O sol também é uma estrela – Nicola Yoon


 O sol também é uma estrela, romance de juvenil de Nicola Yoon, também autora de Tudo e todas as coisas, livro de sucesso recentemente adaptado para as telonas do cinema, narra o romance entre Natasha, uma garota cética, racional e que pretende ser cientista, mas está prestes a ser deportada por se tratar de uma imigrante ilegal vinda da Jamaica (bem como toda a sua família), e Daniel, um rapaz que, apesar de ter nascido e vivido toda a sua vida nos Estados Unidos, é proveniente de uma clássica família coreana que, fugindo da pobreza, veio para a Terra das Oportunidades e planeja para os filhos um futuro brilhante como médico, mesmo que o caçula na verdade deseje se tornar poeta.

A princípio, a obra pode não parecer muito o tipo de livro que me atrai, visto que o romance puro e simples (sem a mistura de sobrenatural, drama, erotismo ou qualquer coisa que o valha) não está entre os meus gêneros preferidos. No entanto,  fiquei curiosa, em primeiro lugar pelo garoto que sonhava em ser poeta (identificação é tudo kk) e, depois, pela grande abordagem de temas como imigração e racismo, que eu considero muito interessantes e importantes e não aparecem tanto quanto deveriam no universo literário, infelizmente, do meu ponto de vista.

O pai de Natasha sonha em ser ator e veio para a Jamaica afim de entrar na Broadway. Mas a realização desse desejo não é tão fácil quanto ele esperava, principalmente por seu sotaque jamaicano, que dificulta a aquisição de papeis , e ele começa a trabalhar como segurança para sustentar a família. O trabalho noturno de segurança o deixa cansado demais para fazer os testes durante o dia e a coisa toda se torna uma bola de neve.

Enquanto isso, eles moram num apartamento pequeno, de apenas um quarto. Natasha dorme na sala com o irmão mais novo, um garotinho sem amigos que adora reggae. E a mãe trabalha sem descanso, a principal provedora da casa, ela reclama, cansada, desejando uma casa maior que seja deles e não alugada.

Vivendo como norte-americana desde os 8 anos, todos os amigos, sonhos e lugares preferidos de Natasha se encontram nos Estado Unidos e ela não lembra de quase nada da Jamaica, um país cercado por pobreza e dor. E é por causa disso que, tendo 24 horas para deixar a nação, ela sai de casa em busca de uma solução, qualquer coisa que a permita ficar no país.

Nesse mesmo instante, Daniel também está saindo de casa, pressionado pelos pais, para cortar o cabelo e ir para uma entrevista de admissão de Yale ( mesmo que ele não esteja com muita vontade de entrar em Yale, realmente), que, segundo os pais, é a “segunda melhor universidade”, perdendo apenas para Harvard, de onde o irmão mais velho (considerado por todos melhor do que ele, mas incrivelmente babaca) acabou de ser expulso.

O trem que leva Daniel para repentinamente. Ele imagina que seja algum problema nas instalações, mas a verdade é que o maquinista, que acabou de passar por uma forte experiência religiosa, manda uma mensagem para os passageiros se encontrarem com Deus. De início, o garoto apenas ignora, achando a situação estranha e incômoda, mas, ao sair do trem e andar pelo centro da cidade, se depara com uma garota vestindo uma jaqueta em que se lê “Deus Ex Machina” e resolve seguir os sinais, ou melhor, a menina….

Enquanto lia, me diverti principalmente pela grande empatia que senti pelo garoto, embora a Natasha seja igualmente adorável, me identifiquei mais com ele por motivos óbvios. Além disso, o livro impressiona por mostrar todos os lados da história, inclusive de personagens sem qualquer importância no enredo central, o que achei uma ideia um tanto quanto interessante e muito doce. A leitura é rápida, com capítulos curtos e letras grandes, sem contar o fato da linguagem, e até mesmo a história em si, serem leves e simples. Trazendo mensagens sobre sonhos, amor e negação do preconceito, além de um final surpreendente, O sol também é uma estrela ganha meu 8.

