OUTROS OLHOS – Ana Claudia Domingues


outros olhos

Boa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de Outros Olhos, livro de estreia da autora Ana Claudia Domingues.

A história começa em Nova Esperança, pequena cidade do interior do Paraná, onde a pequena Luiza, de apenas 10 anos, volta para casa, após sua caminhada de sempre e encontra Amanda, sua querida mãe, assassinada de maneira brutal, para seu completo desespero.

Porém, ela logo descobriu que tudo não passara de um terrível pesadelo,  quando foi acordada gentilmente pela própria Amanda.

Nova Esperança, como toda cidade pequena que se preze, tinha também suas lendas e mistérios. E a casa abandonada que ficava bem na esquina da rua de Luiza era o maior exemplo deste misticismo rural, pois todos os moradores da cidade diziam que ela era mal assombrada.

Luiza e Cris (Cristina), sua melhor amiga, já haviam entrado na casa uma vez, quando ainda tinham apenas 8 anos, e viram algo muito estranho no porão, algo inumano, com olhos negros e sinistros, que rogava ajuda. Ambas fugiram de lá rapidamente, e nunca mais tocaram no assunto.

Conforme Luiza ia crescendo, ela também ia dedicando mais do seu tempo à leitura e, de certa forma, afastando-se de vez de seus amigos, principalmente de Cristina, que reclamava do distanciamento repentino da amiga, que preferia passar seu tempo na biblioteca do que com ela.

Certo dia, o pai de Luiza comunicou-lhe que a velha casa da esquina acabara de ser comprada por Julio Bertolazzo, que era brasileiro, mas vivera 22 anos em Florença, Itália, onde conheceu Giovana, com quem casou-se e teve um filho; entretanto, as coisas não correram tão bem entre o casal e eles acabaram se separando, e ele resolveu retornar ao Brasil,  justamente para Nova Esperança, e resolvera comprar a casa da esquina com o intuito de reformá-la.

Quando Luiza conheceu Julio, ela teve uma má impressão logo de cara, pois os olhos dele eram assustadores, muito parecidos com aqueles que ela havia visto no porão da velha casa.

Henrique, o filho de Julio, veio da Itália para morar com o pai; ele e Luiza se deram bem logo de cara, pois ele era um garoto muito educado e comunicativo, além de ser bem bonito também, o que despertou bastante sua atenção. A vinda dele acabou ajudando a reatar a amizade entre Luiza e Cristina, e os três tornaram-se inseparáveis.

Uma vez ele convidou-as para uma sessão de cinema em sua casa e elas não aceitaram, alegando que a casa onde ele morava era mal assombrada. Ao ouvir isto, o jovem riu das duas e disse que aquilo não passava de bobagem, já que ele nunca vira nada de estranho ali.

O pai de Luiza acabou sendo internado e foi diagnosticado com câncer terminal no pulmão, o que gerou um completo pesar em todos, já que ele era muito querido. Ele acabou sendo liberado para voltar para casa e aproveitar seus últimos dias ao lado da família.

Uma tarde em que ele e a filha estavam sozinhos em casa, ela percebeu aquele olhar negro no próprio pai; ele tentou pedir-lhe socorro e falou para ela resistir àquela força demoníaca que tentava dominá-lo. Quando seu olhar voltou ao normal, ele morreu em seus braços.

Ao abrir os olhos, ela percebeu que tudo fora um pesadelo novamente, só que havia uma grande diferença desta vez: seu pai estava no quarto, morto de verdade!

Após o falecimento de seu pai, as coisas só pioraram, pois seus pesadelos tornaram-se mais frequentes e ainda mais vívidos, e a mãe dela fez uma terrível revelação: ela e Júlio estavam agora namorando, algo que Luiza não via com bons olhos, já que fazia apenas três meses que seu pai falecera, e aquele homem não tinha coragem de encará-la…

Certo dia, Luiza resolve ir até a biblioteca municipal  para fazer uma pesquisa sobre a cidade e acaba por descobrir o terrível segredo envolvendo a casa mal assombrada… segredo este que tinha tudo a ver com Julio e com seu filho Henrique!

