A bruxa não vai para a fogueira neste livro-Amanda Lovelace

Continuando a trilogia Mulheres tem uma espécie de magia, que iniciou-se com a obra A princesa salva a si mesma neste livroAmanda Lovelace é mais do que vitoriosa ao tentar conciliar os desejos simultâneos de agradar o leitor que aprovou o primeiro volume e de não apresentar apenas “mais do mesmo”.

Embora mantenha sua veia feminista e empoderadora, entre um livro e outro, Amanda efetua uma mudança que pode ser sentida até mesmo nos respectivos títulos: Enquanto princesas são comumente associadas a fragilidade, delicadeza e sensibilidade, bruxas são mais lembradas como poderosas, fortes e amedrontadoras.

Essa mesma modificação se faz presente nos poemas que, se mostravam muito da dor e dos sofrimentos do eu-lírico da poetisa, bem como sua dificuldade em aprender a gostar de si mesma, através de um viés mais delicado, sutil e melancólico, no último lançamento da autora se concentram mais na força do eu-lírico, em seu desejo de mudança e na raiva causada por todos os abusos por ele sofrido, tendo, assim, uma escrita menos suave e mais contundente, decidida, quase violenta, algumas vezes.

Assim como no primeiro livro, a poetisa também se aproveita de diversas metáforas para transmitir a mensagem desejada nesse último livro. As metáforas, é óbvio, variam de acordo com a imagem central da obra: Enquanto a primeira possui mais metáforas associadas ao mundo circundante às princesas (com referências a dragões, castelos e coroas), a segunda conta mais com aquelas relacionadas a bruxas (como, por exemplos, menções a fogueiras, feitiços e fogo).

Outra característica que notei em ambos os volumes é a preocupação da escritora em dirigir-se não apenas a mulheres heterossexuais e cisgênero, mas a mulheres LGBTI+ também. Se o primeiro livro contêm um poema sobre o amor entre mulheres, o mais recente conta com dois poemas que se referem a mulheres transgênero.

Um último detalhe que gostaria de comentar aqui é o evidente gosto da autora por obras de fantasia infanto-juvenil/YA, pois, se você achava que as referências a Harry Potter em seu primeiro lançamento não eram prova suficiente desse gosto, receio que as menções dela a Jogos Vorazes nesse último podem te fazer mudar de ideia. Apesar de não ser algo essencial às respectivas obras, nem tampouco o cerne delas, tais referências me deixaram feliz, uma vez que sou fã assumida de ambas as obras.

Com tudo o que disse até agora, acho que já posso afirmar que Amanda Lovelace é uma das minhas poetisas preferidas e, a despeito da minha preferência pelo primeiro livro dela, essa se explica por uma mera preferência minha por um tom mais sentimental e melancólico a um mais raivoso e retumbante, mas garanto que A bruxa não vai para a fogueira neste livro não decepciona nem os novos leitores da autora nem aqueles que já conhecem sua produção anterior, ganhando, assim, meu 9.

By Ana Beatriz

 

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4 comentários sobre “A bruxa não vai para a fogueira neste livro-Amanda Lovelace

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