PRÊMIO FNAC – NOVOS TALENTOS DA LITERATURA


Resultado de imagem para premio fnac de literaturaEm 2014, ao celebrar 60 anos de sua  existência, dentre os quais, 15 já aqui no nosso país, o programa JOVENS TALENTOS da Fnac, após ter revelado novos nomes na música, quadrinhos e fotografia, pela primeira vez na sua história,  resolveu dar destaque à nossa literatura.

Em parceria com a editora Novo Século, a Fnac produziu este belíssimo livro que traz os contos dos 10 finalistas que, muito em breve, estarão trilhando carreiras de muito sucesso, com toda a certeza.

São eles:

Adriana MonteiroNoite Adentro
Bruno SilvanoO Veneno do Tédio
Fernanda CastroDez de maio
Flávio PosseteDo que o inferno é feito
Gustavo Zicatti RaimundoAo som do Blues
Kell BonassoliA vida secreta de Ana: a fome
Lia Matos ViegaUm dia convencional…
Nataly CallaiA autoridade da vida
Patricia CytrynoviczComo fazer a barda da melhor forma
Raul OtuziO inventor de profissões

Os gêneros escolhidos pelos autores foram os mais diversos possíveis: terror, suspense, drama e até humor; todos escritos com uma técnica apurada e bastante brilhantismo.

Normalmente, costumo dar destaque apenas para os dois contos que mais me encantaram. Desta vez, porém, resolvi fazer algo diferente: escolhi três contos para fazer uma breve resenha.

 O primeiro é Do que o inferno é feito, de Flávio Possete.

Os três “amigos de copo” Luiz, Adamastor e Minoro, foram festejar o aniversário da morte do amigo Henrico, bebendo cachaça no cemitério. Quando já estavam muito “altos”, o Adamastor resolveu propor aos outros um pacto: quem morresse primeiro voltaria para contar aos outros dois do que o inferno era feito.

Dois dias depois, o próprio Adamastor morreu e, durante o enterro, Luiz e Minoro, bêbados como sempre, ficavam se perguntando se alguma coisa aconteceria mais tarde.

Será que o Adamastor voltaria para falar com eles?

E se…

O segundo conto que eu escolhi foi: Um dia convencional, da Lia Matos Viega.

Fernando, um executivo de sucesso e Pedro, um vendedor de rua, que mal falava o português acabam se conhecendo de uma maneira mais do que estranha: ao desviar de uma moto, Pedro acabou sendo atropelado acidentalmente por Fernando.

Fernando leva Pedro para o hospital mais próximo; chegando lá, ambos descobrem que outra pessoa já havia sido morta naquele dia, tentando desviar de uma moto.

Que ligação o atropelamento de Pedro teria com aquele outro?

O terceiro conto é  Como Fazer a Barba, de autoria de Patricia Cytrynovicz

O advogado Dr. Otávio – ele fazia questão de ser chamado assim = tinha o costume de fazer a barba na mesma barbearia, todas as manhãs. Aquele ritual diário de toalha quente e lâmina afiada no rosto era algo indescritível, chegando a ser mesmo orgástico.

Lá do alto do seu escritório, no Fórum de São Paulo, ele ficava olhando lá para baixo, admirando as prostitutas que faziam ponto ali na Sé; ele até sabia quem eram seus clientes e quanto tempo durava em média seus programas.

Certo dia, ele resolveu sair com uma delas. A escolhida foi uma loira falsa que tinha um pouco mais de “sustância” que as outras. Ao chegar ao abatedouro da prostituta, ele resolve fazer um programa mais do que bizarro…

O resto, só lendo muito.

Os três contos escolhidos são dignos de receberem 5 estrelas.

Tomara que outras iniciativas como esta da Fnac venham a surgir, e que novos talentos da nossa literatura brotem aos montes, pois nossa literatura sempre foi uma das mais ricas e lidas do mundo, contudo, nós mesmos não valorizamos nossos escritores.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

 

 

 

 

 

Gato Felix Classic – Otto Messmer, Pat Sullivan e outros


Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Para aqueles que ainda não sabem: nosso espaço é bem eclético. Gostamos de postar poesias, acrósticos, resenhas de livros, de séries, de mangás e de HQs também.

Desta vez, escolhi para  resenhar  um personagem que todos conhecem muito bem: o Gato Félix.