O resto, só lendo muito!

No começo, o ritmo da narrativa é  um pouco lento e parado, devido às longas descrições; todavia, da metade para a frente, tudo muda, e o clima de suspense cresce cada vez mais,  até chegar a um final muito bem elaborado e totalmente inesperado.

Não posso deixar de citar algo que realmente incomodou-me durante a leitura: o excesso de erros de digitação encontrados!

Mesmo assim, dou 3 estrelas

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

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O ESCRAVO DE CAPELA – Marcos DeBrito


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Quando a morte é apenas o começo
para algo assustador

 

Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Com esta frase impactante, eu inicio a  resenha de O Escravo de Capela, uma verdadeira obra-prima de terror, genuinamente nacional, de autoria do escritor e cineasta Marcos DeBrito: uma das pessoas mais talentosas e humildes que eu já tive a oportunidade de conhecer pessoalmente!

A história concentra-se toda na Fazenda Capela, uma grande propriedade rural, que situava-se em Minas Gerais e, como todas as propriedades da época do Brasil Colonial, fazia uso da mão-de-obra escrava para o cultivo de cana e produção de açúcar. 

Os Cunha Vasconcelos eram os maiores produtores de açúcar da região e tinham imenso orgulho em tratar seus escravos com requintes de crueldade, principalmente os que tentavam fugir ou mesmo suicidar-se; estes eram espancados e chicoteados muitas vezes até a morte, para servirem de exemplo para os outros escravos. 

Numa tarde quente de 1792, Sabola Citiwala, escravo jovem que chegara há pouco da África e não entendia qualquer palavra em português, dava duro junto aos outros escravos na plantação de cana-de-açúcar; como ainda não conhecia as regras rígidas da fazenda, resolveu cantarolar no dialeto africano, para passar o tempo e, por isso, acabou sendo castigado por Antônio Batista Segundo, o filho primogênito de Antônio Batista Cunha Vasconcelos, dono da fazenda.

Após ter seu “primeiro contato” com o açoite de Antônio Segundo, Sabola trava amizade com Akili, a quem os brancos chamavam de Fortunato, e que há quatorze anos também fora vítima da ira cega do mesmo  Antônio Segundo,  que o espancara de tal maneira que os ligamentos de seus dois joelhos acabaram se rompendo e impossibilitando-o de trabalhar, tendo ele então que ficar confinado o tempo todo na senzala, fumando seu cachimbo. 

Com o passar dos dias, a amizade entre ambos fortaleceu-se e a vontade de fugir daquele lugar foi tomando conta da mente do jovem Sabola; plano este que contava com o pleno apoio de Akili, que só pedia ao amigo mais novo para ter paciência e esperar a hora e o momento certo para sumir dali.

Nesta mesma época, Inácio, o filho mais novo de Antônio Batista, havia retornado de Portugal, para passar apenas umas férias na fazenda. O jovem formara-se em Medicina em Coimbra e tinha um discurso completamente contrário ao trabalho escravo…discurso este que não era visto com bons olhos pelo irmão mais velho,e muito menos pelo pai, que jogava na cara que  se ele conseguira estudar fora do Brasil era graças ao trabalho dos escravos; para piorar ainda mais a situação, o jovem enamorara-se pela bela Damiana, a única escrava mulata da fazenda; romance este que se descoberto, mancharia de vez a imagem de Antônio Batista, já que Maria de Lourdes, sua antiga esposa, o abandonara quando Inácio ainda era muito pequeno.

