A Metamorfose – Kafka


Resultado de imagem para capa livro a metamorfoseBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Escolhemos mais um clássico universal para resenhar para vocês: A Metamorfose, de Franz Kafka.

Tentem imaginar a seguinte situação: vocês acordam de uma linda noite de sono e, ao mirarem-se no espelho, deparam-se não com o reflexo que estão acostumados a ver de si mesmos, mas sim com a imagem de um ser com ventre marrom, acentuadamente abaulado, com saliências arqueadas e inúmeras perninhas, ou seja, durante a noite vocês transformaram-se em uma autêntica barata!

Que desespero vocês não experimentariam diante de tal acontecimento, não é mesmo?

Pois isto aconteceu de fato com Gregor Samsa, um caixeiro-viajante que vivia com seus pais e sua irmã em seu pequeno apartamento. Gregor era arrimo de família, ou seja, era ele que praticamente sustentava a casa, justamente por ser um funcionário eficiente e muito produtivo.

Todavia, agora que ele havia metamorfoseado-se em uma asquerosa barata,  sua família, envergonhada por ter que dividir o mesmo teto com semelhante criatura, o privara do contato com o mundo externo, obrigando-o assim a viver em um quarto poeirento e cheio de lixo!

Para piorar ainda mais as coisas, ele passou a depender da “bondade”  da sua irmã para alimentar-se…

Será que Gregor, de algum modo, conseguirá  reverter sua metamorfose e voltar a ser um producente homem, ou estará ele fadado a viver até o final dos seus dias como um desprezível e nauseabundo inseto?

O resto, só lendo muito!

Kafka conseguiu elaborar, de maneira brilhante, uma história convincente e muito tocante, que força-nos ao seguinte raciocínio: “Será que valemos pelo que somos ou apenas por aquilo que produzimos?”

A história é bem curta e pode ser lida em poucas horas.

Digno de 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

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François – O Menino Abandonado – George Sand


Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de um verdadeiro clássico da literatura francesa: trata-se de François – O Menino Abandonado, da autora  George Sand.

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A história começa com uma apresentação relativamente longa, trazendo um diálogo entre o narrador e seu amigo R. Eles discutiam sobre a verdadeira arte e os seus benefícios e malefícios sobre o ser humano e também sobre a superioridade do homem do campo, frente ao homem da cidade.

No final da apresentação o narrador justifica então ao amigo R.  que François o Champi, a história que ele dali em diante passaria a contar-lhe, era de origem francesa  e que ele tentaria contá-la sem aumentar ou diminuir qualquer ponto; ele também justifica ao amigo o uso  do termo “champi” (criança abandonada nos campos), que estava em desuso e também não era de origem francesa, por achar mais adequado que bastardo.

Em certa manhã, a bela e caridosa Madeleine, esposa ainda muito jovem do moleiro Cadet Blanchet, seguia para a fonte, com o intuito de lavar suas roupas e, ao chegar lá, deparou-se com uma bela criança, sentada em sua tábua de lavar roupas, brincando solitária; a criança em questão encontrava-se muito mal vestida e lhe era totalmente desconhecida.

Ela começa então a conversar com o garotinho e fica sabendo que seu nome é François e que todos o conheciam por François, o champi, já que ele era órfão de pai e mãe e estava sendo criado por Zabelle (Isabelle Vigot), uma mulher de cinquenta anos que recebia uma pequena pensão do governo para cuidar do menino; eles estavam morando numa casinha alugada , que ficava nas dependências do moinho de Cormoeur, que pertencia ao marido de Madeleine.

A partir daquele instante estabelece-se uma relação de intenso amor entre o menino e a bela e bondosa Madeleine, que passa então a ajudar François e Zabelle com o dinheiro que recebia de suas costuras, desafiando seu próprio marido e, principalmente sua sogra desalmada, que simplesmente detestava o pequeno François, pelo simples fato dele ser um “champi”; no entender dela, todos os “champis” tornavam-se mais tarde vagabundos ou bandidos perigosos.

