O labirinto de fogo – Rick Riordan


Após 84 anos de hiato… Sim, eu, a autora mais sumida que esse blog jamais viu, estou de volta!  E venho para falar do terceiro volume da saga As provações de Apolo, escrita por um dos meus autores preferidos, Rick Riordan, também responsável pela famosa saga Percy Jackson e os Olimpianos, entre outras.

Prosseguindo em seu desafio de combater o Triunvirato, nesse livro, Apolo e Meg passam por diversos perigos (que levam a muita ação e aventura) afim de combater um imperador especialmente maligno, mas eles não estão sozinhos: Logo no inicio, Groover já está com eles para ajuda-los em tudo o que for necessário.

Além do famoso sátiro de Percy Jackson, o livro conta com a participação de outros personagens que são nossos velhos conhecidos, tais como Jason, Piper e o treinador Hedge, todos da série Os heróis do Olimpo, representando, portanto, uma incrível chance para os fãs de outras obras do escritor de se reencontrarem com algumas de suas personagens mais queridas.

Diferente do que pode parecer à primeira vista, o livro não é apenas ação, aventura e fantasia, ou uma mistura da mitologia greco-romana com a história do Império Romano. Pelo contrário, a obra também contem sua cota de drama, uma vez que explora mais profundamente o passado de Meg, o que envolve tanto a convivência que teve com o pai quando criança quanto o processo de superação que a menina enfrenta a respeito dos abusos sofridos pelo padrasto, que a manipulou durante a vida toda.

Como se isso já não fosse o suficiente, Rick Riordan traz ainda mensagens a respeito da importância das plantas e da preservação da natureza, numa crítica implícita ao aquecimento global, para não falar na representatividade LGBTI+ presente na saga como um todo, que possui um protagonista explicitamente bissexual. Por tudo isso e muito mais, minha nota para esse livro incrível é 8.

By Ana Beatriz

 

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Cem Anos de Solidão – Gabriel García Márquez


Resultado de imagem para capa de cem anos de solidaoBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Ficamos ausentes por alguns dias devido a assuntos particulares, mas não nos aguentávamos  de saudades de cada um de vocês.

Nada como retomar nossos trabalhos com uma resenha de um clássico universal, não é mesmo?

Para isso, escolhemos Cem Anos de Solidão: verdadeira obra-prima de Gabriel García Márquez.

O livro tem como pano de fundo o vilarejo  de Macondo, Colômbia, onde todos os personagens nascem, crescem e morrem, ao longo de cem anos!

É neste ambiente que tomamos conhecimento da saga da família Buendía, que tem início com o casamento de José Arcadio com sua esposa Ursula Iguarán e estende-se por um século, envolvendo uma  gama enorme de personagens; a narrativa toda é caracterizada pelo Realismo Fantástico, com toques sutis de humor.

Nessa narrativa fantástica podemos encontrar uma personagem que resolve aguardar muitos anos para se casar, mantendo-se virgem por todo este tempo apenas para  demonstrar todo o seu amor pelo noivo.  Contudo, após conviver com seu irmão de criação, entrega-se a ele logo no primeiro momento. Eles então casam-se e, muito anos depois, ela o assassina, sem qualquer motivo aparente, terminando sua vida em uma velhice solitária.

O resto, só lendo muito!

Esta é apenas uma das muitas histórias movimentadas deste livro que deixa bem claro as ideias marxistas do autor.

O livro é um verdadeiro deleite aos amantes do realismo fantástico; a única dificuldade que o leitor pode enfrentar é em relação aos nomes dos personagens, pois todos são muito parecidos, causando certa confusão.

Classificamos o livro como 4 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

 

Frritt-Flacc – Júlio Verne


“Frritt”… é o vento que ruge, desgovernado.
Flacc”… é a chuva que cai, em torrentes.”

 

60ca6d2f-1020-490e-a59f-c946aba77aa3Fustigada dia e noite pelo terrível vulcão Vanglor e banhada pelas águas violentas do oceano de Megalocride, situava-se a pequena cidade fantástica de Luktrop, que não existia em qualquer mapa ou atlas, mas parecia-se com qualquer cidade pequena da Europa ou de qualquer outro lugar do mundo.

