O ASSASSINATO DO ANÃO… – Plínio Marcos

Este livro utiliza uma linguagem mais forte e chula, e até seu título completo é proibitivo para este blog.

A história toda se passa em tom de humor e suspense. Uma denúncia de maus-tratos envolvendo o leão do circo, se torna em uma grande investigação policial de assassinato ao anão Janjão do circo.

A mulher do prefeito, Dona Ciloca,  recebe uma denúncia de que cães e gatos estavam sendo dados de comer ao leão do circo. Ao contatar o delegado, o mesmo resolve ele mesmo tomar conta desta denúncia e vai ao circo com seu aparato policial. Lá o que verificam é um estado de pobreza do circo cigano Grand Circus Atlas. Platão, o leão estava sujo e sua jaula cheirava mal.

Mas o que chama a atenção de todos é um monte de roupas encontradas na jaula de Platão, que depois foram identificadas como sendo do Anão Janjão, sujeito arrogante e de certa forma desprezível, que todos gostariam de dar fim.

O que acontece a partir de então é um verdadeiro julgamento contra o povo cigano, que são tidos como ladrões de casas, de crianças, capazes de roubar bebês de colo, para torcer suas juntas e exibirem estas crianças mais tarde como contorcionistas. O povo, já com o veredicto de culpado, tenta atear fogo e apedrejar os funcionários do circo, porém são detidos pelos policiais, mais interessados em saber quem matou o anão, custe o que custar (chegam a usar de força bruta, para descobrirem o culpado).

O resto, só lendo muito…

Este livro nada mais é do que uma crítica social contra o modelo de investigação da época e a sociedade hipócrita, que tende sempre a procurar culpados nas camadas inferiores. E a genialidade de Plínio Marcos é tanta, que ele utilizou duas técnicas ao escrevê-lo: a literária e a teatral. Um livro nota 10.

Plínio Marcos, para quem não conhece, foi o maior, o mais premiado e mais proibido autor de teatro brasileiro. Não chegou a concluir nenhuma das várias escolas que cursou. Foi estivador, camelô, jogador de futebol, ator, escritor e jornalista. Suas peças de teatro foram um marco para a nova linguagem do teatro brasileiro. Nos anos 80, 90 vendia seus livros livremente perto do Edifício Copan, em São Paulo, onde meus pais várias vezes o viram, de chinelo de dedo, como uma pessoa do povo.

5 comentários sobre “O ASSASSINATO DO ANÃO… – Plínio Marcos

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