Gaiola das Estrelas – Jacquelyn Mitchard


Resultado de imagem para livro gaiola das estrelasBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Tentem imaginar a seguinte cena: um homem comum para seu carro em frente a uma aconchegante casa, localizada em uma tranquila comunidade mórmon.

Até aí, tudo parece normal, não é mesmo?

Só que este homem em particular caminha a passos desnorteados, de maneira autômata e inconsciente e, naquela manhã ensolarada de novembro, sem mais nem menos ele invade esta mesma propriedade e corta, de forma violenta, a garganta de Beeky e Ruthie, duas crianças que brincavam inocentemente de esconde-esconde com Verônica, a irmã mais velha!

O nome deste homem é Scott Early e este ato vil e torpe mudará para sempre a vida de todos da família Swan!

Para os pais sempre restará a seguinte pergunta: será que poderiam ter evitado que o pior acontecesse a seus dois anjinhos? Já para Verônica, de treze anos, sobrou apenas a culpa por ter sobrevivido ao ataque.

Em meio a estas e outras reflexões profundas, acompanhamos passo a passo a tragédia da família Swan, até o momento em que, após 4 anos do aniversário do crime, Verônica resolve ir atrás de Scott Early, pois o mesmo acabara de ser colocado novamente em liberdade!

Ela tem apenas uma objetivo em mente: vingança!

Todavia, será que o perdão conseguirá fazer-se mais forte e aliviar a dor de todos os membros da família Swan? E será que Scott Early se mostrará digno de receber uma segunda chance e assim levar uma vida normal?

O resto, só lendo muito!

Uma narrativa vibrante e profunda, com um final surpreendente e que remete-nos à reflexões sobre culpa e verdadeiro perdão!
Digno de 5 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

CONTOS DO DIA E DA NOITE – Guy de Maupassant


 

Resultado de imagem para CONTOS DO DIA E DA NOITEBoa noite, querida Família Lendo Muito!

Trago-vos, desta vez, a resenha de CONTOS DO DIA E DA NOITE, verdadeira obra-prima de Guy de Maupassant

Para quem ainda não conhece este brilhante autor: ele é reconhecido como pai do conto moderno – gênero que ele explorou como nenhum outro, elevando-o à categoria de arte.

Todos os 21 contos aqui reunidos são recheados de dramaticidade e dureza e, muitas vezes, com pitadas de humor na medida certa; temas como maus-tratos às mulheres, aos animais, mulheres esnobes e fúteis e bêbados incorrigíveis são abordados com verdadeiro talento pelo autor, de maneira direta e muitas vezes até despretensiosa.

Desta vez, vou destacar os três contos que mais me chamaram a atenção:

1. O Crime do seu Boniface
As portas e as janelas da casa em que o carteiro Boniface deveria entregar o jornal  matutino estavam fechadas; da janela vinham gemidos altos e gritos abafados.  

Na sua mente, aquilo só poderia significar uma coisa: mais um crime terrível estava ocorrendo, como o que ele lera há pouco no mesmo jornal!

Ele logo correu para chamar dois policiais, que foram até a residência referida e tiveram uma verdadeira surpresa, assim que colaram seus ouvidos na janela…

2. O Mendicante
Um rapazote aleijado e de apenas quinze anos vivia pedindo esmolas num pequeno vilarejo francês. Desde o seu nascimento, o mesmo não conhecera outra coisa que não fosse a miséria; ao nascer, fora encontrado pelo pároco num Finados e batizado como Nicolas Toussaint, mas todos o conheciam mesmo por “Sino”.

Já cansado de ser enxotado pelas pessoas e morto de fome, abateu então uma galinha que estava passando na rua e acabou sendo espancado pelo dono da ave e quase linchado pelos empregados do mesmo.

Será que o sofrimento do pobre “Sino” nunca chegará ao fim?

3. Um Parricídio
Com um desejo sanguinário de vingança por ter sido abandonado desde pequeno, um filho bastardo mata pai e mãe e comove o júri ao contar sua triste história…

O resto, só lendo muito!

Algumas leitoras desavisadas podem achar suas histórias muitas vezes perturbadoras e até machistas; todavia, não devem esquecer-se que foram escritas numa época em que a mulher não havia conquistado seu espaço e era considerada “propriedade” do marido.