Certa noite, enquanto um forte vento e uma chuva terrível assolavam a pequena Luktrop, uma garota tiritando de frio, coberta apenas por uma capa de chuva muito fina,  aproxima-se da casa do médico da cidade, perguntando se ele poderia atender seu pai, que estava à beira da morte!

Além de morar na melhor casa da cidade, este tal de doutor Trifulgas era uma pessoa extremamente desumana e sovina, que interessava-se apenas em tratar de pessoas ricas e com muito dinheiro a lhe oferecerem, e assim que ficou sabendo que o paciente era um mero salgador de peixes, que morava num vilarejo um pouco distante de Luktrop, tratou de dispensar a pobre garota, dizendo-lhe que o doutor Trifulgas não se encontrava.

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Mais tarde, o médico foi procurado pela esposa do salgador de peixes, que também foi dispensada com a mesma grosseria, pois a mesma não trazia dinheiro suficiente consigo.

Por último, quem o procurou foi a mãe do tal salgador de peixes, pois seu filho acabara de sofrer um ataque. Como a velha senhora também não trouxera dinheiro suficiente, o desalmado médico dispensou-a com ainda maior indelicadeza.

Contudo, pensando no dinheiro fácil que ele receberia por uma consulta que seria relativamente rápida, o doutor Trifulgas resolveu aceitar o dinheiro que aquela mãe desesperada trazia consigo…

O resto, só lendo muito!

Apesar de Frritt-Flacc, num primeiro momento, parecer apenas com uma história infantil, trata-se, na verdade, de uma autêntica fábula de terror adulta, que força seus leitores a uma completa reflexão sobre o lado mais obscuro do ser humano e também sobre a morte.

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Não posso deixar de citar o excelente trabalho do artista plástico Alexandre Camanho; suas belíssimas ilustrações conseguiram abrilhantar ainda mais esta obra magnífica.

Recebe 4/5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

 

Demontale (As matadoras do Submundo): Os contos do Submundo – vários autores


Alessandra Tapias, Daniella Rosa, Glau Kemp,
Leandro Zapata, Lu Martinho, Luisa Soresini,
Nana Lees, Patrícia L. Boos, Paulo Fabian, Samara Motta,
Vanessa Corsant, Viviani Xanthakos, Geana Krause,
Amanda Ághata Costa, André Mafra, Caroline Defanti,
Susana Silva, Nanda Cruzo, Edis Henrique, Francine Cândido,
Géssica Marques, Jéssica Driely, Mauricio R. B. Campos,
Lilah Prates, Mayara F. Costa, V. K. Macedo,
Daniele Oliveira, Yan Boos, Yara Prado

Após mais um de meus famosos períodos de sumiço, eu volto para comentar sobre essa coletânea de contos sobrenaturais que ganhei como um presente de meu irmão de alma aqui do blog, o Alê (muito obrigada pelo presente, por sinal, eu simplesmente o adorei)!

O livro conta com diversos autores diferentes, que variam de acordo com o conto escrito, o que nos proporciona a oportunidade de admirar as diferentes maneiras (seja por estilo de escrita, enredo ou personagem) que se pode desenvolver um tema em comum: O risco corrido pelo reino de Taleland depois que os príncipes desse são possuídos por Mefisto, um demônio que possui como objetivo o extermínio dos finais felizes e o controle total das terras do reino citado. E adivinha quem vai ter que combater esse perigo, uma vez que aqueles que normalmente salvam o dia se tornaram a ameaça em si? Isso, mesmo, as que sempre são salvas: As princesas!

Além de contar com o evidente e atraente elemento fantasioso/sobrenatural, que se dá pela presença de criaturas como demônios, fadas e trolls, por exemplo, a obra é interessante por desconstruir os contos de fada, atribuindo às princesas características que comumente não lhe são atribuídas (nem às mulheres como um todo, infelizmente): Força, coragem, independência e esperteza, quebrando, assim, a imagem frágil da feminilidade que normalmente recebemos pela mídia (sobretudo em em obras que se tratam de princesas), assim que assistimos às jovens lutarem por suas vidas e seus povos, ainda que usando vestidos e salto, muitas vezes.

Dito isto, acho que fica claro que eu gostei muito do fio condutor do livro e, por consequência, das tramas dos contos em si. Minha única crítica seria a de que, talvez por conto do diminuto tamanho dos contos, esses pecam no sentido do desenvolvimento: O enredo parece se desenrolar de maneira exageradamente acelerada, de forma que não temos tempo de nos apegamos às histórias e personagens apresentados.

