João Simões Continua – Orígenes Lessa


Resultado de imagem para capa joão simoes continuaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês a resenha do divertidíssimo João Simões Continua, livro de autoria de Orígenes Lessa, um dos meus autores nacionais prediletos.

Quem narra a história é João Simões, um corretor de café que, em plena São Paulo dos anos 1930, encontrava-se à beira da morte, acometido por uma moléstia incurável. Seus parentes e o médico da família faziam questão de dizer a ele que ele logo se recuperaria e estaria pronto para voltar ao trabalho, porém, ele tinha certeza que daquela cama só sairia para o cemitério.

Ele aproveitou a tarde para tirar um cochilo e sonhou com passagens de sua vida, desde o seu nascimento, até seus dias atuais, quando a queda da bolsa de valores de Nova York, havia feito o preço do café despencar em todo o mundo, atingindo o Brasil em cheio; aquelas imagens sucediam-se tão rapidamente e eram tão vivas e reais, contudo, não despertavam nele qualquer sentimento de saudade ou remorso; parecia que sua vida estava sendo passada a limpo.

Tentou abrir os olhos, só que sem sucesso; uma espécie de preguiça tomara conta de todo o seu ser. Foi então que ouviu a voz de sua esposa gritando para chamarem  rapidamente o médico; já sua sogra, pedia para buscarem logo um padre, ou seja, um caos generalizado instaurou-se na residência, até o momento em que o médico chegou e atestou aquilo que todos já esperavam: João Simões acabara de falecer.

Só que havia algo muito estranho em tudo isto, pois o tal “defunto” continuava vendo o ouvindo tudo o que se passava ao seu redor, acompanhando de perto toda a correria da família para providenciar o seu velório e avisar a todos os parentes e amigos de sua morte.

Enquanto velavam seu corpo, seus amigos aproveitavam para falar da tal francesa que Simões mantivera como amante por vários anos e de como seria pior para o Brasil caso os comunistas tomassem o poder; já as mulheres, discorriam sobre qual seria a nova moda da próxima estação e até sobre o absurdo preço do tomate, que havia subido muito nos últimos dias. Até na hora do sepultamento, no momento do adeus final ao seu corpo, ele viu pessoas fazendo discursos belíssimos, apenas para não ficarem atrás umas das outras.

Ele tentou gritar, mas ninguém pareceu ouvi-lo; alguns até passavam por ele, como se ele realmente não existisse. Pela primeira vez na sua vida, João Simões estava sendo deixado de lado, esquecido.

Seria aquilo um pesadelo ou a real constatação que ele encontrava-se no tal do “além”, de quem muitos falavam?

Começou a achar que aquilo era algum tipo de castigo divino imposto a ele por causa do seu cochilo vespertino, já que, na sua visão extremamente limitada, ele sempre fora uma pessoa muito boa e amável!

Durante uma festa ocorrida dias após o enterro, João Simões reparou que sua esposa estava de caso com o seu melhor amigo e, para vingar-se, resolveu cuspir na bebida do tal “amigo da onça” e mesmo assim, o amigo tomou o uísque sem perceber;  Ele decidiu abraçar e dar um beijo então em Clarinha, sua paixão juvenil, só que a moça deu um berro enorme, relatando que sentira um abraço invisível… sopro frio… parecia até a morte!

Tomado de ódio, ele gritava para todos saírem de sua casa e desferia pontapés e bofetões em todos, sem surtir qualquer efeito. Uma gargalhada reverberou por toda a sala e, vinha de um desconhecido fumando charuto, que divertia-se com aquela cena.

Após um clarão repentino, ele notou que estava flutuando no ar de verdade, só que em outro plano, no qual aquele homem de charuto na boca podia vê-lo e ouvi-lo com clareza; além dele, outros flutuavam vestidos de branco e também de preto.

Foi neste momento que João Simões teve a certeza absoluta que havia de fato morrido!!!

O resto, só lendo muito.

A história é muito divertida e conta com capítulos bem curtos e uma linguagem bem fácil de ser compreendida, algo que ajuda muito a acelerar o ritmo da leitura. Através da sátira e do humor, Orígenes Lessa conduz seus leitores a uma profunda reflexão sobre a vida e a morte.

Afinal, precisamos de muito dinheiro e bens materiais para alcançarmos a nossa felicidade?

