Os meninos do banhado – Edith Brockes Tayer

“A saga dos moradores da Vila Prosperidade, pela visão
cheia de esperança de crianças e adolescentes
fincados sobre águas lodosas”

Resultado de imagem para capa os meninos do banhadoBoa tarde, querida Família Lendo Muito!

Para começar bem a semana de todos vocês, escolhi uma resenha de um livro extraordinário adquirido por acaso em uma das máquinas de livros do Metrô. Trata-se de “Os meninos do banhado“, da autora Edith Brockes Tayer.

A história começa quando Seu João pau-d’água teve seu barraco levado por uma grande ventania, fazendo com que ele e sua família, sem outro lugar para morar, acampassem na rua mesmo, em pleno inverno de temperaturas abaixo de zero.  Como grande folgado que era, Seu João só saía para procurar moradia de tarde, sem obter sucesso.

Seu Godói, patrão de Seu João, conseguiu convencê-lo a ir morar no banhado que ele estava planejando lotear há muito tempo; ele até facilitou o pagamento do lote e das madeiras para o barraco em muitas vezes.  Sem muitas opções e com medo de ser preso pela polícia por estar morando na rua, Seu João mudou com a família para o banhado que ele mesmo deu o nome de Vila Prosperidade.

Conforme os aluguéis subiam na região, outras pessoas foram mudando para o banhado, e barracos novos eram levantados todos os dias, inclusive em outros banhados ali perto. Os adultos levavam uma vida miserável, sem conforto algum, todavia, davam graças de não estarem na rua e ao menos terem um teto para morar.

A mulher de Seu João, doentia e muito fraca que era, não resistiu à friagem do lugar, falecendo logo após o primeiro mês em que haviam mudado. Bete, a filha de 8 anos, assumiu então os afazeres domésticos e os cuidados com os irmãos mais novos Sete (Setembrina) de 6 anos e Pulguinha (Pulquério) de apenas 2 anos, que de tão raquítico, parecia ainda uma criança de colo, mas com uma barriga avantajada de gente grande.

A falta de lenha de sempre fazia com que a pobre Bete roubasse madeiras soltas das cercas dos outros para cozinhar e aquecer os irmãos; até rãs congeladas ela pegou certa vez, pensando se tratarem de cascas de madeira da vizinha…

O banhado tinha uma única bica d’água, e dela não saía mais do que um fiozinho de água. Nela, todos pegavam água para beber ou lavar roupa, várias vezes ao dia.

Já os garotos dali preocupavam-se apenas com coisas de criança mesmo. E jogar bola era a principal delas. Muito envergonhados ficaram após amargarem uma goleada de 8×1 do Americano, time dos garotos do outro banhado.

Zé Gadeia, o líder dos garotos da Vila Prosperidade, tinha certeza que eles perderam aquele jogo porque o outro time estava todo uniformizado, com camisas e chuteiras de alta qualidade, enquanto muitos deles nem camiseta tinham e jogavam sempre descalços.

É então que Zé Gadeia resolve reunir a garotada propondo que eles se dividissem em grupos e trabalhassem para juntar dinheiro para equipar o time. Alguns trabalhariam de engraxate, como serventes de pedreiro, vendendo picolés, limpando quintais, pegando malas na cidade, pescando ou apanhando rãs. Todo o dinheiro arrecadado ficaria em posse do Velho, um senhor em que eles confiavam muito.

Mas nada saiu como planejado, pois o padre da paróquia já estava ajudando os garotos do outro banhado, por isso, não sobrou qualquer atividade para os meninos da Vila Prosperidade fazerem.

Certo dia, uma família de retirantes oriunda do interior do Maranhão, mudou-se para o banhado. Chiquinho, o filho deles, transformou-se logo na sensação da Vila Prosperidade, pois ele era um verdadeiro mestre na arte de fazer pandorgas (pipas). Em pouco tempo, a Vila Prosperidade virou um centro de fabricação de belas pipas; o negócio estava dando tão certo que eles começaram até a aceitar pedidos de outros estados.

Como nada vinha fácil para os meninos do banhado, num dia de muita ventania, Chiquinho e os outros garotos estavam empinando um bidê – outro modelo de pipa que eles estavam testando-, e o vento estava tão forte que acabou levando a pipa até um poste de luz. Ao tentar tirar o bidê dali, Chiquinho levou uma descarga e morreu eletrocutado na hora. Esta foi a primeira de muitas tragédias que viriam assolar a Vila Prosperidade.

Todavia, as decepções sucessivas jamais conseguiram afastar a esperança daqueles meninos do banhado!

O resto, só lendo muito.

Com uma mistura de O Cortiço, de Aluísio Azevedo e  Os Meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnár, a autora Edith Brockes Tayer conseguiu transformar a dramática e comovente história dos moradores do banhado da Vila Prosperidade em uma verdadeira obra-prima da literatura brasileira!

Leitura obrigatória para crianças e adultos de todas as idades.

Merece 5 estrelas.

Espero que todos tenham gostado.

Um beijo no coração de cada um de vocês!

Alex André

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2 comentários sobre “Os meninos do banhado – Edith Brockes Tayer

  1. Nunca tinha ouvido falar sobre o livro, mas a resenha me deixou mais do que curiosa, visto que parece se tratar de um livro triste e, como sabe, tenho um fraco pelas histórias tristes… Kk. Como sempre, parabéns pela resenha excelente, Irmão Canela 🙂

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pode-se dizer que é uma história muito triste que acaba com um final muito feliz, irmãzinha querida.
    Todos deveriam ler para aprenderem com Zé Gadeia e os outros meninos do brejo a jamais deixarem desistirem dos seu ideais, mesmo enfrentando as piores desgraças.
    Grande beijo!
    Irmão Canela

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