DEPRESSÕES – Herta Müller


Resultado de imagem para livro depressões herta muller coleçãoBom dia, querida Família Lendo Muito!

Para iniciar as resenhas da semana, escolhi o livro Depressões, primeira obra da escritora alemã, nascida na Romênia Herta Müller, ganhadora do Prêmio Nobel da Literatura de 2009.

O livro é composto por quinze contos extremamente perturbadores, que falam das dificuldades encontradas pelas famílias para viverem no campo,  numa Romênia pós-guerra. A infância das crianças é retratada aqui de forma dura, brutal e muitas vezes agressiva; mesmo assim, há sinais de devaneios e até brincadeiras infantis.

Problemas como alcoolismo, adultério e espancamentos são traços marcantes da escrita da autora e são tratados como algo extremamente normal, chegando até a receber um certo lirismo por parte da mesma. 

Posso dizer que as histórias parecem repugnantes num primeiro momento, contudo, conforme avançamos na leitura, a desgraça é descrita de forma tão corriqueira que acabamos nos solidarizando com tamanho sofrimento vivido pelos personagens, por mais absurdo que isto possa parecer!!!

Escolhi dois contos para dar destaque:

1. O Discurso Fúnebre
Uma garota acompanha de perto o funeral do pai, que fora sempre uma figura imponente em casa. Terminado o enterro, alguns homens já muito alcoolizados, começam a narrar-lhe os terríveis pecados cometidos pelo seu progenitor, pecados que incluíam mortes de inocentes, adultério e até um caso terrível de estupro, que ocorrera durante a guerra. 

Para vingar-se daquele homem que fora tão terrível, os homens do vilarejo voltam-se para a pobre garota, condenando-a à morte.

2. Depressões
Esta narrativa, além de dar nome ao livro, é também a mais longa, ocupando quase metade do mesmo e narra a vida campestre de uma garotinha que mora com seus pais e avós, mas chega a ser tão insignificante que parece não existir de verdade.

Seu choro é repelido com tapas e surras dados pela mãe desalmada, que acredita que criança não deve chorar sem motivo. Ela escolhe como seu refúgio particular a “casinha”, uma latrina construída no terreno, usada por todos da família. Naquele lugar nauseabundo ela chora à vontade, sem qualquer culpa, e enquanto chora, ela também olha para baixo e, pela cor dos excrementos, ela consegue adivinhar quem esteve ali antes…

O resto, só lendo muito!

A leitura é bem tranquila e o ritmo torna-se bem acelerado devido à utilização de frases curtas pela autora.

Digno de 3 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo grande no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

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A ILHA DOS CISNES – Anne Rivers Siddons


Resultado de imagem para ilha dos cisnes capaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Nada como uma resenha para iniciar com pé direito o final de semana, não é mesmo?

Para isso, escolhemos A Ilha dos Cisnes, da novelista americana Anne Rivers Siddons.

O livro conta a história de Molly, uma autêntica dona de casa americana, que morava em Atlanta com seu marido Tê, e mais dois filhos crescidos: Teddy e Caroline. Eles possuíam uma casa bem confortável e viviam dentro de um padrão de vida normal. Molly, portanto, acreditava que era uma pessoa realizada e muito feliz.

Certo dia, porém, ela acaba descobrindo que seu querido Tê estava traindo-a com Sheri Scroggins, de trinta e dois anos e dotada de um corpo perfeito, capaz de virar a cabeça de qualquer um. Para piorar a situação, Sheri era sua colega de trabalho na Coca-Cola onde ocupava um cargo de advogada e assistente do departamento jurídico.

Seu marido resolve abandoná-la para viver com Sheri e, da noite para o dia, seu casamento de mais de vinte anos rui feito um verdadeiro castelo de cartas, fazendo com que a vida de Molly virasse completamente pelo avesso.

Como desgraça sempre atrai ainda mais desgraça, a mãe de Molly, que sempre fora uma mulher rígida e muito dominadora, acaba morrendo nesta mesma época, e a coitada da Molly começa a ser acometida por  pesadelos horríveis envolvendo sua mãe morta e enfurecida!

Para fugir dos terríveis pesadelos e com objetivo de dar novo rumo à sua vida, ela aceita o convite de um casal de amigos e parte para a calma ilha de Marthas Vineyard, localizada a oito quilômetros da costa de Massachussets.  Lá chegando, ela acaba descobrindo que o lugar era o que ela estava esperando, ou seja, um verdadeiro paraíso e acaba alugando um chalé à beira do lago. 

