A Casa dos Pesadelos – Marcos DeBrito


“Alguns traumas são difíceis de superar.
Outros, seria melhor esquecer!”

Resultado de imagem para CAPA A CASA DOS PESADELOSQuerida Família Lendo Muito, é com esta frase de impacto, retirada da própria capa do livro, que iniciamos a resenha de A Casa dos Pesadelos, de autoria do brilhante escritor e fantástico cineasta Marcos DeBrito: uma das pessoas mais talentosas e humildes que nós já tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente!

Os irmãos Tiago e Bruno, e sua mãe Laura viajavam de carro para visitar Célia – avó de 65 anos dos meninos e mãe de Laura -; já fazia dez anos que Tiago não  pisava mais naquele casarão antigo, tudo por causa do enorme trauma sofrido ao dar de cara com uma figura grotesca que tanto o amedrontara.

Segundo ele, a criatura que ele havia visto naquela noite “tinha cabelos crespos esvoaçantes e uma das pernas parecia feita de madeira. Os olhos fundos, que o encaravam como se velassem seu sono, ficavam cavados num rosto completamente enrugado. No lugar dos dedos da mão, o que havia eram dentes amarelados que queriam mordê-lo. E a boca, toda desdentada, se escancarava, querendo devorá-lo enquanto ele dormia”, ou seja, um verdadeiro monstro!

Mais fortalecido psicologicamente, pois estava fazendo terapia há bastante tempo, e para provar que tudo aquilo que vira no passado não passava de uma criação de sua imaginação pueril, Tiago estava de volta para aquele mesmo casarão, com sua mãe e seu irmão menor Bruno. Todavia, os pesadelos de Tiago retornam com tudo novamente, só que agora, para seu completo espanto, quem passa a vivenciá-los é seu irmão mais novo.

Não lhe restando mais nenhuma alternativa, Tiago terá que enfrentar aquela “criatura diabólica” sem imaginar o terrível segredo do passado que ronda o solar maldito de sua vó Célia…

O resto, só lendo muito!

O autor construiu uma trama realmente espetacular, que envolve o leitor da primeira até a última página; o final é eletrizante e totalmente improvável, capaz de deixar qualquer um de boca aberta.

Digno de 5 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

 

É DIFÍCIL MORRER – Artur Laizo


É DIFÍCIL MORRERBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhemos para hoje a resenha de É Difícil Morrer, de autoria do Dr. Artur Laizo.

Certa noite, enquanto fazia seu plantão noturno, o Doutor Eduardo Alves recebe uma vitima de um terrível atropelamento no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital São José quase sem vida.

O paciente em questão era José Maurício, solteiro, 28 anos, de endereço e pais desconhecidos; este mesmo rapaz era dono de uma triste sina e estava naquele leito de hospital após passar por terríveis provações em sua vida.

Desde a sua internação, a vida miserável deste jovem cruza-se diretamente com a do Dr. Eduardo, médico dedicado e zeloso por seus pacientes internados no CTI do São José. Contudo, o cioso médico passava por uma terrível crise existencial, que estava minando aos poucos o seu casamento, justamente por não ter mais tempo para sua família; por isso mesmo é que ele passou a entregar-se ao alcoolismo, mergulhando cada vez mais no poço da degradação.

Em meio a este turbilhão de acontecimentos e tentando salvar a vida de José Maurício, o Dr. Eduardo acaba construindo uma sólida amizade ali mesmo naquele leito do hospital. O jovem passa então a narrar-lhe toda a sua desafortunada vida, procurando também, através de sua ingenuidade, ajudar o bondoso médico.

Será que eles conseguirão vencer as agruras da vida, consolidando de vez esta amizade surgida de maneira tão inusitada?

O resto, só lendo muito!

Talvez o emprego excessivo de termos médicos atrapalhe um pouco o ritmo da leitura no início, nada que comprometa a emocionante e tocante narrativa criada pelo autor.

