A Ilha de Coral – R.M. Ballantyne


Resultado de imagem para capa livro a ilha de coralBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha do livro A Ilha de Coral, do autor inglês R.M. Ballantyne, que serviu como inspiração para o grande Júlio Verne, o pai da ficção científica moderna, escrever “Dois Anos de Férias”.

A história toda é narrada em primeira pessoa por Ralph, que nascera em uma noite negra e muito tempestuosa, a bordo de um navio, em pleno Atlântico. Filho e neto de capitães de navios, e também bisneto de um marujo, podia-se afirmar que, desde que nascera, ele possuía água salgada correndo em suas veias, ao invés de sangue.

Logo que entrou na puberdade, seu pai o colocou como aprendiz em um navio costeiro que cruzava toda a costa da Inglaterra, seu país de origem. Seus amigos desta época passaram então a chamá-lo de Rover (Vagamundo), epíteto que ele gostou tanto que passou a adotar como seu sobrenome.

Aos 15 anos, mesmo a contragosto dos pais, Ralph Rover partiu a bordo do navio Seta rumo aos mares distantes da Oceania. E não demorou muito para que ele logo travasse amizade com dois rapazotes que faziam parte da tripulação do Seta: Jack Martin, um rapaz bonito e alto, que estava no auge dos seus 18 anos, e Peterkin Gay, um garoto de apenas 13 anos, que além de muito espirituoso, era também muito vivo e muito querido pelo resto da tripulação.

Depois de passarem pelo Cabo Horn, na América do Sul, o garboso Seta enfrentou uma terrível tempestade que acabou por lançar toda a sua tripulação ao mar, e causando seu naufrágio.

Ralph Rover e os outros tripulantes lutaram bravamente por suas vidas, até a exaustão. O jovem de 15 anos então não resistiu mais e acabou perdendo seus sentidos.

Ao acordar, deu de cara com Jack em pé fitando-o com preocupação e Peterkin, ao seu lado, de joelhos, lavando seu rosto, para tentar estancar o sangramento de sua testa. Eles estavam perdidos em uma das Ilhas de Coral do Pacífico Sul que, além de serem conhecidas por suas belas praias de areias claras e lindas palmeiras, também tinham fama de serem o lar de terríveis aborígenes antropófagos…

Qual será o destino dos três jovens? 

Para saber essa e outras respostas, só lendo muito!

História “deliciosa”, intercalada de muita aventura e mistério que, ao seu final, força cada leitor a fazer uma reflexão sobre a verdadeira amizade e lealdade, e também sobre a maldade do ser humano.

Mereceria até mais do que 5 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo enorme no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

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O Conto do Covarde – Vanessa Gebbie


– Meu nome é Laddy Merridew.
Eu sou um chorão. Me desculpe.

– E meu nome é Ianto Jenkins.
Sou um covarde. O que é pior.

Imagem relacionadaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Com este diálogo insólito, damos início à resenha de O Conto do Covarde, livro de estreia da autora galesa Vanessa Gebbie.

O livro narra a história de Laddy Merridew, um menino de nove anos que, após o divórcio dos seus pais, havia sido mandado para morar com sua avó, em um pequeno condado do País de Gales.

Lá chegando, o menino tropeça e acaba ralando as mãos e os joelhos, desandando a chorar, sendo prontamente acudido pelo senhor Ianto Passchendaele Jenkins, o mendigo local. A partir deste momento, uma grande amizade se forma entre ambos.

O senhor Ianto era também um fabuloso contador de histórias, a quem muitos escutavam mas poucos davam credibilidade.  Ele passa a contar então, ao pequeno Laddy, muitas histórias dos moradores do vilarejo e de suas manias peculiares, e através de suas palavras, o menino passa a entender o real motivo daquelas pessoas agirem de maneira tão estranha.

Pessoas como Jimmy “meio” Harris, que “nasceu morto” e não consegue falar, mas teria vindo ao mundo para ser um grande poeta; ou como Ícaro Evans, um professor de marcenaria, que tinha planos de criar uma folha de madeira, capaz de flutuar no ar.

Por fim, o mendigo Ianto revela ao pequeno Laddy, um segredo que ele guardava de todos, segredo este que estava relacionado diretamente ao acidente ocorrido há vários anos na mina de carvão Gentil Clara, onde muitas pessoas perderam seus familiares, em decorrência de uma fortíssima explosão na mina.