A chance de escapar veio durante a festa grandiosa do aniversário de 60 anos de Antônio Batista. Enquanto todos os convidados bebiam e se divertiam, Sabola evadiu-se da senzala e montou numa mula para tentar escapar de vez da fazenda, mas foi visto por Jonas, que tentou acertar o escravo com tiros de sua carabina.  

Antônio Segundo e Jonas saíram à caça do escravo; o primogênito dos Cunha Vasconcelos conseguiu cortar caminho e defrontar-se rapidamente com Sabola, decepando com violência a cabeça de sua mula e voltando para a fazenda, arrastando o pobre coitado, para o deleite de todos os presentes.

O sádico então mandou “prepararem” o escravo, que foi pendurado pelos braços a uma viga de madeira, tendo seu rosto completamente desfigurado pelos vários socos desferidos por Fagundes, um dos peões da fazenda.

Os escravos foram acordados e tiveram que acompanhar de perto o castigo imposto ao  escravo fujão e quem fizesse menção de desviar os olhos ou cobri-los levava uma dura coronhada na cabeça.

Antônio Batista tomou o chicote do filho e resolveu ele mesmo mostrar a todos que estavam presentes que escravo não escapava com vida de Capela; após desferir vários golpes que cortaram a carne de Sabola, fazendo o escravo berrar de dor, ele então ordenou ao filho mais velho que matasse aquele negro.  Para evitar os gritos do pobre coitado, Jonas colocou um saco em sua cabeça, que acabou ficando rubro por causa do sangue que vertia do rosto do escravo; Antônio Segundo passou a golpear a perna de Sabola com a mesma peixeira com que havia decepado a cabeça de sua mula, até o momento em que conseguiu separá-la do corpo do negro. Neste exato momento, Jonas esganou o escravo até sentir seu  último suspiro.

O pobre coitado foi então enterrado em uma cova aberta pelos próprios escravos atrás da igreja. Entretanto, Jonas não deixou que enterrassem a perna de Sabola junto com o corpo; ele resolveu pendurá-la como troféu, sob o pórtico de entrada da fazenda, para que todos os escravos pudessem vê-la todos os dias.

Naquela noite, Jonas limpava sua arma enquanto os outros peões bebiam e jogavam baralho animadamente na choupana deles, quando  um silvo na mata, parecido com o silvo do martim-pererê, os assustou; ele resolveu então olhar pela janela do casebre e viu lá fora algo realmente apavorante: uma mula andando sem cabeça, com fogo saindo pelo buraco aonde deveria estar a cabeça, e atrás dela, vinha um escravo negro e muito alto, mancando sem a perna direita e com um saco maculado de sangue enterrado na cabeça.

Isto só poderia significar uma coisa: Sabola voltara do mundo dos mortos, montado em sua mula-sem-cabeça, para vingar-se de todos os seus algozes de Capela!

Paro por aqui, para não estragar as muitas surpresas e reviravoltas que o autor reservou aos seus leitores.

O resto, só lendo muito!

O ritmo da narrativa é intenso durante todo o livro; o enredo é muito bem explorado pelo autor, pois mescla com perfeição ficção e realidade, usando um período vergonhoso e terrível do nosso passado, em que as pessoas achavam-se “donas” por direito de outros seres humanos, para dar completa credibilidade à sua história, que conta com um final eletrizante e completamente inesperado.

Louve-se o trabalho pormenorizado e magnífico de pesquisa que Marcos DeBrito realizou sobre o Saci Pererê e a Mula-sem-cabeça, dois grandes expoentes do folclore brasileiro.

Esta foi, sem dúvida alguma, minha melhor leitura de 2017!

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Olhos Baixos – Maria Helena Nascimento


LIVRO OLHOS BAIXOSBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de um livro maravilhoso que eu comprei, totalmente ao acaso, em um dos sebos de São Paulo.

Trata-se de Olhos Baixos, livro de estreia de Maria Helena Nascimento: uma roteirista de séries e novelas talentosa e muito conceituada, além de ter sido colaboradora de autores de peso como Gilberto Braga, Antonio Calmon e Euclydes Marinho.

