O diário de Helena-Parte XIV

Nota da autora:Não, não é um fantasma que está dizendo isso então não, a história não morreu! No máximo entrou em coma…kk bem, antes de mais nada eu gostaria de me desculpar com os leitores (se é que alguém ainda está acompanhando esse negócio) pelo que acredito ser o meu maior atraso para postar! Além da falta de tempo, eu também tenho sofrido com um bloqueio criativo, mas…sendo sincera, eu não posso usar essa última desculpa, já que a cena já estava escrita há um bom tempo. O fato é que eu estou morrendo de medo que vocês não gostem dessa cena, sei lá, talvez minha paixão por fantasia tenha influenciado demais, não sei. Bem, a questão é que eu finalmente arranjei tempo e coragem suficientes para postar a continuação, então aqui está! Se alguém ainda estiver lendo isso, divirta-se, e, por favor, seja sincero nos comentários, eu não me importo com xingamentos kk.

-Você viu que o anjo segurava uma taça?-Helena apenas assentiu, incapaz de responder qualquer coisa.-Bem, cada um deve cortar o pulso e deixar um pouco do sangue pingar dentro da taça. O ritual começa quando o sino da igreja der a primeira badalada da meia-noite e ocorre na ordem de entrada no grupo. Sendo assim, você será a última. Quando a décima segunda badalada soar, todos devem beber da taça. Juntos. Ao mesmo tempo.

Como que para ilustrar o que dizia, a primeira badalada soou, preenchendo o silêncio causado pela fala de Paxton. E, com uma segurança que só alguém realmente preparado teria, Robert andou, calmo e impassível, até o túmulo e subiu nele. O canivete preto rompeu sua pele com uma facilidade incrível, o sangue vermelho manchando o cálice de mármore após escorrer por sua pele quase igualmente branca.

Depois disso, com toda a calma do mundo, Robert desceu de cima do caixão, pausando com incrível delicadeza ao lado de Helena, seus cílios com rímel preto e delineador tremiam, mas ele claramente tentava se controlar.

Logo em seguida, foi Taylor, na mão um típico canivete suíço, vermelho e com uma bandeira parecendo a cruz vermelha estampada no cabo. Seu corte também foi rápido e quando pousou ao lado de Robert, ofereceu a Helena um sorriso gentil e solidário.

Paxton subiu no túmulo antes que Helena pudesse ler as palavras no cabo prateado, a tinta azul um pouco manchada, provavelmente pelo suor que escorria na palma de sua mão enquanto ele se cortava depois de pisar de pisar de maneira rude nas ervas daninhas. Mas, apesar de seu nervosismo, ao chegar no chão ele conseguiu piscar para Helene antes de se posicionar ao lado de Taylor.

Ao ver isso, Amy franziu os lábios, nervosa, ergueu a cabeça, pisando duro. Ela obviamente se esforçava para demonstrar confiança, mas era possível o tremor em suas pernas ao subir no túmulo. Graças ás mãos trêmulas e a pouca experiência, seu corte foi o mais demorado. Já no chão, em pé ao lado de Paxton, seus nervos estavam á flor da pele e o garoto parecia tentado a tentar acalmá-la. Mas não podia. Ia contra as regras.

Era a vez de Helena. Nervosa, a garota pegou seu canivete na mochila, abriu-o e subiu no túmulo com um salto. Caminhando entre as ervas daninhas, ela achou o anjo, e consequentemente, o cálice. Sujo. Sangue misturado, respingando, escorrendo. Sangue de seus amigos.

Helena suava frio, o canivete escorrendo em sua mão molhada, trêmula. A lâmina suja de sangue seco penetrando em sua pele, a dor preenchendo seu corpo, as velhas cicatrizes queimando, invejosas, querendo sentir o frio da lâmina novamente, o clarão da lua refletida na lâmina. Tudo branco e prateado, em contraste com o a negritude da noite e das suas vestes. E então vermelho. Seu sangue escorrendo, mais uma mancha no cálice de mármore antes tão puro e branco. Sua pureza roubada.

Assim que viram a gota de sangue no cálice, todos pularam para o túmulo, formando um círculo ao redor da taça, á espera da décima segunda badalada. O nervosismo era visível no rosto de todos. Os cílios negros de Robert pareciam ter vida própria. Amy não parava de tremer. Paxton  mexia raivosamente em seu cabelo. Helena mordia o lábio inferior e tinha suas mãos fechadas com força, as unhas enterradas na palma enquanto o sangue em seu pulso ainda fluía. Até mesmo o sorriso de Taylor parecia mais vacilante.

Foi então que aconteceu. O som do sino ecoou por todo o cemitério quando eles se lançaram com tudo na direção do cálice. Cinco bocas disputando por espaço. O sangue escorria pelo queixo de Helena, agridoce e metálico, quando o barulho cessou. Robert se voltou para ela, lambendo os beiços sujos de sangue, sorriu com aquele ar de mistério característico, e disse:

-Bem vinda ás trevas, minha querida.

By Ana Beatriz

 

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