Sagarana – João Guimarães Rosa


Resultado de imagem para CAPA SAGARANAMais uma obra presente na lista da Fuvest desse ano, Sagarana é um conjunto de nove contos que, como esperado do autor, se passam no sertão de Minas, contando com elementos como religiosidade, sentimentalismo, superstição e a constante figura do valentão.

Com uma linguagem que mescla arcadismo, coloquialismo e norma culta, para não falar nos neologismos, o vocabulário pode ser uma barreira para diversos leitores, sobretudo, no conto O burrinho pedrês, em que a linguagem específica para descrever os bois pode comprometer a compreensão.

Outro problema que pode ser citado é a falta de objetividade do autor, que usa grande parte do livro para  descrever paisagens e animais ou mesmo contar histórias que pouco ou nada se relacionam com o enredo central, tornando a leitura lenta e cansativa, fazendo com que o leitor ache difícil concentrar-se na história que o escritor queria de fato contar.

No entanto, por mais que Sagarana não tenha de modo algum entrado pra minha lista de favoritos, ou mesmo favoritos entre as obras requisitadas pela Fuvest, nem só de defeitos é feito um livro. O humor e a ação são, sem dúvidas, fatores que te envolvem em contos como A hora e a vez de Augusto Matraga A volta do marido pródigo, meus dois contos preferidos, embora os elementos citados permeiem praticamente toda a obra.

Um clássico da literatura brasileiro, me sinto até mal de dizer isso, mas o fato é que meu primeiro contato com Guimarães Rosa (um autor renomado, comparado por muitos ao próprio Machado de Assis), a despeito do elemento humorístico e enredos que, em sua essência, soariam até mesmo interessantes, não me impressionou muito por seu excessivo descritivismo e falta de objetividade, ganhando, assim, meu 5.

Beijos, Ana Beatriz

 

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Minha vida de menina-Helena Morley


Obra que entrou esse ano na lista da FUVEST, substituindo o famoso Capitães da Areia, de Jorge Amado, Minha Vida de Menina conta, através de diários, a vida de Helena (pseudônimo da autora, que na realidade se chamava Alice), uma garota simples que viveu no Brasil imediatamente pós-abolicionista.

O livro é dividido em três partes, que seriam três anos da vida da jovem, contando com histórias mais ou menos interessantes, vividas em Diamantina, Minas Gerais, por diversos personagens, visto que a protagonista tem muitos primos, para não falar nos demais parentes e amigos, mas todas narradas por Helena com as características de um diário.

Vivendo num país quase que totalmente católico, Helena possui também influência protestante do pai, que é de família inglesa e trabalha em minas, sonhando em descobrir uma grande pedra de diamante que o torne rico, mesmo que os tempos férteis em diamantes da, por isso chamada, cidade de Diamantina, tenham se passado há muito.

A mãe, por sua vez, preocupa-se com as dívidas adquiridas por essa insistência do marido em investir num setor falido, tentando obter dinheiro ela mesma de outros ramos, como o comércio, por exemplo. Mesmo sabendo que Alexandre jamais encontrará o que procura, ela não o questiona, sendo loucamente apaixonada por ele e, por isso mesmo, submissa até certo ponto.

Outra personagem muito importante na vida de Helena além dos pais é a avó. Nutrindo um interesse e gosto inato pelo meio ambiente e a natureza, ela adora passar as tardes na casa de avó, que a trata com muitos mimos por Helena ser sua neta favorita, fato que desperta a inveja de suas primas.

Temos ainda Tia Madge, que incentiva a sobrinha a estudar, enchendo-a de deveres que a mais nova hesita em cumprir, preguiçosa, reclamando do cuidado da tia para com ela. Essa mesma tia é ainda notavelmente ruim em costuras, o que causa a Helena alguns problemas quando esta tenta lhe agradar fazendo-lhe o uniforme da escola ou até mesmo vestidos para festas.

O livro conta com mais uma dezena de personagens: Irmãos, vizinhos, amigos, primos, professores, tias e tios de Helena, todos menos importantes do que aqueles citados acima. Por tratar-se de um diário, a obra não possui uma trama de fato, mas é, por outro lado, uma junção de diversas histórias cotidianas, de pouca importância. Justamente por tratar-se do diário de uma garota comum, a obra pode ser um tanto quanto tediosa e maçante, de forma que o aspecto positivo é o fundo histórico: Passamos a conhecer de perto o dia a dia da época, notando coisas como o papel então ocupado por negros e mulheres, por exemplo, bem como a importância dada à religião neste momento. É levando-se tudo em consideração que eu dou um 6 a esse livro e digo que ainda prefiro Capitães da Areia, sem sombra de dúvidas kk.