Desta maneira, Laddy, o menino “chorão” e Ianto, o mendigo “covarde” interagem com todos os personagens do livro, criando uma atmosfera lúdica e muito reflexiva.

O resto, só lendo muito!!!

O ritmo da narrativa é bem lento e arrastado no início, mas depois engrena e o leitor passa a querer “devorar” rapidamente as páginas para chegar logo ao final, que além de surpreendente, é também muito triste.

Digno de 4 estrelas.

Esperamos que tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

 

 

 

O Raio Verde – Júlio Verne


Resultado de imagem para capa o raio verde júlio verneBoa Tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de O Raio Verde, o único romance escrito por Júlio Verne, um dos pais da ficção científica.

A história tem início na pequena aldeia de Helemburgo, Escócia. Em um  deslumbrante chalé, às margens do rio Gare-Loch viviam os dois irmãos Sam e Sib Melvin, que além de muito abastados e de idade, também adoravam rapé e romances históricos de autores escoceses, como Walter Scott e Fingal.

Ambos viviam em prol da bela Helena Campbell, sua adorável e sonhadora sobrinha, que vivia com eles desde que tornara-se órfã ainda pequena; os tios bondosos realizavam todos os desejos da dileta sobrinha, sem nunca dizerem-lhe um não.

Helena já estava prestes a completar 18 anos e ambos os tios estavam muito preocupados, já que eles tinham uma idade bem avançada e queriam que outra pessoa se tornasse tutora da sobrinha. E nada melhor do que um marido para isso, eles pensavam.

Na cabeça deles, Aristóbulo Ursiclos era o candidato perfeito para marido de Helena, pois ele já possuía 28 anos, era muito inteligente e bastante rico também. Eles só esqueceram-se de que ele era um completo “chato de galocha”, que vivia falando de si mesmo e de seus conhecimentos.

Quando Helena ficou sabendo do plano de casamento dos tios, riu da ideia e afirmou-lhes que só casaria após ver o “raio verde” – um fenômeno óptico incomum, que dura cerca de 1/4 de segundo e acontece após o último raio de sol lançado pelo crepúsculo. Além de raro e difícil de se ver, o “raio verde” também era alvo de uma lenda escocesa muito antiga, que afirmava que a pessoa que o avistasse não se enganaria  nunca mais nos assuntos relacionados ao coração. Segundo a lenda, seu aparecimento destruiria todas as mentiras e ilusões.

Para não contrariarem Helena, eles aceitaram partir imediatamente para Oban, uma região que ficava próxima ao mar, aonde o avistamento do “raio verde” seria bem mais fácil, e onde já se encontrava o inconveniente Aristóbulo Ursiclos, a quem seus tios pretendiam apresentar-lhe, com o intuito de tratar rapidamente das núpcias.

Durante o caminho para a ilha, uma embarcação em perigo é avistada e, graças aos apelos de Helena, que conseguiu convencer o comandante do navio-vapor em  que seguiam a aproximar-se do perigoso redemoinho que cercava o outro navio, dois homens conseguiram ser salvos.

Para não estragar as surpresas que o autor reservou para os leitores, vou parando por aqui.

O resto, só lendo muito!

Neste livro não há qualquer menção a inventos mirabolantes, algo que ocorre na maioria dos livros do autor. Entretanto, a figura do náufrago continua presente, pois Júlio Verne era um grande fã de Os Robinsons Suíços, de Johann Rudolf Wyss e de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe.

Trata-se de um romance “água com açúcar” muito bem escrito, que conta com o charme que só um grande autor como Júlio Verne conseguiria criar.

Digno de 3 estrelas.

Espero que tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André 

O Farol no Fim do Mundo – Júlio Verne


Resultado de imagem para o farol no fim do mundoBom dia, querida Família Lendo Muito!

Nada melhor do que começar a semana com uma resenha de um livro maravilhoso de Júlio Verne, não é mesmo?

Nessa empolgante aventura do pai da ficção, temos a história de um farol construído no “fim do mundo”, mais precisamente na Ilha dos Estados, situada no ponto onde as águas quentes do oceano Atlântico encontram-se com as águas frias do oceano Pacífico, também chamada de Terra dos Estados, na extremidade sul-oriental do novo continente (atual ilha de Hornos, Chile).

