O Ipê Floresce em Agosto – Lucila Junqueira de Almeida Prado


Nenhum texto alternativo automático disponível.Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de um livro de contos que eu simplesmente me apaixonei.

Trata-se de O Ipê Floresce em Agosto, da autora Lucila Junqueira de Almeida Prado. Achei este livro numa rua próxima à estação Santa Cruz do metrô; ele estava esquecido ali e com a capa bem judiada, dá para acreditar?

Drama, romance e até uma pitadinha de humor fazem parte desta verdadeira obra-prima que, apesar de ter sido classificada como infanto juvenil, trata de temas bem adultos e reflexivos.

As duas histórias que eu mais gostei foram:

Fora do Comum
Bárbara era uma esposa perfeita e mãe fora do comum, pois aceitava em sua casa todos os amigos dos filhos… e até os amigos dos amigos destes!!!

Ela também entendia tudo de moda e dava dicas às amigas e às filhas para sempre se vestirem muito bem; seu único defeito, segundo o marido, era ser muito “gastona”.

Quando ela, o marido e as duas filhas viajaram para a Europa, Bárbara prometera ao mesmo que não iria fazer nenhum tipo de compra supérflua (leia-se sapatos).

Durante boa parte da viagem, ela realmente não comprou nada para ela e nem para Vera e Bel, suas filhas queridas. Porém, assim que chegaram em Paris, seu marido recebeu uma comunicação da firma, pedindo para que ele voltasse às pressas para o Brasil; como ele não queria estragar o passeio da família, deixou a mulher e as filhas e partiu no primeiro avião.

Será que Bárbara conseguiu cumprir sua promessa ao marido? Ou será que ela caiu na tentação e gastou até o que não devia?

O Ipê Floresce em Agosto
Beatriz estava discutindo naquela noite com seu pai, o Dr. Humberto, pois o mesmo não estava nada contente com seu namorado, um viciado em jogos de azar; ele queria que ela casasse com Fernando, um jovem de família e estudante de medicina, que trabalhava com ele no hospital, mas Beatriz fazia questão em dizer que apenas gostava do tal Fernando, todavia, seu coração pertencia ao Cláudio.

Naquela noite, ela esperava que Cláudio a pedisse em casamento e, para não testemunhar a desgraça da filha, o Dr. Humberto resolveu sair de casa, sem antes pedir para sua irmã fazer companhia à filha amada.

Beatriz aproveitou então para perguntar à tia Maria como era viver ao lado de um jogador, pois seu tio Hélio também era um jogador compulsivo; a tia explicou-lhe que, apesar de amar muito seu tio, ela sempre levara uma vida solitária, costurando para fora e contando apenas com as filhas, que cresceram sem a figura do pai, pois o mesmo vivia só de “bicos” e jogando durante toda noite, chegando só de manhã em casa, ou quando ganhava bastante dinheiro – algo bem raro de acontecer.

“- Meu casamento tem sido como estes ipês – a mais linda floração no mais feio dos meses, pois, como você vê, Beatriz, o ipê floresce em agosto. “

Naquela noite, as duas filhas iriam debutar e, para pagar o vestido das meninas, a tia empenhara seu próprio anel de noivado. Só que antes de partirem para o baile, o tio Hélio surgiu, todo bem vestido, com presentes para as meninas e flores para a esposa, para total surpresa de Beatriz.

A jovem ficou em casa, esperando o namorado e acabou pegando no sono; mais tarde, ela acordou com Cláudio admirando-a enquanto ela dormia; segundo ele, a mãe havia se ferido e ele se atrasara por causa disso.

Ele então perguntou a ela se ela o aceitava como marido e ela, sem pestanejar, disse-lhe que sim…

O resto, só lendo muito!

Um livro para ser lido e relido infindáveis vezes!!!