By Ana Beatriz

Inocência vencida


Quem me conhece, sabe que o meu maior sonho é ser escritora. Em geral, eu prefiro prosa, especialmente drama, mas, vez ou outra, acabo criando um ou outro poema e meu Irmão Canela, o Alê, pediu que eu postasse aqui um que escrevi ontem. Eu estava meio insegura, já que fazia quatro anos que não escrevia poesia, mas ele me convenceu, então, espero que gostem do meu humilde, pequeno e bem amador poema chamado Inocência Vencida:

Você era rosa, púrpura,

Vermelho sangue,

Todas as cores “femininas”,

Em um único homem.

E o meu desejo por você

Foi a flor do desejo indesejada.

 

Seus braços,

Rocha mole,

Gelo ardente,

Me derretiam.

E assim eu me fundia às cachoeiras negras

Que eram suas lágrimas borradas de rímel.

 

Seus lábios,

Pálidos sem o batom,

Marshmallows

Torrados no meu fogo frio.

Nosso amor,

Sétimo círculo de um inferno dantiniano

Que até então desconhecia.

Como disse, é bastante amador e fazia um tempo que não escrevia poesia, então posso ter perdido um pouco a prática, mas espero que tenham gostado!! Digam nos comentários o que acharam e sejam sinceros: Podem criticar sem medo, se não tiverem gostado. Nos vemos no próximo post!

Beijos,

Ana Beatriz 🙂

 

 

 

Nascidos em bordeis


O último ano do Ensino Médio pode ser confuso, corrido e cheio de pressão, mas já fez algo de bom por mim: Fez com que eu começasse a gostar de documentários. Até esse ano, confesso que havia assistido a muitos poucos e considerado-os chatos e entediantes. Achei que essa fosse uma característica do gênero e não tentei assistir mais, até que minha professora de redação apareceu com uma lista daqueles que ela considera os melhores documentários (e que mais podem ajudar como repertório na hora de prestar um vestibular). No meio dessa lista enorme, estava Nascidos em bordeis.

O filme se passa na Índia e, como o título sugere, mostra a vida das crianças que são filhas da prostituição e viveram toda a sua infância em bordeis. Tais crianças são vítima de preconceito, não frequentam a escola e, evidentemente, vivem num ambiente terrível para qualquer ser humano em qualquer idade e ainda pior para os pequenos, cuja personalidade ainda está em formação: Cercados por pobreza, violência, sexo, falta de higiene e abuso de drogas. Dessa maneira, parece difícil para essas crianças imaginar um futuro diferente daquele dos pais: Prostituição (para as meninas) e venda ilegal de álcool e entorpecentes (para os meninos), para não falar em roubo.

É quando a figura principal do documentário, uma fotógrafa, decide ver de perto como eles vivem. Para tanto, mora dois anos nos bordeis, se tornando muito próxima das profissionais que lá vivem e, sobretudo, das crianças, para as quais ensina técnicas de fotografia.

Fascinadas com esse novo aprendizado, elas se apaixonam pela arte de fazer fotos e não se importam que os moradores e frequentadores do Bairro da Luz Vermelha não se sintam à vontade na frente das câmeras: Continuam tirando fotos.

Após dois anos de aulas e constante prática de fotografia e edição de fotos, a fotógrafa responsável por ensina-los decide divulgar e leiloar tais fotos afim de matricular a todos em colégios internos, de forma que tenham acesso à educação e se mantenham distantes de um ambiente tão tóxico. Ela conseguirá dinheiro suficiente? As fotografias das crianças farão sucesso? Algum colégio interno vai aceitar os frutos do crime? Os pais aceitarão se afastar dos filhos que, muitas vezes, ajudam a complementar a renda dos pais além de lhes dar alegria e carinho? Isso você só vai saber se assistir…

Real, sensível e delicado, não é à toa que minha professora indicou esse filme e ele venceu o Oscar! Capaz de chocar sem mostrar cenas impactantes, ao narrar as dificuldades pelas quais passam essas crianças, o documentário é fácil de encontrar, presente na Netflix e só não ganha meu 10 pela imagem ligeiramente desfocada em alguns momentos. Sendo assim, dou o meu 9.

By Ana Beatriz

Rupaul´s drag race- Temporada 7


Quem me conhece sabe como defendo a causa LGBTQ+ (entre outros). Por causa disso, meus amigos não conseguiam acreditar que eu ainda não tivesse visto essa série que é considerada um dos símbolos modernos do orgulho dessa comunidade. Após tamanha pressão, eu acabei me rendendo e, se me arrependi de algo, foi de não tê-la assistido antes.