Digno de 4 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

Um útero é do tamanho de um punho – Angélica Freitas


Mais um na lista dos livros que li por conta do estudo, eu nunca havia falado de Um útero é do tamanho de um punho até a obra aparecer numa lista entregue pela minha professora de Introdução aos Estudos Literários I. Nós precisávamos escolher um dos livros citados (todos de poesia brasileira contemporânea) afim de analisar um dos poemas neste presente. Após uma breve pesquisa a respeito dos autores que ela oferecera como opção, não demorou para que eu selecionasse a obra de Angélica Freitas.

O motivo para isso? Com uma temática feminista constante e a ocorrência frequente de poemas curtos, confesso que ela me lembrou Rupi Kaur e Amanda Lovelace, minhas duas poetisas contemporâneas preferidas, já citadas por mim aqui nesse blog.

Apesar de não poder dizer que gostei tanto de Angélica Freitas quanto das duas citadas acima e precisar confessar que achei alguns de seus poemas um tanto quanto estranhos, eu tive um tempo muito aprazível lendo esse livro que contem poemas não apenas de cunho feminista mas também, muitas vezes, com certa temática LGBTI+, falando sobre o amor entre mulheres ou mesmo tendo uma mulher trans como eu lírico de um dos poemas.

A obra em questão é dividida em 3 partes: Uma mulher limpaMulher de e, por fim, A mulher é uma construção, entre as quais a minha favorita foi a segunda e a que menos gostei (ou que tinha mais poemas estranhos, na minha opinião) foi a primeira, ou seja, não se deixem assustar pela primeira parte, que pode parecer um tanto quanto esquisita, a autora compensa depois. Além disso, a obra também conta com o poema-título do livro, o qual não pertence a parte alguma, uma quarta parte denominada de 3 poemas com o auxílio do google e mais dois poemas que não pertencem a parte alguma: ArgentinaO livro rosa do coração dos trouxas.

Considerando tudo o que disse até aqui, minha nota para esse livro é 9 e, para quem estiver curioso a respeito de qual poema decidi analisar, foi o Mulher depois, mas a obra certamente conta com muitos outros poemas bons além desse.

By Ana Beatriz

 

Arauê – Luiz Miguel Martins Garcia


Resultado de imagem para livro araueBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Estive viajando nas últimas semanas e tive que deixar o blog um pouco de lado, infelizmente.

Durante todo este período em que fiquei ausente continuei a toda com as minhas leituras, só que minhas resenhas foram se acumulando e se acumulando.

Agora, aos poucos eu vou colocar tudo em dia por aqui, prometo!!!!

Selecionei para este sábado a resenha de Arauê, de autoria de Luiz Miguel Martins Garcia – livro que eu adquiri em uma das máquinas de livros do Metrô de São Paulo, por apenas R$ 1,00!!!

O pequeno Arauê morava no estado do Pará, em plena Floresta Amazônica, às margens do Rio Xingu, e sentia muito orgulho em ser índio, tanto é que vivia sempre perguntando aos pais e a outros membros de sua tribo sobre a verdadeira origem do povo indígena, mas ninguém sabia ao certo o que lhe responder, pois seus antepassados haviam morrido a tanto tempo e eles jamais haviam saído da floresta; o único contato que eles recebiam de fora eram as visitas esporádicas de indianistas que estudavam os costumes e traziam remédios para todas as tribos daquela região.

Arauê aproveitou então a visita oportuna de um destes indianistas para questioná-lo sobre a origem de seu povo, só que o bom homem disse a ele que, para obter as respostas que tanto desejava ele teria que abandonar sua tribo e estudar na cidade grande, tal qual um filho de homem branco, e isto era algo que ele temia muito, pois lá teria que depender de um tal de “dinheiro”, que ele sabia que causava mortes e guerras entre os homens.

Querendo saber sobre a origem de sua gente e com medo de sair da tribo, o pequeno índio disse ao indianista que iria pensar bem sobre o caso, antes de dar uma resposta definitiva.