Embora seja impossível falar sobre todos os contos aqui (basta ver a quantidade de autores que participaram do projeto para entender o motivo), não poderia deixar de mencionar o fato de que a história que abre o livro, a respeito de uma garota que cresce e é treinada no convento para só então descobrir suas origens e destino, foi escrita por uma amiga aqui da família Lendo Muito!!!, a Alessandra Tapias, ou simplesmente Lelê, para os mais íntimos, que foi muito bem sucedida na criação de uma trama original e uma personagem forte e marcante, embora tenha pecado um pouco (assim como a maioria dos autores presentes no livro) no quesito desenvolvimento, como já foi comentado acima, o que talvez se deva ao fato dos contos serem, de fato, muito curtos, dificultando um maior aprofundamento das histórias.

Outros contos que gostaria de citar são As longas mechas da vingança, de André Mafra, A maldição do cisne, de Francine Cândido e Lilith a princesa das trevas, de Géssica Marques. O primeiro, por ter sido  um conto que, dentre tantos, ainda foi capaz de se destacar em relação à construção de uma personagem forte e destemida e por ter sido também o primeiro (embora não o único) a abordar o a questão do estupro, além do assassinato em si, que foi mais focado na maioria dos contos. O segundo, por ter conseguido superar a dificuldade apresentada pelos demais no quesito desenvolvimento, sendo incrivelmente envolvente (o que pode ser explicado por se tratar de um conto um pouco mais longo que os demais). E o terceiro, por escolher uma princesa um tanto quanto inesperada e surpreendente, gerando uma atmosfera diferente em sua história por causa disso.

Enfim, um livro com grande potencial oferecido pela temática escolhida, mas com falhas de desenvolvimento que talvez pudessem ter sido evitadas com a prolongação de alguns contos (prezando, assim, pela qualidade, ao invés da quantidade dos mesmos), Demontale ganha o meu 8.

Beijos, Ana Beatriz

contos eróticos assustam senhorita Lili – Douglas M. Sauer


Resultado de imagem para CONTOS ERÓTICOS ASSUSTAM SENHORITA LILIBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos a resenha de um livro maravilhoso, adquirido na 1ª Feira de Troca de Livros e Discos, ocorrida  no último dia 16 de julho, lá na Casa das Rosas.

Trata-se de “contos eróticos assustam senhorita Lili”, de autoria de Douglas M. Sauer, que a querida Amanda trocou comigo, muito gentilmente e que de erótico não tem nada, além do nome!

A história começa quando Lili (Lenita) tem a ideia de guardar tudo que a assustasse de verdade; seus “sustos” seriam guardados secretamente em uma caixa pequena – que ela escolheria mais tarde -, e que ficaria guardada embaixo da sua cama.

É então que ela passa a descrever o nascimento de seu filho G bemol, que nascera com uma rara aversão à água, que o impedia de comer frutas como melancia, laranja e melão; além disso, era obrigado a comer massas sem qualquer tipo de molho.

Sua higiene era feita apenas enquanto ele dormia, utilizando-se lenços úmidos e uma esponja umedecida levemente; até para fazer suas necessidades fisiológicas era muito complicado, já que para urinar, ele precisava sentar-se no vaso, pois não podia olhar para o fundo da privada com água.

Certa vez, o garoto simplesmente desvaneceu-se na frente dos pais e foi aparecer em outro cômodo da casa, apresentando fortes convulsões e movendo objetos com sua mente.  Após este incidente, G bemol começou a sumir e ser encontrado em lugares cada vez mais distantes como Recife, Florianópolis, Tóquio e até na Patagônia, o que deixava seus pais cada vez mais apavorados.

A mãe escolheu o data cabalística de 7-7-77 para colocar o seguinte anúncio na Folha de São Paulo:

LAR PROCURA-SE
Em casa de família ou casal, para rapaz de 24 anos, com problemas emocionais.
Fone 881-0530.  Falar com D. Lenita

A rara doença do filho foi causada por um evento traumático anterior ao nascimento de G bemol, e a cura definitiva passará pelo entendimento do que ocorre na equação entre o tempo e espaço.

O resto, só lendo muito!