Gato Felix Classic, da Opera Graphica Editora é uma edição primorosa, em capa de couro, com uma introdução do cartunista Ota (Otacílio d’ Assunção), que remonta aos tempos em que antecederam a criação do gato tão querido e conhecido por todos.

Só para dar uma ideia a todos: Felix reinava soberano no tempo do cinema mudo, sendo o primeiro personagem de animação a tornar-se grife e ter vários produtos licenciados, ganhando  os quadrinhos e até mesmo uma canção: Felix, the cat.

Até nosso querido Monteiro Lobato rendeu-se ao carisma do personagem, chegando a transformá-lo em personagem de seus livros.

Ele só foi desbancado mesmo de seu trono quando o cinema mudo perdeu espaço para o cinema falado e um certo camundongo Mickey entrou em cena…

Durante muito tempo, acreditou-se que o verdadeiro criador do Gato Felix era Pat Sullivan, que detinha os direitos sobre o personagem, mas seu verdadeiro criador era o desenhista Otto Messmer, que no inicio nem sequer tinha seu nome nos créditos.

As cinco histórias escolhidas para fazerem parte desta edição são de publicações que saíram em tiras de jornais entre 1934 e 1935, épocas em que o Gato Felix atingiu sua maior notoriedade nos EUA.

Surpreendi-me muito com cada história, pois, apesar de ser um fã do Gato Felix e ter assistido muito aos seus desenhos, não fazia ideia de que, naquela época, suas histórias, além de muito divertidas, vinham sempre acompanhadas de bons ensinamentos.

Destaque para Baby-Sitter, que narra a história de um casal que deixa seu filhos sozinhos, na companhia do Gato Felix em casa.  A casa deles acaba invadida por um ladrão perigoso e procurado pela polícia, que se passa por detetive de polícia para tentar enganar as crianças, contudo, o esperto Felix desconfia de algo na atitude suspeita do tal detetive.

O ladrão começa a roubar a casa, mas  quando entra no quarto das crianças e dá de cara com elas, ali ajoelhadas, rezando para que Deus lhe proteja de qualquer mal; ele decide então abandonar a vida de crimes e emendar-se – pega até as únicas moedas que ele possuía e deposita no cofrinho das crianças, que acaba caindo e se quebrando, bem no momento em que os pais estavam voltando.

Felix, com pena do ladrão,  resolve assumir a culpa pela queda do cofrinho e ainda ajuda o mesmo a escapar da residência. A história termina com uma verdadeira lição de civilidade e moral a todos nós.

Uma edição que merece fazer parte da coleção daqueles que são fãs do Gato Felix e para aqueles que são fãs de quadrinhos em geral, pois muitas das técnicas de arte sequencial usadas hoje, tiveram início nas tiras pioneiras do nosso gato querido.

Uma curiosidade: A primeira imagem veiculada na TV foi a do nosso querido Gato Felix, e deu-se em 1928. Sua imagem em papel servia para regular a imagem dos aparelhos que eram em preto e branco naquela época.

A primeira celebridade da TV.

Atribuo 5/5 estrelas.

Espero realmente que tenham gostado.

Um beijo no coração de todos.

Alex André

 

 

Uma Rua Sem Vergonha – Claudio Henrique


Resultado de imagem para capa livro uma rua sem vergonhaBom dia, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, mais uma resenha de um livro que eu comprei em uma das minhas “garimpagens” pelas máquinas de livros do Metrô de São Paulo, por apenas cinco reais. Trata-se de  Uma Rua Sem Vergonha, escrito pelo autor Claudio Henrique.

“Toda metrópole tem a sua Pê-Jota
– seu Maracanã da sacanagem. “

Com esta afirmação, o autor começa a contar-nos um pouco do que acontece na Prado Júnior, avenida de Copacabana notória pela presença de garotas de programas que, diuturnamente, alinham-se lado a lado, com roupas chamativas defendendo bravamente seu território na Pê-Jota  – como ela é mais conhecida – enquanto possíveis clientes do sexo masculino, passam de carro, diminuindo a velocidade para escolher entre louras, morenas e mulatas, aquela que mais atiçou-lhes o desejo.

Assim que o carro para, elas aproximam-se da janela do motorista, mostrando-lhe a sua “mercadoria”, aquela que fará com que a escolhida receba como paga pelos seus serviços um dinheiro suficiente para abater a fatura do cartão de crédito, pagar alguma conta atrasada, ou mesmo comprar alguma roupa.