Durante uma festa de confraternização entre tribos amigas, o indiozinho resolveu então procurar um velho sábio, contador de histórias, que falou-lhe a respeito de uma caverna mágica, que ficava no interior da floresta, onde ele poderia viajar para o passado e obter as respostas que tanto almejava.

Animado, Arauê perguntou se poderiam ir naquele momento, porém, o velho índio disse-lhe que deveriam esperar até uma data especial, que seria na próxima lua minguante e foi isso então que fizeram.

Na data combinada, ele e o índio mais velho partiram floresta adentro e, quando estavam próximos da entrada da caverna, o velho sábio disse a ele que ele deveria continuar sozinho e visitar o passado e testemunhar tudo aquilo que acontecera aos índios para, quando voltasse, contar quem procedera errado: os brancos ou os índios!

Arauê continuou sozinho até a caverna e, ao adentrar em seu interior, pareceu cair em um sono profundo.

Ao acordar, percebeu algumas índias banhando-se numa praia; aquelas lindas mulheres genuinamente brasileiras brincavam alegremente entre si, sem qualquer medo ou pudor por estarem nuas, e não havia qualquer sinal da presença de homens brancos naquele paraíso.

Aquilo só poderia significar uma coisa: ele estava num período anterior ao descobrimento do Brasil…

O resto só lendo muito!

Uma história escrita em 1989, bem curta e fácil de se ler,  que aborda um tema tão moderno e que força o leitor a uma reflexão profunda sobre os maus-tratos sofridos pelos indígenas a partir do “descobrimento” do Brasil e sobre o verdadeiro papel do índio no nosso país.

Não posso deixar de destacar o excelente trabalho de pesquisa e o grande talento de Luiz Miguel Martins Garcia, que construiu esta verdadeira obra-prima quando contava com apenas dezoito anos!

É uma pena que o autor não tenha mais nos brindado com sua escrita brilhante desde então.

Digno de 5 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

O escorpião da sexta-feira – Charles Kiefer


“Gosto de ver o choque das mulheres, quando compreendem que a dor é real, que Genghis Kahn não é apenas um escorpião amestrado, que a ardência da sua picada supera em tudo o que tinham imaginado.”

O Escorpião da Sexta-FeiraÉ com este cenário tenebroso e angustiante que o narrador e  personagem principal de O escorpião da sexta-feira costuma abater suas vítimas nos subterrâneos escuros da Cúria onde trabalha. Antônio é seu nome e ele trabalha há bastante tempo como arquivista para o arcebispo de Porto Alegre.

Entretanto, seu trabalho aparentemente normal em nada reflete o que acontece com ele após o término do expediente, quando ele transforma-se num  assassino em série frio e meticuloso, que “caça” prostitutas principalmente nas noites de sexta;  suas vítimas são escolhidas a dedo nas boates de Porto Alegre e têm sempre o mesmo perfil: mulheres bem jovens e muito bonitas.

Todavia, o real motivo por trás de tamanho ódio tem um nome: Luísa – sua ex-namorada, a quem ele dedicara todo o seu amor e que o deixara sem nenhum motivo.

Agora, Antônio tinha em suas mãos a chance de vingar-se de Luísa, “abatendo” aquelas mulheres tão pecadoras e culpadas quanto ela; para isso, ele contava com seu escorpião negro Genghis Khan, seu fiel e mortal escudeiro!

O resto, só lendo muito!

O gaúcho Charles Kiefer  conseguiu criar uma história de suspense impactante, eletrizante e viciante, capaz de remeter cada leitor ao sentimento de agonia e desespero dos últimos momentos de vida das vítimas de Antônio.

Digno de 5 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

 

O Ipê Floresce em Agosto – Lucila Junqueira de Almeida Prado


Resultado de imagem para o ipe floresce em agosto livroBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de um livro de contos que eu simplesmente me apaixonei.