By Ana Beatriz

Mel envenado – Ana Beatriz


Após 120 anos (porque 84 não seriam o suficiente kk), eu voltei! Sim, eu sei que todos já devem estar cansados das minhas desculpas (eu estaria, no lugar de vocês, sinceramente), mas, eu preciso dizer que sinto muito pela minha ausência, a qual se explica por: Época de provas, Enem e Fuvest, todas essas coisas uma em seguida da outra, que me levaram à beira de um ataque de nervos kk, então eu realmente não tive tempo para postar.

Por favor, não encarem esse meu aparecimento repentino (e mais do que tardio) como um sinal de um retorno a uma participação substancial no blog, porque, embora o resultado oficial não tenha saído ainda, tudo indica que (graças aos deuses) eu passei na primeira fase da Fuvest, o que é incrível, mas significa também que eu vou ter que continuar estudando por conta da segunda fase kk.

Enfim, em meio a toda essa turbulência que foram os meus últimos seis meses (a última vez que entrei aqui foi durante as férias de julho), eu encontrei alguma dificuldade para continuar escrevendo, mas, consegui produzir alguma coisa. Eu costumo preferir escrever narrativas a poemas, no entanto, a leitura da obra Outros jeitos de usar a boca, de Rupi Kaur, me inspirou a tentar o campo da poesia. Sabendo disso, meu irmão de alma, Alê, me pediu que publicasse alguns dos poemas aqui no blog. É por isso que meu retorno desse vez será marcado não por uma resenha, como é habitual, mas sim por um poema de autoria própria. Selecionei meu poema mais curto, para não cansa-los demais, e espero que gostem. Por favor, comentem para eu saber se devo postar outros poemas meus ou não e, é claro, sejam sinceros ao comentar. Bem, sem mais delongas, aqui está Mel Envenenado:

 

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Mel envenenado

Da sua língua, pinga veneno

Uma, duas, três

Gotas

E eu a envolvo com a minha, na esperança de torna-lo mel.

 

Tapas

Um, dois, três…

Já perdi a conta de quantos me deu,

Me mostrando que ainda não tenho a doçura que quero,

Ainda não tenho meu mel.

Mas eu continuo tentando,

Por saber que todo veneno cura

E todo remédio mata.

 

Você despeja seu veneno branco entre minhas pernas,

Meus quadris queimando como em soda cáustica,

Meus olhos, vidros de boneca de porcelana.

Eu sou frágil,

Mas não se preocupe,

Eu não vou quebrar,

Meus cacos poderiam te ferir.

 

Bem, esse é o poema que eu queria lhes mostrar, espero que tenham gostado e que não estejam irritados demais com a minha demora épica para postar kk. Dependendo das reações de você, eu posto aqui outro poemas também. Sendo em breve ou não, de um outro poema meu ou de uma resenha, nos vemos no próximo post!

Beijos, Ana Beatriz.

 

 

Outros jeitos de usar a boca – Rupi Kaur


Com um título um tanto quanto original, para dizer o mínimo, Outros jeitos de usar a boca é a tradução pouco convencional de Milk and Honey e pode surpreender o leitor quando este notar que se trata não de um romance erótico, mas sim de uma coletânea de poesias.

Uma fã assídua da prosa, confesso, envergonhadamente, que não possuo muitos livros de poesia na minha estante, embora aprecie ler um bom poema de vez em quando. O que me atraiu para esse livro, portanto, foi o fato de já ter visto (e adorado) alguns de seus poemas postados na internet por leitores anteriores a mim, e garanto que não me arrependi da compra.

Como previsto pelo título, a obra contém, de fato, um certo erotismo em alguns de seus poemas. Mas não pense que esse é o foco da autora: Com uma forte veia feminista, o livro fala também sobre relacionamentos abusivos; machismo; amor; traição; alcoolismo, racismo;, padrões de beleza e muito mais. Tudo isso na forma de versos simples e curtos, porém incrivelmente tocantes e envolventes.