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

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Sob a Pele – Michel Faber


Resultado de imagem para capa livro sob a pele michelA história tem como cenário principal a cadeia de montanhas Highlands, situada na Escócia, onde um Toyota vermelho, conduzido por uma jovem e misteriosa mulher, oferece carona aos desavisados e, diga-se de passagem, azarados caronistas que ao caírem nas graças de Isserley, , de estatura pequena e delicada, que possui como grande atrativo seu par de seios torneados e firmes, sempre realçados por generosos decotes.

Mas sua aparente beleza e seus “dotes mamários” não passam de um terrível engodo que ela utiliza para atrair suas vítimas do sexo masculino, selecionadas a dedo. Ao entrarem em seu Toyota, todos os “escolhidos” são submetidos a uma entrevista, sem desconfiarem que aquelas serão suas últimas palavras, pois logo que o questionário termina, um poderoso tranquilizante, à base de Icpathua, é disparado nas vítimas através do estofamento do banco do carona, silenciado-as para sempre!

Por que uma mulher empreenderia tanto tempo e trabalho para capturar homens nas estradas da Escócia? Seria a bela Isserley apenas uma predadora desalmada? Ou algo muito mais maligno e sinistro estaria escondido por trás de sua pele?

O resto, só lendo muito!

O livro é bem interessante, já que faz com que sintamos certa empatia pelos caronas, torcendo para que, logo após a entrevista, Isserley os descarte logo. Contudo, quando ficamos sabendo o real destino de suas “mercadorias”, ficamos estarrecidos e para lá de enojados.

Através de seu livro, o autor faz uma crítica direta à poderosa indústria alimentícia.

Digno de 3 estrelas.

Aos interessados: existe um filme homônimo, de 2013, protagonizado por Scarlett Johansson e Kryštof Hádek, que não chega a seguir muito a história do livro, mas vale muito a pena ser visto.

Abaixo, segue o link do trailler do youtube:

Esperamos realmente que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

O Diário de Antonio Montoya – Rick Collignon


Resultado de imagem para O Diário de Antonio Montoya capaBoa noite, querida Família Lendo Muito!

A trama principal deste livro passa-se na fictícia e pacata cidade de Guadalupe, no México, quando os pais do menino José Montoya, de apenas onze anos, morrem num acidente de automóvel, provocado por uma vaca.

Ramona, artista plástica e tia de José, levava uma vida bem regrada e organizada até o dia do funeral do seu irmão e de sua cunhada, quando ela deparou-se com o fantasma de sua cunhada Loretta, que pediu-lhe para tomar conta do menino José.

A partir deste fato insólito, várias gerações de Montoyas vivos e também mortos começam a aparecer na casa de Ramona. Os avós falecidos de Ramona estão entre os espíritos que começam a visitar  a artista plástica; em uma destas aparições, sua avó pede a neta para que leia o velho diário de Antonio Montoya, escrito há setenta anos, no qual encontram-se muitas passagens da vida dos habitantes da pequena Guadalupe.

Agora, além de lidar com os fantasmas de seus antepassados, a pobre Ramona terá que lidar com os fantasmas de Guadalupe…

O resto, só lendo muito.

A história começa interessante, todavia, a partir da leitura do diário de Antonio Montoya, ela torna-se monótona e chata.

Não merece mais do que 2 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

O Castelo dos Cárpatos – Júlio Verne


O Castelo dos CárpatosBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos a resenha de mais um livro do grande Júlio Verne, um dos pais da ficção científica. Desta vez, escolhi O Castelo dos Cárpatos, uma das raras histórias de suspense/terror escrita pelo autor de Vinte Mil Léguas Submarinas.

A história toda é ambientada em plena Transilvânia, Romênia – região sempre marcada pela crença no sobrenatural, já que muitas lendas fantásticas vêm sendo passadas ali de pai para filho, desde os tempos bíblicos.

No final do século XIX, em plena aldeia de Wertz, quando Frik, um pastor de ovelhas local – também considerado por todos um grande feiticeiro, rogador de pragas e mandingas, que vendia poções mágicas aos aldeões-, compra uma luneta de um vendedor ambulante e, ao posicioná-la ao castelo abandonado dos Gortz, situado no alto dos Cárpatos, percebe uma coluna de fumaça saindo de uma de suas  torres, e corre para contar a novidade para o juiz Koltz, que comprova a veracidade utilizando-se da mesma luneta.

Mas como isto seria possível, já que o castelo não era mais habitado há mais de 15 anos, desde a partida do barão Rodolfo de Gortz?