Essa ilha é muito procurada pelos navios que passam de um oceano para o outro, venham eles do nordeste ou sudoeste, depois de dobrarem o cabo Horn. A região muito perigosa já foi palco de inúmeros naufrágios e por isso estava recebendo a construção do novo farol.

O navio de guerra argentino “Santa Fé” recebeu a incumbência de acompanhar os trabalhos de construção do mesmo e levar os guardas que se revezavam a cada três meses no serviço de manter o tão precioso e necessário farol aceso. Os guardas que ficariam desta vez no longínquo farol eram Vasquez, Felipe e Moriz.

Após deixar o trio, o “Santa Fé” partiu da Ilha dos Estados, e só deveria voltar no próximo trimestre.

Tudo transcorria bem, até os três guardas serem surpreendidos por um bando de salteadores perigosos, liderados pelo temível e cruel Kongre e por Carcante, seu auxiliar direto. Eles escondiam-se nas inúmeras cavernas da ilha e viviam com os produtos dos saques dos naufrágios que ocorriam antes da construção do farol.

Agora, esses bandidos sentiam-se ameaçados com a presença dos três guardas na ilha, pois os mesmos poderiam estragar seus planos maléficos.

O resto, só lendo muito!

História excelente, com um final muito empolgante. A única nota negativa é o excesso de terminologias náuticas utilizadas, mas nada que desabone a leitura.

Digno de 5 estrelas.

Esperamos que tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

 

O incrível livro de Hipnotismo de Molly Moon – Georgia Byng


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Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Selecionei O incrível livro de Hipnotismo de Molly Moon, de autoria de Georgia Byng, para dar início às nossas resenhas desta semana.

Molly Moon era uma típica garota comum e sem graça, que vivia no Lar Vidadura, um horrível orfanato situado em Briesville, interior da Inglaterra.  Assim como muitas outras crianças,  ela havia sido abandonada ali ainda bebê.

Como o próprio nome já dizia, a vida ali era mais do que difícil, pois a Srta. Viborípedes dirigia o lugar com mãos de ferro, aplicando castigos cruéis em quem não andasse na linha, e Molly era sua vítima predileta!

As punições que lhe eram impostas iam desde lavar o banheiro a semana inteira com sua escova de dentes, até ficar sem banho por até três semanas – as crianças tinham o direito de um único banho por semana, acreditem.

Para piorar ainda mais a situação da pobre menina, um grupo de crianças que era liderado pela antipática e maldosa Hazel Marreta, vivia maltratando e caçoando sempre dela, atribuindo-lhe apelidos terríveis como “Periga” (por ela ser desajustada e sujeita a acidentes), “Zunza” (porque sua voz causava sono nas pessoas) e “Olho-de-Vampiro” (devido aos seus olhos serem verdes e muito juntos).

Edna, a cozinheira do orfanato, era outra criatura de trato difícil, pois não tinha qualquer pena daquelas crianças e servia-lhes as piores “gororobas” que se possa imaginar…

Molly só encontrava verdadeiro refúgio na bondosa Sra. Brinklebury, que vinha duas vezes por semana para limpar o orfanato, e em Rocky Escarlate, seu único e verdadeiro amigo ali,  que muitas vezes dividia sua própria escova de dentes com ela.

Mesmo levando esta vida tão tortuosa, ela era uma garota muito sonhadora, e adorava assistir aos comerciais na TV, pois lá as pessoas sempre pareciam bonitas e muito felizes.

Certo dia, após uma discussão com Rocky, ela resolveu refugiar-se na biblioteca da floresta, seu lugar predileto. Lá, ela acabou por encontrar um livro proibido e muito antigo sobre hipnose e resolveu levá-lo escondido para ler no orfanato.

No início, ela praticou hipnotismo nela mesma, colocando-se e saindo de transe; depois, ela praticou em Petula, a Pug chata e mau-humorada da Srta. Viborípedes, conseguindo transformá-la em uma mascote dócil e muito querida.

Edna foi a próxima vítima de Molly. Sob influência da hipnose, ela passou a servir só pratos deliciosos, oriundos da culinária italiana, para o deleite de todas as crianças do orfanato.

Porém, enquanto Molly dedicava seu tempo à leitura do livro de hipnotismo, seu amigo Rocky  acabou sendo adotado por uma família americana e nem teve tempo de despedir-se dela, deixando uma grande tristeza no coração da aprendiz de hipnotizadora.