Com o dinheiro escasso e com medo de ser despejada, Zabelle aliou-se com a terrível sogra de Madeleine, que prometeu pagar-lhe seis meses de aluguel adiantado, desde que ela se livrasse de François de uma vez por todas, enviando-o ao orfanato. Contudo, enquanto esperava pela carruagem que levaria o menino ao seu terrível destino, o pobre garoto começou a chorar e gritar e ela desesperou-se e bateu fortemente em sua cabeça com uma pedra grande.

Por sorte, Madeleine passava perto dali naquele mesmo instante e, ouvindo os berros do pequeno François, tratou logo de correr para salvá-lo. Ela pegou todo o dinheiro que possuía e deu para Zabelle, que comprometeu-se a criar aquela pobre criança com todo o amor e carinho que lhe era merecido.

Daquele dia em diante, François passou a ter não apenas uma, mas duas mães para amá-lo e olhar por ele.

Mesmo assim, ele jamais deixaria de ser um champi”!

O resto, só lendo muito!

Uma história realmente emocionante, capaz de sensibilizar o coração mais empedernido; seu final é simplesmente de tirar o fôlego.

Para quem ainda não conhece esta autora magnífica: seu verdadeiro nome era Amandine Aurore Lucile Dupin; ela resolveu adotar o pseudônimo de George Sand para poder escrever com mais liberdade e também ser melhor aceita no meio literário da época.

Não posso deixar de parabenizar a Liliane Mendonça, por seu brilhante trabalho de tradução.

Digno de 5 estrelas

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Ana Karênina – Tolstói


“Todas as famílias felizes são parecidas.
As infelizes são infelizes cada uma a sua maneira.”

Imagem relacionadaCom esta frase de impacto inicia-se mais um grande clássico da literatura mundial,  que somente um autor com a genialidade e o talento de Lev Tolstói conseguiria criar; sua história é ambientada na Rússia czarista do início do século XIX e é marcada por inúmeras tragédias, amores impossíveis, perdas e muita dor.

Tudo começa em Moscou, quando uma grave crise conjugal entre Stiva (irmão de Ana Karênina) e a princesa Dolly, força Ana Karênina a sair de São Petersburgo e ir até Moscou, com o intuito de tentar salvar o casamento do irmão. A relação entre o casal deteriorava-se a cada dia que passava, motivada pelo adultério cometido por Stiva.

Entre bailes e diversos compromissos da nobreza, Ana conhece o Conde Vronski e não demora muito para que a paixão tome conta do coração de ambos. Neste ponto é que começam os problemas do casal apaixonado, pois Vronski está comprometido a casar-se com a jovem Kitty, irmã de sua cunhada Dolly, e Ana já é casada com Alieksiei Karênin, um homem deveras honrado, que ocupava um dos mais altos cargos do Ministério.

Mesmo com todos estes empecilhos, o casal enamorado decide ficar junto.

Vronski termina então seu compromisso com Kitty, que mais tarde inicia um tórrido romance com Liêvin, um proprietário de terras que vivia num verdadeiro dilema sobre como liderar seus funcionários e expandir ainda mais seus lucros – durante grande parte da narrativa, Tolstói faz inúmeras explanações sobre a política russa e a agricultura.

Ana, por outro lado, pede o divórcio ao seu marido, contudo, como era o costume da época, o mesmo não aceita, obrigando o casal apaixonado a viver uma relação adúltera e proibida, sendo alvo de preconceito da nobreza e da sociedade russa da época.

Ana também é proibida por Alieksiei de ter qualquer contato com o filho e, a cada dia que passa, sua angústia só vai aumentando…

Será que ela encontrará a paz interior e conseguirá ser feliz ao lado de Vronski? Ou acabara definhando, sufocada na própria teia enredada por ela mesma, ao assumir seu amor pelo belo conde?

Para obter estas e outras respostas, só lendo muito!

Como na maioria dos livros considerados “clássicos”, a linguagem é bastante rebuscada e a leitura não é nenhum pouco dinâmica, podendo até ser considerada monótona por alguns, já que Tolstói  descreve minuciosamente o panorama político do início do século XIX.