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

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CONTOS DO DIA E DA NOITE – Guy de Maupassant


 

Resultado de imagem para CONTOS DO DIA E DA NOITEBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de CONTOS DO DIA E DA NOITE, verdadeira obra-prima de Guy de Maupassant

Para quem ainda não conhece este brilhante autor: ele é reconhecido como pai do conto moderno – gênero que ele explorou como nenhum outro, elevando-o à categoria de arte.

Todos os 21 contos aqui reunidos são recheados de dramaticidade e dureza e, muitas vezes, com pitadas de humor na medida certa; temas como maus-tratos às mulheres, aos animais, mulheres esnobes e fúteis e bêbados incorrigíveis são abordados com verdadeiro talento pelo autor, de maneira direta e muitas vezes até despretensiosa.

Desta vez, vou destacar os três contos que mais me chamaram a atenção:

1. O Crime do seu Boniface
As portas e as janelas da casa em que o carteiro Boniface deveria entregar o jornal  matutino estavam fechadas; da janela vinham gemidos altos e gritos abafados.  

Na sua mente, aquilo só poderia significar uma coisa: mais um crime terrível estava ocorrendo, como o que ele lera há pouco no mesmo jornal!

Ele logo correu para chamar dois policiais, que foram até a residência referida e tiveram uma verdadeira surpresa, assim que colaram seus ouvidos na janela…

2. O Mendicante
Um rapazote aleijado e de apenas quinze anos vivia pedindo esmolas num pequeno vilarejo francês. Desde o seu nascimento, o mesmo não conhecera outra coisa que não fosse a miséria; ao nascer, fora encontrado pelo pároco num Finados e batizado como Nicolas Toussaint, mas todos o conheciam mesmo por “Sino”.

Já cansado de ser enxotado pelas pessoas e morto de fome, abateu então uma galinha que estava passando na rua e acabou sendo espancado pelo dono da ave e quase linchado pelos empregados do mesmo.

Será que o sofrimento do pobre “Sino” nunca chegará ao fim?

3. Um Parricídio
Com um desejo sanguinário de vingança por ter sido abandonado desde pequeno, um filho bastardo mata pai e mãe e comove o júri ao contar sua triste história…

O resto, só lendo muito!

Algumas leitoras desavisadas podem achar suas histórias muitas vezes perturbadoras e até machistas; todavia, não devem esquecer-se que foram escritas numa época em que a mulher não havia conquistado seu espaço e era considerada “propriedade” do marido.

Digno de 5 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

João Simões Continua – Orígenes Lessa


Resultado de imagem para capa joão simoes continuaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês a resenha do divertidíssimo João Simões Continua, livro de autoria de Orígenes Lessa, um dos meus autores nacionais prediletos.

Quem narra a história é João Simões, um corretor de café que, em plena São Paulo dos anos 1930, encontrava-se à beira da morte, acometido por uma moléstia incurável. Seus parentes e o médico da família faziam questão de dizer a ele que ele logo se recuperaria e estaria pronto para voltar ao trabalho, porém, ele tinha certeza que daquela cama só sairia para o cemitério.

Ele aproveitou a tarde para tirar um cochilo e sonhou com passagens de sua vida, desde o seu nascimento, até seus dias atuais, quando a queda da bolsa de valores de Nova York, havia feito o preço do café despencar em todo o mundo, atingindo o Brasil em cheio; aquelas imagens sucediam-se tão rapidamente e eram tão vivas e reais, contudo, não despertavam nele qualquer sentimento de saudade ou remorso; parecia que sua vida estava sendo passada a limpo.

Tentou abrir os olhos, só que sem sucesso; uma espécie de preguiça tomara conta de todo o seu ser. Foi então que ouviu a voz de sua esposa gritando para chamarem  rapidamente o médico; já sua sogra, pedia para buscarem logo um padre, ou seja, um caos generalizado instaurou-se na residência, até o momento em que o médico chegou e atestou aquilo que todos já esperavam: João Simões acabara de falecer.