Digno de 5 estrelas.

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

Cem Anos de Solidão – Gabriel García Márquez


Resultado de imagem para capa de cem anos de solidaoBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Ficamos ausentes por alguns dias devido a assuntos particulares, mas não nos aguentávamos  de saudades de cada um de vocês.

Nada como retomar nossos trabalhos com uma resenha de um clássico universal, não é mesmo?

Para isso, escolhemos Cem Anos de Solidão: verdadeira obra-prima de Gabriel García Márquez.

O livro tem como pano de fundo o vilarejo  de Macondo, Colômbia, onde todos os personagens nascem, crescem e morrem, ao longo de cem anos!

É neste ambiente que tomamos conhecimento da saga da família Buendía, que tem início com o casamento de José Arcadio com sua esposa Ursula Iguarán e estende-se por um século, envolvendo uma  gama enorme de personagens; a narrativa toda é caracterizada pelo Realismo Fantástico, com toques sutis de humor.

Nessa narrativa fantástica podemos encontrar uma personagem que resolve aguardar muitos anos para se casar, mantendo-se virgem por todo este tempo apenas para  demonstrar todo o seu amor pelo noivo.  Contudo, após conviver com seu irmão de criação, entrega-se a ele logo no primeiro momento. Eles então casam-se e, muito anos depois, ela o assassina, sem qualquer motivo aparente, terminando sua vida em uma velhice solitária.

O resto, só lendo muito!

Esta é apenas uma das muitas histórias movimentadas deste livro que deixa bem claro as ideias marxistas do autor.

O livro é um verdadeiro deleite aos amantes do realismo fantástico; a única dificuldade que o leitor pode enfrentar é em relação aos nomes dos personagens, pois todos são muito parecidos, causando certa confusão.

Classificamos o livro como 4 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

 

A princesa salva a si mesma neste livro-Amanda Lovelace


Com um espírito semelhante ao de Outros jeitos de usar a boca (que já tem resenha minha aqui no blog e eu recomendo fortemente), A princesa salva a si mesma neste livro é mais uma obra da geração contemporânea de Instapoetas, ou seja, poetas/poetisas que começam postando seus poemas (que, por isso mesmo, costumam ser breves e impactantes) no Instagram antes de publicar seus livros. Tais poemas possuem também como característica o uso recorrente de imagens (no caso de Outros jeitos de usar a boca) ou/e concretismo, brincando assim com o posicionamento das palavras para fornecer o efeito desejado(em A princesa salva a si mesma neste livro).

Outra semelhança com a obra de Rupi Kaur que pode ser notada até mesmo no título do livro de Amanda Lovelace possui também uma notável veia feminista, o que, para uma feminista como eu, foi muito agradável de se perceber.

No entanto, engana-se quem acredita que apenas de feminismo se faz essa obra, que tem como temas constantes a morte; o amor; o câncer; o suicídio; a gordofobia (bem como os distúrbios alimentares decorrentes disto); relacionamentos abusivos e  relação da poetisa com as palavras/ a literatura/a escrita, contando, inclusive, com certas referências a Harry Potter que me fazem acreditar que a autora talvez seja potterhead como eu, mais um ponto positivo para a minha leitura.

Com poemas que vão te fazer ter vontade de rir, chorar, ter um ataque de fofura e/ou sentir-se invencível e incrivelmente empoderada, além de criticar uma sociedade misógina e gordofóbica em muitos deles, A princesa salva a si mesma neste livro lhe proporcionará uma leitura rápida, informativa e agradável, ganhando assim meu 9,5, bem como o posto de meus segundo livro de poesia preferido (perdendo apenas para a já citada obra de Rupi Kaur).

Beijos, Ana Beatriz

O Medalhão – Alexandre Dumas


Resultado de imagem para capa o medalhão de dumasO Medalhão é uma das poucas histórias fantásticas que Alexandre Dumas escreveu; tem como pano de fundo a cidade de Paris e o período que ficou conhecido na história como Terror, surgido logo após a Revolução Francesa, de 1789.

Às margens do rio Reno, situava-se a maravilhosa cidade germânica de Manheim, segunda capital do grão-ducado de Bade, onde eram ambientados praticamente todos os romances de Augusto Lafontaine e de Goethe.