Sim, eu sei que é estranho eu começar a resenhar a série pela sétima temporada, mas, para quem não sabe, as temporadas não tem qualquer ligação, sendo independentes entre si, de forma que podem ser assistidas em qualquer ordem, e minha amiga me recomendou esta como a melhor, logo, foi por ela que comecei.

Rupaul´s drag race é uma competição de drag queens, entre as quais, a vencedora se torna a maior drag queen da América! Para a conquista de tamanho título, as 14 drags selecionadas que aparecem a cada temporada são submetidas a testes que, em geral, envolvem atuação, dublagem, dança e moda (confecção, criação e desfile de roupas).

Um show de talentos repleto de comédia e com alguns momentos dramáticos, você se surpreenderá com a beleza e o potencial dessas garotas que vão cativar seu coração e fazer você se apaixonar, além de inspirar o orgulho LGBTQ+ em qualquer um que simpatize com a causa. Engraçado, viciante e apaixonante, essa série ganha o meu 10!

By Ana Beatriz

Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade


Depois de 84 anos… Eu estou de volta, gente! Sim, eu sei que demorei mais do que de costume para voltar a postar (e isso não é pouco) e sinto muito mesmo por isso, mas é que esse ano está consumindo minha vida social, meu tempo e, em breve, minha sanidade mental também kk. Porém, agora que estou de férias, pretendo postar o mais frequentemente possível, afim de compensar o tempo perdido!

E, para mostrar que não estou mentindo quando digo que a preparação para os vestibulares é a causadora do meu atraso épico, inicio meu retorno ao blog com um livro que cairá na FUVEST esse ano: Claro Enigma, de Drummond.

Quem me conhece sabe que, apesar de apreciar a boa poesia, eu prefiro a prosa. Apesar disso, fiquei feliz ao saber que um livro de Drummond estava presente na lista daqueles que precisaria ler, visto que, entre os poetas brasileiros, ele é o meu preferido, e não me decepcionei ao terminar a leitura da obra.

Incrivelmente subjetivos, os poemas podem ser um pouco complicados de compreender, não pela linguagem relativamente simples, mas sim pelo constante uso dos sentidos conotativos e não denotativos da palavra, ou seja, ao tentar interpretar os textos, deve-se levar em conta não apenas o significado óbvio e concreto, descrito no dicionário, da palavra, mas também o seu valor simbólico e escondido. Por esse motivo, uma primeira leitura rápida e desatenta dos textos pode gerar confusão e um certo desespero, mas não é nada que uma segunda leitura, mais atenta e calma, empregando maior dedicação, não resolva.

Embora possa dificultar um pouco a leitura, tal estilo de escrita é justamente o que marca o livro com uma delicadeza e sensibilidade impressionantes. Participante da terceira fase do autor, ao obra nos permite entrar no mundo interior de Drummond, proporcionando uma imensa empatia em relação às suas ideias e emoções, pois temos a impressão de que entramos em sua mente. Dessa maneira, a melhor forma de interpretar os poemas é usando não apenas o cérebro, mas também o coração e alma, visto que os mesmos são melhor compreendidos quando sentidos do que pensados.

Claro enigma é divido em seis partes desiguais, entre as quais a minha favorita foi Notícias amorosas, que, contando com sete poemas, evidentemente, trata sobre o sentimento que provavelmente é o mais comum na poesia e, talvez, até mesmo na literatura como um todo: O amor.

Apesar dessa minha preferência, todas as partes possuem poemas belos, delicados e sensíveis, e gostaria de dar destaque para os que mais me tocaram e marcaram, seja pela suavidade ou pelo tema: Confissão, Ser, Sonho de um sonho, O chamado, Perguntas, A mesa e todos da parte que citei como a minha preferida, mas, principalmente, Amar, que, para mim, é o melhor de todo o livro.

Sublime, leve e emocionante, me peguei sorrindo sozinha em diversos momentos do livro com o sentimento de paz que ele me proporcionava. E, para esse clássico da poesia que me encantou, minha nota é 8!

