O diário de Helena-Parte VII

A garota mirava seus pulsos, de forma que Helena finalmente entendeu o que ela queria dizer. Por algum motivo, sentia que devia confiar neles, contar tudo, admitir. Mas antes mesmo que pudesse pensar direito, cruzou os braços para impedí-la de puxar as mangas de seu moletom. Não. Duas vezes no mesmo dia era demais. E justo naquele dia.

A menina de cabelos vermelhos (Taylor), lhe ofereceu um sorriso singelo, seus olhos refletiam carinho e compreensão quando ergueu as mangas da própria jaqueta de couro preto que usava, esticando o braço na direção de Helena, exibindo-o.

Quase como se tivessem combinado, os outros repetiram o gesto praticamente simultâneos. Helena não pôde deixar de ficar fascinada com aquilo, e não estava impressionada apenas com a sincronia.

Seus braços pálidos brilhavam ao sol, as cicatrizes mais velhas (prateadas) cintilavam enquanto as vermelhas se destacavam em meio a tanto branco, tanta luminosidade. Os cortes em sentidos e formas diferentes em cada pessoa. Nenhum igual ao outro.

E em meio a seu devaneio, Helena se deu conta de que comparar aqueles braços era como comparar Michelangelo e Leonardo da Vinci . Cada um tinha uma obra diferente por serem pessoas diferentes, mas participavam do mesmo movimento.

Assim como os dois eram humanistas, todos os donos dos quatro braços estendidos á sua frente praticavam a mesma arte psicopata, impulsionados pelos mesmos sentimentos suicidas.

Lentamente, Helena descruzou os braços e tirou a proteção que era a manga do moletom cobrindo as cicatrizes de seu braço esquerdo, fazendo com que ele se unisse aos demais braços estirados. Ao fazê-lo, desviou o rosto rápido, mas não o suficiente para que deixasse de ver o sorriso triste estampado nas faces de cada uma das pessoas á sua frente.

Todos cobriram novamente seus braços,, Taylor voltou a se agachar e puxou delicadamente o rosto de Helena para que a encarasse diretamente nos olhos. indagou, gentil e solidária:

-Qual é a sua história?-E ao ver a dúvida em seu olhar continuou:-Ninguém nasce assim.Você até pode ter uma pré-disposição para essa vida. Mas é o mundo que te transforma nisso. Todos aqui tem uma história.

Continua…

By Ana Beatriz

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