Digno de 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

Contos En… Cantos & Peripécias – Andrade Jorge


Contos En... Cantos & PeripéciasBom dia, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje a resenha de um livro que eu recebi de presente de uma pessoa muito iluminada e querida: minha amiga e irmã Lua Andrade, do maravilhoso blog Caderno da Lua!

Trata-se do livro Contos En… Cantos & Peripécias, de autoria do brilhante poeta Andrade Jorge, que é simplesmente o pai da doce Lua.

Como o próprio título já diz, os nove contos aqui selecionados são capazes de encantar a qualquer leitor, pois são muito bem construídos por este trovador que, para nossa sorte e deleite, resolveu aventurar-se pelos campos da prosa.

As histórias são ambientadas em lugares diversos e épocas bem distintas. Neste livro, o drama e a desilusão muitas vezes caminham de mãos dadas com a ironia e o humor; a temática escolhida é a mais variada possível, e envolve traição, vingança, corações partidos, mortos que ressuscitam, amores não correspondidos, demonstrando a grande versatilidade do autor.

Foi muito difícil escolher dar destaque para apenas dois contos, já que eu gostei de todos.
No final, fiquei com estes:

1. A Mulher do Barbeiro
Cássia Maria, além de esposa do barbeiro Plácido, a quem ele apelidara carinhosamente de “pombinha”, era uma mulher muito bonita e fogosa, cantada em verso e prosa por todos da pequena Buriti.

Mas, como toda a ave que se preza, ela também gostava de “voar” fora do seu ninho. A cada semana ela saía com um amante diferente, sempre escolhendo alguém da “turma das seis”, que frequentava o salão do marido ciumento e cego de amor.

Plácido reparava na ausência de um membro diferente da “turma dos seis”, mas os outros sempre davam uma desculpa para a falta do colega e ele sempre engolia…

Certo dia, uma grande empresa de cosméticos estabeleceu-se na região, trazendo técnicos especializados para morarem na cidade, além de gerar mais empregos e dinheiro para os cofres públicos.

Um dos técnicos contratados era Rodolfo Augusto, um afrodescendente a quem todos chamavam de Rodô. Além de alto e bonito, Rodô era também gabola e metido a conquistador. Ele tinha até um ditado pessoal: “Vacilou Rodô entrou!”

Certo dia, ele jogou todo o seu charme em cima de Cássia Maria, e a “pombinha” voou para o lado dele, rejeitando todos os demais amantes, dali em diante.

Rodô só não fazia ideia da enrascada que estava se metendo; enrascada esta que mudaria para sempre seu ditado para:

“Vacilou Rodô entrou…numa fria!”

2. Morango com Chantily e Champagne
Roberto era um bem-sucedido profissional da área de marketing e estava casado há bastante tempo com Cecília. Eles tinham uma vida bem tranquila e eram muito bem relacionados. Entre suas amizades, destacava-se o casal Sílvio e Caroline, com quem sempre jantavam e viajavam.

Caroline também trabalhava na mesma empresa de Roberto; como bons amigos, eles sempre conversavam sobre tudo, inclusive sobre o casamento de ambos que não ia nada bem. E, conversa vai, conversa vem, logo ficaram um pouco mais íntimos…

Até o dia em que uma viagem foi agendada pela empresa onde eles trabalhavam e ambos deveriam viajar para representar a empresa em um congresso importante. Eles ficariam hospedados no mesmo hotel e já faziam planos de “algo mais”.

Ciça, como Cecília era mais conhecida, ouviu Roberto conversando com Caroline sobre os preparativos da viagem e logo percebeu que ambos estavam marcando um encontro amoroso para depois do Congresso.

Ela ficou muito mal com aquilo e resolveu vingar-se da amiga e do marido de um jeito criativo e muito inusitado: ela se passaria pela amiga e faria o marido transar com ela, sem saber que era ela.

Para tudo dar certo, ela teve que enviar um telegrama para o hotel em que eles ficariam hospedados, passando-se por Caroline. No telegrama, ela detalhava uma fantasia sexual que ela fazia questão que seu “amante-marido” realizasse. 