Trata-se de O Ipê Floresce em Agosto, da autora Lucila Junqueira de Almeida Prado. Achei este livro numa rua próxima à estação Santa Cruz do metrô; ele estava esquecido ali e com a capa bem judiada, dá para acreditar?

Drama, romance e até uma pitadinha de humor fazem parte desta verdadeira obra-prima que, apesar de ter sido classificada como infanto juvenil, trata de temas bem adultos e reflexivos.

As duas histórias que eu mais gostei foram:

Fora do Comum
Bárbara era uma esposa perfeita e mãe fora do comum, pois aceitava em sua casa todos os amigos dos filhos… e até os amigos dos amigos destes!!!

Ela também entendia tudo de moda e dava dicas às amigas e às filhas para sempre se vestirem muito bem; seu único defeito, segundo o marido, era ser muito “gastona”.

Quando ela, o marido e as duas filhas viajaram para a Europa, Bárbara prometera ao mesmo que não iria fazer nenhum tipo de compra supérflua (leia-se sapatos).

Durante boa parte da viagem, ela realmente não comprou nada para ela e nem para Vera e Bel, suas filhas queridas. Porém, assim que chegaram em Paris, seu marido recebeu uma comunicação da firma, pedindo para que ele voltasse às pressas para o Brasil; como ele não queria estragar o passeio da família, deixou a mulher e as filhas e partiu no primeiro avião.

Será que Bárbara conseguiu cumprir sua promessa ao marido? Ou será que ela caiu na tentação e gastou até o que não devia?

O Ipê Floresce em Agosto
Beatriz estava discutindo naquela noite com seu pai, o Dr. Humberto, pois o mesmo não estava nada contente com seu namorado, um viciado em jogos de azar; ele queria que ela casasse com Fernando, um jovem de família e estudante de medicina, que trabalhava com ele no hospital, mas Beatriz fazia questão em dizer que apenas gostava do tal Fernando, todavia, seu coração pertencia ao Cláudio.

Naquela noite, ela esperava que Cláudio a pedisse em casamento e, para não testemunhar a desgraça da filha, o Dr. Humberto resolveu sair de casa, sem antes pedir para sua irmã fazer companhia à filha amada.

Beatriz aproveitou então para perguntar à tia Maria como era viver ao lado de um jogador, pois seu tio Hélio também era um jogador compulsivo; a tia explicou-lhe que, apesar de amar muito seu tio, ela sempre levara uma vida solitária, costurando para fora e contando apenas com as filhas, que cresceram sem a figura do pai, pois o mesmo vivia só de “bicos” e jogando durante toda noite, chegando só de manhã em casa, ou quando ganhava bastante dinheiro – algo bem raro de acontecer.

“- Meu casamento tem sido como estes ipês – a mais linda floração no mais feio dos meses, pois, como você vê, Beatriz, o ipê floresce em agosto. “

Naquela noite, as duas filhas iriam debutar e, para pagar o vestido das meninas, a tia empenhara seu próprio anel de noivado. Só que antes de partirem para o baile, o tio Hélio surgiu, todo bem vestido, com presentes para as meninas e flores para a esposa, para total surpresa de Beatriz.

A jovem ficou em casa, esperando o namorado e acabou pegando no sono; mais tarde, ela acordou com Cláudio admirando-a enquanto ela dormia; segundo ele, a mãe havia se ferido e ele se atrasara por causa disso.

Ele então perguntou a ela se ela o aceitava como marido e ela, sem pestanejar, disse-lhe que sim…

O resto, só lendo muito!

Um livro para ser lido e relido infindáveis vezes!!!

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

CORAÇÕES SUSPENSOS NO VAZIO – Baseado no massacre do Centro – Arlindo Gonçalves


Resultado de imagem para corações suspensos no vazioBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

É com imenso prazer que selecionei a resenha de Corações Suspensos no Vazio, de autoria do genial Arlindo Gonçalves que, além de escritor, é um grande fotógrafo.