Nesta belíssima cidade viviam os inseparáveis amigos e irmãos de criação Hoffman (Ernesto Theodoro Guilherme Hoffmann) e Zacarias Werner (que mais tarde escreveria “Martinho Lutero” e “24 de Fevereiro”). Hoffmann, nesta época,  contava com apenas 18 anos e vivia da pintura, da música, da poesia e, de vez em quando, da ajuda que sua mãe lhe enviava.

Além de terem sido criados juntos, ambos tinham um sonho em comum: conhecer Paris, a cidade das artes. Só não tinham dinheiro suficiente para tal façanha!

Foi quando Zacarias teve a ideia de pegarem todo o pouco dinheiro que lhes restava e irem até o cassino da cidade, arriscar a sorte na roleta.

Apesar de Zacarias ter perdido tudo o que possuía logo de início, em sua vez, Hoffmann começou a ganhar e ganhar, sempre juntando pilhas e pilhas de moedas de ouro, para surpresa geral de seu amigo e de todos os frequentadores do cassino.

Antes de sair dali, um velho oficial abordou Hoffmann e falou para ele que, caso ele continuasse ganhando, ele seria alvo fácil para o Diabo!

Após o fechamento do cassino, enquanto caminhavam para casa, Zacarias ria a valer, pois sabia que podiam ir e viver em Paris por um longo tempo, Hoffmann ficou triste e cabisbaixo, pensando no que o velho oficial lhe dissera ainda há pouco!

Na última hora, só Zacarias partiu para Paris, pois Hoffmann apaixonou-se pela bela Antônia, uma loira de apenas 17 anos, dona de uma voz maravilhosa e aveludada, filha do Maestro Gottlieb Murr.

Durante alguns meses, Hoffmann frequentava a casa de Antônia todos os dias, tal qual um verdadeiro membro da família, porém, Antônia percebia que faltava alguma coisa para seu noivo, pois ele parecia viver uma vida apática e sem sentido. Ela então consentiu que ele fosse viver em Paris por um tempo, junto com Zacarias, sob dois juramentos: que ele lhe permanecesse sempre fiel e que jamais jogasse de novo.

Ele então jurou por algo que lhe mais sagrado no mundo: a vida de Antônia, sua amada. Se ele não cumprisse seu juramento, ela estaria condenada à morte!

Antes que ele partisse, sua amada entregou-lhe um lindo medalhão em suas mãos; dentro dele, encontrava-se um retrato da bela e vistosa Antônia.

Ao chegar em Paris, ele decepcionou-se por completo, pois as bibliotecas e os museus que ele tanto queria visitar estavam todos fechados por causa da Revolução, já o Palácio de Luxemburgo fora convertido em prisão; além disso, Hoffmann não fazia a mínima ideia de onde morava Zacarias Werner!

Aquele jovem artista e entusiasta viera a Paris para estudar artes e respirar uma atmosfera de liberdade, contudo só encontrara portas fechadas e pessoas com medo de serem guilhotinadas!

Passando pela frente do teatro da Porta Saint-Martin, parou e viu que encontrava-se em cartaz o balé: “O Julgamento de Páris”, de Gardel Júnior.

“Que época esta aquela em que, no mesmo dia, podia ver-se
condenar pela manhã, executar às quatro da tarde, dançar à noite,
correndo-se o risco de acordar e ser detido de madrugada,
no meio de tantas e tão diversas emoções!”

Durante a apresentação conheceu uma figura estranha, toda vestida de preto, que apresentou-se como doutor caveirinha; no palco, ele foi enfeitiçado pela beleza de Arsênia, a bela dançarina morena, de olhos negros e penetrantes, que trazia, ao redor de seu lindo pescoço, um enorme colar de veludo e diamantes, cujo fecho era uma pequena guilhotina de prata.

Só tinha um pequeno problema: ela já era propriedade de Danton, um homem muito rico, que tinha o rosto completamente desfigurado pela acne e pela varíola!

Será que Hoffmann manteve-se fiel aos juramentos e voltou para Alemanha para casar-se com sua bela noiva Antônia? Ou rendeu-se aos caprichos da sedutora e fatal Arsênia?

O resto, só lendo muito!

Uma das narrativas mais brilhantes e perturbadoras que eu já li em toda minha vida; misto de drama, suspense, loucura e sobrenatural.