Essas mulheres experimentam diariamente “a difícil vida fácil”, já que algumas  são espancadas, violentadas, têm que disputar lugar com travestis, e acabam por envelhecer muito rápido, o que acaba por torná-las emprestáveis para o “serviço”, forçando-as a virarem cafetinas ou voltarem de mãos abanando para suas cidades.

Há também aquelas que prostituem-se apenas pelo sabor da emoção, da adrenalina, experimentando  novas experiências sexuais; para estas “primas”, o dinheiro é secundário.

O livro conta histórias destas diferentes mulheres que têm apenas uma coisa em comum: trabalham ou trabalharam na Pê-Jota em algum momento.

Não poderia deixar de destacar as duas histórias que mais chamaram a minha atenção:

Mignon
Narra a história de Ilcelene Maria que,  sexta-feira à noite, deixou o filho Matheus na companhia de sua mãe, para fazer ponto na Prado Júnior. Ela  precisava levantar um dinheirinho para pagar suas contas, mas acabou dando de cara com um cliente alcoolizado que ela não via por ali há muito tempo.

Seu nome era Christiano, e ele era o pai de seu filho Matheus…

Galetinho
Enquanto comia galeto em um restaurante, um cliente reparou em uma mesa aonde mãe e filha estavam sentadas. A garota era bem nova, usava óculos de aro de tartaruga e tinha “janelinha” nos dentes; já a mãe, estava vestida com uma roupa bem chamativa, provocante. O homem ia comendo e embebedando-se, sem tirar os olhos daquelas duas, pois tinha a certeza que a mãe era garota de programa.

Quando a mãe da garota levantou-se e saiu do restaurante, deixando a filha aos cuidados do garçom, o cliente ficou extremamente revoltado, pois teve a certeza que ela fora fazer algum programa…

O resto, só lendo muito!

Quero deixar bem claro que não tem spoiler em qualquer um dos contos destacados, podem ficar tranquilos.

Com toques de humor, com muito respeito e sem qualquer vergonha, o autor consegue recriar tudo que acontece na Prado Júnior – e fora dela, algo que acontece em outras localidades do Brasil, como a Augusta, em São Paulo.

O livro fez tanto sucesso que acabou virando uma série de muito sucesso do canal Multishow.

Atribuo 5/5 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Don Drácula (3 volumes) – Osamu Tezuka


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Querida Família Lendo Muito, esta será a primeira resenha  que faço de um mangá, já que minha irmãzinha Ana Beatriz é quem costuma responder por este departamento, como vocês já sabem.

Acontece que Don Drácula é um personagem muito conhecido, e que fez parte da juventude de muita gente: o desenho (anime, mil perdões) passava na extinta TV Manchete. 

A história completa divide-se em 3 volumes e começa com Don Drácula (Conde Drácula, para ser mais preciso), sua filha Chocola (Sangria, para quem assistia o anime) e seu mordomo Igor resolvem mudar-se da Transilvânia para o Japão, porque estavam sendo perseguidos por caçadores de vampiros.

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Chegando lá, Don Drácula começa a correr atrás do sangue de mulheres virgens e bonitas e vive situações hilárias e inimagináveis como quando um caçador de vampiro, com crises de hemorroida, acaba fazendo… número 2 em seu caixão, quando ele teve que se vestir de mulher só para ajudar o grupo de ficção-científica dos amigos de sua filha a encontrarem…um vampiro em uma caverna escura, ou quando a Blonda, uma moça muito feia, que se apaixonou por ele após a primeira mordida, não deixa o coitado em paz, exigindo que ele chupe seu sangue a todo custo.

Apesar de engraçado e até um tanto erótico, as histórias muitas vezes abordam temas bem pesados. Exemplo é a história de uma família que resolveu cometer suicídio coletivo e acaba se acidentando antes por causa de uma colisão, ou quando Chocola se apaixona por um garoto da escola e faz de tudo para resistir aos raios de sol só para passear com seu amado durante o dia, e Don Drácula, em desespero, tenta demovê-la da ideia.

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Pena que o mestre Osamu Tezuka (criador de Astro Boy) tenha abandonado tão precocemente as histórias do vampiro. Suas histórias foram publicadas de 28 de maio de 1979 a 10 de dezembro de 1979.