O livro narra a história de dois moradores de rua – o velho e a velha – que parecem invisíveis aos olhos do resto do mundo.

O velho havia cursado faculdade e também já fora tradutor e professor de inglês – motivo que explicava seu incômodo ao constatar os diversos erros de ortografia que ele acompanhava durante suas andanças pelo centro -, porém, ele perdera absolutamente tudo,  inclusive sua esposa, por causa do alcoolismo. A desgraça, entretanto,  já o acompanhava desde muito cedo, pois ele e seu irmão mais novo haviam sido abandonados quando eram muito novos pelo tio que os criava e, anos depois, ele perdeu este mesmo irmão quando o mesmo afogou-se num rio.

A velha gostava de escrever  desde a quinta série, quando sua redação foi premiada como a melhor da escola; ela poderia ter sido alguém na vida, mas envolveu-se com pessoas erradas e acabou presa durante um assalto, para desgosto da família que a abandonou. Na cadeia, ganhou o respeito das outras detentas, pois era uma das poucas que sabia ler e escrever bem.

Estes dois seres sofridos, transparentes aos olhos do mundo, já se conheciam há algum tempo, enquanto aguardavam sua vez na fila da sopa; agora, moravam juntos num túnel que ficava no centro de São Paulo e dividiam sua bebida e, literalmente, seus trapos!

Próximo ao túnel onde (sobre)viviam estes dois desgraçados, havia a banca de jornais de um senhor viúvo e muito bondoso: a única pessoa que demonstrava cuidado e real preocupação por ambos!

Naquele dia em questão, o velho e a velha separaram-se desde cedo: ele fora andar pelas praças, bebendo e refletindo sobre seu passado tumultuado; a velha, andara pelas mesmas praças um pouco mais tarde, e acabara fazendo amizade com uma ex-professora e poetisa, que também estava morando na rua; após conversarem bastante sobre os infortúnios de cada uma, a professora convidou -a para morar num cantinho da  praça que ela dividia com outros amigos da rua, lugar que, segundo ela, seria bem melhor do aquele túnel quente e abafado que eles estavam morando, uma proposta realmente irrecusável.

Eles só não faziam ideia de que estavam selando de vez o seu destino!

O resto, só lendo muito!

Esta história baseada no massacre ocorrido em 2004, onde sete moradores de rua foram mortos com requintes de crueldade, enquanto dormiam no centro de São Paulo; porém, apesar de todos os autores terem sido identificados, ninguém foi preso até hoje!

Arlindo Gonçalves, através de sua narrativa forte e angustiante, mesclada com fotos tiradas do centro da “terra da garoa” – construiu uma história  realmente primorosa, retratando o drama e sofridão diária dos moradores de rua do centro de São Paulo – e de outras cidades do Brasil e do mundo -, que, após tanto tempo de abandono e esquecimento,  perdem suas verdadeiras identidades pelo caminho; traço um paralelo com Vidas Secas, de Graciliano Ramos, quando  Fabiano e Sinhá Vitória referem-se aos filhos apenas como menino mais velho e menino mais novo.

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

Demontale (As matadoras do Submundo): Os contos do Submundo – vários autores


Alessandra Tapias, Daniella Rosa, Glau Kemp,
Leandro Zapata, Lu Martinho, Luisa Soresini,
Nana Lees, Patrícia L. Boos, Paulo Fabian, Samara Motta,
Vanessa Corsant, Viviani Xanthakos, Geana Krause,
Amanda Ághata Costa, André Mafra, Caroline Defanti,
Susana Silva, Nanda Cruzo, Edis Henrique, Francine Cândido,
Géssica Marques, Jéssica Driely, Mauricio R. B. Campos,
Lilah Prates, Mayara F. Costa, V. K. Macedo,
Daniele Oliveira, Yan Boos, Yara Prado

Após mais um de meus famosos períodos de sumiço, eu volto para comentar sobre essa coletânea de contos sobrenaturais que ganhei como um presente de meu irmão de alma aqui do blog, o Alê (muito obrigada pelo presente, por sinal, eu simplesmente o adorei)!