Contudo, o destino jamais seria tão bondoso com Molly e, ao alugar o lindo chalé, ela acabou adquirindo um “pacote completo” incluindo duas senhoras portuguesas, muito idosas e senis; um doente terminal de câncer perneta e um lindo casal de cisnes… selvagens e muito temperamentais!!!

Neste lugar paradisíaco e, ao mesmo tempo perturbador, ela acaba fazendo uma verdadeira reflexão completa de sua vida,  entregando-se de corpo e alma em busca  da felicidade e de uma melhor sorte…

O resto, só lendo muito!

Livro adorável, gostoso, que prende a atenção do leitor do início ao fim. O final é inesperado e comovente.

Digno de receber 5 estrelas.

Esperamos que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

BARTLEBY, O ESCRITURÁRIO – Herman Melville


Resultado de imagem para bartleby o escriturárioQuem narra esta verdadeira fábula do absurdo é um advogado com idade já bem avançada, que na época dos fatos ocorridos ocupava um importante cargo de conselheiro do tribunal da Chancelaria de Nova York, num importante escritório em Wall Street. O narrador faz questão de frisar que, nos seus últimos trinta anos, dado às suas atividades, encontrou diversas pessoas interessantes e bem singulares, mas Bartleby foi, sem sombra de dúvidas, o sujeito mais estranho e esquisito que ele já vira ou teve notícias.

Nesta época, ele possuía três empregados para auxiliá-lo em seu escritório: dois escriturários e um promissor rapaz como mensageiro. Eram eles Turkey (peru), Nippers (torquês) e Ginger Nut (noz de gengibre). Turkey era um inglês de meia-idade, que trabalhava bem durante toda a manhã e se embebedava durante a tarde; Nipper era um jovem de vinte e cinco anos, parecido com um pirata, que sofria de um problema estomacal crônico, o que o deixava sempre mal-humorado durante a manhã. Entretanto, durante o período vespertino ele sempre estava calmo, compensando a bebedeira de Turkey.

Ginger Nut era um garoto de 12 anos, cujo pai era carroceiro e que desejava que o filho tivesse melhor sorte. O garoto trabalhava como aprendiz, mensageiro e encarregado da limpeza no escritório de advocacia e as gavetas de sua mesa eram repletas de cascas de nozes. Ginger Nut trazia da rua deliciosos bolinhos de gengibre e maçãs que os dois escriturários encomendavam-lhe com frequência.

Tudo funcionava então como um verdadeiro relógio no escritório  do conselheiro tributário, entretanto, com o aumento do serviço,  resolveu ele colocar um anúncio no jornal, para contratar outro escriturário. Em resposta ao anúncio, um jovem de aspecto respeitável e muito pálido apresentou-se para a vaga de escriturário. Era Bartleby.

No início, Bartleby demonstrou grande eficiência e vontade, abatendo uma enorme quantidade de cópias, como se estivesse faminto e saciasse sua fome com muito trabalho, sem fazer qualquer pausa para descanso e trabalhando bem tanto à luz do sol quanto à luz de velas. Mas sempre em silêncio e de maneira mecânica.

Certo dia, precisando que Bartleby revisasse um dos seus documentos, o advogado recebe a seguinte resposta do novo escriturário: – “Prefiro não fazer”. Aquela foi a primeiras das inúmeras recusas que seriam proferidas pelo novo escriturário.

Certamente o advogado teria ralhado e demitido qualquer um dos outros empregados, mas a maneira calma como Bartleby proferiu aquelas palavras desarmou-o de maneira tocante e desconcertante.

Com o passar do tempo tudo piorou, já que Bartleby passou a dormir no próprio escritório e ficar o dia inteiro sem fazer nada, olhando algo pela janela que só ele conseguia enxergar.

O velho advogado tentou livrar-se dele demitindo-o, dando-lhe um prazo para ir embora, contudo, passado o prazo, o estranho escriturário continuava lá, olhando pela janela sem fazer qualquer menção de se mover dali. A saída encontrada então foi mudar seu escritório para outro endereço, abandonando Bartleby para sempre…

O resto, só lendo muito!

Uma história emocionante e com final surpreendentemente trágico, digna de receber 4 estrelas.

Herman Melville alcançou relativa fama ao escrever “Moby Dick”, em 1850. Todavia, após escrever sua obra-prima, Melville não conseguiu dar sequência ao seu trabalho como queria, pois foi vítima de sérios problemas econômicos, sendo obrigado então a escrever romances e contos para revistas da época, tipo de literatura considerada “menor” na época.

Por causa disso, seus contos e novelas foram esquecidos por muito tempo. Agora,  estão sendo redescobertos aos poucos, fazendo com que ele obtenha o devido reconhecimento como grande autor da literatura norte-americana.