Se eu pudesse, daria até mais do que 5 estrelas.
✮✮✮✮✮

Quem tiver curiosidade, assista ao anime no youtube. São apenas 8 episódios.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês.

Alex André

Garota Infernal – Audrey Nixon


Baseado no roteiro de Diablo Cody (ganhadora do Oscar de melhor roteiro por “Juno)

Resultado de imagem para capa  garota infernal livroA história é contada sob o ponto de vista de Needy, uma jovem nerd e introvertida, que está internada na Casa de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Feminino da cidade de  Leech Lake.

Após uma agressão gratuita à nutricionista do lugar, ela acaba sendo jogada na solitária e começa a lembrar dos fatos que a fizeram ser internada naquele lugar para “loucos”.

Antes de tudo acontecer, ela morava com sua mãe em Devil´s Keetle e era amiga de Jeniffer (Jenny), uma linda garota, animadora de torcida, extrovertida e muito popular; ambas eram amigas desde crianças e até usavam cada uma um pingente com as iniciais BFF.  Needy também namorava com Chip, um rapaz muito sereno e aspirante  à baterista.

Tudo ia muito bem naquela pequena e pacata cidade, até o momento em que Low Shoulder, uma banda até então desconhecida de Indie Rock, resolve tocar no Melody Lane Tavern, um bar em decadência da cidade, causando um certo alvoroço.

De olho no vocalista, Jennifer conseguiu convencer Needy a deixar Chip em casa e ir com ela até Melody Lane Tavern. Lá, Jennifer começa a flertar com Nicolai, até o momento em que o local começa a pegar fogo e pessoas começam a morrer queimadas ou pisoteadas.

Os rapazes da banda e as duas jovens conseguiram escapar e, aproveitando um momento de choque de Jenny, Nicolai a convida para conhecer a van escura da banda. Needy tenta impedi-la, mas não consegue e resolve então voltar sozinha para casa.

Mais tarde, naquela mesma noite, uma Jenny faminta de carne crua e toda suja de sangue e barro surge em sua casa, deixando-a amedrontada. A amiga acaba comendo um frango cru que sua mãe estava reservando para fazer para o almoço…

Fatos estranhos começam então a ocorrer em Low Showder: jovens são encontrados assassinados com requintes de crueldade e com sinais claríssimos de canibalismo. E a própria Jennifer começa a ficar mais sarcástica, mais desumana. Parece que aqueles rapazes fizeram algo de muito terrível com ela na noite do incêndio, algo que mudou para sempre a sua personalidade.

E a única pessoa que sabe o que está ocorrendo é Needy. Ela sabe que precisa fazer algo para evitar novas mortes, só que para isso ela vai ter que ser muito corajosa, algo que ela não vem sendo em toda a sua vida…

O resto, só lendo muito.

Eu até poderia contar um pouco mais, pois tenho a certeza que a maioria já conhece o filme, mas prefiro deixar um suspense para aqueles que ainda não conhecem a história. O que posso dizer é que me surpreendi positivamente com este livro, já que ele não é apenas uma transcrição do brilhante roteiro da Diablo Cody. Na realidade, ele enriquece a história com mais detalhes sutis, facilitando o entendimento geral.

Merece 5 estrelas.
✮✮✮✮✮

Espero que realmente tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Mário, que Mário? – Nelito Fernandes


Este livro conta-nos a história de Mário Ribeiro, um cartunista que levava uma vidinha “anormal”. Certo dia, ao criar suas charges, deparou-se com um par de chifres de verdade.

Com muito humor, Mário Ribeiro passa por diversas situações inusitadas, até acabar envolvendo-se em uma investigação de um crime de verdade.

No decorrer da história, o autor também nos apresenta uma série de referências a filmes e seriados, livros de autoajuda. Ele também faz referência a uma sociedade secreta – que de tão secreta, nem aparece nas páginas do livro…

O resto, só lendo muito!

Este foi mais um livro que eu encontrei ao garimpar por aquelas máquinas de livros do metrô de São Paulo e não me arrependi. Paguei apenas R$ 2,00 – o livro custa muito mais do que isso nas livrarias – para contar com uma leitura bem aprazível e um tema bem diferente do que eu estou acostumado, e que conseguiu arrancar-me gargalhadas gostosas em diversos momentos. Nota 8,5.

Espero que vocês tenham gostado de mais essa resenha.

