Demontale (As matadoras do Submundo): Os contos do Submundo – vários autores

Alessandra Tapias, Daniella Rosa, Glau Kemp,
Leandro Zapata, Lu Martinho, Luisa Soresini,
Nana Lees, Patrícia L. Boos, Paulo Fabian, Samara Motta,
Vanessa Corsant, Viviani Xanthakos, Geana Krause,
Amanda Ághata Costa, André Mafra, Caroline Defanti,
Susana Silva, Nanda Cruzo, Edis Henrique, Francine Cândido,
Géssica Marques, Jéssica Driely, Mauricio R. B. Campos,
Lilah Prates, Mayara F. Costa, V. K. Macedo,
Daniele Oliveira, Yan Boos, Yara Prado

Após mais um de meus famosos períodos de sumiço, eu volto para comentar sobre essa coletânea de contos sobrenaturais que ganhei como um presente de meu irmão de alma aqui do blog, o Alê (muito obrigada pelo presente, por sinal, eu simplesmente o adorei)!

O livro conta com diversos autores diferentes, que variam de acordo com o conto escrito, o que nos proporciona a oportunidade de admirar as diferentes maneiras (seja por estilo de escrita, enredo ou personagem) que se pode desenvolver um tema em comum: O risco corrido pelo reino de Taleland depois que os príncipes desse são possuídos por Mefisto, um demônio que possui como objetivo o extermínio dos finais felizes e o controle total das terras do reino citado. E adivinha quem vai ter que combater esse perigo, uma vez que aqueles que normalmente salvam o dia se tornaram a ameaça em si? Isso, mesmo, as que sempre são salvas: As princesas!

Além de contar com o evidente e atraente elemento fantasioso/sobrenatural, que se dá pela presença de criaturas como demônios, fadas e trolls, por exemplo, a obra é interessante por desconstruir os contos de fada, atribuindo às princesas características que comumente não lhe são atribuídas (nem às mulheres como um todo, infelizmente): Força, coragem, independência e esperteza, quebrando, assim, a imagem frágil da feminilidade que normalmente recebemos pela mídia (sobretudo em em obras que se tratam de princesas), assim que assistimos às jovens lutarem por suas vidas e seus povos, ainda que usando vestidos e salto, muitas vezes.

Dito isto, acho que fica claro que eu gostei muito do fio condutor do livro e, por consequência, das tramas dos contos em si. Minha única crítica seria a de que, talvez por conto do diminuto tamanho dos contos, esses pecam no sentido do desenvolvimento: O enredo parece se desenrolar de maneira exageradamente acelerada, de forma que não temos tempo de nos apegamos às histórias e personagens apresentados.

Embora seja impossível falar sobre todos os contos aqui (basta ver a quantidade de autores que participaram do projeto para entender o motivo), não poderia deixar de mencionar o fato de que a história que abre o livro, a respeito de uma garota que cresce e é treinada no convento para só então descobrir suas origens e destino, foi escrita por uma amiga aqui da família Lendo Muito!!!, a Alessandra Tapias, ou simplesmente Lelê, para os mais íntimos, que foi muito bem sucedida na criação de uma trama original e uma personagem forte e marcante, embora tenha pecado um pouco (assim como a maioria dos autores presentes no livro) no quesito desenvolvimento, como já foi comentado acima, o que talvez se deva ao fato dos contos serem, de fato, muito curtos, dificultando um maior aprofundamento das histórias.

Outros contos que gostaria de citar são As longas mechas da vingança, de André Mafra, A maldição do cisne, de Francine Cândido e Lilith a princesa das trevas, de Géssica Marques. O primeiro, por ter sido  um conto que, dentre tantos, ainda foi capaz de se destacar em relação à construção de uma personagem forte e destemida e por ter sido também o primeiro (embora não o único) a abordar o a questão do estupro, além do assassinato em si, que foi mais focado na maioria dos contos. O segundo, por ter conseguido superar a dificuldade apresentada pelos demais no quesito desenvolvimento, sendo incrivelmente envolvente (o que pode ser explicado por se tratar de um conto um pouco mais longo que os demais). E o terceiro, por escolher uma princesa um tanto quanto inesperada e surpreendente, gerando uma atmosfera diferente em sua história por causa disso.

Enfim, um livro com grande potencial oferecido pela temática escolhida, mas com falhas de desenvolvimento que talvez pudessem ter sido evitadas com a prolongação de alguns contos (prezando, assim, pela qualidade, ao invés da quantidade dos mesmos), Demontale ganha o meu 8.

Beijos, Ana Beatriz

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