By Ana Beatriz

 

13 reasons why


13 reasons why (ou Os 13 porquês, para quem prefere a versão brasileira do nome), baseada no livro homônimo de autoria de Jay Asher, é uma série da Netflix, produzida pela Selena Gomez, que, apesar de ser recente e não muito longa (conta com apenas uma temporada de 13 episódios), é a série do momento não apenas entre os adolescentes (seu principal público-alvo), mas também entre os adultos, especialmente os que tem filhos nessa faixa etária tão complexa que é a adolescência.

Caso você ainda não tenha ouvido falar sobre a série, o enredo, um tanto original, mistura drama e suspense, com uma pitada de romance, ao nos mostrar os 13 motivos que levaram Hanna Baker a cometer suicídio, enquanto ouvimos as fitas que ela deixou explicando os tais motivos.

Qualquer um que receba essas fitas um tanto quanto mórbidas e perigosas é um dos 13 porquês, incluindo Clay, nosso co-protagonista, que é um garoto nerd, tímido, sensível e doce que não só nutria uma grande amizade pela morta como também tinha um crush nela.

A série retrata a dor e a culpa daqueles que foram deixados para trás, como Clay e os pais da garota, por exemplo, mas também mostra a hipocrisia de alguns que, apesar de jamais terem se interessado por ela, passam a homenagear-lhe com flores e cartazes após a morte.

Ao contrário do que possa parecer, 13 reasons why não é a típica história sobre bullying em que os mocinhos e os vilões, desprovidos de qualquer qualidade ou explicação razoável para tomar tais atitudes, são claramente definidos. Não, com um toque realista e humano, todos os personagens são bem desenvolvidos de uma forma que você se confunde, identificando-se ora com a Hanna, ora com alguns dos porquês, que, assim como todo mundo, também tem defeitos e qualidades, e seus próprios demônios contra os quais lutar.

Dessa forma, apesar da protagonista passar por alguns acontecimentos incrivelmente pesados, alguns dos motivos que a levarão ao suicídio eram incrivelmente simples, de maneira que o causador muitas vezes sequer poderia imaginar a consequência de seus atos, fazendo com que reflitamos sobre a forma como tratamos as outras pessoas, muitas vezes sem nos colocarmos no lugar delas ou nos importarmos com os problemas que elas enfrentam, porque as pessoas são diferentes entre si, algumas são mais sensíveis do que outras e, às vezes, o que é apenas uma brincadeira para você pode se tornar um trauma para outra pessoa.

O enredo se desenrola no ambiente comum de um colégio de Ensino Médio, representando momentos difíceis e dolorosos pelos quais alguns adolescentes passam todos os dias, motivo pelo qual a série deveria ser assistida não só pelos próprios adolescentes (que vão se identificar e sentir-se reconfortados com a trama), mas também pelos adultos, sobretudo aqueles que tem filhos nessa idade, para que se conscientizem disso e da forma como, por conta dos hormônios, para os jovens tudo é mais intenso do que para os demais, dando assim mais importância às suas reclamações e mudanças de humor.

Algo que não pode passar despercebido nessa resenha é o elenco: Apesar de serem jovens e, via de regra, pouco conhecidos pelo público em geral, os atores como um todo surpreendem, encarnando os personagens como se tivesse sido feitos para o papel, o que contribui muito para manter a qualidade do programa, dando aos personagens a intensidade de interpretação que merecem.

Um dos maiores sucessos da Netflix (se não for o maior), a série choca pela honestidade e crueza com que mostra os traumas pelos quais a personagem passa: Sem muitos cortes mesmo nas cenas mais pesadas, rompe o tabu de não discutir plenamente temas como suicídio (a segunda maior causa de morte entre os adolescentes) e estupro, para não falar em bullying, homossexualidade, machismo, escolha profissional, uso de álcool e drogas, relacionamentos abusivos e o poder que a internet (principalmente as redes sociais) possuem de espalhar rumores e acabar com a vida de alguém para sempre. Disputando o posto de série preferida com Pretty Little Liars13 reasons why merece o meu 10 e espero ansiosamente que façam uma segunda temporada para que possamos rever tantos personagens incríveis e desvendar os mistérios que foram deixados sem resposta no último episódio.