Um beijo no coração de todos!

Alex André

L’ Accademia: Cotidiano do Cloro – Dog


LNo 2º volume da trilogia do esporte amador, que teve início com SEM CHUTEIRAS E SEM UNHAS JOGUEI NO PIOR TIME DO MUNDO, meu querido amigo Dog (Arlindo Gonçalves) não poderia deixar de falar também do futebol que ele e seus amigos tanto amavam e que praticavam no campinho de terra perto de casa. Contudo, depois de muitos jogos e machucados, todos perceberam que jogar futebol não era definitivamente a praia deles.

 O pai do Dog construiu uma piscina na casa dele, mas aquilo estava mais para um tanque, já que não fora escavada no chão e sim erguida com blocos e cimento. A própria mãe do Dog era quem fazia o tratamento da água, para que ele e seus amigos se divertissem a valer, apesar das paralisações frequentes para vedar as rachaduras que sempre surgiam na piscina. O único que não frequentava de jeito algum a piscina era o Quatro Olhos, que tinha apartamento na praia e achava que a piscina do Dog era uma “coisa de pobre”. A diversão durou até o momento em que o Dog e seus amigos já não mais usavam a piscina com frequência, pois todos haviam começado a trabalhar. Exposta ao sol e cheia de rachaduras ela acabou sendo demolida.

Após a morte de seu pai, vitimado por Alzheimer, Dog resolveu retomar o seu amor ao cloro. Ele e seu amigo de faculdade Possmoser começaram a frequentar L’Accademia,  academia de ginástica que ficava na Zona Leste e já estava em início de decadência quando eles se matricularam. Os aparelhos já eram bem gastos e a maioria dos chuveiros encontravam-se queimados, acreditem!!!

Na Accademia, eles tiveram aula com a Hidra, que era a professora de natação. A mesma era muito bonita e também sádica. Exigia sempre o máximo dos alunos e era muito desbocada. Também participaram de arranjadas competições de natação e acompanharam, durante todo o tempo que ali frequentaram, o declínio daquele lugar…

O resto, só lendo muito!

A atividade física está ligada à saúde, ao bem estar, mas não precisa ser apenas algo mecânico ou espartano. Pode ser algo bem prazeroso  e até muito divertido!!!  É isso que o querido Arlindo Gonçalves demonstra, de forma genial, em cada página do livro. Nota 1000.

Aproveito para agradecer o Arlindo também por enviar-me  um exemplar autografado, pois naquele momento eu vivia um momento de depressão e através da leitura do livro eu comecei a dar os primeiros passos para enterrar de vez esse período e retomar a minha vida!

Um beijo no coração de todos!!!

Alex André

UM BRASILEIRO CHAMADO Zé Carioca – Disney


Essa resenha que lhes trago é bem diferente das que vocês estão acostumados, querida Família Lendo Muito, pois se trata de uma HQ em forma de livro de um dos personagens mais queridos da história.

Quem de vocês não conhece ou nunca ouviu falar do papagaio mais malandro e folgado do Brasil? Acho que todos conhecem nosso Zé Carioca (Joe Carioca, para os americanos), não é mesmo?

Nosso personagem brasileiríssimo foi criado em 1942, a pedido de Walt Disney, para o filme Alô Amigos e fez tanto sucesso que frequentou as páginas do gibi Walt Disney Comics and Stories a partir da década de 50. Nessa época, as suas histórias eram escritas por desenhistas estrangeiros, o que dava um ar meio “americanizado” para o nosso Zé Carioca.

Já na década de 70, uma dupla brasileira faria o impensável: mudaria completamente o nosso papagaio, transformando-o num verdadeiro anti-herói nacional: o roteirista gaúcho Renato Canini e o desenhista paulista Ivan Saidemberg (Said).

Nesta bela edição, em capa dura e papel couché, temos 44 histórias clássicas criadas pela dupla Canini e Said, além de focar um pouco na história de cada um desses dois gênios que abrasileiraram definitivamente nosso Zé Carioca.

Temos aqui histórias da Anacozeca (Associação dos Cobradores do Zé Carioca) tentando bolar um modo de cobrar nosso papagaio caloteiro; histórias do Zé Carioca dando uma de detetive na Agência Moleza; nosso papagaio querido tentando bancar o super-herói e assumindo a hilária identidade do Morcego Verde, e muitas outras ao longo das 354 páginas que compõe esta edição magnífica.