Naquela mesma noite, o juiz Koltz chamou seus amigos: o médico Patak, o professor Hermod e o guarda florestal Nic Deck, futuro genro do juiz, à pousada Rei Mathias, para beberem com Jonas, o proprietário e discutirem sobre o terrível mistério envolvendo a fumaça da torre do castelo abandonado.

Durante a bebedeira, resolveram apostar para saber quem teria coragem de ir até o castelo para desvendar o mistério. Todos foram pulando fora, inclusive o falastrão do doutor Patak, que sempre afirmava que não tinha medo algum do sobrenatural; o único a aceitar o desafio foi Nic Deck, estipulando uma única condição: Patak deveria fazer-lhe companhia.

Foi então que uma voz grave e ameaçadora foi ouvida por todos no Rei Mathias, avisando a todos que ninguém deveria aproximar-se do castelo, pois seriam severamente castigados… voz esta que ninguém conseguiu reconhecer ou explicar de onde vinha!

Mesmo assim, na manhã seguinte, Nic Deck e o doutor Patak partiram rumo ao castelo, para tristeza do médico, que não passava de um grande covarde e foi reclamando durante todo o caminho, tentando fazer o jovem guarda florestal desistir.

Chegaram próximo do castelo só no final da tarde e perceberam que não havia qualquer sinal de fumaça ou som saindo da majestosa propriedade e tudo parecia deserto; eles também constataram que seria impossível passar pelo fosso do castelo para baixar a ponte levadiça e abrir sua  porta no escuro, por isso, resolveram acampar e tentar transpor as barreiras logo ao amanhecer.

Durante a madrugada, ambos foram acordados pelo soar sinistro do sino do castelo, além de depararem-se com visões estranhas de seres fantásticos como bruxas e vampiros voando perto de seus muros; de manhã, enquanto cruzavam o fosso, Patak sentiu-se pregado ao chão, sem conseguir se mover, enquanto Nic deu um grito horrível ao tocar a ferragem da ponte levadiça, tendo um braço e uma perna inutilizados, sendo lançado fortemente ao fosso, como que por efeito de uma mão invisível.

Como eles não voltaram no horário combinado, o juiz Koltz, o pastor Frik e o estalajadeiro Jonas, partiram até o castelo e voltaram trazendo Nic Deck, em numa padiola improvisada de ramos de árvore, inconsciente e parcialmente paralisado e o médico Patak em estado de choque.

Após restabelecer-se por completo, o médico contou a todos do Rei Mathias todo o terrível ocorrido, deixando bem claro que, para ele, aquilo não passava de obra do terrível “Chort” – nome que o Diabo recebe na região dos Cárpatos – que escolhera o castelo abandonado para aliar-se a outros seres sobrenaturais, com o intuito de expulsar todos os moradores da região!

Daquele dia em diante, o medo passou a imperar de vez em Wertz, que passou a ser assolada por incríveis trepidações subterrâneas quase que diariamente; agricultores começaram a deixar de plantar, por temerem encontrar demônios ou bruxas nos campos de trigo e muitas famílias,  abandonaram suas casas, com destino a outros países, pois tinham o receio do “Chort” matá-las!

Para não estragar as inúmeras surpresas que o genial autor reservou aos seus leitores, vou parando por aqui.

O resto, só lendo muito!

Não é possível efetuar a leitura sem um bom dicionário, dado ao emprego de muitos termos arcaicos. Todavia, isto não desabona em nada a leitura desta história fantástica muito bem construída, que consegue prender a atenção do leitor do início ao fim.

Digno de 4 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

A Festa Derradeira – Artur Laizo


Festa Derradeira, ABoa noite, querida Família Lendo Muito!

Estive fora por alguns dias para recarregar minhas baterias, mas já não aguentava mais de saudades de cada um de vocês.

Para celebrar este meu retorno, escolhi uma resenha mais do que especial. Trata-se do livro A Festa Derradeira, escrito por um dileto amigo aqui do blog, o Dr. Artur Laizo, autor do magnífico livro de terror A Mansão do Rio Vermelho. 

Wagner começa a narrar a sua história a partir do momento em que ele foi diagnosticado com câncer pulmonar e o dr. Alberto, seu médico, achava que ele devia operar o mais rápido possível, só que esta não era uma opção para ele.

Todos os seus amigos de bar achavam que ele deveria operar logo e também parar de beber e fumar, porém, o que ele queria mesmo era fazer uma festa derradeira, para beber bastante e divertir-se ao lado daqueles de quem ele gostava, e também serviria como despedida, já que, caso não operasse, ele teria cerca de três meses de vida.