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

dezcontos com descontos – Ordilei Alves


dez contos com descontosBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos hoje mais uma resenha de um livro que comprei  em uma das maquininhas de livros do Metrô de São Paulo; desta vez, o que me chamou a atenção foi o divertido trocadilho do título.  Trata-se de “dezcontos com descontos”, de Ordilei Alves.

Ao efetuar a leitura, o leitor irá deparar-se com dez histórias verdadeiramente “deliciosas”, com uma temática bem variada, explorando o humor e o drama com rara sensibilidade.

Não posso esquecer de mencionar o toque sutil de reflexão sobre a natureza humana que o autor deixa muitas vezes nas entrelinhas ao final de algumas histórias.

Destaque especial para:
“O Aniversário do Nonno”, que narra a história de uma família italiana típica, que estava reunida para comemorar 90 anos de seu Nonno. A casa estava cheia e  as ruas adjacentes encontravam-se repletas de carros estacionados.

A tarantela corria solta na vitrola e os casais dançavam alegremente. A mesa estava preparada para mais de trezentos convidados. Todos queriam dar os parabéns para o Nonno querido, e também desejavam saborear uma deliciosa macarronada italiana.

Só existia um pequeno problema: o Nonno  ainda não descera para o salão e não atendia quando batiam insistentemente à porta de seu quarto.

Será que o patrono da família havia morrido justamente no dia do seu nonagésimo aniversário?

O resto, só lendo muito!

O autor serve de exemplo para todos nós, pois lançou seu primeiro livro aos 60 anos de idade, provando que nunca é tarde para se escrever.

Digno de receber 5 estrelas!

Espero que tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André 

A Pérola – John Steinbeck


Resultado de imagem para capa livro a pérolaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Nada como começar a semana com uma bela resenha, não é mesmo?

Trago-vos desta vez a resenha de A Pérola, que foi escrita em 1945 por John Steinbeck: um autor que tinha um verdadeiro toque de Midas em suas palavras, pois suas histórias viraram rapidamente verdadeiras obras-primas.

Kino e Juana, dois índios bolivianos e analfabetos que viviam na orla marítima, em uma cabana simples e  em situação muito  precária, entram em verdadeiro desespero ao verem um escorpião negro picar o ombro de Coyotito, seu único filho ainda bebê.

Desesperada com  o choro sem tréguas do pequeno curumim, Juana convence Kino a levar Coyotito a buscar um médico para examiná-lo, mas todos os vizinhos gritaram que o médico não viria.  Com o filho enrolado em um velho cobertor, eles partem então para a casa do médico, que ficava em um vilarejo próximo da aldeia.

O médico em questão era um viúvo muito inescrupuloso, que ganhava a vida fazendo abortos e era dado aos “prazeres da gula e da carne”.

Quando o casal indígena, em completo desespero, bateu à porta de seu palacete, o criado foi atendê-los, sem deixá-los entrar, já que naquele exato momento, o doutor banqueteava-se com deliciosos biscoitos e chocolate quente.  Ao ouvir a história da terrível picada de escorpião, o médico ficou furioso pois nas suas próprias palavras: “não era veterinário para tratar casos de indiozinhos picados por simples insetos”.

Voltando à porta, o criado perguntou ao casal se eles tinham dinheiro para pagar o tratamento do menino, e Kino então tirou de sua manta um papel dobrado que entregou ao criado. Nele, continham oito pérolas cinzentas, feias e muito disformes, quase sem valor. O criado pegou o embrulho e logo retornou, dizendo ao casal que o médico não se encontrava, pois havia sido chamado para um caso urgente, fechando assim o portão na cara dos três índios, com vergonha de si próprio.

Preocupados com a saúde de Coyotito, Kino e Juana foram atrás de colher pérolas para pagar o tratamento do filho e, num destes golpes de sorte (ou azar) que o destino nos reserva, Kino acaba por encontrar a maior de todas as pérolas já encontradas: a Pérola do Mundo.

E neste mesmo instante, como em um verdadeiro passe de mágica, a dor no ombro de Coyotito passou por completo!

Kino tinha planos de vender a grande pérola para casar-se na igreja com Juana e de colocar Coyotito no colégio, para que ele se instruísse e não deixasse nunca mais que eles fossem enganados.

A notícia correu pela aldeia e todos ficaram então sabendo a respeito da Pérola do Mundo que Kino encontrara, passando a cobiçá-la. Até o desalmado médico acabou aparecendo na cabana do casal, desculpando-se por sua ausência e querendo tratar de Coyotito, mas Kino informou-lhe que o menino já estava melhor.