Tudo começa na manhã de 15 de maio de 2001, quando Hugo, o marido  da nossa massagista e narradora-personagem, a pega pelo cotovelo “gentilmente” e pede para que ela o acompanhe até a garagem .

Lá chegando, ela deu de cara com um verdadeiro armagedom: Fred – seu labrador de oito meses que, de tão querido, deixara de ser apenas um cão para transformar-se em um verdadeiro filho-, comera grande parte do estofamento do banco do motorista do Land Rover novo de seu marido. Além de destruir o banco, o cão também “devorara” parte do para-choque e havia arranhado quase toda a lataria do carro.

No banco de trás do veículo “jazia” o notebook de Hugo, todo mordido, tal qual um sanduíche. Seu marido estava tão cego de ódio, que  chegou até a pegar um extintor para lançar no cão, mas foi contido pela esposa que, para piorar ainda mais as coisas, tomou o lado do pobre bichinho!

Hugo viajou a negócios para Nova York sem despedir-se, sem dizer quando voltava, e o pior, sem deixar o telefone do hotel onde ele  ficaria hospedado!

Eis que Liliane apareceu na vida da narradora, totalmente por acaso, já que a mesma havia errado de andar e entrou no consultório da massagista, pedindo um copo de água com sal, já que sua pressão caíra por causa da gravidez.

Como não havia sal no consultório, ela, como boa massagista que era, resolveu fazer uma massagem para aliviar a tensão de Liliane, e enquanto as duas conversavam, ela descobriu que ambas já haviam se encontrado em um evento da Casa Cor e Liliane até já havia aparecido em sua casa, vendendo uns tapetes.

Naquela noite, ela foi dormir pensando muito em Liliane, mais precisamente em como ela era extrovertida e comunicativa, o inverso do comportamento dela, e acordou com Fred na sua cama: um terrível sinal de que ela esquecera o portãozinho da escada aberto e o cão havia subido nos quartos, algo que o marido deixara bem claro que não permitiria jamais.

Desta vez, Fred destruíra justamente a raquete de tênis predileta de Hugo. Daquele momento em diante, Fred deixou de ser seu “filho querido” para transformar-se no seu pior inimigo.

Nossa massagista só não fazia ideia que o revés canino seria o menor dos problemas que ela, dali para a frente, viria a lidar…

O resto, só lendo muito.

Só posso afirmar a vocês que a autora começou verdadeiramente com o pé direito, pois sua escrita é simplesmente maravilhosa; sua história, além de muito boa, é também muito engraçada. Devorei o livro em apenas algumas horas.

Digno de 5 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

TANNÖD – Andrea Maria Schenkel


Resultado de imagem para capa tannodBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos mais uma resenha de um livro adquirido em uma das máquinas de livro das do Metrô de São Paulo. Trata-se de TANNÖD, livro de estreia da autora alemã Andrea Maria Schenkel.

A história começa com a notícia de uma terrível chacina, ocorrida numa fazenda distante localizada no vilarejo de Tannöd, pertencente à cidade de Einhausen, Alemanha. Ali,  o fazendeiro Hermann Danner, sua esposa, Theresia, Barbara Spangler, a filha única do casal, Marianne e Josef, que eram filhos de Bárbara e Maria Meiler, a criada da família, foram mortos a golpes de picareta, demonstrando assim uma extrema crueldade.