By Ana Beatriz

 

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras-Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson e Robin Wasserman


Após um longo inverno (ou verão, nesse caso), eu estou de volta (mesmo que não por muito tempo)! Mais uma vez, peço mil desculpas e mais um pouco, de verdade, mas, infelizmente, não posso dizer que vou postar com mais frequência a partir de agora. Na verdade, sinto ao dizer que provavelmente só vai piorar daqui pra frente. Estou apenas no começo do ano em que vou prestar vestibular e bem… Olha o resultado! Kk

Mas… Eu não vim aqui para me lamentar sobre a quantidade de matéria que tenho que estudar! Sem mais delongas, vamos falar sobre o mais novo livro de uma das minhas escritoras preferidas: Contos da Academia de Caçadores de Sombras, que, apesar de contar com a participação de outros autores (Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson, Robin Wasserman), se passa no universo fantástico criado por Cassandra Clare, o mesmo de Os Instrumentos Mortais, As Peças InfernaisOs Artifícios das Trevas (tanto que seus personagens aparecem frequentemente nessa obra). Por conta disso, o livro, e, consequentemente, essa resenha, podem conter alguns spoilers, sobretudo de Os Instrumentos Mortais.

Inicialmente tendo sua publicação na forma online, onde os contos foram expostos separadamente, o conjunto de contos hoje disponível também na forma física narra a trajetória de Simon na recentemente reaberta Academia de Caçadores de Sombras, que tem, como o nome sugere, a função de formar Caçadores de Sombras, sejam eles possuidores do sangue Nephilim que apenas necessitam de treinamento intenso para se tornarem profissionais, ou mundanos que, mais do que treinar, precisam passar pelo ritual do Cálice para tornarem-se Caçadores de Sombras.

Em pouco tempo, houveram duas grandes guerras no mundo Nephilim, o que levou a perda de diversos Caçadores, gerando a necessidade da formação de novos. E foi essa necessidade que os fez abandonar o hábito de treinarem dentro dos Institutos, reabrindo a academia para aqueles que tem sangue de anjo e recrutando os que não tem, mas desejam tornar o mundo um lugar melhor por meio do combate dos demônios, mas, nem mesmo com essa evidente dependência dos mundanos interessados em entrar para o mundo sobrenatural, os Caçadores parecem perder seus velhos preconceitos,mantendo as crianças mundanas no porão e privilegiando aqueles que vieram de famílias angelicais com quartos, aulas e até mesmo comida de melhor qualidade (mesmo que isso não signifique muito, visto que a alimentação lá é de qualidade notavelmente inferior). Isso para não falar na discriminação que integrantes de Submundo ainda sofrem.

Como se a discriminação por ser mundano, a comida horrível e o treinamento físico exaustivo (ainda mais para alguém que, diferente dos colegas mundanos escolhidos, não é nada atlético) não fossem o suficiente, isso para não falar na crise de consciência por Simon ser vegetariano e contra a violência, o garoto ainda tem que lidar com a pressão (exercida de modo consciente ou não) para que ele se lembre de quem era e volte a ser o herói que fora antes de ter suas memórias apagadas por um demônio.

Mesmo sendo o mais fraco dos mundanos (que, por natureza,são considerados mais fracos pelos filhos de Raziel), ele ainda é escalado para missões mais importantes e recebe até mesmo a oportunidade de ficar com a “elite” (nome dado aos Caçadores de berço, mas, sem conseguir suportar os comentários preconceituosos de seus amigos em relação aos seres do Submundo e os outros mundanos, Simon decide se unir à “escória” (nascidos mundanos), mudando-se para o porão, lutando para que a os mundanos como um todo sejam aceitos pelos outros e sentindo-se culpado por ser privilegiado e idolatrado por feitos que sequer se lembra de ter executado.

Mas a amnésia demoníaca não traz apenas privilégios e, mais do que pela igualdade entre todos na academia ou o fim da descriminação, o rapaz terá que lutar também para retomar suas memórias e, com elas, seus laços com Jace, Alec, e, sobretudo, sua amizade até então inabalável com Clary e seu amor profundo por Isabelle, uma garota tão linda e corajosa que ele sequer consegue imaginar como conseguiu conquistá-la antes de perder suas lembranças. Mas sabe que vai ter que aprender a fazê-lo novamente.