Não se dando por vencido, o doutor disse-lhe que a infecção causada por uma picada de escorpião muitas vezes dava sinais de melhora, para mais tarde voltar com todas as forças e até matar. O médico então despejou um pó branco na boca do menino e disse que voltaria depois de uma hora.

Coyotito começou a a vomitar e chorar sem parar, até o momento que o médico voltou e fez com que ele engolisse uma cápsula de gelatina e logo adormecesse. Ele estava curado, segundo o doutor, mas Kino desconfiava que o próprio médico havia causado sua nova infecção, entretanto, como não tinha certeza, disse ao médico que assim que ele vendesse a sua pérola no outro dia, pagaria pelo tratamento de Coyotito.

Naquela mesma noite, a cabana de Kino foi arrombada e bateram muito forte em sua cabeça, mas não conseguiram encontrar a pérola, pois Kino a havia escondido em uma tábua solta. Juana, assustada com tudo aquilo, pediu para que Kino jogasse fora ou destruísse a Pérola do Mundo, já que ela causaria a destruição da família dele.

O resto, só lendo muito!

Li este livro em apenas uma hora e apaixonei-me perdidamente pela história da Pérola do Mundo que, segundo John Steinbeck,  não passa de uma parábola indígena que, de tantas e tantas vezes que fora contada, acabou se enraizando na cabeça de todos e, tal qual as parábolas bíblicas, todos podem obter lindos ensinamentos sobre a cobiça e a inveja e sobre o bem e o mal.

Digno de 5 estrelas!

Espero que tenham gostado.

Um beijo enorme no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

O Conto do Covarde – Vanessa Gebbie


– Meu nome é Laddy Merridew.
Eu sou um chorão. Me desculpe.

– E meu nome é Ianto Jenkins.
Sou um covarde. O que é pior.

Imagem relacionadaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Com este diálogo insólito, damos início à resenha de O Conto do Covarde, livro de estreia da autora galesa Vanessa Gebbie.

O livro narra a história de Laddy Merridew, um menino de nove anos que, após o divórcio dos seus pais, havia sido mandado para morar com sua avó, em um pequeno condado do País de Gales.

Lá chegando, o menino tropeça e acaba ralando as mãos e os joelhos, desandando a chorar, sendo prontamente acudido pelo senhor Ianto Passchendaele Jenkins, o mendigo local. A partir deste momento, uma grande amizade se forma entre ambos.

O senhor Ianto era também um fabuloso contador de histórias, a quem muitos escutavam mas poucos davam credibilidade.  Ele passa a contar então, ao pequeno Laddy, muitas histórias dos moradores do vilarejo e de suas manias peculiares, e através de suas palavras, o menino passa a entender o real motivo daquelas pessoas agirem de maneira tão estranha.

Pessoas como Jimmy “meio” Harris, que “nasceu morto” e não consegue falar, mas teria vindo ao mundo para ser um grande poeta; ou como Ícaro Evans, um professor de marcenaria, que tinha planos de criar uma folha de madeira, capaz de flutuar no ar.

Por fim, o mendigo Ianto revela ao pequeno Laddy, um segredo que ele guardava de todos, segredo este que estava relacionado diretamente ao acidente ocorrido há vários anos na mina de carvão Gentil Clara, onde muitas pessoas perderam seus familiares, em decorrência de uma fortíssima explosão na mina.

Desta maneira, Laddy, o menino “chorão” e Ianto, o mendigo “covarde” interagem com todos os personagens do livro, criando uma atmosfera lúdica e muito reflexiva.

O resto, só lendo muito!!!

O ritmo da narrativa é bem lento e arrastado no início, mas depois engrena e o leitor passa a querer “devorar” rapidamente as páginas para chegar logo ao final, que além de surpreendente, é também muito triste.

Digno de 4 estrelas.

Esperamos que tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

 

 

 

3096 dias – Natascha Kampusch


A impressionante história da garota que ficou
em cativeiro durante oito anos, em um dos sequestros
mais longos que se tem notícia.

Resultado de imagem para 3096 dias livroO livro é narrado em primeira pessoa pela própria Natascha Kampusch, que veio ao mundo no dia 17 de agosto de 1988, quando sua mãe já contava com 38 anos e já possuía duas filhas adultas.

Ela morou desde o nascimento no conjunto habitacional Rennbahnweg, cercanias de Viena. Sua família foi desfeita muito cedo, pois seus pais separaram-se quando ela mal completara 4 anos.

Sua mãe era uma mulher dura e severa, que educou-a à moda antiga e que costumava bater-lhe no rosto e quase não lhe dava carinhos; já seu pai era um sujeito gordo e amável, que fazia-lhe todas as “vontades gastronômicas”. Ambos só rivalizavam quando o assunto era encher a filha pequena de presentes.