Apesar da narrativa ser em prosa, o autor utilizou-se de linguagem poética intercalada de metáforas e trocadilhos brilhantes.  Ao longo de toda a história, o autor leva o leitor a uma reflexão plena sobre a origem do universo, a espiritualidade e sobre o  papel do homem no próprio tempo e espaço.

Digno de 5 estrelas.

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

 

 

Golem & o Gênio: Uma Fábula Eterna – Helene Wecker


Resultado de imagem para golem e o genioBom dia, querida Família Lendo Muito.

A história de hoje começa em 1899, tendo como cenário o navio Baltika que ia de Danzig para Nova York. Nele viajavam Otto Rotfeld – um fabricante de móveis que conseguira levar a falência o lucrativo négocio herdado com a morte prematura de seus pais , e um caixote grande, contendo uma mulher de barro: sua golem.

Rotfeld, diga-se de passagem, era um sujeitinho bem fútil, desprovido de bom senso; em meio à sua ruína mantinha o sonho de viajar para a América e ter uma esposa submissa. E como era desengonçado e nenhum pouco atraente, chegando a causar repugnância nas mulheres, não restou-lhe outra opção que não a de visitar o velho Yehudah Shaalman, rabino que havia caído em desgraça e vivia na floresta fazendo feitiços em troca de recompensas. Rotfeld encomendou-lhe então uma golem para si, ou seja, uma mulher de barro.

O velho ficou estupefato com tal pedido, pois um golem já era algo muito difícil de se fazer, ainda mais uma fêmea, dotada de consciência e atributos femininos. Mesmo assim, mediante um considerável pagamento, Yejudah entrega a Rotfeld sua tão desejada golem, sem antes alertá-lo de que ela sempre seria uma mulher de barro, teria a força de uma dúzia de homens e o defenderia sem pensar, contudo, poderia chegar o momento em que ele teria que destruí-la por causa de sua fúria cega. 

Yehudah entrega a encomenda num caixote com a recomendação para Rotfeld despertá-la somente quando chegasse na América. Mas quis o destino que ele não esperasse tanto e acabasse por despertar sua golem ainda a bordo do navio. Porém, o asqueroso homem acabou ficando muito doente e morreu em alto-mar, deixando a pobre golem à merce de sua própria sorte.

Sem nome e vagando sem rumo por Nova York, a golem conhece o rabi Avram Meyer que a ajuda e lhe dá abrigo. Assim, ela recebe um nome: “Chava”.

Em certo lugar não tão distante dali, o funileiro Boutros Arbeeely recebe uma garrafa de cobre para consertar e, ao manuseá-la, ele acaba libertando um gênio (ou melhor, um Djim) que recebe o nome de “Ahmad”.

Muitas histórias se cruzam e várias personagens fazem parte desta trama tão bem escrita, mas todos levam a um único desfecho: o encontro de Chava e Ahmad na parte mais pobre de Manhattan. A partir de então, eles tornam-se grandes companheiros, mesmo com suas enormes diferenças, descobrindo que uma força maligna e poderosa era responsável por sua união. E para continuarem vivos, eles terão que lutar contra sua própria natureza.

O resto, só lendo muito.

Um livro encantador, com um enredo excelente, que força o leitor a seguir até o final, sem descanso. Apesar de não ser um fã de fantasia, quero conhecer mais desta autora maravilhosa.

Merece ganhar 5 estrelas.
✮✮✮✮✮

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André & Ana Paula

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras-Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson e Robin Wasserman


Após um longo inverno (ou verão, nesse caso), eu estou de volta (mesmo que não por muito tempo)! Mais uma vez, peço mil desculpas e mais um pouco, de verdade, mas, infelizmente, não posso dizer que vou postar com mais frequência a partir de agora. Na verdade, sinto ao dizer que provavelmente só vai piorar daqui pra frente. Estou apenas no começo do ano em que vou prestar vestibular e bem… Olha o resultado! Kk

Mas… Eu não vim aqui para me lamentar sobre a quantidade de matéria que tenho que estudar! Sem mais delongas, vamos falar sobre o mais novo livro de uma das minhas escritoras preferidas: Contos da Academia de Caçadores de Sombras, que, apesar de contar com a participação de outros autores (Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson, Robin Wasserman), se passa no universo fantástico criado por Cassandra Clare, o mesmo de Os Instrumentos Mortais, As Peças InfernaisOs Artifícios das Trevas (tanto que seus personagens aparecem frequentemente nessa obra). Por conta disso, o livro, e, consequentemente, essa resenha, podem conter alguns spoilers, sobretudo de Os Instrumentos Mortais.