A fantasia envolvia luzes apagadas, roupa íntima vermelha e provocante, uma champagne francesa gelada, morangos e chantily…

O resto, só lendo muito!!!

Um livro realmente maravilhoso, digno de receber 5 estrelas.

Espero que vocês tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Tudo aquilo que nunca foi dito – Marc Levy


Resultado de imagem para tudo aquilo que nunca foi dito livroBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Preparamos, com muito amor e carinho, mais uma resenha especial para vocês. Desta vez, a obra escolhida foi Tudo aquilo que nunca foi dito, de autoria de Marc Levy, considerado o “Dan Brown francês”.

O livro narra a história de Julia Walsh, uma infografista (pessoa que desenha e faz animação de personagens) que está prestes a se casar com seu noivo Adam.

Devido ao corre-corre de sua tão agitada vida, ela resolve pedir ajuda ao seu grande amigo Stanley, para juntos escolherem um lindo vestido de noiva. Julia só havia esquecido de mencionar a Stanley um pequeno detalhe: faltavam apenas quatro dias para a data de seu casamento!!!

Apesar do prazo apertado, as coisas caminhavam muito bem, até o momento em que a bela jovem recebe o telefonema do secretário de seu pai – com quem ela já não mantinha qualquer tipo de relação “paternal” há muito tempo, motivada pela constante ausência dele nos momentos mais importantes de sua vida -, informando-lhe que seu pai estaria também ausente no seu casamento, só que por um motivo totalmente inesperado: ele acabara de morrer…

A notícia cai como uma verdadeira bomba no colo de Julia, que decide então adiar o casamento, pois o funeral seria bem no dia que estava marcado o matrimônio.

No dia seguinte ao funeral, Julia encontra uma enorme caixa de madeira bem na frente da porta de sua casa. Ao abrir a tampa da caixa misteriosa, ela descobre que a morte não havia sido a única surpresa que  Anthony Walsh, seu finado pai, preparara para ela…

O resto, só lendo muito!

Não esperávamos muito deste livro e acabamos sendo surpreendidos, da maneira mais positiva possível, acreditem.

No início, a história parece bem fantasiosa e até difícil de engolir. Entretanto,  o autor construiu um enredo com rara maestria forçando seus próprios leitores a fazerem uma verdadeira reflexão sobre os erros e acertos cometidos por pais e filhos, e também sobre o verdadeiro perdão e  harmonização entre ambos.

Digno de 5 estrelas

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

Os anões – Veronica Stigger


Resultado de imagem para os anões capa livroBom dia, querida Família Lendo Muito!

Pensem num livro inusitado, com formato totalmente diferente do usual e com histórias absurdas e fantásticas, como vocês nunca viram antes.

Sim, este livro existe. Trata-se de Os anões, livro de estréia da autora gaúcha Veronica Stigger.

A capa é toda em cor preta, sem qualquer imagem além do título, que mais parece uma etiqueta colada em algum tipo de agenda; o formato é de bolso e conta com apenas 60 páginas, todas muito grossas, por conta da escolha do miolo em papel cartonado de gramatura bem alta, algo bem diferente do que estou acostumado a ver nos livros.

As histórias selecionadas são bem curtas e exploram temas violentos, como espancamentos e até canibalismo. Tudo é abordado de uma maneira muito leve e ao mesmo tempo distorcida, flertando muitas vezes com o ilógico, mas sem ferir de modo algum o leitor.

O resultado final é maravilhoso, por mais absurdo que possa isso parecer. Mérito do talento de uma autora que escolheu fugir do lugar comum, para marcar seu nome para sempre na literatura nacional, como expoente de uma nova geração de autores que não ligam para o convencional.

Escolhi as duas histórias que mais chamaram a minha atenção.

São elas:

1. Os anões
Um casal de anões muito bonitinho e bastante petulante, aproveita-se de sua diminuta estatura para passar na frente de todos, inclusive de grávidas e de idosos.