Devido à separação dos pais, ela desenvolveu uma severa enurese, passando a  fazer xixi na cama todas as noites e, posteriormente, durante o dia também – algo que a fez virar chacota das crianças da escola e até dos próprios professores.

Conforme crescia, ela também começou a tornar-se uma criança gorducha, como seu pai, o que levou-a a ser ainda mais hostilizada pelos meninos e meninas de sua escola, que a achavam “molona” demais.

Ao completar 10 anos, ela ainda ia para escola de carro com a mãe, algo que lhe provocava muita vergonha, pois a maioria das crianças ia sozinha para a aula.

No dia em que foi sequestrada, ela havia decidido que, a partir daquela data, tudo iria mudar em sua vida e ela passaria a ir a pé para a aula. Ela saiu então de casa, sem despedir-se da mãe, pois ainda estava magoada com ela por causa de um desentendimento que elas haviam tido no dia anterior.

Enquanto ela fazia o caminho para a escola, o medo atingiu todo o seu ser em cheio, pois muitas garotas haviam sido sequestradas, violentadas e mortas por pedófilos, em toda a Áustria, nesta época.

Ao vislumbrar um homem alto e de olhos azuis em frente a uma picape branca, ela teve um mau pressentimento e pensou em atravessar para o outro lado da rua, mas não o fez. Ao chegar perto do veículo, o homem atacou-a e a colocou rapidamente no maleiro da caminhonete.

Este evento marcou o início de sua “nova vida”, que duraria oito anos e meio ou exatos 3096 dias!

A negligência da polícia foi determinante para a duração tão longa do sequestro de Natascha Kampusch, pois os policiais chegaram a ir até a casa de Wolfgang Priklopil,  seu sequestrador, mas não quiseram revistar sua caminhonete branca e nem mesmo entrar em sua casa, apesar de todas as pistas fornecidas por uma menina que testemunhara o rapto.

Natascha passou a viver em uma espécie de casamata, localizada embaixo da garagem, no porão de Priklopil. Seu “quarto” não chegava a medir cinco metros quadrados e ela passava o dia inteiro ouvindo o zumbido de um ventilador instalado ali para aliviar um pouco o mau-cheiro do lugar.

Seu sequestrador era uma pessoa paranoica e muito perturbada, um verdadeiro escravo de arrumação e de ordens pré-determinadas; ele muitas vezes reclamava com ela sobre o porquê dela não ter vindo com um manual de instruções.

No início, ele a tratava como uma criança de apenas quatro anos, trazendo-lhe biscoitos e  jogos, desde que ela fosse “boazinha” para ele, o que era algo quase impossível, devido à sua total instabilidade e violência.

Depois que ela menstruou, aos 12 anos, ele passou a usá-la como verdadeira escrava. Ela era obrigada a realizar tarefas diárias, que iam desde a limpeza do andar de cima da casa de Priklopil, até ajudá-lo a pintar e reformar toda a casa por dentro. Para humilhá-la, ele exigia que ela ficasse apenas de calcinha e uma blusa curta, pois assim ela teria medo e vergonha de fugir.

Nesta época, ele exigiu que ela escolhesse um novo nome para ela, pois Natascha não existia mais. Ela escolheu então o nome de Bibiana e teve seus cabelos raspados.

Depois começaram as surras e espancamentos,  fazendo com que ela vivesse diariamente com sérios hematomas e equimoses pelo corpo. A sua comida também passou a ser racionada, e ela chegou a pesar apenas 38 quilos.

Apesar da fome e das surras que Priklopil a submetia, com o tempo ele também passou a oferecer-lhe um pouco mais de liberdade, e ela passou a valorizar cada momento em que podia tomar um banho de banheira ou tomar sol no quintal dele…

Devido aos maus-tratos sucessivos, Natascha pensou em muitas vezes tirar a própria vida, para dar um fim aos sofrimentos. Todavia, ela sempre desistia da ideia, pois tinha certeza que um dia sairia daquele lugar e dormiria novamente em seu quarto.

Para não estragar o resto do forte e comovente depoimento de Natascha Kampusch, vou parando por aqui.

O resto, só lendo muito!

Digno de 5 estrelas.

Para aqueles que estiverem interessados: existe um filme alemão de 2016, de nome homônimo, sobre o sequestro de Natascha Kampush.

 

Espero que tenham realmente gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André 

 

O Estranho Misterioso – Mark Twain


Resultado de imagem para o estranho misteriosoBoa tarde, querida Família Lendo Muito.