Com temas interessantes e uma linguagem e método de abordagem leves e simples, eu terminei o livro em meio hora, sem conseguir desgrudar dele. A obra também aumentou o meu já existente interesse pela poesia (tanto para ler quanto para escrever) ao retirar certos estigmas que o gênero possui, como o de ser complexo, comprido ou denso, mostrando-me que poesia é tudo aquilo que se sente e tem sonoridade, podendo ser também fácil, curto e leve. Perfeito para feministas, amantes da poesia e, mais ainda, para quem é os dois, a única obra de poesia agora presente na minha lista de livros favoritos recebe meu 10.

By Ana Beatriz

 

 

O sol também é uma estrela – Nicola Yoon


 O sol também é uma estrela, romance de juvenil de Nicola Yoon, também autora de Tudo e todas as coisas, livro de sucesso recentemente adaptado para as telonas do cinema, narra o romance entre Natasha, uma garota cética, racional e que pretende ser cientista, mas está prestes a ser deportada por se tratar de uma imigrante ilegal vinda da Jamaica (bem como toda a sua família), e Daniel, um rapaz que, apesar de ter nascido e vivido toda a sua vida nos Estados Unidos, é proveniente de uma clássica família coreana que, fugindo da pobreza, veio para a Terra das Oportunidades e planeja para os filhos um futuro brilhante como médico, mesmo que o caçula na verdade deseje se tornar poeta.

A princípio, a obra pode não parecer muito o tipo de livro que me atrai, visto que o romance puro e simples (sem a mistura de sobrenatural, drama, erotismo ou qualquer coisa que o valha) não está entre os meus gêneros preferidos. No entanto,  fiquei curiosa, em primeiro lugar pelo garoto que sonhava em ser poeta (identificação é tudo kk) e, depois, pela grande abordagem de temas como imigração e racismo, que eu considero muito interessantes e importantes e não aparecem tanto quanto deveriam no universo literário, infelizmente, do meu ponto de vista.

O pai de Natasha sonha em ser ator e veio para a Jamaica afim de entrar na Broadway. Mas a realização desse desejo não é tão fácil quanto ele esperava, principalmente por seu sotaque jamaicano, que dificulta a aquisição de papeis , e ele começa a trabalhar como segurança para sustentar a família. O trabalho noturno de segurança o deixa cansado demais para fazer os testes durante o dia e a coisa toda se torna uma bola de neve.

Enquanto isso, eles moram num apartamento pequeno, de apenas um quarto. Natasha dorme na sala com o irmão mais novo, um garotinho sem amigos que adora reggae. E a mãe trabalha sem descanso, a principal provedora da casa, ela reclama, cansada, desejando uma casa maior que seja deles e não alugada.

Vivendo como norte-americana desde os 8 anos, todos os amigos, sonhos e lugares preferidos de Natasha se encontram nos Estado Unidos e ela não lembra de quase nada da Jamaica, um país cercado por pobreza e dor. E é por causa disso que, tendo 24 horas para deixar a nação, ela sai de casa em busca de uma solução, qualquer coisa que a permita ficar no país.

Nesse mesmo instante, Daniel também está saindo de casa, pressionado pelos pais, para cortar o cabelo e ir para uma entrevista de admissão de Yale ( mesmo que ele não esteja com muita vontade de entrar em Yale, realmente), que, segundo os pais, é a “segunda melhor universidade”, perdendo apenas para Harvard, de onde o irmão mais velho (considerado por todos melhor do que ele, mas incrivelmente babaca) acabou de ser expulso.

O trem que leva Daniel para repentinamente. Ele imagina que seja algum problema nas instalações, mas a verdade é que o maquinista, que acabou de passar por uma forte experiência religiosa, manda uma mensagem para os passageiros se encontrarem com Deus. De início, o garoto apenas ignora, achando a situação estranha e incômoda, mas, ao sair do trem e andar pelo centro da cidade, se depara com uma garota vestindo uma jaqueta em que se lê “Deus Ex Machina” e resolve seguir os sinais, ou melhor, a menina….

Enquanto lia, me diverti principalmente pela grande empatia que senti pelo garoto, embora a Natasha seja igualmente adorável, me identifiquei mais com ele por motivos óbvios. Além disso, o livro impressiona por mostrar todos os lados da história, inclusive de personagens sem qualquer importância no enredo central, o que achei uma ideia um tanto quanto interessante e muito doce. A leitura é rápida, com capítulos curtos e letras grandes, sem contar o fato da linguagem, e até mesmo a história em si, serem leves e simples. Trazendo mensagens sobre sonhos, amor e negação do preconceito, além de um final surpreendente, O sol também é uma estrela ganha meu 8.