Ela resolveu então hipnotizar a terrível diretora para saber do paradeiro de Rocky. Todavia, a única coisa que ela descobriu foi que seu amigo havia seguido para as imediações de Nova York, para viver com a família Alabaster.

Ela fez uso de todo o ensinamento que aprendeu com o livro antigo para deixar uma plateia inteira em transe e sagrar-se campeã do concurso de jovens talentos de Briesville, recebendo 3.000 libras como prêmio.

Após comprar um pêndulo antigo e muito caro, em uma loja de antiguidades, ela acaba por atrair a atenção de um certo Prof. Nockman, que passa a segui-la, com o intuito de tomar-lhe o livro antigo de hipnotismo.

Com a missão de encontrar seu amigo Rocky, Molly parte então para Nova York, levando Petula consigo. Lá chegando, ela logo faz uso dos seus poderes de hipnotismo para viver em um mundo glamouroso e deslumbrante, cercado de cobiça e de muito orgulho, sem ter ideia dos graves perigos que a esperavam na “Grande Maçã”!

O resto, só lendo muito.

Uma história verdadeiramente “hipnótica”, cativante e recheada de reviravoltas do início ao fim, com uma linda lição de moral reservada para o final.

Livro indicado para todas as idades.

Merece 5 estrelas.

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Tio Robinson – Júlio Verne


 

Resultado de imagem para capa tio robinsonBoa noite, querida Família Lendo Muito!!!

Para animar a noite de todos vocês, nada como uma resenha de um livro de Júlio Verne, um dos pais da ficção científica, não é mesmo? Para isso, escolhemos “Tio Robinson”, uma obra-prima magnífica e ainda desconhecida por muitos.

A história começa com a emocionante aventura de uma família de americanos, composta pelo Sr. e Sra. Clifton e seus quatro filhos: Marc, Robert, Jack e Belle, além do fiel cãozinho Fido, que em 1861 embarcou no navio Vankouver, com o intuito de regressar aos Estados Unidos, seu país de origem.

Tudo corria bem, até que a raivosa tripulação amotina-se, assumindo o controle do navio em pleno Oceano Pacífico. Como a família Clifton representava um grande problema para os “novos comandantes” desalmados do Vankouver, eles resolvem lançar ao mar a Sra. Clifton e seus quatro filhos a bordo de um pequeno bote, abandonando-os assim à própria sorte.

A tragédia só não tornou-se maior, porque Flip, um corajoso marinheiro, lançou-se ao mar e conseguiu alcançar a nado o bote com os cinco náufragos, ajudando-os a sobreviver nas águas revoltas do Oceano Pacífico.

O Sr. Clifton e o cãozinho Fido que ficaram a bordo, tornaram-se prisioneiros dos terríveis amotinados  do Vankouver.

Após muitos dias de sol e tempestades marítimas, Flip e a família Clifton acabam encalhando em uma ilha desconhecida e deserta, onde terão que aprender, da maneira mais árdua, a viver com os recursos obtidos na própria ilha.

Será que o Sr. Clifton  e o cãozinho Fido conseguirão escapar dos terríveis piratas? Quais surpresas ainda estarão reservadas para Flip e a família Clifton?

O resto, só lendo muito!

O autor criou um enredo tão fantástico, utilizando para isso uma riqueza de detalhes imensa, levando seus  leitores a quererem fazer parte do dia a dia dos náufragos na remota ilha do Pacífico.

Só para vocês tomarem ciência: Júlio Verne era um grande fã de Os Robinsons Suíços, de Johann Rudolf Wyss e de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, chegando a escrever muitos outros livros sobre náufragos, entre eles: A Escola dos Robinsons, A Ilha Misteriosa e Os Filhos do Capitão Grant.

Digno de 5 estrelas.

Esperamos que tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

Tribulações de um Chinês na China – Júlio Verne


Resultado de imagem para capa tribulações de um chines na chinaQuerida Família Lendo Muito, é com grande prazer que trazemos a vocês mais uma resenha do grande Júlio Verne que, além de ter sido um dos pais da ficção-científica, foi também um grande visionário, já que muitas das invenções que vemos hoje já eram descritas por ele há tempos em seus livros, como o engenhoso submarino Nautilus, do livro Vinte Mil Léguas Submarinas, e o carro-anfíbio voador, de O Senhor do Mundo.

Mas Tribulações de um Chinês na China vai totalmente na contramão de suas outras obras, visto que não há qualquer descrição de engenhosos inventos.