O livro conta com diversos autores diferentes, que variam de acordo com o conto escrito, o que nos proporciona a oportunidade de admirar as diferentes maneiras (seja por estilo de escrita, enredo ou personagem) que se pode desenvolver um tema em comum: O risco corrido pelo reino de Taleland depois que os príncipes desse são possuídos por Mefisto, um demônio que possui como objetivo o extermínio dos finais felizes e o controle total das terras do reino citado. E adivinha quem vai ter que combater esse perigo, uma vez que aqueles que normalmente salvam o dia se tornaram a ameaça em si? Isso, mesmo, as que sempre são salvas: As princesas!

Além de contar com o evidente e atraente elemento fantasioso/sobrenatural, que se dá pela presença de criaturas como demônios, fadas e trolls, por exemplo, a obra é interessante por desconstruir os contos de fada, atribuindo às princesas características que comumente não lhe são atribuídas (nem às mulheres como um todo, infelizmente): Força, coragem, independência e esperteza, quebrando, assim, a imagem frágil da feminilidade que normalmente recebemos pela mídia (sobretudo em em obras que se tratam de princesas), assim que assistimos às jovens lutarem por suas vidas e seus povos, ainda que usando vestidos e salto, muitas vezes.

Dito isto, acho que fica claro que eu gostei muito do fio condutor do livro e, por consequência, das tramas dos contos em si. Minha única crítica seria a de que, talvez por conto do diminuto tamanho dos contos, esses pecam no sentido do desenvolvimento: O enredo parece se desenrolar de maneira exageradamente acelerada, de forma que não temos tempo de nos apegamos às histórias e personagens apresentados.

Embora seja impossível falar sobre todos os contos aqui (basta ver a quantidade de autores que participaram do projeto para entender o motivo), não poderia deixar de mencionar o fato de que a história que abre o livro, a respeito de uma garota que cresce e é treinada no convento para só então descobrir suas origens e destino, foi escrita por uma amiga aqui da família Lendo Muito!!!, a Alessandra Tapias, ou simplesmente Lelê, para os mais íntimos, que foi muito bem sucedida na criação de uma trama original e uma personagem forte e marcante, embora tenha pecado um pouco (assim como a maioria dos autores presentes no livro) no quesito desenvolvimento, como já foi comentado acima, o que talvez se deva ao fato dos contos serem, de fato, muito curtos, dificultando um maior aprofundamento das histórias.

Outros contos que gostaria de citar são As longas mechas da vingança, de André Mafra, A maldição do cisne, de Francine Cândido e Lilith a princesa das trevas, de Géssica Marques. O primeiro, por ter sido  um conto que, dentre tantos, ainda foi capaz de se destacar em relação à construção de uma personagem forte e destemida e por ter sido também o primeiro (embora não o único) a abordar o a questão do estupro, além do assassinato em si, que foi mais focado na maioria dos contos. O segundo, por ter conseguido superar a dificuldade apresentada pelos demais no quesito desenvolvimento, sendo incrivelmente envolvente (o que pode ser explicado por se tratar de um conto um pouco mais longo que os demais). E o terceiro, por escolher uma princesa um tanto quanto inesperada e surpreendente, gerando uma atmosfera diferente em sua história por causa disso.

Enfim, um livro com grande potencial oferecido pela temática escolhida, mas com falhas de desenvolvimento que talvez pudessem ter sido evitadas com a prolongação de alguns contos (prezando, assim, pela qualidade, ao invés da quantidade dos mesmos), Demontale ganha o meu 8.

Beijos, Ana Beatriz

João Simões Continua – Orígenes Lessa


Resultado de imagem para capa joão simoes continuaBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Escolhi para vocês a resenha do divertidíssimo João Simões Continua, livro de autoria de Orígenes Lessa, um dos meus autores nacionais prediletos.