Só que havia algo muito estranho em tudo isto, pois o tal “defunto” continuava vendo o ouvindo tudo o que se passava ao seu redor, acompanhando de perto toda a correria da família para providenciar o seu velório e avisar a todos os parentes e amigos de sua morte.

Enquanto velavam seu corpo, seus amigos aproveitavam para falar da tal francesa que Simões mantivera como amante por vários anos e de como seria pior para o Brasil caso os comunistas tomassem o poder; já as mulheres, discorriam sobre qual seria a nova moda da próxima estação e até sobre o absurdo preço do tomate, que havia subido muito nos últimos dias. Até na hora do sepultamento, no momento do adeus final ao seu corpo, ele viu pessoas fazendo discursos belíssimos, apenas para não ficarem atrás umas das outras.

Ele tentou gritar, mas ninguém pareceu ouvi-lo; alguns até passavam por ele, como se ele realmente não existisse. Pela primeira vez na sua vida, João Simões estava sendo deixado de lado, esquecido.

Seria aquilo um pesadelo ou a real constatação que ele encontrava-se no tal do “além”, de quem muitos falavam?

Começou a achar que aquilo era algum tipo de castigo divino imposto a ele por causa do seu cochilo vespertino, já que, na sua visão extremamente limitada, ele sempre fora uma pessoa muito boa e amável!

Durante uma festa ocorrida dias após o enterro, João Simões reparou que sua esposa estava de caso com o seu melhor amigo e, para vingar-se, resolveu cuspir na bebida do tal “amigo da onça” e mesmo assim, o amigo tomou o uísque sem perceber;  Ele decidiu abraçar e dar um beijo então em Clarinha, sua paixão juvenil, só que a moça deu um berro enorme, relatando que sentira um abraço invisível… sopro frio… parecia até a morte!

Tomado de ódio, ele gritava para todos saírem de sua casa e desferia pontapés e bofetões em todos, sem surtir qualquer efeito. Uma gargalhada reverberou por toda a sala e, vinha de um desconhecido fumando charuto, que divertia-se com aquela cena.

Após um clarão repentino, ele notou que estava flutuando no ar de verdade, só que em outro plano, no qual aquele homem de charuto na boca podia vê-lo e ouvi-lo com clareza; além dele, outros flutuavam vestidos de branco e também de preto.

Foi neste momento que João Simões teve a certeza absoluta que havia de fato morrido!!!

O resto, só lendo muito.

A história é muito divertida e conta com capítulos bem curtos e uma linguagem bem fácil de ser compreendida, algo que ajuda muito a acelerar o ritmo da leitura. Através da sátira e do humor, Orígenes Lessa conduz seus leitores a uma profunda reflexão sobre a vida e a morte.

Afinal, precisamos de muito dinheiro e bens materiais para alcançarmos a nossa felicidade?

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

Sagarana – João Guimarães Rosa


Resultado de imagem para CAPA SAGARANAMais uma obra presente na lista da Fuvest desse ano, Sagarana é um conjunto de nove contos que, como esperado do autor, se passam no sertão de Minas, contando com elementos como religiosidade, sentimentalismo, superstição e a constante figura do valentão.

Com uma linguagem que mescla arcadismo, coloquialismo e norma culta, para não falar nos neologismos, o vocabulário pode ser uma barreira para diversos leitores, sobretudo, no conto O burrinho pedrês, em que a linguagem específica para descrever os bois pode comprometer a compreensão.

Outro problema que pode ser citado é a falta de objetividade do autor, que usa grande parte do livro para  descrever paisagens e animais ou mesmo contar histórias que pouco ou nada se relacionam com o enredo central, tornando a leitura lenta e cansativa, fazendo com que o leitor ache difícil concentrar-se na história que o escritor queria de fato contar.

