O diário de Helena-Parte VIII

Com um gesto de cabeça, Taylor sinalizou para os demais se sentarem. Eles o fizeram e só então Helena notou que o outro garoto, de cabelo azul, carregava uma mochila nas costas.

Ele a jogou para frente e abriu-a, tirando cigarros de lá. Mas não eram apenas cigarros comuns. Todos pegaram, o cheiro de maconha subia, preenchendo o ar. O Sr. Cabelo-Azul voltou-se para ela com o baseado entre os dedos e ofereceu-lhe um, perguntando:

-Vai um beck aí?-Ele sorriu, incentivando.

Hesitante, Helena assentiu com a cabeça, aceitava qualquer coisa que a fizesse esquecer e relaxar um pouco. Aceitou o cigarro e não parou de tossir logo após a primeira tragada.

-Primeira vez?-Ela corou, se denunciando.-Imaginei, se quer uma dica, faça o seguinte:puxe bem, com força, e trague, não solte o ar e repita o processo até que seu pulmão esteja cheio. Só solte o ar quando realmente precisar.

Helena fez um gesto afirmativo com a cabeça, agradecendo. Obedeceu e viu que, de fato, funcionava. Quando todos já estavam satisfatoriamente munidos de maconha, as histórias começaram. Por ordem decrescente de idade.

O líder era realmente o mais velho, com 20 anos. Se chamava Robert e, apesar de sempre ter tido uma certa tendência natural para isso, se tornou definitivamente gótico quando sua namorada morreu de AIDS. Ele nunca teve AIDS.

Já Taylor tinha 19 anos, mas perdera os pais aos 7 em um acidente de carro. Por não ser bebê, ninguém a queria, portanto foi transferida para vários orfanatos diferentes até fugir do último aos 17. Foi aí que ele conheceu Robert.

Paxton (o Sr. Cabelo-Azul) tinha 17 anos, apesar de parecer mais velho. Seu irmão tinha 26 anos quando foi morto pela polícia por tráfico de drogas. Antes, ele já conhecia Robert e Taylor porque eram clientes do irmão. Não foi muito difícil entrar para o grupo depois disso.

Envergonhada, a última menina admitiu não ter uma história tão chocante quanto a deles. Se chamava Amy e, assim com Helena, tinha 16 anos. Entrara para o grupo há pouco tempo, o que explicava a ausência de tatuagens, ao ser encontrada por eles sozinha e chorando após descobrir que seu amor de infância só ficara com ela porque queria sexo, nada sério. E ainda postou um vídeo dos dois na internet.

-Bem, -pronunciou-se Robert- agora só falta você. Qual é a sua história?

Helena não tinha certeza se era o efeito da maconha ou o fato de estar com pessoas como ela, mas se sentia incrivelmente relaxada. E então começou a falar. Ao final Robert se voltou para ela, dizendo:

-Realmente, é uma boa história. Se quiser ficar com a gente, estaremos aqui amanhã á meia noite. Nós temos um apartamento no centro velho. Vai ter que abandonar sua casa e a escola. Vivemos uma vida isenta de luxos, mas ao menos podemos ser nós mesmos.

Todos sorriram para ela, convidativos. Fazia um ano que Helena não se sentia tão aceita. Se levantou, despedindo-se de todos, e foi embora. Apesar de não pensar em outra coisa no caminho de casa, no fundo Helena já sabia exatamente o que iria fazer…

Continua…

By Ana Beatriz

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