A resenha que estamos postando agora para vocês foi uma indicação da nossa queridíssima amiga e talentosa autora Luciana Fátima. Trata-se do livro O Estranho Misterioso, escrito por Mark Twain, que adquiriu fama ao escrever verdadeiras obras-primas da literatura universal como As Aventuras de Tom Sawyer, As Aventuras de Huckleberry Finn e O Príncipe e o Mendigo, entre tantos outros.

A história de O Estranho Misterioso se passa no pequeno vilarejo (aldeia) de Eseldorf, Áustria.  Naquele distante lugar, no ano de 1590, em plena Idade Média, três garotos eram grandes amigos inseparáveis. Eram eles: Nikolaus Bauman, filho do magistrado da comarca; Seppi Wohlmeyer, filho do dono da maior estalagem da aldeia e Theodor Fischer, filho de um organista da igreja e também professor de música, muito respeitado por todos.

Certo dia, os três passeavam alegremente pelas colinas e bosques da região, quando avistaram um rapaz muito atraente, de voz sedosa e macia, que vestia roupas muito belas e de excelente qualidade.

Após conversarem bastante tempo com este “estranho misterioso”, os três garotos curiosos perguntaram-lhe o seu nome, e ele disse-lhes com um sorriso no rosto, que se chamava Satã, um anjo muito persuasivo e sedutor, e que na verdade era sobrinho do próprio Diabo!

Ao ouvirem isso, os três amigos assustaram-se de verdade. Todavia, eles não faziam ideia de que o encontro com Satã mudaria suas vidas, e a do resto daquele povoado, para sempre…

Coisas muito bizarras e estranhas passara a acontecer, e a aldeia toda começou a crer que tais fatos inusitados eram obra de bruxaria e do Demônio. Com isso, muitos moradores foram condenados à fogueira, pois aquele era o tempo da terrível inquisição.

Entretanto, tudo não passava de obra do “estranho misterioso”, que pretendia demonstrar aos seu três novos amigos, quão vil poderia ser a própria natureza humana.

O resto, só lendo muito!

Não se trata de um livro de terror, mas sim de uma verdadeira reflexão sobre a vilania humana.

Quando Mark Twain escreveu este livro, ele já encontrava-se no final dos seus dias e havia perdido quase todo o seu dinheiro,  transformado-se em um velho amargo e solitário. A Humanidade era vista por ele com extremo pessimismo e total descrença, algo que fica bem claro para o leitor ao término do  livro.

Digno de 4 estrelas.

Esperamos que tenham realmente gostado.

Para aqueles que tiverem interesse: existe uma animação de O Estranho Misterioso que vale muito a pena ser assistida.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

O incrível livro de Hipnotismo de Molly Moon – Georgia Byng


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Boa tarde, querida Família Lendo Muito!

Selecionei O incrível livro de Hipnotismo de Molly Moon, de autoria de Georgia Byng, para dar início às nossas resenhas desta semana.

Molly Moon era uma típica garota comum e sem graça, que vivia no Lar Vidadura, um horrível orfanato situado em Briesville, interior da Inglaterra.  Assim como muitas outras crianças,  ela havia sido abandonada ali ainda bebê.

Como o próprio nome já dizia, a vida ali era mais do que difícil, pois a Srta. Viborípedes dirigia o lugar com mãos de ferro, aplicando castigos cruéis em quem não andasse na linha, e Molly era sua vítima predileta!

As punições que lhe eram impostas iam desde lavar o banheiro a semana inteira com sua escova de dentes, até ficar sem banho por até três semanas – as crianças tinham o direito de um único banho por semana, acreditem.

Para piorar ainda mais a situação da pobre menina, um grupo de crianças que era liderado pela antipática e maldosa Hazel Marreta, vivia maltratando e caçoando sempre dela, atribuindo-lhe apelidos terríveis como “Periga” (por ela ser desajustada e sujeita a acidentes), “Zunza” (porque sua voz causava sono nas pessoas) e “Olho-de-Vampiro” (devido aos seus olhos serem verdes e muito juntos).

Edna, a cozinheira do orfanato, era outra criatura de trato difícil, pois não tinha qualquer pena daquelas crianças e servia-lhes as piores “gororobas” que se possa imaginar…

Molly só encontrava verdadeiro refúgio na bondosa Sra. Brinklebury, que vinha duas vezes por semana para limpar o orfanato, e em Rocky Escarlate, seu único e verdadeiro amigo ali,  que muitas vezes dividia sua própria escova de dentes com ela.

Mesmo levando esta vida tão tortuosa, ela era uma garota muito sonhadora, e adorava assistir aos comerciais na TV, pois lá as pessoas sempre pareciam bonitas e muito felizes.