Tudo começa com um banquete onde encontram-se sentados à mesa, no salão de uma das casas flutuantes do Rio das Pérolas, na cidade de Cantão, o sábio filósofo Wang, o rico Kin-Fo, e seus quatro amigos de infância: Pao-Shen, Yin-Pang, Tim e Houal. Kin-Fo, já cansado de uma vida fastigiosa e sem graça de riquezas, resolveu promover aquele banquete como uma espécie de despedida de solteiro, já que em breve ele iria casar-se com a jovem e bela viúva Lé-Ou.

Porém, ao voltar para sua residência em Xangai, juntamente com o filósofo e fiel amigo Wang, Kin-Fo recebeu uma carta vinda da América do Norte, mais precisamente do Banco Central da Califórnia, aonde seu correspondente de São Francisco informava-lhe que ele estava simplesmente falido…

De posse dessa informação, Kin-Fo tomou a decisão de dirigir-se à companhia de seguros de vida A Centenária – casa de muito prestígio na China, dirigida pelo ilustríssimo Sr. Guilherme J. Bidulph -, com o intuito de segurar sua vida pela vultosa importância de duzentos mil dólares, que seria dividida entre dois beneficiários: cinquenta mil dólares para seu amigo Wang e os outros cento e cinquenta mil dólares restantes iriam para sua noiva, a Sra. Lé-Ou.

Diante da sua iminente  falência, Kin-Fo tinha o plano de cometer suicídio, portanto, ele começara a preparar o enredo e trâmites de sua morte, estipulando como data limite de seu falecimento o dia 25 de junho, mesmo dia em que completaria 31 anos.

Como não tinha coragem para consumar o fato, ele resolveu incumbir Wang da cruel tarefa, com a condição do amigo matá-lo sem que ele soubesse como, onde e quando, somente respeitando o prazo estipulado.  Para que tudo ficasse ainda mais completo, Kin-fo resolveu redigir também uma carta suicida, onde afirmava que havia dado cabo da sua vida por causa do tédio e do cansaço, isentando Wang de quaisquer implicações futuras.

Tomando ciência de todo o plano de Kin-Fo, Guilherme J. Bidulph, proprietário da seguradora de vida A Centenária, incumbe seus agentes Craig e Fry para cuidar e vigiar o “suicida em potencial” para que nada lhe acontecesse até a data da expiração do contrato do seguro.

Para piorar a sua situação, Kin-Fo fica sabendo que seu amigo Wang desapareceu, sem deixar qualquer vestígio. Ele também recebe a notícia que na realidade não estava e nunca esteve falido; tudo havia sido um grande equívoco do Banco Central da Califórnia.

Kin-Fo, Craig e Fry, mais seu leal serviçal Soun, partem desesperadamente em busca de Wang para avisá-lo da mudança de planos, já que Kin-Fo não desejava mais ser morto. Todavia, será mesmo que eles conseguirão encontrá-lo antes que ele mate Kin-Fo?

O resto, só lendo muito.

Uma história emocionante, acompanhada de um suspense eletrizante, de tirar mesmo o fôlego, digno do grande Júlio Verne.

Mereceria até mais do que 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado de verdade.

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André & Ana Paula

 

 

 

 

Uma Cidade Flutuante – Jules Verne


Resultado de imagem para uma cidade flutuanteMuito antes da construção do Titanic, Jules (Júlio) Verne já havia concebido, em sua mente visionária, o maior transatlântico de todos os tempos.

O navio em questão era o Great Eastern, uma verdadeira “cidade flutuante”.  Como todas as grandes embarcações de sua época ele era movido a vapor, medindo 257,5 metros de comprimento, 36 metros de largura e 207 pés franceses (cerca de 63 metros), medida superior à altura da Catedral de Notre Dame. Tinha 6 mastros e 5 chaminés e fora construído para carregar mais de 10.000 passageiros (o Titanic podia carregar 2435). Além disso, não havia divisões de classe no grande navio, pois todas as cabines tinham acabamento semelhante.

Os único defeitos deste fabuloso navio eram seu horrível sacolejar e sua velocidade, muito abaixo das praticadas por outros transatlânticos da época!

Aquela seria a vigésima viagem do Great Eastern, e levaria seus passageiros de Liverpool até  Nova York. O condutor do navio era o experiente e intrépido capitão Anderson – que fora o responsável por passar o cabo telegráfico de um lado para outro do Atlântico -, o mesmo que conduzira o navio nas outras dezenove viagens.

