota comum, a obra pode ser um tanto quanto tediosa e maçante, de forma que o aspecto positivo é o fundo histórico: Passamos a conhecer de perto o dia a dia da época, notando coisas como o papel então ocupado por negros e mulheres, por exemplo, bem como a importância dada à religião neste momento. É levando-se tudo em consideração que eu dou um 6 a esse livro e digo que ainda prefiro Capitães da Areia, sem sombra de dúvidas kk.

By Ana Beatriz

Mel envenado – Ana Beatriz


Após 120 anos (porque 84 não seriam o suficiente kk), eu voltei! Sim, eu sei que todos já devem estar cansados das minhas desculpas (eu estaria, no lugar de vocês, sinceramente), mas, eu preciso dizer que sinto muito pela minha ausência, a qual se explica por: Época de provas, Enem e Fuvest, todas essas coisas uma em seguida da outra, que me levaram à beira de um ataque de nervos kk, então eu realmente não tive tempo para postar.

Por favor, não encarem esse meu aparecimento repentino (e mais do que tardio) como um sinal de um retorno a uma participação substancial no blog, porque, embora o resultado oficial não tenha saído ainda, tudo indica que (graças aos deuses) eu passei na primeira fase da Fuvest, o que é incrível, mas significa também que eu vou ter que continuar estudando por conta da segunda fase kk.

Enfim, em meio a toda essa turbulência que foram os meus últimos seis meses (a última vez que entrei aqui foi durante as férias de julho), eu encontrei alguma dificuldade para continuar escrevendo, mas, consegui produzir alguma coisa. Eu costumo preferir escrever narrativas a poemas, no entanto, a leitura da obra Outros jeitos de usar a boca, de Rupi Kaur, me inspirou a tentar o campo da poesia. Sabendo disso, meu irmão de alma, Alê, me pediu que publicasse alguns dos poemas aqui no blog. É por isso que meu retorno desse vez será marcado não por uma resenha, como é habitual, mas sim por um poema de autoria própria. Selecionei meu poema mais curto, para não cansa-los demais, e espero que gostem. Por favor, comentem para eu saber se devo postar outros poemas meus ou não e, é claro, sejam sinceros ao comentar. Bem, sem mais delongas, aqui está Mel Envenenado:

 

Imagem relacionada

Mel envenenado

Da sua língua, pinga veneno

Uma, duas, três

Gotas

E eu a envolvo com a minha, na esperança de torna-lo mel.

 

Tapas

Um, dois, três…

Já perdi a conta de quantos me deu,

Me mostrando que ainda não tenho a doçura que quero,

Ainda não tenho meu mel.

Mas eu continuo tentando,

Por saber que todo veneno cura

E todo remédio mata.

 

Você despeja seu veneno branco entre minhas pernas,

Meus quadris queimando como em soda cáustica,

Meus olhos, vidros de boneca de porcelana.

Eu sou frágil,

Mas não se preocupe,

Eu não vou quebrar,

Meus cacos poderiam te ferir.

 

Bem, esse é o poema que eu queria lhes mostrar, espero que tenham gostado e que não estejam irritados demais com a minha demora épica para postar kk. Dependendo das reações de você, eu posto aqui outro poemas também. Sendo em breve ou não, de um outro poema meu ou de uma resenha, nos vemos no próximo post!

Beijos, Ana Beatriz.

 

 

Outros jeitos de usar a boca – Rupi Kaur


Com um título um tanto quanto original, para dizer o mínimo, Outros jeitos de usar a boca é a tradução pouco convencional de Milk and Honey e pode surpreender o leitor quando este notar que se trata não de um romance erótico, mas sim de uma coletânea de poesias.

Uma fã assídua da prosa, confesso, envergonhadamente, que não possuo muitos livros de poesia na minha estante, embora aprecie ler um bom poema de vez em quando. O que me atraiu para esse livro, portanto, foi o fato de já ter visto (e adorado) alguns de seus poemas postados na internet por leitores anteriores a mim, e garanto que não me arrependi da compra.

Como previsto pelo título, a obra contém, de fato, um certo erotismo em alguns de seus poemas. Mas não pense que esse é o foco da autora: Com uma forte veia feminista, o livro fala também sobre relacionamentos abusivos; machismo; amor; traição; alcoolismo, racismo;, padrões de beleza e muito mais. Tudo isso na forma de versos simples e curtos, porém incrivelmente tocantes e envolventes.