Embora eu não indique o livro para aqueles que desconhecem a obra da Cassandra Clare, pois poderão ficar meio perdidos, ele é perfeito para os fãs que já leram as três sagas da autora, já que desperta um sentimento de amor e nostalgia bem parecido com o que temos ao rever velhos amigos, ao nos mostrar os personagens que conhecemos tão bem mais uma vez, agora mais velhos e com as vidas mais estáveis. Além disso, a autora aproveita também para explorar melhor eventos que até então tinham sido apenas citados, como o relacionamento de Rober com seu parabatai, Michel, por exemplo, e para nos dar uma prévia de sua próxima saga ainda não lançada: As Últimas Horas. É sabido que a Cassandra Clare, Cassie para os fãs, se dá melhor com longas narrativas do que com contos, mas, por tudo que disse até aqui (principalmente pela sensação deliciosa de rever personagens que amo tanto, agora numa vida mais feliz e tranquila), dou um 8.

By Ana Beatriz

Hatsukoi Monster


Um anime relativamente novo, Hatsukoi Monster foi lançado em julho e é uma comédia romântica que conta a história de Kaho, uma menina vinda de uma família rica, ela sempre foi mimada, mas, ao entrar para um colégio longe de sua casa após prestar os tradicionais exames no Japão para conquistar uma vaga no Ensino Médio, vai morar sem os pais, dividindo uma casa próxima à sua escola.

Assim que chega, ela quase é atropelada por um caminhão, mas é salva por um Kanade, garoto alto e bonito que mora na casa em que ela acabara de semudr. É amor à primeira vista e eles começam a namorar, mas não demora para que ela descubra que o seu primeiro namorado, apesar da aparência física indicar o contrário, não passa de um aluno do quinto ano do fundamental.

Daí em diante, ela terá que aprender a conviver com a infantilidade de Kanade e seus amigos da mesma idade, refletindo sobre como sustentar um relacionamento desses, visto que ela é uma estudante do primeiro ano do Ensino Médio e, por consequência, mas madura do que eles.

Como se isso já não fosse o suficiente, Kaho ainda conhece as outras pessoas com a quais divide a morada: Kota, um garoto da mesma idade de Kaho que é tímido e desajeitado e passa a nutrir uma paixão platônica por ela;  Taga, um estudante da faculdade que parece sentir um misto de atração e desprezo pela menina; Mafuyu, uma mulher obcecada pelo pai de Kanade, Shugo, que é o dono da casa e, por fim, Chiaki, que parece ser a única pessoa razoável no lugar.

Embora o anime conte com algumas cenas fofas do casal e até uma ou outra piada engraçada, infelizmente, me decepcionou bastante, tendo menos conteúdo do que eu imaginava e sendo composto basicamente por besteirol, merecendo, assim, nada mais que 6,5.

By Ana Beatriz

O jogo da mentira – Sara Shepard


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Da mesma autora da série Pretty Little Liars, O Jogo da mentira é o primeiro volume de uma saga que narra a trajetória de Emma ao tentar desvendar quem seria o responsável pela morte de sua recém-descoberta irmã gêmea, chamada Sutton.

Emma é uma garota adolescente que, com poucas memórias de sua instável mãe biológica e tendo passado toda a sua vida em lares adotivos ou de pais temporários, já está acostumada a não ter um lar fixo, mantendo seus poucos bens (inclusive o dinheiro guardado que ganha de seus empregos de meio período) em uma mochila.

Mais uma vez, ela está em uma nova casa com novos parentes temporários. Sendo estes parentes uma mãe que passa o dia trabalhando como garçonetes em cassinos de Las Vegas e é obcecada por famosos e um irmão que parece dedicar todo o seu tempo a fumar maconha, ver vídeos de marginais no Youtube e bolar novos planos para tentar ver Emma nua, a garota não está muito feliz com o novo lar.

Mesmo assim, ela pretende se esforçar e aguentar tudo por mais alguns meses, só até concluir o Ensino Médio para enfim poder entrar na sua tão sonhada faculdade de fotojornalismo.

No entanto, tudo vai por água a baixo quando a mãe nota a ausência de algumas notas no pote onde costuma guardar dinheiro. Embora o irmão seja o real culpado, ele imediatamente arruma um jeito de botar a culpa nela, desmoralizando-a de vez ao mostrar um vídeo de Emma na internet.

O vídeo mostra a menina sendo estrangulada com um relicário e o garoto alega que algumas garotas fazem isso apenas pelo “barato” causado por tal ação, usando isso para provar que Emma não tem boa índole e não é tão certinha quanto parece.