No entanto, por mais que Sagarana não tenha de modo algum entrado pra minha lista de favoritos, ou mesmo favoritos entre as obras requisitadas pela Fuvest, nem só de defeitos é feito um livro. O humor e a ação são, sem dúvidas, fatores que te envolvem em contos como A hora e a vez de Augusto Matraga A volta do marido pródigo, meus dois contos preferidos, embora os elementos citados permeiem praticamente toda a obra.

Um clássico da literatura brasileiro, me sinto até mal de dizer isso, mas o fato é que meu primeiro contato com Guimarães Rosa (um autor renomado, comparado por muitos ao próprio Machado de Assis), a despeito do elemento humorístico e enredos que, em sua essência, soariam até mesmo interessantes, não me impressionou muito por seu excessivo descritivismo e falta de objetividade, ganhando, assim, meu 5.

Beijos, Ana Beatriz

 

Olhos Baixos – Maria Helena Nascimento


LIVRO OLHOS BAIXOSBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de um livro maravilhoso que eu comprei, totalmente ao acaso, em um dos sebos de São Paulo.

Trata-se de Olhos Baixos, livro de estreia de Maria Helena Nascimento: uma roteirista de séries e novelas talentosa e muito conceituada, além de ter sido colaboradora de autores de peso como Gilberto Braga, Antonio Calmon e Euclydes Marinho.

Tudo começa na manhã de 15 de maio de 2001, quando Hugo, o marido  da nossa massagista e narradora-personagem, a pega pelo cotovelo “gentilmente” e pede para que ela o acompanhe até a garagem .

Lá chegando, ela deu de cara com um verdadeiro armagedom: Fred – seu labrador de oito meses que, de tão querido, deixara de ser apenas um cão para transformar-se em um verdadeiro filho-, comera grande parte do estofamento do banco do motorista do Land Rover novo de seu marido. Além de destruir o banco, o cão também “devorara” parte do para-choque e havia arranhado quase toda a lataria do carro.

No banco de trás do veículo “jazia” o notebook de Hugo, todo mordido, tal qual um sanduíche. Seu marido estava tão cego de ódio, que  chegou até a pegar um extintor para lançar no cão, mas foi contido pela esposa que, para piorar ainda mais as coisas, tomou o lado do pobre bichinho!

Hugo viajou a negócios para Nova York sem despedir-se, sem dizer quando voltava, e o pior, sem deixar o telefone do hotel onde ele  ficaria hospedado!

Eis que Liliane apareceu na vida da narradora, totalmente por acaso, já que a mesma havia errado de andar e entrou no consultório da massagista, pedindo um copo de água com sal, já que sua pressão caíra por causa da gravidez.

Como não havia sal no consultório, ela, como boa massagista que era, resolveu fazer uma massagem para aliviar a tensão de Liliane, e enquanto as duas conversavam, ela descobriu que ambas já haviam se encontrado em um evento da Casa Cor e Liliane até já havia aparecido em sua casa, vendendo uns tapetes.

Naquela noite, ela foi dormir pensando muito em Liliane, mais precisamente em como ela era extrovertida e comunicativa, o inverso do comportamento dela, e acordou com Fred na sua cama: um terrível sinal de que ela esquecera o portãozinho da escada aberto e o cão havia subido nos quartos, algo que o marido deixara bem claro que não permitiria jamais.

Desta vez, Fred destruíra justamente a raquete de tênis predileta de Hugo. Daquele momento em diante, Fred deixou de ser seu “filho querido” para transformar-se no seu pior inimigo.

Nossa massagista só não fazia ideia que o revés canino seria o menor dos problemas que ela, dali para a frente, viria a lidar…

O resto, só lendo muito.

Só posso afirmar a vocês que a autora começou verdadeiramente com o pé direito, pois sua escrita é simplesmente maravilhosa; sua história, além de muito boa, é também muito engraçada. Devorei o livro em apenas algumas horas.