Inicialmente tendo sua publicação na forma online, onde os contos foram expostos separadamente, o conjunto de contos hoje disponível também na forma física narra a trajetória de Simon na recentemente reaberta Academia de Caçadores de Sombras, que tem, como o nome sugere, a função de formar Caçadores de Sombras, sejam eles possuidores do sangue Nephilim que apenas necessitam de treinamento intenso para se tornarem profissionais, ou mundanos que, mais do que treinar, precisam passar pelo ritual do Cálice para tornarem-se Caçadores de Sombras.

Em pouco tempo, houveram duas grandes guerras no mundo Nephilim, o que levou a perda de diversos Caçadores, gerando a necessidade da formação de novos. E foi essa necessidade que os fez abandonar o hábito de treinarem dentro dos Institutos, reabrindo a academia para aqueles que tem sangue de anjo e recrutando os que não tem, mas desejam tornar o mundo um lugar melhor por meio do combate dos demônios, mas, nem mesmo com essa evidente dependência dos mundanos interessados em entrar para o mundo sobrenatural, os Caçadores parecem perder seus velhos preconceitos,mantendo as crianças mundanas no porão e privilegiando aqueles que vieram de famílias angelicais com quartos, aulas e até mesmo comida de melhor qualidade (mesmo que isso não signifique muito, visto que a alimentação lá é de qualidade notavelmente inferior). Isso para não falar na discriminação que integrantes de Submundo ainda sofrem.

Como se a discriminação por ser mundano, a comida horrível e o treinamento físico exaustivo (ainda mais para alguém que, diferente dos colegas mundanos escolhidos, não é nada atlético) não fossem o suficiente, isso para não falar na crise de consciência por Simon ser vegetariano e contra a violência, o garoto ainda tem que lidar com a pressão (exercida de modo consciente ou não) para que ele se lembre de quem era e volte a ser o herói que fora antes de ter suas memórias apagadas por um demônio.

Mesmo sendo o mais fraco dos mundanos (que, por natureza,são considerados mais fracos pelos filhos de Raziel), ele ainda é escalado para missões mais importantes e recebe até mesmo a oportunidade de ficar com a “elite” (nome dado aos Caçadores de berço, mas, sem conseguir suportar os comentários preconceituosos de seus amigos em relação aos seres do Submundo e os outros mundanos, Simon decide se unir à “escória” (nascidos mundanos), mudando-se para o porão, lutando para que a os mundanos como um todo sejam aceitos pelos outros e sentindo-se culpado por ser privilegiado e idolatrado por feitos que sequer se lembra de ter executado.

Mas a amnésia demoníaca não traz apenas privilégios e, mais do que pela igualdade entre todos na academia ou o fim da descriminação, o rapaz terá que lutar também para retomar suas memórias e, com elas, seus laços com Jace, Alec, e, sobretudo, sua amizade até então inabalável com Clary e seu amor profundo por Isabelle, uma garota tão linda e corajosa que ele sequer consegue imaginar como conseguiu conquistá-la antes de perder suas lembranças. Mas sabe que vai ter que aprender a fazê-lo novamente.

Embora eu não indique o livro para aqueles que desconhecem a obra da Cassandra Clare, pois poderão ficar meio perdidos, ele é perfeito para os fãs que já leram as três sagas da autora, já que desperta um sentimento de amor e nostalgia bem parecido com o que temos ao rever velhos amigos, ao nos mostrar os personagens que conhecemos tão bem mais uma vez, agora mais velhos e com as vidas mais estáveis. Além disso, a autora aproveita também para explorar melhor eventos que até então tinham sido apenas citados, como o relacionamento de Rober com seu parabatai, Michel, por exemplo, e para nos dar uma prévia de sua próxima saga ainda não lançada: As Últimas Horas. É sabido que a Cassandra Clare, Cassie para os fãs, se dá melhor com longas narrativas do que com contos, mas, por tudo que disse até aqui (principalmente pela sensação deliciosa de rever personagens que amo tanto, agora numa vida mais feliz e tranquila), dou um 8.