Naquele dia, aproveitaram-se da boa-fé da balconista da confeitaria, que cedeu-lhes um banquinho, para degustarem todos os doces e guloseimas disponíveis, totalmente despreocupados com o tempo e até fazendo pouco caso daqueles que encontravam-se em uma fila enorme.

Muitas pessoas sentiram-se tão aviltadas com aqueles dois anõezinhos e resolveram por um ponto final na farra do casal!

2. “Quand avez-vous le plus souffert?” 

Mãe e filha estão passando uma tarde agradável no parque central da cidade natal de ambas. Enquanto a menina preocupa-se em fazer uma “cabana” para sua tão querida progenitora, escolhendo galhos e folhas caídos, a mãe passa as horas tricotando uma blusa.

Em certo momento, a menina resolve pedir-lhe um pedaço de lã, o  que a mãe prontamente atende, cedendo-lhe então um bom pedaço de linha dourada.

A filha enrola seu pedaço de linha no próprio pescoço, demonstrando a mãe como seria possível fazer um colar de lã.

O problema é  que aquela mãe  tinha outros planos para a filha…

O resto, só lendo muito!

Diferente de tudo o que eu já havia lido.

Digno de receber 4 estrelas.

Espero que tenham gostado, pois ele é diferente.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

DEPRESSÕES – Herta Müller


Resultado de imagem para livro depressões herta muller coleçãoBom dia, querida Família Lendo Muito!

Para iniciar as resenhas da semana, escolhi o livro Depressões, primeira obra da escritora alemã, nascida na Romênia Herta Müller, ganhadora do Prêmio Nobel da Literatura de 2009.

O livro é composto por quinze contos extremamente perturbadores, que falam das dificuldades encontradas pelas famílias para viverem no campo,  numa Romênia pós-guerra. A infância das crianças é retratada aqui de forma dura, brutal e muitas vezes agressiva; mesmo assim, há sinais de devaneios e até brincadeiras infantis.

Problemas como alcoolismo, adultério e espancamentos são traços marcantes da escrita da autora e são tratados como algo extremamente normal, chegando até a receber um certo lirismo por parte da mesma. 

Posso dizer que as histórias parecem repugnantes num primeiro momento, contudo, conforme avançamos na leitura, a desgraça é descrita de forma tão corriqueira que acabamos nos solidarizando com tamanho sofrimento vivido pelos personagens, por mais absurdo que isto possa parecer!!!

Escolhi dois contos para dar destaque:

1. O Discurso Fúnebre
Uma garota acompanha de perto o funeral do pai, que fora sempre uma figura imponente em casa. Terminado o enterro, alguns homens já muito alcoolizados, começam a narrar-lhe os terríveis pecados cometidos pelo seu progenitor, pecados que incluíam mortes de inocentes, adultério e até um caso terrível de estupro, que ocorrera durante a guerra. 

Para vingar-se daquele homem que fora tão terrível, os homens do vilarejo voltam-se para a pobre garota, condenando-a à morte.

2. Depressões
Esta narrativa, além de dar nome ao livro, é também a mais longa, ocupando quase metade do mesmo e narra a vida campestre de uma garotinha que mora com seus pais e avós, mas chega a ser tão insignificante que parece não existir de verdade.

Seu choro é repelido com tapas e surras dados pela mãe desalmada, que acredita que criança não deve chorar sem motivo. Ela escolhe como seu refúgio particular a “casinha”, uma latrina construída no terreno, usada por todos da família. Naquele lugar nauseabundo ela chora à vontade, sem qualquer culpa, e enquanto chora, ela também olha para baixo e, pela cor dos excrementos, ela consegue adivinhar quem esteve ali antes…

O resto, só lendo muito!

A leitura é bem tranquila e o ritmo torna-se bem acelerado devido à utilização de frases curtas pela autora.

Digno de 3 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

A ILHA DOS CISNES – Anne Rivers Siddons


Resultado de imagem para ilha dos cisnes capaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Nada como uma resenha para iniciar com pé direito o final de semana, não é mesmo?