Ficou acordado então que eles fariam a  festa derradeira lá mesmo no bar em que frequentavam, na próxima sexta à noite.

O verdadeiro motivo de Wagner não querer operar era a culpa que ele vinha carregando consigo, culpa esta por ter sido um péssimo marido e um pai horrível!

Wagner perdera Sílvia, sua esposa, quando ainda eram muito jovens; apesar de acreditar que amava a esposa, ele começou a traí-la logo após o casamento com inúmeras amantes, chegando tarde quase sempre, sem que sua esposa jamais o censurasse. 

Como pai ele fora ainda pior, pois deixara a educação do filho Rogério totalmente a cargo de Sílvia, sem jamais ter elogiado uma vez sequer seu filho por ele ter tirado uma nota alta ou ter se destacado nos esportes, afinal, essa era a obrigação dele como filho, não é mesmo?

Quando Rogério ficou em coma, devido ao terrível traumatismo craniano que ele sofreu, ao cair de uma altura grande enquanto praticava alpinismo, ele mostrou-se preocupado apenas com seu umbigo, pois rezara para que o filho morresse logo, pois não queria ficar com uma “planta” em casa.

Após a morte do filho, ele passou a abdicar totalmente da vida amorosa, passando a entregar-se todas as noites à bebedeira e ao cigarro, perambulando de bar em bar, até cair .

A única exceção havia sido a bela Rafaela, com quem havia tido um relacionamento passageiro, contudo, como ele não queria nada sério, a moça simplesmente sumiu de sua vida por mais de dez anos. Entretanto, ao ficar sabendo de sua saúde precária, ela fez questão de ir à festa, com a intenção de reencontrá-lo e também convencê-lo a operar.

No dia da festa, todos estavam preocupados com o atraso do amigo, pois tinham medo que ele houvesse falecido; todavia, tudo mudou no momento em que Wagner chegou; a partir daquele momento, todos dançaram, beberam e brindaram animadamente… até o momento em  que Wagner foi acometido por um surto de tosse com sangue e correu para o banheiro.

Ele foi acordar três dias depois na UTI do hospital.

Dias depois, enquanto estava internado, ele recebeu a visita de Rafaela; ela fazia questão que ele se recuperasse logo e aceitasse operar o tumor, pois ele era o pai de Júnior, seu filho de dez anos!!!

Será que aquilo era mesmo verdade? Ou não passava de um  artifício criado por Rafaela, com o simples objetivo de convencê-lo a operar?

O resto, só lendo muito!

Uma história realmente dramática, que submete o leitor a  uma verdadeira reflexão sobre culpa e perdão e também sobre espiritualidade e evolução.

Livro digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Sagarana – João Guimarães Rosa


Resultado de imagem para CAPA SAGARANAMais uma obra presente na lista da Fuvest desse ano, Sagarana é um conjunto de nove contos que, como esperado do autor, se passam no sertão de Minas, contando com elementos como religiosidade, sentimentalismo, superstição e a constante figura do valentão.

Com uma linguagem que mescla arcadismo, coloquialismo e norma culta, para não falar nos neologismos, o vocabulário pode ser uma barreira para diversos leitores, sobretudo, no conto O burrinho pedrês, em que a linguagem específica para descrever os bois pode comprometer a compreensão.

Outro problema que pode ser citado é a falta de objetividade do autor, que usa grande parte do livro para  descrever paisagens e animais ou mesmo contar histórias que pouco ou nada se relacionam com o enredo central, tornando a leitura lenta e cansativa, fazendo com que o leitor ache difícil concentrar-se na história que o escritor queria de fato contar.

No entanto, por mais que Sagarana não tenha de modo algum entrado pra minha lista de favoritos, ou mesmo favoritos entre as obras requisitadas pela Fuvest, nem só de defeitos é feito um livro. O humor e a ação são, sem dúvidas, fatores que te envolvem em contos como A hora e a vez de Augusto Matraga A volta do marido pródigo, meus dois contos preferidos, embora os elementos citados permeiem praticamente toda a obra.

Um clássico da literatura brasileiro, me sinto até mal de dizer isso, mas o fato é que meu primeiro contato com Guimarães Rosa (um autor renomado, comparado por muitos ao próprio Machado de Assis), a despeito do elemento humorístico e enredos que, em sua essência, soariam até mesmo interessantes, não me impressionou muito por seu excessivo descritivismo e falta de objetividade, ganhando, assim, meu 5.

Beijos, Ana Beatriz