Quem narra a história é João Simões, um corretor de café que, em plena São Paulo dos anos 1930, encontrava-se à beira da morte, acometido por uma moléstia incurável. Seus parentes e o médico da família faziam questão de dizer a ele que ele logo se recuperaria e estaria pronto para voltar ao trabalho, porém, ele tinha certeza que daquela cama só sairia para o cemitério.

Ele aproveitou a tarde para tirar um cochilo e sonhou com passagens de sua vida, desde o seu nascimento, até seus dias atuais, quando a queda da bolsa de valores de Nova York, havia feito o preço do café despencar em todo o mundo, atingindo o Brasil em cheio; aquelas imagens sucediam-se tão rapidamente e eram tão vivas e reais, contudo, não despertavam nele qualquer sentimento de saudade ou remorso; parecia que sua vida estava sendo passada a limpo.

Tentou abrir os olhos, só que sem sucesso; uma espécie de preguiça tomara conta de todo o seu ser. Foi então que ouviu a voz de sua esposa gritando para chamarem  rapidamente o médico; já sua sogra, pedia para buscarem logo um padre, ou seja, um caos generalizado instaurou-se na residência, até o momento em que o médico chegou e atestou aquilo que todos já esperavam: João Simões acabara de falecer.

Só que havia algo muito estranho em tudo isto, pois o tal “defunto” continuava vendo o ouvindo tudo o que se passava ao seu redor, acompanhando de perto toda a correria da família para providenciar o seu velório e avisar a todos os parentes e amigos de sua morte.

Enquanto velavam seu corpo, seus amigos aproveitavam para falar da tal francesa que Simões mantivera como amante por vários anos e de como seria pior para o Brasil caso os comunistas tomassem o poder; já as mulheres, discorriam sobre qual seria a nova moda da próxima estação e até sobre o absurdo preço do tomate, que havia subido muito nos últimos dias. Até na hora do sepultamento, no momento do adeus final ao seu corpo, ele viu pessoas fazendo discursos belíssimos, apenas para não ficarem atrás umas das outras.

Ele tentou gritar, mas ninguém pareceu ouvi-lo; alguns até passavam por ele, como se ele realmente não existisse. Pela primeira vez na sua vida, João Simões estava sendo deixado de lado, esquecido.

Seria aquilo um pesadelo ou a real constatação que ele encontrava-se no tal do “além”, de quem muitos falavam?

Começou a achar que aquilo era algum tipo de castigo divino imposto a ele por causa do seu cochilo vespertino, já que, na sua visão extremamente limitada, ele sempre fora uma pessoa muito boa e amável!

Durante uma festa ocorrida dias após o enterro, João Simões reparou que sua esposa estava de caso com o seu melhor amigo e, para vingar-se, resolveu cuspir na bebida do tal “amigo da onça” e mesmo assim, o amigo tomou o uísque sem perceber;  Ele decidiu abraçar e dar um beijo então em Clarinha, sua paixão juvenil, só que a moça deu um berro enorme, relatando que sentira um abraço invisível… sopro frio… parecia até a morte!

Tomado de ódio, ele gritava para todos saírem de sua casa e desferia pontapés e bofetões em todos, sem surtir qualquer efeito. Uma gargalhada reverberou por toda a sala e, vinha de um desconhecido fumando charuto, que divertia-se com aquela cena.

Após um clarão repentino, ele notou que estava flutuando no ar de verdade, só que em outro plano, no qual aquele homem de charuto na boca podia vê-lo e ouvi-lo com clareza; além dele, outros flutuavam vestidos de branco e também de preto.

Foi neste momento que João Simões teve a certeza absoluta que havia de fato morrido!!!

O resto, só lendo muito.

A história é muito divertida e conta com capítulos bem curtos e uma linguagem bem fácil de ser compreendida, algo que ajuda muito a acelerar o ritmo da leitura. Através da sátira e do humor, Orígenes Lessa conduz seus leitores a uma profunda reflexão sobre a vida e a morte.