Com temas interessantes e uma linguagem e método de abordagem leves e simples, eu terminei o livro em meio hora, sem conseguir desgrudar dele. A obra também aumentou o meu já existente interesse pela poesia (tanto para ler quanto para escrever) ao retirar certos estigmas que o gênero possui, como o de ser complexo, comprido ou denso, mostrando-me que poesia é tudo aquilo que se sente e tem sonoridade, podendo ser também fácil, curto e leve. Perfeito para feministas, amantes da poesia e, mais ainda, para quem é os dois, a única obra de poesia agora presente na minha lista de livros favoritos recebe meu 10.

By Ana Beatriz

 

 

O sol também é uma estrela – Nicola Yoon


 O sol também é uma estrela, romance de juvenil de Nicola Yoon, também autora de Tudo e todas as coisas, livro de sucesso recentemente adaptado para as telonas do cinema, narra o romance entre Natasha, uma garota cética, racional e que pretende ser cientista, mas está prestes a ser deportada por se tratar de uma imigrante ilegal vinda da Jamaica (bem como toda a sua família), e Daniel, um rapaz que, apesar de ter nascido e vivido toda a sua vida nos Estados Unidos, é proveniente de uma clássica família coreana que, fugindo da pobreza, veio para a Terra das Oportunidades e planeja para os filhos um futuro brilhante como médico, mesmo que o caçula na verdade deseje se tornar poeta.

A princípio, a obra pode não parecer muito o tipo de livro que me atrai, visto que o romance puro e simples (sem a mistura de sobrenatural, drama, erotismo ou qualquer coisa que o valha) não está entre os meus gêneros preferidos. No entanto,  fiquei curiosa, em primeiro lugar pelo garoto que sonhava em ser poeta (identificação é tudo kk) e, depois, pela grande abordagem de temas como imigração e racismo, que eu considero muito interessantes e importantes e não aparecem tanto quanto deveriam no universo literário, infelizmente, do meu ponto de vista.

O pai de Natasha sonha em ser ator e veio para a Jamaica afim de entrar na Broadway. Mas a realização desse desejo não é tão fácil quanto ele esperava, principalmente por seu sotaque jamaicano, que dificulta a aquisição de papeis , e ele começa a trabalhar como segurança para sustentar a família. O trabalho noturno de segurança o deixa cansado demais para fazer os testes durante o dia e a coisa toda se torna uma bola de neve.

Enquanto isso, eles moram num apartamento pequeno, de apenas um quarto. Natasha dorme na sala com o irmão mais novo, um garotinho sem amigos que adora reggae. E a mãe trabalha sem descanso, a principal provedora da casa, ela reclama, cansada, desejando uma casa maior que seja deles e não alugada.

Vivendo como norte-americana desde os 8 anos, todos os amigos, sonhos e lugares preferidos de Natasha se encontram nos Estado Unidos e ela não lembra de quase nada da Jamaica, um país cercado por pobreza e dor. E é por causa disso que, tendo 24 horas para deixar a nação, ela sai de casa em busca de uma solução, qualquer coisa que a permita ficar no país.

Nesse mesmo instante, Daniel também está saindo de casa, pressionado pelos pais, para cortar o cabelo e ir para uma entrevista de admissão de Yale ( mesmo que ele não esteja com muita vontade de entrar em Yale, realmente), que, segundo os pais, é a “segunda melhor universidade”, perdendo apenas para Harvard, de onde o irmão mais velho (considerado por todos melhor do que ele, mas incrivelmente babaca) acabou de ser expulso.

O trem que leva Daniel para repentinamente. Ele imagina que seja algum problema nas instalações, mas a verdade é que o maquinista, que acabou de passar por uma forte experiência religiosa, manda uma mensagem para os passageiros se encontrarem com Deus. De início, o garoto apenas ignora, achando a situação estranha e incômoda, mas, ao sair do trem e andar pelo centro da cidade, se depara com uma garota vestindo uma jaqueta em que se lê “Deus Ex Machina” e resolve seguir os sinais, ou melhor, a menina….

Enquanto lia, me diverti principalmente pela grande empatia que senti pelo garoto, embora a Natasha seja igualmente adorável, me identifiquei mais com ele por motivos óbvios. Além disso, o livro impressiona por mostrar todos os lados da história, inclusive de personagens sem qualquer importância no enredo central, o que achei uma ideia um tanto quanto interessante e muito doce. A leitura é rápida, com capítulos curtos e letras grandes, sem contar o fato da linguagem, e até mesmo a história em si, serem leves e simples. Trazendo mensagens sobre sonhos, amor e negação do preconceito, além de um final surpreendente, O sol também é uma estrela ganha meu 8.