Contudo, esta verdadeira maravilha da engenharia estava enfeitiçada, afirmava o Dr. Dean Pitferge. Segundo o médico, ele fora construído inicialmente para o transporte de emigrantes e mercadorias para a Austrália, mas jamais esteve na “terra dos cangurus”. Um dos capitães do navio havia se afogado e um passageiro perdeu-se nas profundezas do mar, quando fazia sua viagem para os EUA. Durante a construção de suas caldeiras, um simples descuido tirara a vida de um mecânico, que acabou soldado dentro delas…

O Dr. Dean Pitferge tinha vontade de “saber como era um naufrágio”. Para isso, vinha viajando no Great Eastern desde a sua viagem inaugural; durante a 19ª ele quase conseguira seu intento, pois aquela fora a mais terrível viagem para o grande vapor . Desta vez, ele estava muito esperançoso que o grande vapor iria naufragar…

Outro passageiro que viajava no navio era o capitão Fabian; ele embarcara para esquecer seu grande amor: Ellen Hodges. Os dois viveram um grande paixão há 2 anos,  durante sua estada na Índia, porém, devido às muitas dívidas acumuladas, o pai da bela moça resolveu aceitar um casamento arrumado com Harry Drake, o filho de um negociante de Calcutá. Com o casamento, Ellen Hodges tornou-se uma esposa infeliz, e Fabian, tornou-se “o mais infeliz dentre todos os homens”.

Harry Drake era um aventureiro insolente e falastrão; ele conseguira torrar toda a fortuna do seu pai em menos de 2 aos, apostando em qualquer tipo de jogo que lhe aparecia. Sem que Fabian fizesse ideia da sua presença, ele resolveu embarcar no Great Eastern, pois acreditava que, chegando a Nova York, poderia aplicar um grande golpe e retomar ao menos parte de sua fortuna.

Durante a noite, um fantasma era visto por parte da tripulação: alguns marujos viam uma sombra negra passear de um lado para outro do navio, sem poderem explicar de onde ela surgia ou para onde ela ia!

A bordo do Great Eastern, mórmons faziam pregações, menestréis apresentavam-se todas as noites e até uma corrida de cavalos foi disputada de proa a popa no transatlântico, rendendo muito lucro e confusão aos apostadores!

Mas será que esse navio colossal conseguiu chegar ileso ao seu destino? Ou será que, ele naufragou, para deleite do Dr. Dean Pitferge?

O resto, só lendo muito.

Júlio Verne conseguiu, de forma impressionante, fazer com que um navio se tornasse o personagem principal de um livro. E preparou uma surpresa inesperada para seus leitores no final.

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Não posso deixar de falar um pouco da coleção EM Conserva: são livros de bolso de luxo, que vêm dentro de latinhas muito bonitas. A coleção conta com autores muito famosos como: Liev Tolstói, Émile Zola, Charles Dickens, Robert Louis Stevenson, entre outros.

Digno de 5 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

O Menino do Dedo Verde – Maurice Druon


Resultado de imagem para o menino do dedo verdeQuerida Família Lendo Muito, trago-vos hoje a resenha de um livro maravilhoso, considerado por muitos um paralelo de O Pequeno Príncipe. Trata-se de O Menino do Dedo Verde, de autoria do francês Maurice Druon.

A história começa com o nascimento de João Batista. Acontece que o menino não gostou nenhum pouco do seu nome e esperneou e chorou muito quando o chamaram de João Batista, afinal, não fora ele quem escolhera o nome e sim os adultos.

Logo depois, ele passou a ser chamado de Tistu, pois apelidos são formas naturais de se chamarem as crianças.

Tistu era loiro e de olhos azuis e nascera em uma família muito rica, pois o Sr. Papai, seu pai, era um importante fabricante de canhões da cidade de Mirapólvora. Ele tinha certeza que seu filho querido o sucederia na fábrica.

Todos achavam-no tão bonito a ponto dele acreditar que a beleza era algo tão natural; para ele, a feiura deveria ser uma exceção!

A Dona Mamãe e o Sr. Papai resolveram educá-lo em casa mesmo até os 8 anos, ensinando coisas simples para o filho querido. Ele aprendeu com a mãe o princípio da leitura, a somar, subtrair e até multiplicar e dividir, apenas observando a natureza.