Afinal, precisamos de muito dinheiro e bens materiais para alcançarmos a nossa felicidade?

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

 

A Festa Derradeira – Artur Laizo


Festa Derradeira, ABoa noite, querida Família Lendo Muito!

Estive fora por alguns dias para recarregar minhas baterias, mas já não aguentava mais de saudades de cada um de vocês.

Para celebrar este meu retorno, escolhi uma resenha mais do que especial. Trata-se do livro A Festa Derradeira, escrito por um dileto amigo aqui do blog, o Dr. Artur Laizo, autor do magnífico livro de terror A Mansão do Rio Vermelho. 

Wagner começa a narrar a sua história a partir do momento em que ele foi diagnosticado com câncer pulmonar e o dr. Alberto, seu médico, achava que ele devia operar o mais rápido possível, só que esta não era uma opção para ele.

Todos os seus amigos de bar achavam que ele deveria operar logo e também parar de beber e fumar, porém, o que ele queria mesmo era fazer uma festa derradeira, para beber bastante e divertir-se ao lado daqueles de quem ele gostava, e também serviria como despedida, já que, caso não operasse, ele teria cerca de três meses de vida.

Ficou acordado então que eles fariam a  festa derradeira lá mesmo no bar em que frequentavam, na próxima sexta à noite.

O verdadeiro motivo de Wagner não querer operar era a culpa que ele vinha carregando consigo, culpa esta por ter sido um péssimo marido e um pai horrível!

Wagner perdera Sílvia, sua esposa, quando ainda eram muito jovens; apesar de acreditar que amava a esposa, ele começou a traí-la logo após o casamento com inúmeras amantes, chegando tarde quase sempre, sem que sua esposa jamais o censurasse. 

Como pai ele fora ainda pior, pois deixara a educação do filho Rogério totalmente a cargo de Sílvia, sem jamais ter elogiado uma vez sequer seu filho por ele ter tirado uma nota alta ou ter se destacado nos esportes, afinal, essa era a obrigação dele como filho, não é mesmo?

Quando Rogério ficou em coma, devido ao terrível traumatismo craniano que ele sofreu, ao cair de uma altura grande enquanto praticava alpinismo, ele mostrou-se preocupado apenas com seu umbigo, pois rezara para que o filho morresse logo, pois não queria ficar com uma “planta” em casa.

Após a morte do filho, ele passou a abdicar totalmente da vida amorosa, passando a entregar-se todas as noites à bebedeira e ao cigarro, perambulando de bar em bar, até cair .

A única exceção havia sido a bela Rafaela, com quem havia tido um relacionamento passageiro, contudo, como ele não queria nada sério, a moça simplesmente sumiu de sua vida por mais de dez anos. Entretanto, ao ficar sabendo de sua saúde precária, ela fez questão de ir à festa, com a intenção de reencontrá-lo e também convencê-lo a operar.

No dia da festa, todos estavam preocupados com o atraso do amigo, pois tinham medo que ele houvesse falecido; todavia, tudo mudou no momento em que Wagner chegou; a partir daquele momento, todos dançaram, beberam e brindaram animadamente… até o momento em  que Wagner foi acometido por um surto de tosse com sangue e correu para o banheiro.

Ele foi acordar três dias depois na UTI do hospital.

Dias depois, enquanto estava internado, ele recebeu a visita de Rafaela; ela fazia questão que ele se recuperasse logo e aceitasse operar o tumor, pois ele era o pai de Júnior, seu filho de dez anos!!!

Será que aquilo era mesmo verdade? Ou não passava de um  artifício criado por Rafaela, com o simples objetivo de convencê-lo a operar?

O resto, só lendo muito!

Uma história realmente dramática, que submete o leitor a  uma verdadeira reflexão sobre culpa e perdão e também sobre espiritualidade e evolução.

Livro digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)