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

 

CORAÇÕES SUSPENSOS NO VAZIO – Baseado no massacre do Centro – Arlindo Gonçalves


Resultado de imagem para corações suspensos no vazioBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

É com imenso prazer que selecionei a resenha de Corações Suspensos no Vazio, de autoria do genial Arlindo Gonçalves que, além de escritor, é um grande fotógrafo.

O livro narra a história de dois moradores de rua – o velho e a velha – que parecem invisíveis aos olhos do resto do mundo.

O velho havia cursado faculdade e também já fora tradutor e professor de inglês – motivo que explicava seu incômodo ao constatar os diversos erros de ortografia que ele acompanhava durante suas andanças pelo centro -, porém, ele perdera absolutamente tudo,  inclusive sua esposa, por causa do alcoolismo. A desgraça, entretanto,  já o acompanhava desde muito cedo, pois ele e seu irmão mais novo haviam sido abandonados quando eram muito novos pelo tio que os criava e, anos depois, ele perdeu este mesmo irmão quando o mesmo afogou-se num rio.

A velha gostava de escrever  desde a quinta série, quando sua redação foi premiada como a melhor da escola; ela poderia ter sido alguém na vida, mas envolveu-se com pessoas erradas e acabou presa durante um assalto, para desgosto da família que a abandonou. Na cadeia, ganhou o respeito das outras detentas, pois era uma das poucas que sabia ler e escrever bem.

Estes dois seres sofridos, transparentes aos olhos do mundo, já se conheciam há algum tempo, enquanto aguardavam sua vez na fila da sopa; agora, moravam juntos num túnel que ficava no centro de São Paulo e dividiam sua bebida e, literalmente, seus trapos!

Próximo ao túnel onde (sobre)viviam estes dois desgraçados, havia a banca de jornais de um senhor viúvo e muito bondoso: a única pessoa que demonstrava cuidado e real preocupação por ambos!

Naquele dia em questão, o velho e a velha separaram-se desde cedo: ele fora andar pelas praças, bebendo e refletindo sobre seu passado tumultuado; a velha, andara pelas mesmas praças um pouco mais tarde, e acabara fazendo amizade com uma ex-professora e poetisa, que também estava morando na rua; após conversarem bastante sobre os infortúnios de cada uma, a professora convidou -a para morar num cantinho da  praça que ela dividia com outros amigos da rua, lugar que, segundo ela, seria bem melhor do aquele túnel quente e abafado que eles estavam morando, uma proposta realmente irrecusável.

Eles só não faziam ideia de que estavam selando de vez o seu destino!

O resto, só lendo muito!

Esta história baseada no massacre ocorrido em 2004, onde sete moradores de rua foram mortos com requintes de crueldade, enquanto dormiam no centro de São Paulo; porém, apesar de todos os autores terem sido identificados, ninguém foi preso até hoje!

Arlindo Gonçalves, através de sua narrativa forte e angustiante, mesclada com fotos tiradas do centro da “terra da garoa” – construiu uma história  realmente primorosa, retratando o drama e sofridão diária dos moradores de rua do centro de São Paulo – e de outras cidades do Brasil e do mundo -, que, após tanto tempo de abandono e esquecimento,  perdem suas verdadeiras identidades pelo caminho; traço um paralelo com Vidas Secas, de Graciliano Ramos, quando  Fabiano e Sinhá Vitória referem-se aos filhos apenas como menino mais velho e menino mais novo.

Digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

The End of the F***ing World


Mais uma série original da Netflix, The End of the F***ing World pode ser recente, mas já conta com um grande sucesso, sobretudo, entre o público mais jovem, tendo diversas fotos de momentos e frases da obra circulando cotidianamente nas redes sociais.

Com apenas oito episódios de duração de cerca de vinte minutos cada, The End of the F***ing World é ideal para aqueles que, como eu, costumam ser um tanto quanto lerdos para terminar séries, sentindo-se desmotivados a assistir àquelas que possuem episódios muito longos ou um número excessivo de episódios. Os atentos podem ter notado, inclusive, que, se somados todos os episódios, a série teria a duração semelhante à de um filme, o que é verdade, embora esse formato, de alguma maneira, pareça ter sido mais adequado do que se houvessem escolhido a cinematografia no lugar da seriação.