Todas as histórias são recheadas de muita alegria, samba e futebol, como não poderia faltar ao nosso Zé Carioca.

Uma obra que não poderia  faltar na estante de colecionadores como eu. Nota 10.

Uma ótima noite e um  beijo no coração de todos vocês.

Alex André

Todas as tardes, às cinco – Gail Goldwin


Todas as Tardes, as Cinco

“É o papa quem está falando. Meus filhos, é hora do drinque.”

Era com esta senha que, às cinco horas da tarde, o brilhante compositor Rudy, pedia para sua amada Christina, interromper o livro que ela estava escrevendo, para beber com ele.

Aquele momento diário era muito mais do que uma pausa para uma bebida a dois; era mesmo mágico, já que naquele intervalo, na sala e com o copo nas mãos, ele conversavam sobre todas as coisas, mas principalmente sobre eles mesmos.

Tudo era cercado de simbolismos, como “Ralph”, o nome que Rudy apelidara a faca usada para cortar os limões para o “Safira de Bombaim”, bebida predileta de Christina; ou mesmo quando Rudy afirmava: “hoje estou precisando de um drinque”, que podia significar que ele havia tido um dia produtivo, ou que algo tivera influência muito negativa em sua produtividade. Ambos ficaram conhecidos por “al-tistas” pela corretora que vendeu-lhes a primeira casa.

Contudo,  há sete meses Rudy faleceu de câncer e Christina não está conseguindo seguir adiante. Ela começou a ter problemas sérios com a bebida e com sua visão. Ela não esquece nunca do marido, surgem lembranças dos momentos em que ele tinha seus rompantes de arrogância, fazendo com que ela passasse muitos apuros em público. Mas agora, ao pensar nisso tudo, ela só consegue sentir dor. Dor de estar sem ele…

Será que Christina conseguirá superar todas essas dificuldades e seguir em frente?

Só lendo muito para saber a resposta!!!

O livro é uma celebração à vida, com toques bem sutis de humor.  As belas ilustrações dão um toque de simplicidade e harmonia a esta belíssima história. Vale ressaltar que a história de Christina funde-se com a da própria Gail Goldwin, que perdeu seu marido, o compositor Robert Starer, falecido em 2001. Nota 8.

Mais um belíssimo livro comprado em uma das máquinas de livros, que estão espalhadas por várias estações de Metrô. Comecem a olhar com mais atenção para estas máquinas!
Um beijo no coração de todos!

Alex André

 

A Loja dos Suicidas – Jean Teulé


Boa tarde, família Lendo Muito!!!

Mais uma resenha que eu vos trago de um livro encontrado nas máquinas do metrô de São Paulo. Já estou virando um verdadeiro olheiro dessas máquinas…kk

“Morte ou seu dinheiro de volta”, esse é o lema que Mishima, patriarca da família Tuvache tem como garantia de qualidade para seus produtos. Qualidade essa que, uma vez cumprida, garante o total contentamento dos clientes, já que eles satisfeitos, ali não mais retornam…

Nessa”pequena loja dos horrores” pode-se encontrar de tudo mesmo, e Mishima, muito bem auxiliado pela esposa Lucréce mantém a tradição da loja que é passada de uma geração para outra. Eles também contam com a ajuda de seus dois filhos mais velhos: Vincent e Marilyn, que como seus  pais, levam vidas soturnas e deprimidas.

Mas o destino plantou um fiozinho de luz e esperança no seio desta família por demais estranha, já que Alan, o filho caçula, ostenta sempre um sorriso gracioso e as palavras mais belas e doces na ponta da língua; e através delas, tenta convencer os clientes e sua própria família de que vale mesmo a pena se viver, já que a vida é muito linda!

E é com muito senso de humor (negro, diga-se de passagem) que a história desenrola-se num clima quase tragicômico; o que torna a leitura ainda mais gostosa e divertida, página por página.

Apesar do tema abordado, que pode parecer chocante e um tanto quanto pesado, a mensagem que o autor nos passa ao final é simplesmente maravilhosa. Nota 9.

Quem de vocês tiver tempo de assistir logo abaixo: “A Pequena Loja de Suicídios”, animação de Patrice Leconte e que foi inteiramente baseada no livro, não irá se arrepender.

Um ótimo final de semana e um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André