By Ana Beatriz

Inocência vencida


Quem me conhece, sabe que o meu maior sonho é ser escritora. Em geral, eu prefiro prosa, especialmente drama, mas, vez ou outra, acabo criando um ou outro poema e meu Irmão Canela, o Alê, pediu que eu postasse aqui um que escrevi ontem. Eu estava meio insegura, já que fazia quatro anos que não escrevia poesia, mas ele me convenceu, então, espero que gostem do meu humilde, pequeno e bem amador poema chamado Inocência Vencida:

Você era rosa, púrpura,

Vermelho sangue,

Todas as cores “femininas”,

Em um único homem.

E o meu desejo por você

Foi a flor do desejo indesejada.

 

Seus braços,

Rocha mole,

Gelo ardente,

Me derretiam.

E assim eu me fundia às cachoeiras negras

Que eram suas lágrimas borradas de rímel.

 

Seus lábios,

Pálidos sem o batom,

Marshmallows

Torrados no meu fogo frio.

Nosso amor,

Sétimo círculo de um inferno dantiniano

Que até então desconhecia.

Como disse, é bastante amador e fazia um tempo que não escrevia poesia, então posso ter perdido um pouco a prática, mas espero que tenham gostado!! Digam nos comentários o que acharam e sejam sinceros: Podem criticar sem medo, se não tiverem gostado. Nos vemos no próximo post!

Beijos,

Ana Beatriz 🙂

 

 

 

Nascidos em bordeis


O último ano do Ensino Médio pode ser confuso, corrido e cheio de pressão, mas já fez algo de bom por mim: Fez com que eu começasse a gostar de documentários. Até esse ano, confesso que havia assistido a muitos poucos e considerado-os chatos e entediantes. Achei que essa fosse uma característica do gênero e não tentei assistir mais, até que minha professora de redação apareceu com uma lista daqueles que ela considera os melhores documentários (e que mais podem ajudar como repertório na hora de prestar um vestibular). No meio dessa lista enorme, estava Nascidos em bordeis.

O filme se passa na Índia e, como o título sugere, mostra a vida das crianças que são filhas da prostituição e viveram toda a sua infância em bordeis. Tais crianças são vítima de preconceito, não frequentam a escola e, evidentemente, vivem num ambiente terrível para qualquer ser humano em qualquer idade e ainda pior para os pequenos, cuja personalidade ainda está em formação: Cercados por pobreza, violência, sexo, falta de higiene e abuso de drogas. Dessa maneira, parece difícil para essas crianças imaginar um futuro diferente daquele dos pais: Prostituição (para as meninas) e venda ilegal de álcool e entorpecentes (para os meninos), para não falar em roubo.

É quando a figura principal do documentário, uma fotógrafa, decide ver de perto como eles vivem. Para tanto, mora dois anos nos bordeis, se tornando muito próxima das profissionais que lá vivem e, sobretudo, das crianças, para as quais ensina técnicas de fotografia.

Fascinadas com esse novo aprendizado, elas se apaixonam pela arte de fazer fotos e não se importam que os moradores e frequentadores do Bairro da Luz Vermelha não se sintam à vontade na frente das câmeras: Continuam tirando fotos.

Após dois anos de aulas e constante prática de fotografia e edição de fotos, a fotógrafa responsável por ensina-los decide divulgar e leiloar tais fotos afim de matricular a todos em colégios internos, de forma que tenham acesso à educação e se mantenham distantes de um ambiente tão tóxico. Ela conseguirá dinheiro suficiente? As fotografias das crianças farão sucesso? Algum colégio interno vai aceitar os frutos do crime? Os pais aceitarão se afastar dos filhos que, muitas vezes, ajudam a complementar a renda dos pais além de lhes dar alegria e carinho? Isso você só vai saber se assistir…

Real, sensível e delicado, não é à toa que minha professora indicou esse filme e ele venceu o Oscar! Capaz de chocar sem mostrar cenas impactantes, ao narrar as dificuldades pelas quais passam essas crianças, o documentário é fácil de encontrar, presente na Netflix e só não ganha meu 10 pela imagem ligeiramente desfocada em alguns momentos. Sendo assim, dou o meu 9.

