O diário de Helena-Parte I

Bem, para começar gostaria de dizer que esse é um post bem diferente do que estou acostumada a fazer. Não é uma resenha. Nem de livro, nem de anime, nem de série. É que estou escrevendo uma história, e meu “irmão espiritual”, Alê, me deu a ideia de publicá-la aos poucos. Graças a isso, vou passar a publicar minha história uma vez por semana, apenas alguns parágrafos de cada vez. Bom, para que não se sintam totalmente perdidos, antes de iniciar minha história, aqui vai uma breve sinopse:

Helena é uma adolescente cursando o Ensino Médio. Solitária, sem amigos e sem o apoio da família, a garota é corroída pela culpa de achar-se desajustada quanto à sua sexualidade e pela dor de ter sido rejeitada pelo seu primeiro, e até agora único, amor. Sem saber como lidar com tudo isso, ela começa a se cortar, mas…seria esse mesmo seu fim? Ou será que, assim como todo mundo, ela tem direito a um final feliz?

  Como eu disse, essa foi uma breve sinopse para não cansá-los demais nem dar spoilers, agora aqui vão os primeiros parágrafos.Espero que gostem:

12 de março de 2014

  O som da chuva batucando levemente na janela compunha uma trilha sonora um tanto sinistra e dramática para o dilema de Helena. O canivete rosa formava um contraste chocante contra seu braço morbidamente pálido, a pele de um branco quase translúcido, como a de um morto.

  Para piorar, além da cor chamativa, o canivete tinha seu cabo coberto por diversas figurinhas da Ariel, o símbolo daqueles anos dourados aos quais chamamos “infância”, sua princesa preferida em tal época.

  Ainda se lembrava de quando ganhara aquilo, em seu aniversário de 10 anos. Tinha gravada na mente a expressão de pânico estampada na face de sua mãe e o sorriso de de seu pai, dizendo que ela já era uma menina grande, não iria se machucar.

  Os grande olhos inocentes da sereia ruiva quase a fizeram desistir. Aquela não era ela. Helena era uma garota meiga e doce. Bonita e alegre, não era do tipo que se cortava.

  Foi então que, finalmente, Helena se viu refletida no espelho do banheiro e notou que ela na verdade era do tipo que se cortava. Aquela garotinha bonita, doce, meiga e alegre morrera há muito tempo atrás, sem esperanças de ressuscitar.

  Uma prova disso era seu cabelo quimicamente tratado que, cortado e alisado pela tola mão humana, jamais voltaria a ser um amontoado de cachos que se desenrolavam até a cintura.

  Até mesmo seus olhos (as janelas da alma) pareciam diferentes. Ainda eram belos e azuis, porém lhe parecia que agora eram de alguma forma mortos e opacos, como se houvessem perdido sua original alegria e vivacidade.

  Era isso, não havia mais no que pensar. Helena fechou os olhos, angustiada, ao sentir o gélido metal da lâmina contra sua pele repentinamente quente. Se estava assim pelo simples choque de temperatura, pela ansiedade de fazer algo assim, ou pela vergonha de seu pequeno pecado, jamais saberia.

Continua…

  Como disse, esse é bem o começo mesmo, apenas os parágrafos iniciais, é tanto que ela ainda nem se cortou. Eu realmente espero que tenham gostado e, como prometido, pretendo postar a continuação semana que vem.

By Ana Beatriz

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