Como protagonistas da série temos Alyssa e James, dois adolescentes de 17 anos que estudam na mesma em escola. A menina possui sérios problemas familiares, com um pai que abandonou sua família quando ela era criança, um padrasto que ela detesta e uma mãe inerte que vive apenas em função do novo marido e dos novos filhos (dois bebês gêmeos), esquecendo-se de sua filha mais velha.

O garoto, por sua vez, é criado apenas por um pai abobalhado e tem dificuldades em sentir emoções, acreditando, inclusive, que seja psicopata, devido a vários indícios oferecidos por seu passado, como sua aparente incapacidade de sentir empatia e o costume que tem de matar pobres animais que encontra na floresta.

Decidido a se provar como psicopata, James deseja, em suas palavras, “matar algo maior” quando Alyssa enfim se aproxima dele. Enxergando nela a vítima perfeita, eles começam a namorar e a garota o chama para viajar com ela, uma vez que ela não aguenta mais a própria casa. Acreditando que aquela seria a melhor oportunidade que teria de matar alguém, ele aceita, mas algo muda com o desenrolar da trama…

Rápido, porém intenso, um tanto original e repleto de momentos e frases memoráveis, a série trata de assuntos pesados com um jeito mais leve, merecendo, por isso, meu 9,5.

Beijos, Ana Beatriz

O Apito do Trem – César Arruda Castanho


“Não é difícil ver que este “O Apito do trem” é um livro lírico. Perigosamente lírico.”

É com este aviso do prefácio de Antonio D’Elia, que inicio a minha resenha de O Apito do Trem, história magnífica, de autoria de César Arruda Castanho que eu encontrei totalmente ao acaso, em uma das trocas de livros organizada pela Prefeitura de São Paulo.

A história começa quando a família de Nestor, preocupada em não fazer barulho para que seus vizinhos não descobrissem que estavam mudando-se às escondidas, viaja de trem para uma cidade do interior, num vagão de segunda classe.

Messias,  era um simples professor estadual, que apaixonara-se por Cotinha quando ainda ambos eram muito jovens; o pai dela era major do exército e muito bem de vida. No início, ele não concordou com o casamento, pois queria algo melhor para a filha, mas acabou aceitando a ideia depois de tantas investidas do Messias.

Logo após o nascimento dos três filhos, o casal começou a mudar-se de cidade em cidade, já que como professor, Messias não ganhava muito e Cotinha insistia para que ele pedisse ajuda ao seu pai, mas ele era muito orgulhoso para submeter-se a tal coisa.

Com o passar dos anos, as contas começaram a aumentar muito e todos passaram a chamá-lo de professor caloteiro; até os filhos passaram a ouvir isso de outros moradores da cidade.

Tudo por culpa da mulher, que não tinha o mínimo senso de economia doméstica e de seu baixo salário como professor de escola publica.

Armando, o filho mais velho, puxara o avô na sua maneira ríspida de ser; vivia arrumando confusão nos bares que frequentava e Messias sempre o ameaçava de pô-lo na rua, todavia, seu pai era um covarde e jamais faria isso; ele odiava sua mãe por ser mandona e seu pai pelo simples fato dele ser pobre e não responder aos queixumes da mãe à altura.

Vítor, o filho  do meio, era ordeiro e tinha muita vontade de trabalhar e progredir na vida, só para ajudar o pai a melhorar de vida; aliás, ele ficava morrendo de pena quando sua mãe humilhava seu pai na frente dele e dos irmãos.

Já, Nestor, o caçula, era o mais inteligente de todos, aquele que vivia sempre com um livro nas mãos; além disso, o garoto era muito amoroso e benevolente, principalmente com Benedita – a negra que fora criada junta com ele, e que sofria surras constantes por parte de dona Cotinha e sempre prometia tomar veneno para livrar-se de uma vez por todas dos terríveis maus-tratos.

Cansado de ouvir a mulher reclamando da falta de dinheiro e também de ser humilhado pelos cobradores e vizinhos, Messias resolveu engolir o orgulho e pedir ajuda ao sogro; este logo tratou de mexer os pauzinhos para conseguir uma transferência para o genro, pois tinha interesse que Cotinha voltasse ao lar para tomar conta de sua mãe, já que a mesma vivia acamada, acometida por alguma doença incurável que a fazia definhar dia após dia.