O patriarca Hermann Danner era um agricultor que costumava usar imigrantes expatriados da Polônia para pagar-lhes uma verdadeira miséria; além disso,  o velho Danner, como todos o conheciam, era um verdadeiro tirano dentro de casa – muitos na cidade desconfiavam que ele mantinha relações incestuosas com a filha, chegando até a comentarem que Marianne seria produto desta relação pecaminosa–; Theresia, apesar de ser extremamente carola, aceitava passivamente o comportamento doentio do marido; Bárbara, que vinha sendo obrigada a dormir com o pai desde os 12 anos, tornou-se uma mulher insensível, que fazia uso de todo o seu charme para enfeitiçar os homens, só para fazer com eles o que ela bem entendesse, já Marianne, a filha mais velha de Bárbara era uma verdadeira mentirosa patológica, que vivia inventando que tinha um pai muito rico e que um dia ele iria levá-la para morar com ele, nos Estados Unidos.

Ou seja, os Danner eram um completo modelo de família totalmente disfuncional!

O livro divide-se em dois modelos de narrativas diferentes: a primeira é direta, e narra exatamente como tudo aconteceu, tintim por tintim; já a outra, usa transcrições de diálogos de diversos moradores e vizinhos das vítimas, como se cada um destes fosse uma verdadeira testemunha ocular do crime.

Vou parando por aqui, deixando vocês juntarem todas as peças deste enorme quebra-cabeças, e descobrirem a  identidade do culpado.

O resto, só lendo muito!

Uma história curta e muito bem elaborada, com um final completamente inesperado.

A autora baseou-se em uma crime verdadeiro, ocorrido em 1922, numa fazenda situada na região da Baviera, aonde uma família inteira foi morta e seus corpos foram empilhados no celeiro. Este crime jamais foi resolvido.

Digno de receber 4 estrelas.

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

O Casamento de Laucha – Roberto Payró


Resultado de imagem para O Casamento de LauchaBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Como muitos de vocês já estão cansados de saber, eu sou um “garimpeiro” de máquinas de livros do Metrô de São Paulo. E em uma das minhas “explorações”, encontrei O Casamento de Laucha: verdadeira obra-prima  da literatura argentina, de autoria de Roberto Payró.

Laucha (ratazana, em castelhano), como a própria alcunha que recebera desde seus 5 anos já dizia, assemelhava-se a um verdadeiro roedor asqueroso, tanto fisicamente – já que possuía cabelo opaco e bem ralo, rosto fino, que se assemelhava a um focinho, bigode falhado e escuro e olhos negros e um pouco saltados -, quanto nas atitudes, já que o mesmo era muito malandro e bastante esperto.

O sujeito vivia para lá e para cá, aplicando pequenos golpes e apostando o pouco dinheiro que mantinha com ele, ou seja, literalmente “vendendo o almoço para pagar o jantar”, até o dia em que desembarca na cidade de Pago Chico, interior da Argentina e lá conhece Dona Carolina: uma italiana já madura, que enviuvara há algum tempo e tocava seu armazém apenas com a ajuda de um velhinho muito debilitado.

A viúva comprava bebidas falsificadas de um fornecedor da cidade, e revendia as doses aos seus fregueses. Laucha, com seu jeito manhoso e sagaz, logo convenceu a tal Dona Carolina a confiar-lhe todo o processo de fabricação das bebidas, já que ele era um exímio fabricante de conhaque; além disso, ele é quem cuidava da caderneta com os lucros e fiados da bondosa senhora.

E de bom empregado para namorado não demorou quase nada. Só que a Dona Carolina não abria mão de casar-se com o Laucha, algo que ele descartou no início, mas acabou aceitando, já que viu que a italiana, além do armazém, possuía algumas terras arrendadas também.

Ele foi então procurar o padre Papagna, com o intuito de marcar a data do enlace e mandar correr os papeis o mais rápido possível. Acontece que Papagna era um sujeito velhaco e muito dinheirista e acabou propondo-lhe um negócio muito mais vantajoso para ambos…

O resto, só lendo muito!

Um livro excelente, com uma história primorosa, que nos expõe o lado mais sórdido do ser humano.

Digno de 3  estrelas!

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Strip-tease – Carl Hiaasen


Strip-teaseBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês uma resenha especial de um livro que eu encontrei por acaso em um dos sebos que eu costumo frequentar. Trata-se de Strip-tease, do brilhante autor americano Carl Hiaasen.