By Ana Beatriz

Rupaul´s drag race- Temporada 7


Quem me conhece sabe como defendo a causa LGBTQ+ (entre outros). Por causa disso, meus amigos não conseguiam acreditar que eu ainda não tivesse visto essa série que é considerada um dos símbolos modernos do orgulho dessa comunidade. Após tamanha pressão, eu acabei me rendendo e, se me arrependi de algo, foi de não tê-la assistido antes.

Sim, eu sei que é estranho eu começar a resenhar a série pela sétima temporada, mas, para quem não sabe, as temporadas não tem qualquer ligação, sendo independentes entre si, de forma que podem ser assistidas em qualquer ordem, e minha amiga me recomendou esta como a melhor, logo, foi por ela que comecei.

Rupaul´s drag race é uma competição de drag queens, entre as quais, a vencedora se torna a maior drag queen da América! Para a conquista de tamanho título, as 14 drags selecionadas que aparecem a cada temporada são submetidas a testes que, em geral, envolvem atuação, dublagem, dança e moda (confecção, criação e desfile de roupas).

Um show de talentos repleto de comédia e com alguns momentos dramáticos, você se surpreenderá com a beleza e o potencial dessas garotas que vão cativar seu coração e fazer você se apaixonar, além de inspirar o orgulho LGBTQ+ em qualquer um que simpatize com a causa. Engraçado, viciante e apaixonante, essa série ganha o meu 10!

By Ana Beatriz

Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade


Depois de 84 anos… Eu estou de volta, gente! Sim, eu sei que demorei mais do que de costume para voltar a postar (e isso não é pouco) e sinto muito mesmo por isso, mas é que esse ano está consumindo minha vida social, meu tempo e, em breve, minha sanidade mental também kk. Porém, agora que estou de férias, pretendo postar o mais frequentemente possível, afim de compensar o tempo perdido!

E, para mostrar que não estou mentindo quando digo que a preparação para os vestibulares é a causadora do meu atraso épico, inicio meu retorno ao blog com um livro que cairá na FUVEST esse ano: Claro Enigma, de Drummond.

Quem me conhece sabe que, apesar de apreciar a boa poesia, eu prefiro a prosa. Apesar disso, fiquei feliz ao saber que um livro de Drummond estava presente na lista daqueles que precisaria ler, visto que, entre os poetas brasileiros, ele é o meu preferido, e não me decepcionei ao terminar a leitura da obra.

Incrivelmente subjetivos, os poemas podem ser um pouco complicados de compreender, não pela linguagem relativamente simples, mas sim pelo constante uso dos sentidos conotativos e não denotativos da palavra, ou seja, ao tentar interpretar os textos, deve-se levar em conta não apenas o significado óbvio e concreto, descrito no dicionário, da palavra, mas também o seu valor simbólico e escondido. Por esse motivo, uma primeira leitura rápida e desatenta dos textos pode gerar confusão e um certo desespero, mas não é nada que uma segunda leitura, mais atenta e calma, empregando maior dedicação, não resolva.

Embora possa dificultar um pouco a leitura, tal estilo de escrita é justamente o que marca o livro com uma delicadeza e sensibilidade impressionantes. Participante da terceira fase do autor, ao obra nos permite entrar no mundo interior de Drummond, proporcionando uma imensa empatia em relação às suas ideias e emoções, pois temos a impressão de que entramos em sua mente. Dessa maneira, a melhor forma de interpretar os poemas é usando não apenas o cérebro, mas também o coração e alma, visto que os mesmos são melhor compreendidos quando sentidos do que pensados.

Claro enigma é divido em seis partes desiguais, entre as quais a minha favorita foi Notícias amorosas, que, contando com sete poemas, evidentemente, trata sobre o sentimento que provavelmente é o mais comum na poesia e, talvez, até mesmo na literatura como um todo: O amor.

Apesar dessa minha preferência, todas as partes possuem poemas belos, delicados e sensíveis, e gostaria de dar destaque para os que mais me tocaram e marcaram, seja pela suavidade ou pelo tema: Confissão, Ser, Sonho de um sonho, O chamado, Perguntas, A mesa e todos da parte que citei como a minha preferida, mas, principalmente, Amar, que, para mim, é o melhor de todo o livro.