Digno de 5 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

O Casamento de Laucha – Roberto Payró


Resultado de imagem para O Casamento de LauchaBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Como muitos de vocês já estão cansados de saber, eu sou um “garimpeiro” de máquinas de livros do Metrô de São Paulo. E em uma das minhas “explorações”, encontrei O Casamento de Laucha: verdadeira obra-prima  da literatura argentina, de autoria de Roberto Payró.

Laucha (ratazana, em castelhano), como a própria alcunha que recebera desde seus 5 anos já dizia, assemelhava-se a um verdadeiro roedor asqueroso, tanto fisicamente – já que possuía cabelo opaco e bem ralo, rosto fino, que se assemelhava a um focinho, bigode falhado e escuro e olhos negros e um pouco saltados -, quanto nas atitudes, já que o mesmo era muito malandro e bastante esperto.

O sujeito vivia para lá e para cá, aplicando pequenos golpes e apostando o pouco dinheiro que mantinha com ele, ou seja, literalmente “vendendo o almoço para pagar o jantar”, até o dia em que desembarca na cidade de Pago Chico, interior da Argentina e lá conhece Dona Carolina: uma italiana já madura, que enviuvara há algum tempo e tocava seu armazém apenas com a ajuda de um velhinho muito debilitado.

A viúva comprava bebidas falsificadas de um fornecedor da cidade, e revendia as doses aos seus fregueses. Laucha, com seu jeito manhoso e sagaz, logo convenceu a tal Dona Carolina a confiar-lhe todo o processo de fabricação das bebidas, já que ele era um exímio fabricante de conhaque; além disso, ele é quem cuidava da caderneta com os lucros e fiados da bondosa senhora.

E de bom empregado para namorado não demorou quase nada. Só que a Dona Carolina não abria mão de casar-se com o Laucha, algo que ele descartou no início, mas acabou aceitando, já que viu que a italiana, além do armazém, possuía algumas terras arrendadas também.

Ele foi então procurar o padre Papagna, com o intuito de marcar a data do enlace e mandar correr os papeis o mais rápido possível. Acontece que Papagna era um sujeito velhaco e muito dinheirista e acabou propondo-lhe um negócio muito mais vantajoso para ambos…

O resto, só lendo muito!

Um livro excelente, com uma história primorosa, que nos expõe o lado mais sórdido do ser humano.

Digno de 3  estrelas!

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Strip-tease – Carl Hiaasen


Strip-teaseBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês uma resenha especial de um livro que eu encontrei por acaso em um dos sebos que eu costumo frequentar. Trata-se de Strip-tease, do brilhante autor americano Carl Hiaasen.

Trapaças, luta livre de mulheres, chantagem, assassinato, sexo e corrupção são apenas alguns dos ingredientes deste excelente suspense.

A história começa em Fort Lauderdale, Flórida, mais precisamente no clube de striptease Eager Beaver; em certa noite, uma despedida de solteiro estava acontecendo na boate e Paul Guber, o noivo, havia consumido um pouco mais de álcool do que deveria e resolveu saltar no palco para acariciar a perna da stripper que estava se apresentando. Neste exato momento, um homem maduro, de bigode grosso avançou com tudo para o rapaz, espancando-o com uma garrafa de champanhe, até que o mesmo desmaiasse.

Tudo não teria passado de uma simples briga entre dois bêbados brigões se Jerry Killian, um frequentador assíduo do Eeager Beaver, não tivesse reconhecido o cavalheiro de bigode, que era ninguém mais, ninguém menos que David Dilbeck, deputado federal corrupto e depravado, que usara o falso bigode para disfarçar-se e não ser reconhecido, pois aquele era um ano eleitoral e ele esperava reeleger-se novamente.

Erin Grant, a dançarina em questão, era a verdadeira sensação do lugar;  ela já havia trabalhado no FBI, mas teve que desligar-se de suas funções  para tirar a roupa todas as noites no Eager Beaver – algo que ela própria reprovava -, para juntar o máximo de dinheiro possível para pagar um bom advogado para reconquistar a guarda da filha pequena, tomada por seu ex-marido Darrell Grant, um sádico, viciado em todo tipo de drogas e opiáceos, que usava a própria filha para ajudá-lo a roubar cadeiras de rodas infantis para depois desmontá-las e revender as peças separadas.