By Ana Beatriz

Inocência vencida


Quem me conhece, sabe que o meu maior sonho é ser escritora. Em geral, eu prefiro prosa, especialmente drama, mas, vez ou outra, acabo criando um ou outro poema e meu Irmão Canela, o Alê, pediu que eu postasse aqui um que escrevi ontem. Eu estava meio insegura, já que fazia quatro anos que não escrevia poesia, mas ele me convenceu, então, espero que gostem do meu humilde, pequeno e bem amador poema chamado Inocência Vencida:

Você era rosa, púrpura,

Vermelho sangue,

Todas as cores “femininas”,

Em um único homem.

E o meu desejo por você

Foi a flor do desejo indesejada.

 

Seus braços,

Rocha mole,

Gelo ardente,

Me derretiam.

E assim eu me fundia às cachoeiras negras

Que eram suas lágrimas borradas de rímel.

 

Seus lábios,

Pálidos sem o batom,

Marshmallows

Torrados no meu fogo frio.

Nosso amor,

Sétimo círculo de um inferno dantiniano

Que até então desconhecia.

Como disse, é bastante amador e fazia um tempo que não escrevia poesia, então posso ter perdido um pouco a prática, mas espero que tenham gostado!! Digam nos comentários o que acharam e sejam sinceros: Podem criticar sem medo, se não tiverem gostado. Nos vemos no próximo post!

Beijos,

Ana Beatriz 🙂

 

 

 

Nascidos em bordeis


O último ano do Ensino Médio pode ser confuso, corrido e cheio de pressão, mas já fez algo de bom por mim: Fez com que eu começasse a gostar de documentários. Até esse ano, confesso que havia assistido a muitos poucos e considerado-os chatos e entediantes. Achei que essa fosse uma característica do gênero e não tentei assistir mais, até que minha professora de redação apareceu com uma lista daqueles que ela considera os melhores documentários (e que mais podem ajudar como repertório na hora de prestar um vestibular). No meio dessa lista enorme, estava Nascidos em bordeis.

O filme se passa na Índia e, como o título sugere, mostra a vida das crianças que são filhas da prostituição e viveram toda a sua infância em bordeis. Tais crianças são vítima de preconceito, não frequentam a escola e, evidentemente, vivem num ambiente terrível para qualquer ser humano em qualquer idade e ainda pior para os pequenos, cuja personalidade ainda está em formação: Cercados por pobreza, violência, sexo, falta de higiene e abuso de drogas. Dessa maneira, parece difícil para essas crianças imaginar um futuro diferente daquele dos pais: Prostituição (para as meninas) e venda ilegal de álcool e entorpecentes (para os meninos), para não falar em roubo.

É quando a figura principal do documentário, uma fotógrafa, decide ver de perto como eles vivem. Para tanto, mora dois anos nos bordeis, se tornando muito próxima das profissionais que lá vivem e, sobretudo, das crianças, para as quais ensina técnicas de fotografia.

Fascinadas com esse novo aprendizado, elas se apaixonam pela arte de fazer fotos e não se importam que os moradores e frequentadores do Bairro da Luz Vermelha não se sintam à vontade na frente das câmeras: Continuam tirando fotos.

Após dois anos de aulas e constante prática de fotografia e edição de fotos, a fotógrafa responsável por ensina-los decide divulgar e leiloar tais fotos afim de matricular a todos em colégios internos, de forma que tenham acesso à educação e se mantenham distantes de um ambiente tão tóxico. Ela conseguirá dinheiro suficiente? As fotografias das crianças farão sucesso? Algum colégio interno vai aceitar os frutos do crime? Os pais aceitarão se afastar dos filhos que, muitas vezes, ajudam a complementar a renda dos pais além de lhes dar alegria e carinho? Isso você só vai saber se assistir…

Real, sensível e delicado, não é à toa que minha professora indicou esse filme e ele venceu o Oscar! Capaz de chocar sem mostrar cenas impactantes, ao narrar as dificuldades pelas quais passam essas crianças, o documentário é fácil de encontrar, presente na Netflix e só não ganha meu 10 pela imagem ligeiramente desfocada em alguns momentos. Sendo assim, dou o meu 9.

By Ana Beatriz