By Ana Beatriz

Blue Exorcist#3-Kazue Kato


No terceiro volume de Blue Exorcist, todos os alunos agora são escudeiros, incluindo os dois que não fizeram absolutamente nada em seus testes, o que desperta em Rin um desejo ainda maior de participar de missões, mas…será que ele realmente tem capacidade suficiente pra isso? Será que ele já tem total controle sobre suas chamas e tem a maturidade exigida para tal feito? E o que dizer de sua péssima postura/péssimas notas na sala de aula? Esses são alguns dos temas abordados pela obra! A partir daqui, dou o costumeiro aviso de possíveis spoilers do mangá anterior.

Depois de descobrir que Suguro tem a mesma ambição que Rin, e que também riram dele por isto, a rixa entre os dois parece ter se acalmado, embora não sejam exatamente melhores amigos. O que nos faz querer ainda mais que Rin aprenda a conter seus poderes, afinal…o que alguém que odeia Satã acima de tudo não faria se descobrisse as reais origens de nosso protagonista?

E, por falar no relacionamento entre os personagens, em uma certa tarefa dada aos estudantes, a qual deve ser feita em duplas, Rin acaba sendo escolhido para trabalhar com Shiemi! Esta, por sua vez, finalmente trocou o kimono tradicional que sempre usava pelo uniforme escolar (composto, para as meninas, de uma saia e uma camiseta, basicamente), e o garoto parece ficar um pouco mais interessado nela, talvez querendo até mesmo mais do que uma mera amizade…

O problema é que, no meio da tarefa, eles acabam se separando e Amaimon, o irmão de Mephisto, que, portanto, também é um demônio e filho de Satã, resolve “brincar” com o mais velho dos gêmeos Okumura, roubando sua espada. O resultado é uma revelação um tanto surpreendente, para dizer o mínimo, sobre um dos tais alunos inúteis que passaram no teste de escudeiro sem fazerem absolutamente nada.

Mas, não é apenas de romance e ação que esse mangá é feito, nele também percebemos ainda mais a falta que Rin sente de seu pai adotivo, o quanto ele era importante (não só para ele, mas também no mundo dos exorcistas em geral) e o quanto ele o ensinou, quando conhecemos o antigo familiar del (um gato preto, muito fofo por sinal).

A obra acaba com um teste final feito em uma clareira, ou seja, um lugar onde Rin teria que se esforçar ao máximo para não liberar suas chamas, já que essa podeira ser vista por todos. Quem passasse no teste, poderia enfim fazer parte das missões. Isso me deixou muito ansiosa pelo próximo volume, e realmente indico o terceiro mangá de Blue Exorcist para qualquer um que goste de fantasia, sobrenatural e várias cenas de ação, ganhando, por isso, meu 9,5.

By Ana Beatriz

Blue Exorcist #2-Kazue Kato


Após os eventos do primeiro volume de Blue Exorcist, Rin Okumura passa a estudar na Academia Vera Cruz para se tornar exorcista, tendo como um de seus professores o próprio irmão, Yukio. Aviso que, como de costume, daqui pra frente podem haver spoilers do primeiro mangá.

Esse segundo volume da série de Kazue Kato foca mais no dia-dia de Rin na escola, no seu processo de adaptação á essa nova fase da vida dela, nos fazendo nos acostumarmos melhor ao ambiente escolar que estará presente na saga e explorando melhor os outros personagens, no caso, os colegas de classe de Rin.

É aí que começa a surgir uma rixa entre ele Suguro, um garoto prodígio e extremamente aplicado, ao contrário de Rin, que não consegue se concentrar nos estudos e só se interessa pela parte prática do exorcismo.

Conhecemos então os dois melhores amigos de Suguro: Konekomaru e Shima. O primeiro é mais quieto e tímido, porém gentil, enquanto o outro é mais alegre e mulherengo. O fato é que os três foram criados num templo budista um tanto especial, tendo diversos motivos para odiar os demônios, e em especial Satã, mais do que tudo no mundo.

Temos também as amigas Park e Kamiki, e descobrimos que a primeira só escolheu este curso para acompanhar a segunda, a qual pode ser fria, grossa, egoísta e até um pouco malvada…mas possuí um passado atormentado por fantasmas e solidão.

E na sala de Rin está, claro, também a já conhecida por nós do primeiro volume, Shiemi, que, desacostumada ao ambiente escolar e ao convívio com muitas pessoas em geral, luta para se adaptar a essa nova forma de vida e fazer novos amigos.