Então ele foi mandado para a escola, para que se juntasse às demais crianças de Mirapólvora. Contudo, no terceiro dia ele conseguiu ser expulso por dormir em sala de aula.

“Prezado Senhor, o seu filho não é como todo mundo. Não é possível conservá-lo na escola.” – era o que a carta que o professor de Tistu mandara para eles dizia.

Ele havia sido devolvido aos pais e todos passaram a olhá-lo torto, se perguntando o que seria daquele menino bonito. Só o Ginástico, seu pônei de estimação, não o censurava.

Seus pais resolveram que ele não iria nunca mais para a escola e não tocaria jamais em qualquer outro livro; dali para frente ele se tornaria gente grande, aprendendo as lições apenas observando o desenrolar das coisas.

Primeiro, ele teve aulas com o Sr. Bigode, que aparentava ser muito severo, mas que no fundo era um amor de pessoa. Ele ensinou todo o segredo da jardinagem para Tistu; quando o garoto semeou algumas flores nos vasos e ela floresceram no mesmo dia, ele disse para Tistu que ele nascera com o polegar verde, porém,  ele deveria manter essa informação em segredo, pois aquilo era um dom e gente grande não lida bem com essas coisas.

Depois, ele foi ter aulas com o Sr. Trovões, que apresentou-lhe a cadeia da cidade. Tistu achou as pessoas tão miseráveis e tristes, e o lugar era tão horrível, que ele questionou o Sr. Trovões sobre aquele tratamento dados aos presos. Trovões disse-lhe então que aquele lugar servia de castigo para aqueles que cometeram crimes, todavia, Tistu ficou com a impressão de que deixar as pessoas expiarem seus erros em um lugar tão horrível, não servia para nada.

Durante a noite, ele resolveu então agir: foi até os muros da cadeia e usou seu polegar para modificar a prisão. Ao acordarem, os habitantes de Mirapólvora deram de cara não com uma cadeia, mas com um verdadeiro Castelo de Flores.

Aquilo era tão estranho que eles resolveram constituir um congresso de botânicos para examinar as flores da cadeia de Mirapólvora, mas as explicações não foram satisfatórias.

Depois, ele acompanhou o Sr. Trovões em uma visita às favelas da cidade; lá chegando, ele viu pessoas muito pobres, morando em casebres lúgubres e levando uma vida dura e miserável.

Ao voltar, ele teve a ideia de mudar o aspecto daquele lugar utilizando seu polegar verde novamente. Na manhã do outro dia, aquele horrível lugar transformara-se em uma área lindamente florida, ou seja, uma verdadeira paisagem de cartão postal.

As pessoas acharam aquele lugar tão belo e formoso  que começaram a pagar entrada como se ali fosse um museu.

Vou parar por aqui, para não estragar as surpresas que o autor preparou para vocês…

O resto, só lendo muito.

Um livro considerado infantil, porém, de infantil não tem nada, já que traz inúmeros ensinamentos para todos nós, que nos consideramos adultos.

Sortudo foi o tradutor da minha edição,  D. Marcos Barbosa, pois ele teve a honra de traduzir duas obras-primas: O Pequeno Príncipe e o Menino do Dedo Verde.

Merece 5/5 estrelas

Gostaria de agradecer muito a Dra. Milene Penariol Bizarro, minha T.O. (terapeuta ocupacional) que presentou-me com vários livros de sua coleção: O Menino do Dedo Verde estava entre eles.

Espero que tenham gostado.

Um beijo enorme no coração de cada um de vocês!

Alex André

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras-Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson e Robin Wasserman


Após um longo inverno (ou verão, nesse caso), eu estou de volta (mesmo que não por muito tempo)! Mais uma vez, peço mil desculpas e mais um pouco, de verdade, mas, infelizmente, não posso dizer que vou postar com mais frequência a partir de agora. Na verdade, sinto ao dizer que provavelmente só vai piorar daqui pra frente. Estou apenas no começo do ano em que vou prestar vestibular e bem… Olha o resultado! Kk

Mas… Eu não vim aqui para me lamentar sobre a quantidade de matéria que tenho que estudar! Sem mais delongas, vamos falar sobre o mais novo livro de uma das minhas escritoras preferidas: Contos da Academia de Caçadores de Sombras, que, apesar de contar com a participação de outros autores (Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson, Robin Wasserman), se passa no universo fantástico criado por Cassandra Clare, o mesmo de Os Instrumentos Mortais, As Peças InfernaisOs Artifícios das Trevas (tanto que seus personagens aparecem frequentemente nessa obra). Por conta disso, o livro, e, consequentemente, essa resenha, podem conter alguns spoilers, sobretudo de Os Instrumentos Mortais.