Killian é um dos muitos fãs de Erin, e resolve ajudá-la com o problema da guarda da criança, dispondo-se a chantagear o deputado Dilbeck para que ele converse com o juiz que tirou-lhe a guarda da filha – outro velho tarado, que adora frequentar clubes de striptease com uma bíblia no colo -, para que ele reveja o caso e restabeleça à Erin a guarda da filha. Todavia o plano fracassa quando Malcolm Moldowsky, lobista que cuida da carreira de Dilbeck e dos interesses de todos os usineiros da Flórida, assume o caso e resolve silenciar Killian…para sempre.

Shad, o leão-de-chácara da boate, era um grande amigo e defensor de Erin, e prestava-lhe ajuda como podia em assuntos relacionados ao seu ex Darrel. Além disso, o segurança sonhava em ganhar dinheiro para limpar seu nome e, para isso, resolveu apostar todas as suas fichas num grande golpe, colocando uma barata dentro de um copo de iogurte de uma marca de laticínios famosa, com o intuito de processar a empresa e receber uma indenização milionária. 

O advogado Mordecai havia sido um dos últimos alunos de sua classe na faculdade e sempre sonhara com um grande caso, e ele caiu em seu colo, quando Shad o procurou contando todo o seu plano.

Todavia, tudo naufraga quando uma secretária-substituta de Mordecai resolve fazer uma “boquinha” no frigobar do advogado…

Para evitar estragar o resto das surpresas que o autor reservou para os leitores, vou parando por  aqui.

O resto, só lendo muito!

Os capítulos são bem curtos e os personagens são tão bem construídos, que não dá tempo nem de respirar ou piscar os olhos durante a leitura.

O autor consegue prender a atenção do leitor do inicio até o final, completamente inesperado e imprevisível.

Digno de 5 estrelas

Houve um filme homônimo, de 1996, que não foi muito bem aceito pela crítica, trazendo Demi Moore no papel de Erin Grant.
Novas resenhas deste autor maravilhoso serão logo postadas, pois adquiri todos os títulos dele já lançados no Brasil!

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

Contos En… Cantos & Peripécias – Andrade Jorge


Contos En... Cantos & PeripéciasBom dia, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de um livro que eu recebi de presente de uma pessoa muito iluminada e querida: minha amiga e irmã Lua Andrade, do maravilhoso blog Caderno da Lua!

Trata-se do livro Contos En… Cantos & Peripécias, de autoria do brilhante poeta Andrade Jorge, que é simplesmente o pai da doce Lua.

Como o próprio título já diz, os nove contos aqui selecionados são capazes de encantar a qualquer leitor, pois são muito bem construídos por este trovador que, para nossa sorte e deleite, resolveu aventurar-se pelos campos da prosa.

As histórias são ambientadas em lugares diversos e épocas bem distintas. Neste livro, o drama e a desilusão muitas vezes caminham de mãos dadas com a ironia e o humor; a temática escolhida é a mais variada possível, e envolve traição, vingança, corações partidos, mortos que ressuscitam, amores não correspondidos, demonstrando a grande versatilidade do autor.

Foi muito difícil escolher dar destaque para apenas dois contos, já que eu gostei de todos.
No final, fiquei com estes:

1. A Mulher do Barbeiro
Cássia Maria, além de esposa do barbeiro Plácido, a quem ele apelidara carinhosamente de “pombinha”, era uma mulher muito bonita e fogosa, cantada em verso e prosa por todos da pequena Buriti.

Mas, como toda a ave que se preza, ela também gostava de “voar” fora do seu ninho. A cada semana ela saía com um amante diferente, sempre escolhendo alguém da “turma das seis”, que frequentava o salão do marido ciumento e cego de amor.