Messias acreditava piamente que as coisas seriam diferentes dali para a frente, pois ele viveria em paz com sua família numa nova cidade e conseguiria ganhar dinheiro suficiente para saldar todas as dívidas deixadas para trás, e ainda poderia dar o luxo que sua esposa exigia.

Ele só não fazia ideia que viver sob os olhos constantes do sogro, faria com que sua vida fosse pior do era antes.

Apesar de Messias ter um grande papel na história, o personagem principal é seu filho Nestor, que acompanha de perto a rebeldia do irmão mais velho, a falta de sensibilidade da mãe para com seu pai, as dores da avó acamada e o drama da tia Beatriz, que encontrava-se secretamente com o dr. Lauro, um alienista (psiquiatra), a quem o major achava ainda mais pirado que os seus pacientes.

No fim do livro, há ainda um conto bem curto, de estilo gótico, intitulado “A IMPRESSIONANTE HISTÓRIA DE DONANA”, onde o narrador-personagem, após doze anos vivendo na capital de São Paulo,  retorna para o interior- mais precisamente para a Vila de Água Branca, próximo à cidade de Lençóis Paulista -, para visitar seu querido padrinho Chico Pereira.

Lá chegando, ele logo pergunta por Donana dos Cachorros, uma velha senhora com ares de feiticeira, que vivia num sítio bem retirado, na Vila da Água Branca.

A tal mulher referida era irmã de um político famoso de Lençóis e chegara naquela vila para ser professora; com o dinheiro que recebera da herança, comprou um belo sítio para ela e para o marido, onde viveram em alegria e harmonia até o dia em que seu marido morreu, vítima de um grave acidente provocado por um arreio que soltou-se de seu burro de carga e enganchou em seu ventre, estripando-o até a morte.

Após a morte dele, Donana entrou em depressão, deixando de cuidar de si mesma e do sítio, que logo ficou todo coberto de mato; também deixou de pagar os empregados, que logo a  abandonaram. Para não perder tudo, ela vendeu o sítio e ficou uma pequena casa, num restinho de terreno que sobrara.

Saía muito pouco de casa, apenas para comprar alguma coisa na vila. Foi numa dessas incursões que viu um cachorro sarnento sendo apedrejado por um grupo de garotos. Espantou as crianças apenas com sua expressão medonha e tomou nos braços o desgraçado cão, levando-o para casa.  Fez o mesmo durante vários dias, enchendo a casa de cachorros.

Na época em que o narrador havia vivido na vila, ela possuía uns trinta cães e nas noites de lua cheia, ela e seus cachorros passeavam pelos pastos; Donana entoava cantos religiosos e os vários cães a seguiam de maneira ordenada e obediente, uivando para a lua.

Alguns moradores começaram a falar que ela pegava os cães para fazer sabão e isto foi passando de boca em boca; outros diziam que ela se vestia com roupas feitas com peles de cachorros e até que comia os pobres sarnentos.  Daí saiu o apelido de Donana dos Cachorros.

Mas que fim teria levado a tal Donana e seus cachorros?

O resto, só lendo muito!

Ambas as histórias são sensacionais, dignas de receberem 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)

O Diário de Antonio Montoya – Rick Collignon


Resultado de imagem para O Diário de Antonio Montoya capaBoa noite, querida Família Lendo Muito!

A trama principal deste livro passa-se na fictícia e pacata cidade de Guadalupe, no México, quando os pais do menino José Montoya, de apenas onze anos, morrem num acidente de automóvel, provocado por uma vaca.

Ramona, artista plástica e tia de José, levava uma vida bem regrada e organizada até o dia do funeral do seu irmão e de sua cunhada, quando ela deparou-se com o fantasma de sua cunhada Loretta, que pediu-lhe para tomar conta do menino José.

A partir deste fato insólito, várias gerações de Montoyas vivos e também mortos começam a aparecer na casa de Ramona. Os avós falecidos de Ramona estão entre os espíritos que começam a visitar  a artista plástica; em uma destas aparições, sua avó pede a neta para que leia o velho diário de Antonio Montoya, escrito há setenta anos, no qual encontram-se muitas passagens da vida dos habitantes da pequena Guadalupe.