Inicialmente tendo sua publicação na forma online, onde os contos foram expostos separadamente, o conjunto de contos hoje disponível também na forma física narra a trajetória de Simon na recentemente reaberta Academia de Caçadores de Sombras, que tem, como o nome sugere, a função de formar Caçadores de Sombras, sejam eles possuidores do sangue Nephilim que apenas necessitam de treinamento intenso para se tornarem profissionais, ou mundanos que, mais do que treinar, precisam passar pelo ritual do Cálice para tornarem-se Caçadores de Sombras.

Em pouco tempo, houveram duas grandes guerras no mundo Nephilim, o que levou a perda de diversos Caçadores, gerando a necessidade da formação de novos. E foi essa necessidade que os fez abandonar o hábito de treinarem dentro dos Institutos, reabrindo a academia para aqueles que tem sangue de anjo e recrutando os que não tem, mas desejam tornar o mundo um lugar melhor por meio do combate dos demônios, mas, nem mesmo com essa evidente dependência dos mundanos interessados em entrar para o mundo sobrenatural, os Caçadores parecem perder seus velhos preconceitos,mantendo as crianças mundanas no porão e privilegiando aqueles que vieram de famílias angelicais com quartos, aulas e até mesmo comida de melhor qualidade (mesmo que isso não signifique muito, visto que a alimentação lá é de qualidade notavelmente inferior). Isso para não falar na discriminação que integrantes de Submundo ainda sofrem.

Como se a discriminação por ser mundano, a comida horrível e o treinamento físico exaustivo (ainda mais para alguém que, diferente dos colegas mundanos escolhidos, não é nada atlético) não fossem o suficiente, isso para não falar na crise de consciência por Simon ser vegetariano e contra a violência, o garoto ainda tem que lidar com a pressão (exercida de modo consciente ou não) para que ele se lembre de quem era e volte a ser o herói que fora antes de ter suas memórias apagadas por um demônio.

Mesmo sendo o mais fraco dos mundanos (que, por natureza,são considerados mais fracos pelos filhos de Raziel), ele ainda é escalado para missões mais importantes e recebe até mesmo a oportunidade de ficar com a “elite” (nome dado aos Caçadores de berço, mas, sem conseguir suportar os comentários preconceituosos de seus amigos em relação aos seres do Submundo e os outros mundanos, Simon decide se unir à “escória” (nascidos mundanos), mudando-se para o porão, lutando para que a os mundanos como um todo sejam aceitos pelos outros e sentindo-se culpado por ser privilegiado e idolatrado por feitos que sequer se lembra de ter executado.

Mas a amnésia demoníaca não traz apenas privilégios e, mais do que pela igualdade entre todos na academia ou o fim da descriminação, o rapaz terá que lutar também para retomar suas memórias e, com elas, seus laços com Jace, Alec, e, sobretudo, sua amizade até então inabalável com Clary e seu amor profundo por Isabelle, uma garota tão linda e corajosa que ele sequer consegue imaginar como conseguiu conquistá-la antes de perder suas lembranças. Mas sabe que vai ter que aprender a fazê-lo novamente.

Embora eu não indique o livro para aqueles que desconhecem a obra da Cassandra Clare, pois poderão ficar meio perdidos, ele é perfeito para os fãs que já leram as três sagas da autora, já que desperta um sentimento de amor e nostalgia bem parecido com o que temos ao rever velhos amigos, ao nos mostrar os personagens que conhecemos tão bem mais uma vez, agora mais velhos e com as vidas mais estáveis. Além disso, a autora aproveita também para explorar melhor eventos que até então tinham sido apenas citados, como o relacionamento de Rober com seu parabatai, Michel, por exemplo, e para nos dar uma prévia de sua próxima saga ainda não lançada: As Últimas Horas. É sabido que a Cassandra Clare, Cassie para os fãs, se dá melhor com longas narrativas do que com contos, mas, por tudo que disse até aqui (principalmente pela sensação deliciosa de rever personagens que amo tanto, agora numa vida mais feliz e tranquila), dou um 8.

By Ana Beatriz