Plácido reparava na ausência de um membro diferente da “turma dos seis”, mas os outros sempre davam uma desculpa para a falta do colega e ele sempre engolia…

Certo dia, uma grande empresa de cosméticos estabeleceu-se na região, trazendo técnicos especializados para morarem na cidade, além de gerar mais empregos e dinheiro para os cofres públicos.

Um dos técnicos contratados era Rodolfo Augusto, um afrodescendente a quem todos chamavam de Rodô. Além de alto e bonito, Rodô era também gabola e metido a conquistador. Ele tinha até um ditado pessoal: “Vacilou Rodô entrou!”

Certo dia, ele jogou todo o seu charme em cima de Cássia Maria, e a “pombinha” voou para o lado dele, rejeitando todos os demais amantes, dali em diante.

Rodô só não fazia ideia da enrascada que estava se metendo; enrascada esta que mudaria para sempre seu ditado para:

“Vacilou Rodô entrou…numa fria!”

2. Morango com Chantily e Champagne
Roberto era um bem-sucedido profissional da área de marketing e estava casado há bastante tempo com Cecília. Eles tinham uma vida bem tranquila e eram muito bem relacionados. Entre suas amizades, destacava-se o casal Sílvio e Caroline, com quem sempre jantavam e viajavam.

Caroline também trabalhava na mesma empresa de Roberto; como bons amigos, eles sempre conversavam sobre tudo, inclusive sobre o casamento de ambos que não ia nada bem. E, conversa vai, conversa vem, logo ficaram um pouco mais íntimos…

Até o dia em que uma viagem foi agendada pela empresa onde eles trabalhavam e ambos deveriam viajar para representar a empresa em um congresso importante. Eles ficariam hospedados no mesmo hotel e já faziam planos de “algo mais”.

Ciça, como Cecília era mais conhecida, ouviu Roberto conversando com Caroline sobre os preparativos da viagem e logo percebeu que ambos estavam marcando um encontro amoroso para depois do Congresso.

Ela ficou muito mal com aquilo e resolveu vingar-se da amiga e do marido de um jeito criativo e muito inusitado: ela se passaria pela amiga e faria o marido transar com ela, sem saber que era ela.

Para tudo dar certo, ela teve que enviar um telegrama para o hotel em que eles ficariam hospedados, passando-se por Caroline. No telegrama, ela detalhava uma fantasia sexual que ela fazia questão que seu “amante-marido” realizasse. 

A fantasia envolvia luzes apagadas, roupa íntima vermelha e provocante, uma champagne francesa gelada, morangos e chantily…

O resto, só lendo muito!!!

Um livro realmente maravilhoso, digno de receber 5 estrelas.

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

dezcontos com descontos – Ordilei Alves


dez contos com descontosBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje mais uma resenha de um livro que comprei  em uma das maquininhas de livros do Metrô de São Paulo; desta vez, o que me chamou a atenção foi o divertido trocadilho do título.  Trata-se de “dezcontos com descontos”, de Ordilei Alves.

Ao efetuar a leitura, o leitor irá deparar-se com dez histórias verdadeiramente “deliciosas”, com uma temática bem variada, explorando o humor e o drama com rara sensibilidade.

Não posso esquecer de mencionar o toque sutil de reflexão sobre a natureza humana que o autor deixa muitas vezes nas entrelinhas ao final de algumas histórias.

Destaque especial para:
“O Aniversário do Nonno”, que narra a história de uma família italiana típica, que estava reunida para comemorar 90 anos de seu Nonno. A casa estava cheia e  as ruas adjacentes encontravam-se repletas de carros estacionados.

A tarantela corria solta na vitrola e os casais dançavam alegremente. A mesa estava preparada para mais de trezentos convidados. Todos queriam dar os parabéns para o Nonno querido, e também desejavam saborear uma deliciosa macarronada italiana.

