HOTEL ÍRIS – Yoko Ogawa

Garimpando pelas máquinas de livros da cidade à procura de novos livros, deparei-me com este intrigante livro, oriundo de uma escola literária para mim totalmente desconhecida, pois até então jamais havia tido qualquer contato com a literatura asiática antes. Isso atiçou ainda mais a minha curiosidade, pois admiro muito a cultura e os  costumes asiáticos. A sua culinária, o respeito que dispensam aos idosos, o modo como criam seus filhos e suas tradições milenares servem de exemplo para todos nós, ocidentais.

Agora, descobri que a escrita deles também deve ser respeitada, pois Yoko Ogawa tem várias obras adaptadas para o cinema e já conquistou seu lugar de destaque na literatura contemporânea mundial.

Mari era uma garota japonesa, de dezessete anos, que levava uma vida submissa. Ela fora tirada da escola para ajudar sua mãe extremamente autoritária no Hotel Íris, de propriedade das duas. Sua vida se resumia apenas ao trabalho no hotel, já que não tinha amigos e nenhum namorado, ou qualquer passatempo para distrair-se.

Um incidente ocorrido no hotel muda completamente o rumo da sua vida: Certo dia, ela testemunha uma discussão entre uma prostituta e um hóspede do hotel. A forma como o homem falou e xingou aquela mulher despertou interesse em Mari. Ela encontra novamente este homem e torna-se muito íntima dele, íntima a tal ponto de ir conhecer a sua casa que ficava em uma ilha próxima.

O homem por quem ela se interessara era apenas um tradutor de russo (e seu nome nunca é revelado) de mais de sessenta anos, viúvo, e que vivia recluso do mundo. Havia rumores de que ele havia matado a própria esposa. Ele mostra-se amável, mas de uma hora para a outra passa a submeter Mari a diversos tipos de tortura física e sexual. Ao liberá-la para voltar para a casa, Mari ainda acena para aquele homem que tanto sofrimento a fizera sentir.

Mari cria um vínculo tão forte com este tradutor, que passa a mentir para a mãe para conseguir encontrar-se com seu amante depravado. Ele passa então a levá-la a passeios no parque, como seu falecido pai fazia e manda cartas apaixonadas para ela, com o nome de mulher, para que a mãe de Mari não descubra. A tortura física aumenta e atração entre ambos, também.

Certo dia, o tradutor convida-a para um almoço em sua casa. Mari aparece e tem uma grande surpresa, pois seu algoz não está sozinho. Ele apresenta o seu convidado como sendo um sobrinho mudo que veio visitá-lo e por quem ele sentia muito amor. A jovem passa a sentir ciúmes da relação entre os dois, pensando que o jovem poderia ir embora, e permitir que o tradutor fosse só dela, torturando-a e humilhando-a como ele bem quisesse. Ela vai para a casa frustrada naquela tarde.

Porém, ao conhecer melhor o rapaz e se tornarem íntimos, ele lhe faz uma revelação chocante a respeito da morte da esposa do tradutor, algo que fará com que a violência doentia deste homem seja compreendida, mas não justificada…

O resto, só lendo muito.

O livro faz uma reflexão sobre a submissão da mulher, o amor inocente e  incondicional e a violência. Muitos não gostarão deste livro, ficarão mesmo com ódio ao lerem suas páginas, mas enganam-se os que acham que tem alguma coisa de chulo, pornográfico nele. Longe disso, já que mesmo nos momentos de extrema violência a autora utilizou de sutileza e respeito pelo leitor. 

Um livro que deve servir como verdadeiro exemplo para muitas garotas inocentes que conhecem uma pessoa e se entregam de corpo e alma, e também para as mulheres que caem na lábia de verdadeiros monstros de rostos bonitos e frases bem elaboradas.

Aqueles que se interessarem em ler, irão encontrar algo diferente de tudo o que já leram; algo que os marcará para sempre! Nota 8,5. 

Alex André

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2 comentários sobre “HOTEL ÍRIS – Yoko Ogawa

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