Todas as peças parecem se encaixar, exceto por um pequeno detalhe: A Emma nunca gravou aquele vídeo. É outra pessoa que aparece na gravação. Mas como comprovar isso quando a garota filmada é exatamente igual a ela? É nesse instante que a possibilidade de Emma ter uma irmã gêmea até então desconhecida começa a ganhar força em sua mente e ela decide pesquisar mais sobre o assunto.

Uma breve pesquisa no Facebook revela que ela não estava errada: Uma garota idêntica a ela, Sutton foi adotada ainda pequena por uma família rica e parece viver uma vida de princesa, tendo irmã adotiva, namorado e muitos amigos em decorrência de sua popularidade na escola, ela possui tudo que a Emma jamais teve a chance de ter.

Com uma pitada de inveja e outra muito maior de esperança, ela decide entrar em contato, mandando uma mensagem para a Sutton, afinal, a família poderia aceita-la, não é mesmo¿ As duas marcam um encontro e Emma parte para a cidade da irmã gêmea apenas para descobrir que chegou tarde demais. Sutton foi assassinada, mas ninguém parece saber disso e Emma vai precisar tomar seu lugar, fingindo ser alguém que ela nunca conheceu, se quiser continuar viva e descobrir o que de fato aconteceu com a irmã.

Tendo um enredo interessante que mistura suspense, romance e YA e sendo obra da autora da minha série de TV preferida, eu tinha altas expectativas para esse livro. Receio dizer, no entanto, que estas não foram alcançadas.

Embora possua uma trama envolvente e personagens interessantes, eu não gostei muito do estilo de escrita da autora, um pouco seco e direto demais para o meu gosto, sem falar que achei estranho a história ser narrada a partir do ponto de vista da fantasma, embora tenha sido original, sem dúvidas. Contudo, acho que o que mais pesou para mim foi a facilidade com que a protagonista interpretou o papel da irmã desconhecida. Depois de um tempo, a escritora trabalha melhor com isso, fazendo com que a garota entre em situações onde encontre maior dificuldade para atuar, mas, logo no início, ela age como se aquilo fosse totalmente natural para ela, o que acaba contradizendo uma afirmação anterior de que ela não mentia bem, além de não ser realista, visto que Emma e Sutton tem personalidades díspares e que tudo que a primeira sabe sobre a segunda é proveniente do Facebook.

Apesar disso, como já foi dito, a autora se redimi no final, tornando o enredo cada vez mais interessante conforme conhecemos melhor Sutton e tudo que a envolve, dificultando o fingimento de Emma e criando um romance super fofo entre a protagonista e um rapaz desprezado pelo grupo de amigas de Sutton. Sendo assim, decidi dar uma chance para a saga, dando 8 para o livro e desejando ler a continuação.

By Ana Beatriz

Juntando os pedaços-Jennifer Niven


Após mais um sumiço (dessa vez causado por viagens kk), eu finalmente estou de volta para resenhar Juntando os pedaços, obra de Jennifer Niven, autora também de Por lugares incríveis, um dos meus livros preferidos.

Bem, assim como no primeiro livro da escritora voltada para o público jovem, Juntando os pedaços também tem sua narrativa intercalada entre dois protagonistas (um menino e uma menina) que estudam na mesma escola. Ou seja, o ponto de vista da narrativa se modifica de acordo com o capítulo, o que acaba prendendo o leitor ainda mais, torna a leitura mais interativa e nos aproxima mais dos personagens em questão.

A garota é Libby Strout, cuja mãe morreu quando ela era apenas uma criança. Como se isso já não fosse traumatizante o suficiente, seu corpo começou a se desenvolver antes das outras meninas, fazendo com que sofresse bullying por seu peso diferenciado. Sentindo-se triste e vazia, Libby desconta na comida e se recusa a ir para escola, engordando a ponto de receber o título de A garota mais gorda da América e precisar ser resgatada de sua própria casa, após um ataque de ansiedade que sofrera, por não conseguir mai passar pela porta.

Ela fez tratamentos e, hoje, seu peso não representa mais um grave risco à sua saúde, mas ainda está muito acima do peso ideal. Ignorando esse último fato, a menina se sente renovada com essa melhora, decidindo voltar para  escola, mas o Ensino Médio pode se mostrar mais difícil do que ela esperava.