Só existia um pequeno problema: o Nonno  ainda não descera para o salão e não atendia quando batiam insistentemente à porta de seu quarto.

Será que o patrono da família havia morrido justamente no dia do seu nonagésimo aniversário?

O resto, só lendo muito!

O autor serve de exemplo para todos nós, pois lançou seu primeiro livro aos 60 anos de idade, provando que nunca é tarde para se escrever.

Digno de receber 5 estrelas!

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André 

O MELHOR DO RECRUTA ZERO 1 e 2 – Mort Walker


Boa tarde, querida  Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de um personagem das HQs que eu sou verdadeiro fã de carteirinha: o Recruta Zero.
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Ele é simplesmente um dos personagens mais hilários e queridos da história dos quadrinhos, pois passa  diariamente por situações inusitadas e irreverentes no Quartel Swampy.

Só que nem sempre foi assim, queridos amigos. Em setembro de 1950, Mort Walker criou Beetle Bailey (nome original do Recruta), para ilustrar o meio universitário. Nesta época, ele era um aluno alto e muito franzino que estudava na Universidade de Rockview.

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O Zero deste tempo já era extremamente folgado e também tinha o chapéu cobrindo sempre os olhos e a folga de sempre como marca de seu caráter. Contudo, este “Zero Universitário” não emplacou e o personagem quase deu adeus para sempre ao mundo dos quadrinhos.

 

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Foi então que, em 1951, Mort Walker teve a  feliz ideia de alistar Bettle Bayley no exército para participar da Guerra da Coréia (1950-1953);  e deste momento em diante, o personagem tornou-se um verdadeiro sucesso e suas tiras passaram a figurar diariamente em uma centena de jornais americanos.

Com o término da guerra, Mort Walker tentou fazer com que o nosso Recruta Zero retomasse sua vida de civil, mas seus leitores exigiram que ele voltasse ao cenário militar, o que foi prontamente atendido.

Estas duas edições de bolso da L&PM Pocket são realmente incríveis, já que reúnem as tiras em ordem cronológica, desde o tempo em que Zero era um universitário, passando pelo tempo em que ele esteve na Guerra da Coreia, até os dias de hoje.

E quem nos narra toda a odisseia deste recruta mais preguiçoso, azarado e querido do mundo é o próprio Mort Walker – que nos revela que o processo de adaptação de Bettle Bayley ao exército, bem como a criação dos outros personagens que fazem parte da história como o Sargento Tainha (que era magro e casado no inicio, e tinha dentes), Quindim (que era um amigo que Mort Walker teve no exército e se achava um Don Juan, mas no fundo não conquistava nenhuma garota), Dentinho (um rapaz interiorano e simplório) e o General Dureza (um autêntico velho babão) foi sempre na base da tentativa e erro.

Alguns personagens foram sendo acrescentados na história, como o cozinheiro porcão Cuca, Marta, a esposa terrível do General Dureza, Otto, o cão do Sargento Tainha (que no início era apenas um cão bravo) e Dona Tetê, a personagem mais “querida” de todo o quartel, por ser uma espécie de loira-burra (aquela por quem o General Dureza tem uma enorme queda).

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Outros personagens foram cortados para sempre das histórias, por não terem tido o impacto que Mort Walker esperava, como é o caso do “Sebinho” (um recruta que não gostava de tomar banho) e “Foguinho” (um recruta tímido que só se dava mal em suas cantadas).

Muitas histórias foram criadas baseadas no tempo em que o próprio Mort Walker serviu às forças armadas. Suas histórias sempre foram pautadas apenas no verdadeiro humor e diversão, sem jamais terem qualquer preocupação com o “politicamente correto”.

E isso é o que faz o Recruta Zero ser tão querido e amado em todo o mundo e suas tiras serem publicadas até hoje, em mais de 1000 jornais!

Mort Walker (1923-) faz questão de desenhar até hoje!!!

Ambas as edições são dignas de 5 estrelas!

Espero que tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André