Agora, além de lidar com os fantasmas de seus antepassados, a pobre Ramona terá que lidar com os fantasmas de Guadalupe…

O resto, só lendo muito.

A história começa interessante, todavia, a partir da leitura do diário de Antonio Montoya, ela torna-se monótona e chata.

Não merece mais do que 2 estrelas!

Esperamos que tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)
&
Ana Paula

A Festa Derradeira – Artur Laizo


Festa Derradeira, ABoa noite, querida Família Lendo Muito!

Estive fora por alguns dias para recarregar minhas baterias, mas já não aguentava mais de saudades de cada um de vocês.

Para celebrar este meu retorno, escolhi uma resenha mais do que especial. Trata-se do livro A Festa Derradeira, escrito por um dileto amigo aqui do blog, o Dr. Artur Laizo, autor do magnífico livro de terror A Mansão do Rio Vermelho. 

Wagner começa a narrar a sua história a partir do momento em que ele foi diagnosticado com câncer pulmonar e o dr. Alberto, seu médico, achava que ele devia operar o mais rápido possível, só que esta não era uma opção para ele.

Todos os seus amigos de bar achavam que ele deveria operar logo e também parar de beber e fumar, porém, o que ele queria mesmo era fazer uma festa derradeira, para beber bastante e divertir-se ao lado daqueles de quem ele gostava, e também serviria como despedida, já que, caso não operasse, ele teria cerca de três meses de vida.

Ficou acordado então que eles fariam a  festa derradeira lá mesmo no bar em que frequentavam, na próxima sexta à noite.

O verdadeiro motivo de Wagner não querer operar era a culpa que ele vinha carregando consigo, culpa esta por ter sido um péssimo marido e um pai horrível!

Wagner perdera Sílvia, sua esposa, quando ainda eram muito jovens; apesar de acreditar que amava a esposa, ele começou a traí-la logo após o casamento com inúmeras amantes, chegando tarde quase sempre, sem que sua esposa jamais o censurasse. 

Como pai ele fora ainda pior, pois deixara a educação do filho Rogério totalmente a cargo de Sílvia, sem jamais ter elogiado uma vez sequer seu filho por ele ter tirado uma nota alta ou ter se destacado nos esportes, afinal, essa era a obrigação dele como filho, não é mesmo?

Quando Rogério ficou em coma, devido ao terrível traumatismo craniano que ele sofreu, ao cair de uma altura grande enquanto praticava alpinismo, ele mostrou-se preocupado apenas com seu umbigo, pois rezara para que o filho morresse logo, pois não queria ficar com uma “planta” em casa.

Após a morte do filho, ele passou a abdicar totalmente da vida amorosa, passando a entregar-se todas as noites à bebedeira e ao cigarro, perambulando de bar em bar, até cair .

A única exceção havia sido a bela Rafaela, com quem havia tido um relacionamento passageiro, contudo, como ele não queria nada sério, a moça simplesmente sumiu de sua vida por mais de dez anos. Entretanto, ao ficar sabendo de sua saúde precária, ela fez questão de ir à festa, com a intenção de reencontrá-lo e também convencê-lo a operar.

No dia da festa, todos estavam preocupados com o atraso do amigo, pois tinham medo que ele houvesse falecido; todavia, tudo mudou no momento em que Wagner chegou; a partir daquele momento, todos dançaram, beberam e brindaram animadamente… até o momento em  que Wagner foi acometido por um surto de tosse com sangue e correu para o banheiro.

Ele foi acordar três dias depois na UTI do hospital.

Dias depois, enquanto estava internado, ele recebeu a visita de Rafaela; ela fazia questão que ele se recuperasse logo e aceitasse operar o tumor, pois ele era o pai de Júnior, seu filho de dez anos!!!

Será que aquilo era mesmo verdade? Ou não passava de um  artifício criado por Rafaela, com o simples objetivo de convencê-lo a operar?

O resto, só lendo muito!

Uma história realmente dramática, que submete o leitor a  uma verdadeira reflexão sobre culpa e perdão e também sobre espiritualidade e evolução.

Livro digno de 5 estrelas!

Espero que vocês realmente tenham gostado.

Um xandylhão de beijos no coração de cada um de vocês!

Alex André (Xandy Xandy)