Com a arte excelente que já comentei na minha resenha do primeiro mangá e diversas aventuras, o segundo volume de Blue Exorcist não deixa de ser necessário para que compreendamos melhor os personagens e a própria atmosfera do universo criado por Kazue Kato, ganhando, por isso, meu 9.

By Ana Beatriz

O oráculo oculto-Rick Riordan


Mais um livro infanto-juvenil de fantasia, envolvendo mitologia greco-romana, o famoso autor de Percy Jackson inova no primeiro volume de As provações de Apolo pela mudança de caracterização do protagonista. Agora não se trata mais de um garoto adolescente aparentemente comum que repentinamente descobre sua linhagem divina/mágica e, consequentemente, um novo mundo sobrenatural baseado em mitos antigos que ele, em geral, desconhece. Pelo contrário, o protagonista é Apolo, um antigo deus grego acostumado com sua imortalidade e  poderes incríveis e que de repente se vê jogado (literalmente) no mundo moderno como um mortal comum de 16 anos.

Apolo é conhecido por ser um dos deuses mais vaidosos e metidos do Olimpo, o que, especialmente no início da narrativa, confere uma boa quantidade de humor ao texto, já que este começa reclamando de coisas ridículas, como a ausência de tanquinho ou a presença de espinha.

Pois é, ele, o grande deus do sol, se tornou um adolescente de 16 anos que, apesar de não ser feio, tem espinha, não tem tanquinho e não possuí qualquer experiência amorosa, além de ter um nome risível: Lester Papadoulos. Tudo isso apenas porque ele permitiu que um de seus descendentes, Octavian, quase promovesse uma guerra civil entre semideuses gregos e romanos! Injusto, não?

O fato é que essa não é a primeira vez que seu pai, Zeus, lhe aplica esse tipo de punição. Graças a isso, ao menos ele tem uma ideia do que fazer:encontrar um semideus e firmar um acordo de obediência com ele que geralmente dura por volta de um ano.

Não demora para que ele encontre Meg: uma moradora de rua que luta com lixo, mas também é capaz de invocar karpoi (espíritos dos grãos) e duas espadas de uma só vez. Ela é franca, direta e nem um pouco vaidosa, mas luta bem demais para alguém que jamais recebeu qualquer tipo de treinamento. Desgostoso, Apolo se vê sem opção e firma acordo com ela.

A princípio, o plano do ex-deus é basicamente ser salvo. Com esse objetivo, ele busca Percy Jackson, o qual diz que não quer se envolver em novos problemas mas concorda em levá-los até o Acampamento Meio-Sangue.

Lá, Apolo imaginava que Quíron e os semideus o receberiam festivamente e concentrariam esforços para descobrir uma forma de lhe devolver os poderes e a imortalidade. A questão é que o Acampamento já está cheio dos próprios problemas.

O Oráculo não funciona, assim como também não funcionam quaisquer meios de comunicação (mensagens de Íris, mensagens de Hermes, celular, e-mail, etc.) e, para piorar, agora alguns semideuses começaram a sumir inesperadamente. É, parece que a vida de Lester Papadoulos será muito mais complicada do que ele esperava…

O que talvez seja o mais interessante, do meu ponto de vista, nesse livro, é a forma como ficamos conhecendo melhor Apolo. Não a visão comum e superficial do grandioso deus Apolo, não os mitos de seus feitos incríveis. Mas sim o verdadeiro Apolo, sua dor, seus defeitos, a forma como ele pensa e sente e, entre tantas, quais são as histórias de amor que ainda o fazem sofrer.

É muito forte nesse livro também a relação entre Apolo e seus filhos (alguns dos quais aparentam ser mais velhos do que ele) e a forma que o autor se utiliza para descrever vários aspectos da condição de humano pelos olhos de alguém que não nasceu acostumado a isso. Indico o livro a todos os fãs de Percy Jackson e Os Olimpianos e de Os Heróis do Olimpo, pois a obra conta com inúmeras citações a fatos ocorridos nestas sagas anteriores e até mesmo com a aparição de alguns de seus personagens, além da abordagem do tão aguardado casal Wico/Solangelo. Por tudo que disse até aqui, minha nota para O oráculo perdido é 9.

By Ana Beatriz