Para isso, escolhemos A Ilha dos Cisnes, da novelista americana Anne Rivers Siddons.

O livro conta a história de Molly, uma autêntica dona de casa americana, que morava em Atlanta com seu marido Tê, e mais dois filhos crescidos: Teddy e Caroline. Eles possuíam uma casa bem confortável e viviam dentro de um padrão de vida normal. Molly, portanto, acreditava que era uma pessoa realizada e muito feliz.

Certo dia, porém, ela acaba descobrindo que seu querido Tê estava traindo-a com Sheri Scroggins, de trinta e dois anos e dotada de um corpo perfeito, capaz de virar a cabeça de qualquer um. Para piorar a situação, Sheri era sua colega de trabalho na Coca-Cola onde ocupava um cargo de advogada e assistente do departamento jurídico.

Seu marido resolve abandoná-la para viver com Sheri e, da noite para o dia, seu casamento de mais de vinte anos rui feito um verdadeiro castelo de cartas, fazendo com que a vida de Molly virasse completamente pelo avesso.

Como desgraça sempre atrai ainda mais desgraça, a mãe de Molly, que sempre fora uma mulher rígida e muito dominadora, acaba morrendo nesta mesma época, e a coitada da Molly começa a ser acometida por  pesadelos horríveis envolvendo sua mãe morta e enfurecida!

Para fugir dos terríveis pesadelos e com objetivo de dar novo rumo à sua vida, ela aceita o convite de um casal de amigos e parte para a calma ilha de Marthas Vineyard, localizada a oito quilômetros da costa de Massachussets.  Lá chegando, ela acaba descobrindo que o lugar era o que ela estava esperando, ou seja, um verdadeiro paraíso e acaba alugando um chalé à beira do lago. 

Contudo, o destino jamais seria tão bondoso com Molly e, ao alugar o lindo chalé, ela acabou adquirindo um “pacote completo” incluindo duas senhoras portuguesas, muito idosas e senis; um doente terminal de câncer perneta e um lindo casal de cisnes… selvagens e muito temperamentais!!!

Neste lugar paradisíaco e, ao mesmo tempo perturbador, ela acaba fazendo uma verdadeira reflexão completa de sua vida,  entregando-se de corpo e alma em busca  da felicidade e de uma melhor sorte…

O resto, só lendo muito!

Livro adorável, gostoso, que prende a atenção do leitor do início ao fim. O final é inesperado e comovente.

Digno de receber 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

BARTLEBY, O ESCRITURÁRIO – Herman Melville


Resultado de imagem para bartleby o escriturárioQuem narra esta verdadeira fábula do absurdo é um advogado com idade já bem avançada, que na época dos fatos ocorridos ocupava um importante cargo de conselheiro do tribunal da Chancelaria de Nova York, num importante escritório em Wall Street. O narrador faz questão de frisar que, nos seus últimos trinta anos, dado às suas atividades, encontrou diversas pessoas interessantes e bem singulares, mas Bartleby foi, sem sombra de dúvidas, o sujeito mais estranho e esquisito que ele já vira ou teve notícias.

Nesta época, ele possuía três empregados para auxiliá-lo em seu escritório: dois escriturários e um promissor rapaz como mensageiro. Eram eles Turkey (peru), Nippers (torquês) e Ginger Nut (noz de gengibre). Turkey era um inglês de meia-idade, que trabalhava bem durante toda a manhã e se embebedava durante a tarde; Nipper era um jovem de vinte e cinco anos, parecido com um pirata, que sofria de um problema estomacal crônico, o que o deixava sempre mal-humorado durante a manhã. Entretanto, durante o período vespertino ele sempre estava calmo, compensando a bebedeira de Turkey.

Ginger Nut era um garoto de 12 anos, cujo pai era carroceiro e que desejava que o filho tivesse melhor sorte. O garoto trabalhava como aprendiz, mensageiro e encarregado da limpeza no escritório de advocacia e as gavetas de sua mesa eram repletas de cascas de nozes. Ginger Nut trazia da rua deliciosos bolinhos de gengibre e maçãs que os dois escriturários encomendavam-lhe com frequência.