O nosso outro protagonista é Jack Masselin, engraçado, popular, bonito, e namorado de uma das estudantes mais populares do colégio, todo mundo o conhece. Ou, pelo menos, acha que conhece. A verdade é que o motivo dele sempre sorrir e acenar para todos, viver fazendo piadas e seguir as tendências do grupo em que anda é bem diferente da que todos imaginam: Jack possui uma doença rara denominada prosopagnosia, a qual o impede de reconhecer rostos, inclusive o de pessoas muito próximas a ele, como familiares, amigos ou sua própria imagem no espelho.

Sem conseguir se aceitar por isso, ele se considera estranho e teme que seus colegas façam brincadeiras maldosas com ele se descobrirem. Além disso, ele não quer incomodar seus pais com seus problemas, visto que o garoto descobriu há pouco que seu pai tinha um caso com sua professora de química, e essa descoberta se deu uma semana antes do pai ser diagnosticado com câncer.

Para sobreviver dessa forma sem que ninguém descubra ou se envolver em muitas confusões, ele reconhece as pessoas pelo que chama de marcas identificadoras, que podem ser o cabelo, a voz ou mesmo o jeito de andar. Ele também tenta não se relacionar muito seriamente com ninguém e ser simpático com todos, para o caso de estar falando com a pessoa errada. Infelizmente, essa negação em pedir ajuda também o leva a tomar muitas atitudes que ele não aprova, apenas por seus amigos terem pedido, pois teme perder as únicas pessoas que já aprendeu a reconhecer com mais facilidade pelas marcas identificadoras.

Quando li a sinopse, imaginei que fosse preferir a Libby: vítima de bullying, com uma história trágica e sobrepeso, ela parecia a típica personagem da qual costumo gostar, ao contrário do Jack, com sua popularidade e  beleza, fatores que costumam dificultar minha identificação com a personagem.

Para a minha surpresa, o que ocorreu foi justamente o oposto, e acredito que um dos motivos tenha sido o fato da Libby ser completamente diferente do que eu imaginava: Longe de ter problemas de baixo estima ou depressão, ela é um exemplo, se aceitando como é e expondo isso para todos, sem se importar com o que os outros vão dizer ou pensar, o que não falta nela é força e amor próprio.

O Jack, em contrapartida, se sente sozinho e excluído por conta de sua doença, fingindo ser outra pessoa por tanto tempo que chega a questionar quem ele é de fato. Diferente da Libby, que é um exemplo perfeito de garra e coragem, o Jack é cada vez mais desenvolvido com o transcorrer da história, superando seus preconceitos e lutando para conseguir se aceitar, em guerra consigo mesmo para descobrir se não se tornou tão babaca quanto sempre fingiu ser, mostrando ser alguém muito mais profundo e complexo do que apenas mais um garoto popular.

Me identificar com o Jack para mim foi, além de surpreendente, muito importante para me fazer pensar sobre o outro lado da história e os motivos que levam alguém a fazer algo que machuca os outros e pode soar imbecil. Por mais que seja difícil acreditar, às vezes, o outro realmente tinha um motivo para tomar tal atitude, e talvez esteja numa situação tão ruim ou ainda pior do que a sua.

Embora tenha como principal tema a gordofobia (um assunto muito pouco abordado atualmente, por sinal, e que merece maiores discussões), a obra conta com uma diversidade incrível de personagens, tendo pessoas com variadas formas físicas, gêneros, idades e orientações sexuais, englobando, assim, loiros e negros, gordos e magros, crianças e adultos, homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, e tendo várias mensagens, mas uma principal: Você é importante. Alguém te ama. Nunca deixe que te ninguém te diga o contrário, nem você mesmo. Principalmente você mesmo.

E é por causa dessa mensagem brutalmente simples e verdadeira, dos personagens cativantes (inclusive os secundários, dando aqui um destaque pro Dusty, irmão caçula do Jack, que pra mim é o melhor personagem do livro) e da narrativa leve e envolvente da Jennifer Niven (que faz uma doença complexa que eu sequer sabia existir ser de fácil compreensão) que minha nota para esse livro é 9 (não dou 10 porque ainda prefiro Por lugares incríveis kk).

Beijos,

Ana Beatriz