Certo dia, após uma discussão com Rocky, ela resolveu refugiar-se na biblioteca da floresta, seu lugar predileto. Lá, ela acabou por encontrar um livro proibido e muito antigo sobre hipnose e resolveu levá-lo escondido para ler no orfanato.

No início, ela praticou hipnotismo nela mesma, colocando-se e saindo de transe; depois, ela praticou em Petula, a Pug chata e mau-humorada da Srta. Viborípedes, conseguindo transformá-la em uma mascote dócil e muito querida.

Edna foi a próxima vítima de Molly. Sob influência da hipnose, ela passou a servir só pratos deliciosos, oriundos da culinária italiana, para o deleite de todas as crianças do orfanato.

Porém, enquanto Molly dedicava seu tempo à leitura do livro de hipnotismo, seu amigo Rocky  acabou sendo adotado por uma família americana e nem teve tempo de despedir-se dela, deixando uma grande tristeza no coração da aprendiz de hipnotizadora.

Ela resolveu então hipnotizar a terrível diretora para saber do paradeiro de Rocky. Todavia, a única coisa que ela descobriu foi que seu amigo havia seguido para as imediações de Nova York, para viver com a família Alabaster.

Ela fez uso de todo o ensinamento que aprendeu com o livro antigo para deixar uma plateia inteira em transe e sagrar-se campeã do concurso de jovens talentos de Briesville, recebendo 3.000 libras como prêmio.

Após comprar um pêndulo antigo e muito caro, em uma loja de antiguidades, ela acaba por atrair a atenção de um certo Prof. Nockman, que passa a segui-la, com o intuito de tomar-lhe o livro antigo de hipnotismo.

Com a missão de encontrar seu amigo Rocky, Molly parte então para Nova York, levando Petula consigo. Lá chegando, ela logo faz uso dos seus poderes de hipnotismo para viver em um mundo glamouroso e deslumbrante, cercado de cobiça e de muito orgulho, sem ter ideia dos graves perigos que a esperavam na “Grande Maçã”!

O resto, só lendo muito.

Uma história verdadeiramente “hipnótica”, cativante e recheada de reviravoltas do início ao fim, com uma linda lição de moral reservada para o final.

Livro indicado para todas as idades.

Merece 5 estrelas.

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

Diário de uma Escrava – Rô Mierling


Diário de uma EscravaLindo início de semana para todos da querida Família Lendo Muito!

Resolvi começar a semana com uma resenha de um livro com uma temática bem forte e impactante. Trata-se de Diário de uma Escrava, de autoria da talentosíssima escritora gaúcha Rô Mierling.

A história começa com uma menina (narradora) admirando o voo plástico de uma bela borboleta da janela de seu quarto. Ela se encantou tanto com aquele inseto voador, que resolveu capturá-la com sua rede. Depois, colocou-a em pote de vidro e esperou a borboleta morrer por falta de ar. Abriu o pote, espetou-a com um alfinete, matando-a definitivamente.

Agora, aquele lindo inseto voador fazia parte de sua coleção, ou seja, era seu para sempre!

Tempos depois, a mesma menina, agora já crescida, encontra-se cativa em um buraco embaixo do piso de um dos quartos de seu algoz, que a mantinha ali como se ela fosse aquela linda borboleta que ela capturara no passado.

O Ogro, como ela o chamava, mantinha ela presa todo o tempo.  Ela tinha que fazer suas necessidades em um balde que ele trocava todo dia. Até na hora de tomar banho, ele não deixava de vendá-la e ele mesmo lavar-lhe. Sua única “diversão” eram os desenhos que ela fazia na parede, andar de um lado para o outro para exercitar-se e um livro que ele trouxera para ela.

Refém há mais de 4 anos, ela só via as  coisas piorarem, pois o Ogro passou a ausentar-se por vários dias, deixando-a sozinha naquele lugar de tormento.

Numa dessas “viagens”, ela teve a ideia de fugir pela portinhola que ele lhe dava comida. Ao sair dali, ela deu de cara com uma casa muito limpa e arrumada – algo inacreditável, visto a situação precária de onde ela estava “morando”-, com grades em todas as janelas e portas pesadas. Foi até a geladeira e avançou para os potes de geleia, abrindo todos ao mesmo tempo e comendo um pouco de cada, tal qual um animal esfomeado.

Procurando uma saída, ela andou e andou, sem sucesso, pela casa e, contudo, acabou encontrando a foto do Ogro, ainda jovem, ao lado de uma bela loira. Não era possível que alguém pudesse amar aquele monstro, ela pensou. Mas era verdade, pois ela acabara de ouvir uma voz de mulher chamando alguém de “amor” e a voz do Ogro respondendo com ternura.