Trapaças, luta livre de mulheres, chantagem, assassinato, sexo e corrupção são apenas alguns dos ingredientes deste excelente suspense.

A história começa em Fort Lauderdale, Flórida, mais precisamente no clube de striptease Eager Beaver; em certa noite, uma despedida de solteiro estava acontecendo na boate e Paul Guber, o noivo, havia consumido um pouco mais de álcool do que deveria e resolveu saltar no palco para acariciar a perna da stripper que estava se apresentando. Neste exato momento, um homem maduro, de bigode grosso avançou com tudo para o rapaz, espancando-o com uma garrafa de champanhe, até que o mesmo desmaiasse.

Tudo não teria passado de uma simples briga entre dois bêbados brigões se Jerry Killian, um frequentador assíduo do Eeager Beaver, não tivesse reconhecido o cavalheiro de bigode, que era ninguém mais, ninguém menos que David Dilbeck, deputado federal corrupto e depravado, que usara o falso bigode para disfarçar-se e não ser reconhecido, pois aquele era um ano eleitoral e ele esperava reeleger-se novamente.

Erin Grant, a dançarina em questão, era a verdadeira sensação do lugar;  ela já havia trabalhado no FBI, mas teve que desligar-se de suas funções  para tirar a roupa todas as noites no Eager Beaver – algo que ela própria reprovava -, para juntar o máximo de dinheiro possível para pagar um bom advogado para reconquistar a guarda da filha pequena, tomada por seu ex-marido Darrell Grant, um sádico, viciado em todo tipo de drogas e opiáceos, que usava a própria filha para ajudá-lo a roubar cadeiras de rodas infantis para depois desmontá-las e revender as peças separadas.

Killian é um dos muitos fãs de Erin, e resolve ajudá-la com o problema da guarda da criança, dispondo-se a chantagear o deputado Dilbeck para que ele converse com o juiz que tirou-lhe a guarda da filha – outro velho tarado, que adora frequentar clubes de striptease com uma bíblia no colo -, para que ele reveja o caso e restabeleça à Erin a guarda da filha. Todavia o plano fracassa quando Malcolm Moldowsky, lobista que cuida da carreira de Dilbeck e dos interesses de todos os usineiros da Flórida, assume o caso e resolve silenciar Killian…para sempre.

Shad, o leão-de-chácara da boate, era um grande amigo e defensor de Erin, e prestava-lhe ajuda como podia em assuntos relacionados ao seu ex Darrel. Além disso, o segurança sonhava em ganhar dinheiro para limpar seu nome e, para isso, resolveu apostar todas as suas fichas num grande golpe, colocando uma barata dentro de um copo de iogurte de uma marca de laticínios famosa, com o intuito de processar a empresa e receber uma indenização milionária. 

O advogado Mordecai havia sido um dos últimos alunos de sua classe na faculdade e sempre sonhara com um grande caso, e ele caiu em seu colo, quando Shad o procurou contando todo o seu plano.

Todavia, tudo naufraga quando uma secretária-substituta de Mordecai resolve fazer uma “boquinha” no frigobar do advogado…

Para evitar estragar o resto das surpresas que o autor reservou para os leitores, vou parando por  aqui.

O resto, só lendo muito!

Os capítulos são bem curtos e os personagens são tão bem construídos, que não dá tempo nem de respirar ou piscar os olhos durante a leitura.

O autor consegue prender a atenção do leitor do inicio até o final, completamente inesperado e imprevisível.

Digno de 5 estrelas

Houve um filme homônimo, de 1996, que não foi muito bem aceito pela crítica, trazendo Demi Moore no papel de Erin Grant.
Novas resenhas deste autor maravilhoso serão logo postadas, pois adquiri todos os títulos dele já lançados no Brasil!

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)