Tudo funcionava então como um verdadeiro relógio no escritório  do conselheiro tributário, entretanto, com o aumento do serviço,  resolveu ele colocar um anúncio no jornal, para contratar outro escriturário. Em resposta ao anúncio, um jovem de aspecto respeitável e muito pálido apresentou-se para a vaga de escriturário. Era Bartleby.

No início, Bartleby demonstrou grande eficiência e vontade, abatendo uma enorme quantidade de cópias, como se estivesse faminto e saciasse sua fome com muito trabalho, sem fazer qualquer pausa para descanso e trabalhando bem tanto à luz do sol quanto à luz de velas. Mas sempre em silêncio e de maneira mecânica.

Certo dia, precisando que Bartleby revisasse um dos seus documentos, o advogado recebe a seguinte resposta do novo escriturário: – “Prefiro não fazer”. Aquela foi a primeiras das inúmeras recusas que seriam proferidas pelo novo escriturário.

Certamente o advogado teria ralhado e demitido qualquer um dos outros empregados, mas a maneira calma como Bartleby proferiu aquelas palavras desarmou-o de maneira tocante e desconcertante.

Com o passar do tempo tudo piorou, já que Bartleby passou a dormir no próprio escritório e ficar o dia inteiro sem fazer nada, olhando algo pela janela que só ele conseguia enxergar.

O velho advogado tentou livrar-se dele demitindo-o, dando-lhe um prazo para ir embora, contudo, passado o prazo, o estranho escriturário continuava lá, olhando pela janela sem fazer qualquer menção de se mover dali. A saída encontrada então foi mudar seu escritório para outro endereço, abandonando Bartleby para sempre…

O resto, só lendo muito!

Uma história emocionante e com final surpreendentemente trágico, digna de receber 4 estrelas.

Herman Melville alcançou relativa fama ao escrever “Moby Dick”, em 1850. Todavia, após escrever sua obra-prima, Melville não conseguiu dar sequência ao seu trabalho como queria, pois foi vítima de sérios problemas econômicos, sendo obrigado então a escrever romances e contos para revistas da época, tipo de literatura considerada “menor” na época.

Por causa disso, seus contos e novelas foram esquecidos por muito tempo. Agora,  estão sendo redescobertos aos poucos, fazendo com que ele obtenha o devido reconhecimento como grande autor da literatura norte-americana.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

dezcontos com descontos – Ordilei Alves


dez contos com descontosBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje mais uma resenha de um livro que comprei  em uma das maquininhas de livros do Metrô de São Paulo; desta vez, o que me chamou a atenção foi o divertido trocadilho do título.  Trata-se de “dezcontos com descontos”, de Ordilei Alves.

Ao efetuar a leitura, o leitor irá deparar-se com dez histórias verdadeiramente “deliciosas”, com uma temática bem variada, explorando o humor e o drama com rara sensibilidade.

Não posso esquecer de mencionar o toque sutil de reflexão sobre a natureza humana que o autor deixa muitas vezes nas entrelinhas ao final de algumas histórias.

Destaque especial para:
“O Aniversário do Nonno”, que narra a história de uma família italiana típica, que estava reunida para comemorar 90 anos de seu Nonno. A casa estava cheia e  as ruas adjacentes encontravam-se repletas de carros estacionados.

A tarantela corria solta na vitrola e os casais dançavam alegremente. A mesa estava preparada para mais de trezentos convidados. Todos queriam dar os parabéns para o Nonno querido, e também desejavam saborear uma deliciosa macarronada italiana.

Só existia um pequeno problema: o Nonno  ainda não descera para o salão e não atendia quando batiam insistentemente à porta de seu quarto.

Será que o patrono da família havia morrido justamente no dia do seu nonagésimo aniversário?

O resto, só lendo muito!

O autor serve de exemplo para todos nós, pois lançou seu primeiro livro aos 60 anos de idade, provando que nunca é tarde para se escrever.

Digno de receber 5 estrelas!

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André