Só deu tempo dela correr de volta para o esconderijo; ao acordar, estava toda dolorida e com o Ogro encarando-a. Ele deu-lhe uma surra tão grande, a ponto de quebrar-lhe o braço.

Neste momento, a Ursinha – uma forma carinhosa que sua mãe sempre lhe chamara,- resolveu tentar uma tática nova: ela passou a fingir-se de doente e semi-morta, o que acabou despertando um medo tão grande no maníaco, que ele resolveu parar de violentá-la por um tempo. Trazia-lhe 3 refeições por dia e até lhe prometeu um livro novo caso ela voltasse a desenhar e andar pelo quarto.

Estevão era o real nome do Ogro. Ele era casado com Clara, uma bela moça, oriunda de uma família muito religiosa decente, porém, desde o início, ele deixou bem claro para ela que continuaria no seu sítio e não moraria com ela na casa que seus pais haviam comprado para eles na cidade. Mesmo a contragosto, ela aceitou, pois amava aquele homem. A única coisa que ela não entendia era o fato dele não ser muito asseado, principalmente com suas “partes íntimas”…

A primeira vítima de Estevão havia sido Fanny, garota de 13 anos que ele convencera a entrar na sua caminhonete, com a simples desculpa de ser um tio que ela não conhecia. Ele estuprou-a e estrangulou-a, sentindo um prazer tão grande ao ver a vida da pobre menina esvaindo-se aos poucos em suas mãos, que resolveu estuprá-la novamente depois de morta. Finalizou seu ato doentio urinando em cima dela e depois escondeu seu corpo na floresta. Voltou feliz para os braços de sua esposa.

Cinco meses depois, ele teve a ideia de criar um “quarto do prazeres” no seu sítio. Para isso, ele cavou um buraco embaixo do piso de um dos quartos, até formar um espaço quadrado. Depois, ele construiu um túnel para chegar até ele.

Cíntia, de apenas 15 anos, foi a primeira “hóspede” do buraco; ele sequestrou-a em uma festa regional, quando ela ofereceu-se para ajudá-lo a encontrar seus falsos remédios. Ele violentou-a inúmeras vezes durante os cinco dias em que ela aguentou viva.

Depois foi Linna, uma garota loira e sardenta, de 15 anos, que aguentou 19 semanas. Ela acabou ficando grávida, o que deixou o Ogro tão raivoso, a ponto de violentá-la com tal violência, causando-lhe um sangramento tão forte que culminou com sua morte.

Sofia ficou refém por 5 meses, e acabou morrendo de desidratação; Mônica aguentou um ano e meio, até criar coragem suficiente para suicidar-se.

Agora, mesmo com Laura, a sua “Ursinha” e escrava sexual, sempre disponível para ele fazer o que bem entendesse, ele ainda estava interessado em violentar outras garotas. Uma das novas vítimas foi Nanda (Fernanda), que ele conhecera em uma sala de bate-papo, passando-se por David, rapaz bondoso e gentil, que cursava faculdade e tinha 18 anos. Ele a estuprou inúmeras vezes, forçando-a a entrar em uma jaula que ficava na sua garagem-cativeiro. Ela ficou 5 dias sendo torturada e violentada seguidamente, até que ele resolveu desfazer-se do seu corpo na floresta.  Um garotinho, ao urinar perto dali, acabou encontrando-a; ela não estava morta, apenas sem sentidos.

O Ogro cometera seu primeiro erro.

Laura começara a desconfiar de algo, já que o Ogro não a violentara mais e, quando ele fora dar-lhe banho, ela havia visto um computador com ele. Ele a deixara 5 dias abandonada no buraco, com seu balde cheio de fezes e urina, sem que ele lhe desse banho todo esse tempo, algo anormal.

O Maníaco de Donzelas, como a imprensa o apelidara, havia matado 10 garotas com menos de 16 anos, em um período de apenas 6 anos. E sempre uma caminhonete havia sido vista nos mesmos  lugares onde as vítimas foram sequestradas.

Ele estava para cometer seu próximo erro, erro este que mudaria o rumo das coisas e, selaria o destino de  Laura, sua Ursinha, para sempre…

O resto, só lendo muito!

Narrativa toda em forma de diário, com capítulos relativamente curtos, que aceleram muito o ritmo da leitura. Final surpreendente e inesperado para uma história baseada em fatos reais.

Parabenizo a autora pelo excelente trabalho de pesquisa sobre o tema.

Mereceria até mais do que apenas 5 estrelas.

Espero que tenham gostado.

Um beijo enorme no coração de cada um de vocês!

Alex André