Sublime, leve e emocionante, me peguei sorrindo sozinha em diversos momentos do livro com o sentimento de paz que ele me proporcionava. E, para esse clássico da poesia que me encantou, minha nota é 8!

By Ana Beatriz

 

13 reasons why


13 reasons why (ou Os 13 porquês, para quem prefere a versão brasileira do nome), baseada no livro homônimo de autoria de Jay Asher, é uma série da Netflix, produzida pela Selena Gomez, que, apesar de ser recente e não muito longa (conta com apenas uma temporada de 13 episódios), é a série do momento não apenas entre os adolescentes (seu principal público-alvo), mas também entre os adultos, especialmente os que tem filhos nessa faixa etária tão complexa que é a adolescência.

Caso você ainda não tenha ouvido falar sobre a série, o enredo, um tanto original, mistura drama e suspense, com uma pitada de romance, ao nos mostrar os 13 motivos que levaram Hanna Baker a cometer suicídio, enquanto ouvimos as fitas que ela deixou explicando os tais motivos.

Qualquer um que receba essas fitas um tanto quanto mórbidas e perigosas é um dos 13 porquês, incluindo Clay, nosso co-protagonista, que é um garoto nerd, tímido, sensível e doce que não só nutria uma grande amizade pela morta como também tinha um crush nela.

A série retrata a dor e a culpa daqueles que foram deixados para trás, como Clay e os pais da garota, por exemplo, mas também mostra a hipocrisia de alguns que, apesar de jamais terem se interessado por ela, passam a homenagear-lhe com flores e cartazes após a morte.

Ao contrário do que possa parecer, 13 reasons why não é a típica história sobre bullying em que os mocinhos e os vilões, desprovidos de qualquer qualidade ou explicação razoável para tomar tais atitudes, são claramente definidos. Não, com um toque realista e humano, todos os personagens são bem desenvolvidos de uma forma que você se confunde, identificando-se ora com a Hanna, ora com alguns dos porquês, que, assim como todo mundo, também tem defeitos e qualidades, e seus próprios demônios contra os quais lutar.

Dessa forma, apesar da protagonista passar por alguns acontecimentos incrivelmente pesados, alguns dos motivos que a levarão ao suicídio eram incrivelmente simples, de maneira que o causador muitas vezes sequer poderia imaginar a consequência de seus atos, fazendo com que reflitamos sobre a forma como tratamos as outras pessoas, muitas vezes sem nos colocarmos no lugar delas ou nos importarmos com os problemas que elas enfrentam, porque as pessoas são diferentes entre si, algumas são mais sensíveis do que outras e, às vezes, o que é apenas uma brincadeira para você pode se tornar um trauma para outra pessoa.

O enredo se desenrola no ambiente comum de um colégio de Ensino Médio, representando momentos difíceis e dolorosos pelos quais alguns adolescentes passam todos os dias, motivo pelo qual a série deveria ser assistida não só pelos próprios adolescentes (que vão se identificar e sentir-se reconfortados com a trama), mas também pelos adultos, sobretudo aqueles que tem filhos nessa idade, para que se conscientizem disso e da forma como, por conta dos hormônios, para os jovens tudo é mais intenso do que para os demais, dando assim mais importância às suas reclamações e mudanças de humor.

Algo que não pode passar despercebido nessa resenha é o elenco: Apesar de serem jovens e, via de regra, pouco conhecidos pelo público em geral, os atores como um todo surpreendem, encarnando os personagens como se tivesse sido feitos para o papel, o que contribui muito para manter a qualidade do programa, dando aos personagens a intensidade de interpretação que merecem.

Um dos maiores sucessos da Netflix (se não for o maior), a série choca pela honestidade e crueza com que mostra os traumas pelos quais a personagem passa: Sem muitos cortes mesmo nas cenas mais pesadas, rompe o tabu de não discutir plenamente temas como suicídio (a segunda maior causa de morte entre os adolescentes) e estupro, para não falar em bullying, homossexualidade, machismo, escolha profissional, uso de álcool e drogas, relacionamentos abusivos e o poder que a internet (principalmente as redes sociais) possuem de espalhar rumores e acabar com a vida de alguém para sempre. Disputando o posto de série preferida com Pretty Little Liars13 reasons why merece o meu 10 e espero ansiosamente que façam uma segunda temporada para que possamos rever tantos personagens incríveis e desvendar os mistérios que foram deixados sem resposta no último episódio.

By Ana Beatriz